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Toda cidade tem seu encanto, e muito desse encanto deve-se a personagens – não necessariamente personalidades – singulares. São pessoas com alguns graus de liberdade a mais, de despojamento a mais e, alguns diriam, de loucura a mais. Na minha cidade natal, Caxias (MA), eu ainda criança e adolescente, convivi com pessoas assim: o Pedro, bom desenhista, que, à maneira de certo jesuíta, escrevia e, sobretudo, desenhava em areias. O Feijão... O Frota... A Maria Pouquinha... A “Boi Te Come”...

Em Imperatriz, conheci alguns desses seres especiais: o Leó, o Elias do Boi...

Na tarde-noite de 24 de janeiro de 2018, soube que Imperatriz ficou sem uma dessas luzes ambulantes. Elias do Boi, aos 65 anos, havia morrido.

Como quase sempre eu ando pelas ruas de Imperatriz a pé, às vezes encontrava o Elias. Ele se aproximava de mim: “– O Chancho! O Chancho!”, era como ele falava, lindamente, meu sobrenome.

Quando ele sabia que eu era candidato a mandato político, me pedia os cartõezinhos (minha “marca registrada” em campanhas e, também, geralmente meu único material gráfico de divulgação). Eu perguntava a ele sobre a saúde, se alguém não o estava deixando em paz etc. etc.

Elias do Boi era cativante, na simplicidade, na verdadeira tradição que, do seu jeito, criou na cidade, tocando seu pandeirinho, cantando o seu cantar, às vezes acompanhado de crianças.

Se há dois anos Elias do Boi saiu da vida para a imortalidade, bem antes ele já estava imortalizado em canções de outros artistas, músicos, que, sensíveis como só o são os artistas, foram tocados pela singeleza eliana. É o caso do cantor e compositor Erasmo Dibell, que fez a canção “Minha Cidade”, cantada pelo Carlinhos Veloz (a quem homenageei na Câmara Municipal em 2012), e o também cantor e compositor José Bonifácio Cézar Ribeiro, o Zeca Tocantins, que (en)cantou o Elias na sua música “Boi de Brinquedo”, interpretada pelo inesquecível Neném Bragança (falecido em 2015). Cronistas da cidade também creditaram o nome de Elias do Boi em seus textos.

Portanto, seja contando um dedo de prosa, seja cantando a letra de uma canção, Elias do Boi era uma personagem inspiradora... para quem sabe o que é isso.

Quem era

Elias do Boi era o artista. O civil chamava-se Elias Araújo da Silva, nascido em São João dos Patos (MA), em 14 de novembro de 1952, filho de Dª Albina Barros de Araújo e do Sr. Victal Mariano da Silva. Veio criança para Imperatriz, em 1954.

Após a morte dos pais, a irmã, Maria do Carmo (chamada Neném), abrigou Elias na residência dela, de onde ele saiu porque não quis acompanhar a irmã, que estava de mudança para o município de Davinópolis, à época Vila Davi, um ex-bairro distante do centro de Imperatriz.

Segundo colheu o jornalista Jaldene Nunes, que fez alentada reportagem sobre Elias do Boi, o artista não queria sair da região central da cidade, pois delimitara a região do calçadão de Imperatriz como uma espécie de área de atuação, o seu “lugar de fala”, canto, brincadeiras e dança, área onde até realizava serviços de coleta de resíduos das muitas lojas daquele setor comercial. Desse modo, Elias do Boi contou com o acolhimento de pessoas amigas, em cujas residências foi morando.

Elias chegou a ser “fichado” na Prefeitura de Imperatriz, como servidor da Secretaria da Educação.

Um artista nasce

Elias aprendeu a brincadeira do boi com um tio, Raimundinho, que morava em Pedreiras (MA). Mas brincar o boi mesmo, como observa Jaldene Nunes, isso aconteceu somente em Imperatriz.

Elias ajudou na campanha eleitoral de Renato Cortez Moreira, que, em primeiro mandato, governou Imperatriz de 1970 a 1973. Em retribuição, sabendo de seu gosto pelo folclore junino, Elias recebeu do então prefeito um boi, aquele simulacro do animal, sob cuja armação dança uma pessoa. O do Elias fora feito em Belém (PA).

Depois, Elias foi brincando e fazendo brincar. Há registros fotográficos de muita gente adulta hoje que participou dos bois de Elias na época de menino e adolescente.

