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LÍNGUA PORTUGUESA: dicas e exercícios 41

Você se lembra de PRÓCLISE, MESÓCLISE e ÊNCLISE?

Trata-se da correta COLOCAÇÃO (= topologia) dos pronomes oblíquos átonos.

Neste domingo, vamos tirar algumas dúvidas a respeito desse assunto.

Dicas gramaticais

COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Introdução
Os pronomes oblíquos átonos (= ME, TE, SE, O, A, LHE, NOS, VOS, OS, AS, LHES) podem ocupar três posições:
1) antes do verbo = PRÓCLISE (posição proclítica);
2) depois do verbo = ÊNCLISE (posição enclítica);
3) meio do verbo = MESÓCLISE (posição mesoclítica).

Os pronomes oblíquos átonos são “fracos” na pronúncia. Por serem átonos, unem-se ao verbo. Não há hífen na próclise, porque a “união” é maior na ênclise. Em razão disso, na sintaxe lusitana, a preferência é a ênclise. No Brasil, a preferência é a próclise.

1 – NOS REUNIMOS ou REUNIMO-NOS com o diretor?
Segundo a sintaxe portuguesa, não devemos usar o pronome oblíquo átono no início da frase, embora seja muito comum no Brasil.
O certo é “REUNIMO-NOS com o diretor”.

Vejamos outros exemplos:
“Dá-me um cigarro”.
“Encontramo-nos com os amigos”.
“Tratando-se de dinheiro, não há discussão”.

Se você considera a forma REUNIMO-NOS pedante ou artificial, sugiro que ponha o sujeito antes do verbo e use a próclise:
“Nós NOS REUNIMOS...”

Em textos formais, é recomendável evitar frases típicas da linguagem coloquial brasileira:
“ME considero pré-candidato”,
“SE sente deprimida.”

Podemos usar:
“Considero-ME pré-candidato”.
ou
“Eu ME considero pré-candidato”.

“Sente-SE deprimida.”
ou
“Ela SE sente deprimida”.

2 – Eu O ENCONTREI ou ENCONTREI-O no espigão?
Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.

É preferível a próclise sempre que o sujeito aparece antes do verbo:
“O diretor SE RETIROU mais cedo (ou retirou-SE)”.
“Ela LHE ENTREGOU os documentos (ou entregou-LHE)”.
“O proprietário ME OFERECEU um cargo em sua
empresa (ou ofereceu-ME).”

3 – Eu não LHE DISSE ou DISSE-LHE a verdade?
O certo é: “Eu não LHE DISSE a verdade”.

Quando há uma palavra de sentido negativo (= não) antes do verbo, devemos usar a próclise.

A próclise (= pronome oblíquo átono antes do verbo) é recomendável nos seguintes casos:
a) com palavra negativa: não, nunca, jamais, nada, ninguém:
“Nada ME preocupa mais do que isso”.
“Ninguém NOS perturba tanto quanto os governantes”.

b) com alguns conectivos: que, se, quando, embora, porque:
“Ele lhe disse que OS dispensaria logo”.
“Quando SE trata de política, devemos ter cautela”.
“Caso TE ofendam, tenha paciência”.

c) com alguns advérbios (sem pausa): sempre, já, ainda, agora, talvez:
“Sempre NOS encontramos aqui”.
“Ele já LHE disse tudo”.
“Isto talvez ME seja útil”.

d) com pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos:
“Foi ele quem O avisou”.
“Aqui está o livro que TE emprestaram”.
“Isto NOS é desfavorável”.
“Todos A criticaram muito”.
“Alguém NOS viu quando chegamos”.

e) em frases interrogativas:
“Quem LHES enviou os documentos?”
“Quando NOS encontraremos novamente?”
“Como TE sentes?”

f) em frases exclamativas ou optativas:
“Como VOS respeitam!”
“Quanto TE odeiam!”
“Deus O abençoe!”
“Macacos ME mordam”.

g) com verbo no gerúndio antecedido da preposição EM:
“Em SE plantando, tudo dá”.
“Em SE fazendo dia, partirei”.

h) com formas verbais proparoxítonas:
“Nós O censurávamos”.
“Nós A encontráramos antes de ele chegar”.

Teste da semana:
Assinale a opção que completa, corretamente, a frase abaixo:
“Verifique se os programas estão __________ pois __________, no decreto, a exigência de formação e treinamento dos futuros chefes”.
a) certo / está implícito;
b) certo / estão implícitos;
c) certos / está implícita;
d) certo / está implícita;
e) certos / está implícito.

Resposta do teste: Letra (c).
O que está CERTO são os programas e o que está IMPLÍCITO é a exigência. Portanto, o correto é “os programas estão CERTOS” e “está IMPLÍCITA a exigência”.

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