Com o correr dos anos, pelo menos outros dois bois, após o primeiro, foram doados por políticos da região. Isso fazia a alegria de Elias e a permanência da brincadeira.

As décadas se passaram. Elias foi se sentindo só. Uma solidão compartilhada com um pandeirinho... um boizinho... A riqueza folclórica que ele defendia não combinava com a pobreza franciscana a que era submetido pelo modo de ser e agir de pessoas, órgãos e instituições, públicos ou privados, da cidade onde viveu praticamente toda a sua vida.

*

Elias do Boi, não há dúvida, foi para o céu. Se, desde há dois anos, a gente à noite enxergar mais estrelas brilhando lá no alto, estejamos certos: são estrelas do manto cintilante do boi do Elias. Boi que brinca. Boi que vai e volta e voleia.

São Pedro e São João, dois anos atrás, estavam à entrada do portão celeste, e anunciaram:

“– Chegou o Elias do Boi!”

Agora, sim, tem festa no céu.

*

Descanse – e brinque – em paz, Elias.

* EDMILSON SANCHE

Fotos: Elias com pandeiro e, no calçadão de Imperatriz, dançando (foto de Carlos Brandão) e, em foto de Fernando Cunha, sentado: alegria, inspiração, solidão.

Mestrandos ou doutorandos que estudam desigualdade racial na educação básica brasileira têm até 15h de sábado (20) para se inscrever no projeto de estímulo à pesquisa do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (Ceert).

Serão escolhidos 15 projetos de pesquisa e nove artigos científicos. Cada projeto selecionado receberá R$ 150 mil. A quantia deve ser usada para colocar a proposta em prática, o que deve ser feito em 18 meses. Além disso, o coordenador da pesquisa receberá, mensalmente, uma bolsa de R$ 3 mil.

Os projetos serão distribuídos nas áreas de educação Infantil, ensino fundamental e médio. As pesquisas devem começar a ser desenvolvidas em outubro.

Os artigos científicos serão selecionados em três diferentes categorias: dois de autores já graduados, que receberão, cada um, R$ 3 mil; dois produzidos por pesquisadores que já concluíram o Mestrado e que receberão, cada um, R$ 5 mil; e dois escritos por doutores, que receberão R$ 8 mil cada um. Cada categoria premiará um terceiro artigo, que receberá menção honrosa.

Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb/Inep) de 2017 mostram que a proporção de estudantes negros no 5º ano com aprendizagem adequada em matemática era de 29,9%, enquanto esse percentual, em se tratando de estudantes brancos, era duas vezes maior.

No ensino médio, a proporção (16%) de estudantes brancos com aprendizado adequado em matemática chega a ser quatro vezes superior a dos negros (4,1%). O Ceert também cita dados de um estudo de 2018, do Inep, que apontam que o risco de repetência é maior entre estudantes negros.

O prêmio é iniciativa do Itaú Social em parceria com Instituto Unibanco, Fundação Tide Setubal e Fundo das Nações Unidas para a Infância.

(Fonte: Agência Brasil)

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Menos de 40% das redes de ensino municipais qualificaram ou estão dando formação aos seus professores para lecionar durante a pandemia de covid-19, com recursos de educação a distância – 61% das redes informam que não ofereceram qualquer treinamento.

Apesar da falta de capacitação, 82% das redes municipais ouvidas têm alguma estratégia para aula ou oferta de conteúdos pedagógicos a distância durante a pandemia. No caso das redes estaduais, todas estão mantendo atividades não presenciais. A Base Nacional Comum Curricular é a principal referência (93%) para a elaboração dessas atividades.

Os dados constam da pesquisa “A educação não pode esperar”, elaborada pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), uma associação civil criada pelos tribunais de Conta do Brasil. O IRB funciona há 46 anos e se apresenta como “braço acadêmico” dos tribunais no desenvolvimento e aperfeiçoamento das atividades de controle externo. Na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos municípios do Rio de Janeiro e São Paulo, os tribunais de Conta são vinculados às casas legislativas.

O trabalho foi feito para o IRB a partir de levantamento de informações em 249 redes de ensino de todas as regiões do país. Dessas, 232 são municipais e 17 são estaduais. Entre as redes municipais, a amostra envolve capitais e cidades sorteadas. As informações apuradas dizem respeito à educação infantil, ao ensino fundamental e médio.

A pesquisa identificou que é recorrente o “uso do WhatsApp para comunicação entre Secretaria de Educação, escolas, professores, alunos e responsáveis e, também, para envio de conteúdos curtos”.

Para os alunos que têm acesso à “internet”, as secretarias disponibilizam conteúdos em páginas “on-line” próprias e em redes sociais. Também se identificou a utilização de plataformas, como Google Classroom, para videoaulas em tempo real.

No caso dos alunos que não têm acesso à rede mundial de computadores, as secretarias de Educação informaram que fazem a entrega de conteúdos impressos na própria escola ou até nas residências dos estudantes.

Acima de 80% das redes municipais e estaduais ouvidas pela pesquisa mantêm a distribuição de alimentos às famílias dos estudantes, como prevê a Lei nº 13.987, de 7 de abril de 2020, que autorizou, em caráter excepcional, a distribuição de gêneros alimentícios adquiridos com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) aos pais ou responsáveis pelos estudantes das escolas públicas.

Ampla maioria (em torno de 80%) das redes municipais pesquisadas estão planejando a volta às aulas presenciais, elaboram estratégias contra o abandono escolar e preparam avaliações para o retorno às aulas.

No caso das redes estaduais, 15 (das 17 pesquisadas) disseram que estão preparando-se para a volta às aulas. Todas informaram que têm estratégias para evitar o abandono escolar e que farão avaliação para verificar o nível dos estudantes e suas principais dificuldades.

(Fonte: Agência Brasil)

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Cerca de sete anos atrás, um texto que escrevi sobre Paris chamou a atenção de outras pessoas. Um jovem imperatrizense nosso amigo, que mora em Curitiba (PR) e que estudou para seu doutorado em Londres, fez uma observação sobre a tradução do título do livro “Paris é uma Festa” (em inglês, “A Moveable Feast”), de Ernest Hemingway.

O título em português – “Paris é uma Festa” – é tradução literária, não literal. A tradução “literal” do título inglês “A Moveable Feast” seria “Uma Festa Móvel”. Fica estranho, não? O que você acha?

Seja pela qualidade literária da obra, seja pela fama de Hemingway, esse título virou quase epíteto da capital francesa. (Epíteto é a palavra ou expressão que se associa a um nome para atribuir-lhe uma característica ou qualidade – como “Cidade Maravilhosa” para o Rio de Janeiro e, no caso, dizer que “Paris é uma festa”).

Quanto ao título inglês do livro de Hemingway, pode ser que os tradutores tenham utilizado uma liberdade literária (já que é um livro de literatura propriamente dita). Essa liberdade chama-se “elipse”, que aceita a supressão e o subentendimento de um termo.

Talvez, sei lá, os tradutores tenham pensado:

“– Toda festa é móvel; não há festa sem movimento, sem movimentação. Logo, basta preservar o termo ‘festa’ (‘feast’) e acrescentar o nome a que este termo se refere – eureca!, é... Paris!”.

Assim, para não traduzir simplesmente para “Uma Festa Móvel” (ou “Uma Festa Ambulante”, como querem alguns), os tradutores mais ou menos recriaram o título sem desmerecer o título original.

Acontece que o significado ou sentido que Hemingway queria dar era o de que Paris é uma festa que se move, que se movimenta com a gente, uma festa que a pessoa carrega, transporta consigo, quando conhece a capital francesa – pelo menos tão intensamente como Hemingway a conheceu, na flor de seus 22 anos, convivendo com autores e artistas de renome mundial.

Assim, o adjetivo “moveable” (ou ‘movable’, na grafia alternativa, mais ‘moderna’, em inglês) teria de ter, em português, uma palavra que, neste momento, eu não saberia dizer qual é: “transportável”? “carregável”?

Qualquer dessas duas traz ‘aquele’ sentido – mas, convenhamos, nenhuma das duas tem, digamos, literariedade.

O termo que se busca é aquela palavra em português que exprima o seguinte: Paris é uma festa que te acompanha dentro de ti, por toda a tua vida. Pronto! Perfeito. Mas que palavra seria essa?

Não é fácil encontrar termos que traduzam, ou melhor, reproduzam, integralmente, as exatas intenções do autor do texto original em qualquer idioma que seja.

Paris pode até ser uma festa – mas tradução será sempre uma tensão...

... muita atenção...

... e, frequentemente, traição.

“Traduttore, traditore” – como dizem os italianos nesta conhecida paronomásia: “Tradutor, traidor”, significando que “traduzir é trair”.

A língua é uma festa...

* EDMILSON SANCHES

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O Senado aprovou um projeto de lei instituindo o dia de hoje (18) como o Dia Nacional do Orgulho Autista. A votação do projeto 3.391/2020, de autoria do senador Romário (Podemos-RJ), não estava prevista, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, acolheu o pedido do autor da proposta. A aprovação do projeto no dia de hoje é carregada de simbolismo, pois hoje, dia 18 de junho, também é celebrado o Dia do Orgulho Autista.

Agora, o projeto segue para apreciação da Câmara dos Deputados. Na justificativa do seu projeto, Romário explicou que a existência de um dia dedicado aos autistas auxilia na formulação de ações e providências relacionadas à conscientização e mobilização social.

Segundo levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, divulgado por Romário em seu projeto, existe, hoje, um caso de autismo a cada 110 pessoas. “Dessa forma, estima-se que o Brasil, com seus 210 milhões de habitantes, possua cerca de 2 milhões de autistas”, afirmou o autor do projeto.

O Dia do Orgulho Autista é celebrado desde 2005, por iniciativa de uma organização americana chamada Aspies for Freedom. No Brasil, especificamente em Brasília, um grupo de pais, parentes e amigos de pessoas com autismo, aderiu ao movimento. Desde então, o dia 18 de junho tem se tornado mais popular no país a cada ano, embora ainda não haja uma lei formalizando a data.

(Fonte: Agência Brasil)

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Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (18), o economista Abraham Weintraub anunciou sua saída do cargo de ministro da Educação, que ocupava desde abril de 2019. Na gravação, ele aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

Os rumores da saída do ministro se intensificaram ao longo dessa semana, especialmente após a participação dele em manifestações de apoiadores do governo no domingo. Weintraub é investigado em inquérito sobre “fake news”, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), e, também, responde a uma apuração na Corte por racismo por ter publicado um comentário depreciativo sobre a China.

"Sim, dessa vez é verdade. Eu ‘tô’ saindo do MEC [Ministério da Educação]. Vou começar a transição agora e, nos próximos dias, passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo", afirmou Weintraub. Ele anunciou, na sequência, que assumirá um cargo de diretor no Banco Mundial, que tem sede em Washington, nos Estados Unidos.

"Não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe. O importante é dizer que recebi o convite para ser diretor de um banco. Eu já fui diretor de um banco no passado, volto ao mesmo cargo, porém, no Banco Mundial. O presidente já referendou. Com isso, eu, a minha esposa, os nossos filhos, e até a nossa cachorrinha, Capitu, a gente vai ter a segurança que hoje me está deixando preocupado", acrescentou.

O agora ex-ministro disse que seguirá apoiando o presidente da República e que compartilha dos mesmos valores, citando família, liberdade, franqueza e patriotismo. Após o anúncio de Weintraub, Jair Bolsonaro declarou que o "momento é difícil", mas que mantém os mesmos compromissos assumidos durante a campanha.

"É um momento difícil. Todos os meus compromissos de campanha continuam em pé, e busco implementá-los da melhor maneira possível. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando, e o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade", afirmou.

O governo ainda não confirmou quem assumirá o MEC no lugar de Abraham Weintraub.

(Fonte: Agência Brasil)

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Entidades ligadas à cultura japonesa no Brasil terão uma programação especial para o aniversário da imigração, comemorado amanhã (18), e também para o Dia Internacional do Nikkei, celebrado no dia 20.

No aniversário dos 112 anos da Imigração Japonesa no Brasil, nesta quinta-feira às 19h, a Japan House São Paulo e a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo) vão promover uma conversa “on-line” sobre o tema, com a participação do presidente honorário da Japan House São Paulo, Rubens Ricupero, e do integrante do conselho consultivo da Bunkyo, o jurista e Doutor Honoris Causa pela Universidade Keio, de Tóquio, Kazuo Watanabe.

A atração, que será transmitida no canal da Japan House SP, discutirá a imigração japonesa no Brasil, suas influências, legados e a construção do elo entre ambas as nações e culturas.

Em 18 de junho de 1908, o Kasato Maru, o primeiro navio a trazer imigrantes do Japão, chegou a Santos transportando 781 japoneses depois de uma viagem de 52 dias em alto-mar.

Descendentes e simpatizantes

No Dia Internacional do Nikkei (20), será a vez da Monja Coen fazer uma “live”, às 20 horas, com a participação de cantores e personalidades nikkeis, debatendo valores nipo-brasileiros. O evento será transmitido no canal da Bunkyo .

Segundo a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social, a expressão nikkei significa descendentes nascidos fora do Japão, japoneses que vivem no exterior ou ainda simpatizantes da cultura japonesa. De acordo com a entidade, estima-se que há 3,8 milhões de nikkeis no mundo - o Brasil é o país onde há maior número de representantes, com 1,9 milhão.

(Fonte: Agência Brasil)

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Nesta quarta-feira, o BLOG DO PAUTAR apresenta mais um texto literário pelo projeto LITERATURA MARANHENSE. Aproveite... Boa leitura!

(Para o livro “Nossa São Luís”, do fotógrafo e jornalista maranhense Brawny Meireles)

“São Luís ainda brilha
como o fez antigamente.
Em nosso mar, é uma ilha,
na cultura, é um continente”.
(José Chagas, “São Luís de quatro séculos”)

“É necessário sair da ilha para ver a ilha,
não nos vemos se não nos saímos de nós”.
(José Saramago, “O Conto da Ilha Desconhecida”)

*

Na Geografia, uma ilha. Na História, um arquipélago.

A “Upaon-Açu” tupi é uma maravilhosa e maranhense porção de 1.410 quilômetros quadrados de terra abraçada por líquidas e incertas águas dos 106 milhões e 460 mil quilômetros quadrados do Oceano Atlântico. “Upaon-Açu” é ilha grande, mas 75,5 mil vezes menor que a vasta extensão de água salgada que a rodeia, a namora e permanentemente a abraça e lambe circularmente suas partes...

Upaon-Açu é Ilha do Amor, mas também Ilha Rebelde. Rebelde, expulsou conquistadores. Amorosa, conquistou admiradores.

Upaon-Açu nasceu índia. Quiseram-na francesa. Holandesa. Portuguesa. Rebelde – sempre –, recusou estes para, amorosa – sempre –, acolher todos... como brasileira.

Nesta Ilha brotaram maranhenses e aportaram outros brasileiros, além de estrangeiros. Gentes das várias regiões do país e forasteiros dos diversos continentes do mundo.

Por esse efeito de atração, Upaon-Açu é Ilha Magnética, Ilha Bela.

Sem preconceito, Upaon-Açu é cosmopolita, plurivalente, multicultural. É tanto Atenas quanto tanto é Jamaica.

Upaon-Açu é ilha só na Geografia mas é arquipelágica, plural, tentacular, na História, nas Artes, na Cultura, ou seja: na sua gente.

Em Upaon-Açu, uniram-se cromossomos de interesses histórico-político-administrativos e socioeconômico-culturais e, dessa união, fizeram nascer cidades. A “alma mater”, São Luís, foi fundada em 1612 – e, por tão antiga, por/tão ancestral, muitas das vezes, deixa passar ou assume a condição de ilha quando é, legal e honrosamente, município, mas não apenas: é município e capital, aliás, a única entre as capitais brasileiras com sua área territorial totalmente contida em uma ilha.

Depois de São Luís, a Ilha viu nascerem-lhe mais três filhos-municípios, mais três-cidades-filhas: São José de Ribamar, com fundação em 1627; Paço do Lumiar, em 1761; e Raposa, caçula, existente desde os anos 1940.

E é São Luís que se revela, para olhos e lentes. Máquinas e mentes.

É São Luís, imensa, que se contém neste livro. Do celuloide à celulose. Imagens bem impressas, impressões bem imaginadas.

Imagens atuais que trazem memórias ancestrais. A São Luís da História brasileira, quando o Brasil ainda não era Brasil, nem brasileiro. São Luís-ilha, terra tupi – tupinambás... tremembés... potiguaras... São Luís-porto, de Pinzón, primeiro trimestre de 1500, antes de Cabral (que aqui não aportou).

São Luís de Daniel. Daniel de La Touche, também de La Ravardière. São Luís equinocialmente França, trienalmente francesa: 1612-1615.

São Luís de Alexandre e de Jerônimo. Alexandre de Moura e Jerônimo de Albuquerque. Um expulsa os franceses; o outro, passa a administrar o lugar.

São Luís de Maurício e de Johann. Maurício de Nassau e Johann von Koin. São Luís novamente “estrangeira”, trienalmente holandesa (1641-1644).

São Luís novamente retomada. Portugueses e colonos em armas desarmam a continuação das ambições neerlandesas. Para os batavos, agora é vazão. Hora de evasão. Saída. Fuga.

São Luís das guerras e dos amores – Gonçalves Dias e Ana Amélia.

São Luís da lavra e palavra. Prosa e verso. Ficção e realidade.

São Luís em qualquer canto: música, canto, encanto.

São Luís histórica. Retórica. Pictórica. Escultórica.

São Luís carmelita. Jesuíta. Franciscana.

São Luís indígena. Europeia. Africana.

São Luís maranhense. Brasileira. Americana.

São Luís cultural – patrimônio. Mundial.

São Luís dos desejos – miragem.

São Luís ao longe – paisagem.

São Luís das chegadas – ancoragem.

São Luís vida – aprendizagem.

São Luís casarões e ruas – viagens.

São Luís neste livro – Que imagens!

* EDMILSON SANCHES

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O Ministério da Educação (MEC) alterou as datas das inscrições aos principais programas de acesso às universidades para atender a uma solicitação das instituições de ensino superior públicas e privadas, segundo informou o secretário de Ensino Superior do MEC, Wagner Vilas Boas Souza.

O edital que muda o prazo de inscrição do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do segundo semestre, de 16 a 19 de junho para 7 a 10 de julho, deve ser publicado nesta quarta-feira (17). O Programa Universidade Para Todos (Prouni), que teria as inscrições abertas de 23 a 26 de junho, passou para o dia 14 de julho. E o Financiamento Estudantil (Fies) que teria inscrições efetuadas de 30 de junho a 3 de julho passou para 21 a 24 de julho.

Conforme o secretário, a mudança ocorre devido à suspensão de algumas atividades acadêmicas e administrativas nas universidades ocorridas em consequência da pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Atendendo às solicitações da Associação Nacional de Dirigentes de Institutos Federais de Ensino Superior (Andifes), primeiro o MEC postergou o prazo para as instituições aderirem ao Sisu, que passou de 25 a 29 de maio para o dia 12 de junho.

A consulta dos estudantes às vagas disponíveis no Sisu poderá ser feita a partir do dia 30 de junho.

EaD no Sisu

A partir do segundo semestre de 2020, será possível fazer, pela primeira vez, a inscrição para cursos de Educação a Distância (EaD) no Sisu.

Conforme Souza, a expectativa é que o número de vagas à distância oferecidas nas universidades públicas aumente a cada novo processo seletivo. Na rede particular, o número de vagas à distância chega a 40% do total.

Veja o calendário do Sisu, Prouni e Fies

(Fonte: Agência Brasil)

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Lançamentos no Café Ritalia, em Setúbal, Portugal, em setembro de 2014, dos livros 'Elmano, o injustiçado cantor de Inês ‘ e ‘Magma’

Logo ao anúncio que recebi do poeta, ensaísta e crítico literário Fernando Braga, na tarde de anteontem, de que um grupo de amigos lançou seu nome para concorrer à sucessão do prof. José Maria Cabral Marques (ex-reitor da UFMA e do Ceuma, falecido a 28 de maio último), na cadeira 38 da Academia Maranhense de Letras (AML), endossei o manifesto e recordei o ensaísta e editor de mão-cheia Jomar Moraes, que presidiu por muitos anos a AML e defendia que a Atenas Brasileira, entre nós, não sofrera solução de continuidade. Jomar Moraes abraçava, assim, o talante de José Veríssimo, paraense, escritor, educador, jornalista e estudioso da Literatura Brasileira, principal idealizador da Academia Brasileira de Letras (ABL), que incensou o Grupo Maranhense, no séc. XIX, quando a literatura romântica foi o mecanismo legitimador das criações poéticas sobre a grandeza do Maranhão, tendo destaque as personalidades de Gonçalves Dias, Odorico Mendes, João Lisboa e Sotero dos Reis: “Neste ambiente literário, por qualquer motivo que nos escapa, apareceu a bela progênie de jornalistas, poetas, historiadores, críticos, eruditos, sabedores que desde o momento da Independência até os anos de 1860, isto é, durante cerca de quarenta, ilustraram o Maranhão e mereceram a alcunha gloriosa de Atenas Brasileira”. Ele pisou na bola, por não conferir que haveria um tempo pela frente, e Jomar Moraes, atento quanto o Farol de Itacolomi, alumiou mais aquele marzão de ideias: “Certamente, por desconhecer que nosso passado de esplendor literário estava sendo, nos primeiros anos do século XX, afanosamente reconstruído por uma juventude talentosa, determinada, e que a si mesma atribuiu a antonomásia de Os Novos Atenienses, José Veríssimo entendia que à Atenas Brasileira, assim como à Atenas grega, tomada para nosso antonomástico, nunca, jamais, voltaria o tempo de Péricles. Esse tempo, entretanto, estava de volta. E uma das testemunhas da grande luta regeneradora que o devolveu, foi o maranhense Humberto de Campos (1886-1934), que muitos anos depois, numa evocação de sua infância vivida em São Luís, chamou ‘O último estilo de Atenas’ o movimento literário cujo objetivo era a ressurreição de Atenas. Era mais uma ressurreição gloriosa da Atenas Brasileira, diga-se para maior clareza. Bem o haja, porém, o alto destino do Maranhão, que, como fênix reiteradamente renascida das próprias cinzas que lhe têm sido estímulo insofreável e fertilizante regenerador, continua, pelos filhos de hoje, a luminosa tradição de seu grande passado”. Jomar Moraes exorcizou, ali, os francófobos, que, com suas diatribes patogênicas, negaceavam o feito da Fundação de São Luís aos franceses e uma Atenas Brasileira nossa, com argumentos de pouca monta.

O périplo vocacional de Fernando Braga – José Veríssimo (Dias de Matos), falecido no Rio, em 2/12/1916, não presenciaria a renascença da Atenas Brasileira que chegaria ao tempo de Fernando Braga, vocação literária lapidar que da estreia, com “Silêncio Branco”, aos 23 anos, em 30/12/1967, com noite de autógrafos na AML, em 2020, ostenta um acervo considerável, no cimo da Literatura Brasileira. Emplacou títulos que se ombreiam aos cancioneiros de José Chagas (“Os Canhões do Silêncio”), Nauro Machado (com diversas antologias a São Luís), Bandeira Tribuzi (“Romanceiro da Cidade de São Luís”), Ferreira Gullar (“Poema Sujo”), Nascimento Morais Filho (“Clamor da Hora Presente”), Lago Burnett (“A Última Canção da Ilha” / “Os Elementos do Mito”)...

Decadentistas, mas não precisavam abusar!

Deu no jornal, em 4/10/2015, com nota de errar o tempo certo do verbo, nunca mais conjugado no futuro: “O escritor e editor Bruno Azevêdo lança (sic) neste domingo (4), na 9ª edição da Feira do Livro de São Luís (FeliS), no Centro, Um Livro de Crítica. (...) Em 228 páginas, contando ainda com ensaios de Ricardo Leão – autor de ‘Os Atenienses e a Invenção do Cânone Nacional’ – e Henrique Borralho – autor de ‘Uma Athenas Equinocial: a Literatura e a fundação de um Maranhão no Império Brasileiro’, desmistifica São Luís como Atenas Brasileira, em alusão à frondosa geração de intelectuais que viveu no século XIX, ideia que, segundo o autor, contrasta com seu quase um quarto de população analfabeta”. (Brincadeira, rapaz! Falamos de Atenas Brasileira ou não? Você andava aonde, quando o paulista Pasquale Cipro Neto, sem fundamentação científica, retirou do Maranhão falar o melhor português do Brasil, na Revista “Veja”, em 1997, e de lambuja, em 2012, foi obsequiado para ministrar aula inaugural na recepção dos calouros da UFMA? Pasquale não dá um pio sobre a desgraça vernacular da TV Globo, todo santo dia, nos telejornais! Tiveram sorte de não haver na mesa de debates da FeliS um Nascimento Morais Filho (Zé Morais), com a efígie de que, em Atenas Brasileira, além de autor de relevo, há de ter conhecimentos gerais na ponta da língua!

Pasquale não passou por aqui em brancas nuvens

Embalei, nas redes sociais, que, desde que Pasquale, na “Veja”, destratou nossa fama de falar o melhor português do Brasil, para ele, o Rio, sem nem sequer dar-se ao luxo de vir aqui, além da reverência que recebeu da UFMA, projetei a publicação da cartilha ortográfica “Assim Está Escrito no Maranhão”, aonde, se agora, fazendo um “tour”, no famoso bordel Xirizal do Oscar Frota, no Portinho (sucessor da boêmia Zona do Baixo Meretrício, na Rua 28 de Julho, ou do Giz, e adjacência), seria mandado depressa “Lá pra casa do caralho!”, que existe em Portugal, e de onde se originou o termo chulo, no Brasil. Arremessei ainda que o Maranhão fala bem o português, não só por que usa o pronome “tu” com seus correspondentes verbais, enquanto Fernando Braga, do seu exílio, em Goiás, foi mais professoral: “É preciso que o professor Pasqualini saiba que a língua portuguesa falada em Portugal e no Maranhão, como disse, independe de classe social, ela escorre como música pelo ouvido, além da nossa pronúncia ser maviosa, encantadora de tão aveludada que é”.

Fernando Braga estreou, em 1967, aos 23 anos, com o livro
'Silêncio Branco' autografado, na AML, para o mestre Ruben Almeida

Biobibliografia de São Luís a Portugal

Onde as montanhas ficam em trabalho de parto, mas delas não nasce um ridículo rato, por não haver comparação a Horácio, com “Até o Bom Homero cochila”: Fernando Braga (dos Santos) nasceu em São Luís (MA), em 29/5/1944. É formado pela Faculdade de Direito do Distrito Federal, com pós-graduação em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), e estágio em Direito Penal Comparado pela Universidade de Paris-Sorbonne. Com publicações de críticas literárias e ensaios, em grande escala, deu a lume em poesia: “Silêncio Branco” (1967); “Chegança” (1970); “Ofício do Medo” (1977); “Planaltitude” (1978); “O Exílio do Viandante” (1982); “Campo Memória” (1990); “O Sétimo Dia” (1997); “Poemas do Tempo Comum” (2009); “Magma” (2014); e “Elmano, o Injustiçado Cantor de Inês – ensaio sobre o poeta Bocage” (2014). Livros inéditos: “Travessia” (memórias de um aprendiz de poeta e outras mentiras), “Conversas Vadias” (antologia de textos em prosa), “A Cor do Verbo” (antologia poética) e “O Puro Longe”, traduzido para o espanhol, a ser lançado em breve, em Montevidéu. Seu pai, José Ernani, era português e livreiro da Livraria Moderna, em São Luís.

Um dos maiores cantores da cidade

“Campo Memória” é um canto de amor a São Luís, de Fernando Braga, 88 páginas, composto e impresso pela Gráfica do Senado Federal, para as Edições Corrêa & Corrêa, Brasília, 1990. Neste trabalho, encontra-se um ensaio do escritor e professor Rossini Corrêa intitulado “Em Sonho e em Pessoa: A poética de Fernando Braga”: “Esta imortal Ilha maior, Ilha Grande, como se dizia, há de viver enquanto for sua a poesia”.

O ofertório de um poeta maior

Essa é a segunda vez que Fernando Braga postula vaga para a Academia Maranhense de Letras (AML); a primeira, em 1969, aos 25 anos, em disputa à cadeira nº 10, com o falecimento, em janeiro, do escritor Henrique Costa Fernandes, perdeu para Jomar Moraes, com Benedito Buzar fazendo a diferença com sua poderosa “Coluna Roda Viva”, que assinava sob o pseudônimo de J. Amparo, no “Jornal do Dia”. Benedito Buzar, que nem Jomar Moraes, foi presidente da Casa de Antônio Lobo, e do Sioge, onde os assessorei, começando em 10/12/1975, recepcionado por Jomar Moraes, na Revisão Literária, e com quem aprendi, e com artífices gráficos, a editoração. À afirmação de Mário Luna Filho, nas orelhas de “Poemas do Tempo Comum”, “Um dos mestres da nossa literatura”, assino embaixo, e acrescento que Fernando Braga é um dos maiores poetas brasileiros. Atenas, desde o tempo de Péricles, nunca foi pequena! Em sua norma estatutária, a AML cumpre a função de não só imortalizar os grandes autores, porém de fomentar a literatura para manter efervescente a Cultura do Estado. Já lhe surge um candidato por excelência! Agora e sempre, mais do que justo!

* Herbert de Jesus Santos (jornalista e escritor)
(“JP Turismo” in “Jornal Pequeno”, 13/6/2020)
Fotos: arquivos de Fernando Braga e de Herbert de Jesus Santos