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Meio século e muito silêncio*

BIBLIOTECA PÚBLICA DE IMPERATRIZ, 50 ANOS

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A agenda de meu telefone tem cinco números ligados a bibliotecas maranhenses: dois relacionados a uma biblioteca do interior de João Lisboa (MA), para a qual doei centenas de livros; um da diretora da Biblioteca Pública Benedito Leite, estadual, em São Luís (MA); e dois para contatos com a biblioteca municipal de Imperatriz (MA).

Mas, nessa quinta-feira, 22 de outubro de 2020, quando a Biblioteca Pública Municipal Professor Osvaldo Ferreira de Carvalho completou MEIO SÉCULO de existência, os dois números relacionados a ela não atenderam – um celular, que está “programado para não receber chamadas”, e um fixo (na verdade, um orelhão, próximo à entrada da Biblioteca), que diz que “o número chamado não está atendendo nem possui caixa postal”.

Nos últimos anos, em seu aniversário, tenho ido à Biblioteca municipal imperatrizense ou tenho ligado para sua coordenação/direção apresentando os parabéns, perguntando sobre se haveria alguma programação e fluindo por entre as prateleiras, observando o acervo, manuseando um e outro livro, vendo um ou outro frequentador (geralmente estudantes) e conversando com servidores da Casa, fotografando uma ou outra coisa... Aqui e ali, encontro livros que me pertenceram e que eu os doei, centenas e centenas deles, a essa Casa de Saber feita de papel e tinta. (Também fiz doações de centenas de livros para a biblioteca da Uema (hoje, Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão/Uemasul); da Universidade Federal do Maranhão – Campus Imperatriz; do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – Campus Imperatriz (Biblioteca Josué Montello, provavelmente, a maior da região em estrutura) e outras doações.

Nos 50 anos, quis saber antes, por telefone, se haveria alguma programação, se a prefeitura e a cidade estavam sabendo da simbólica data... Queria ser informado acerca do que estava programado, quem sabe comprometer-me com nova doação...

Biblioteca é contenção, contrição, não fala, não faz barulho. Tranquilidade. Sossego. Paz. Mentes em ebulição. Mas hoje é cinquentenário. Talvez haja ou tenha havido festa, comemoração, bolos, vivas... Promessas – compridas e não cumpridas – de autoridades presentes por alguns minutos, pois têm outros assuntos a tratar...

Não sei o que houve. Nada se ouve falar.

Nos 50 anos da Biblioteca Pública Municipal de Imperatriz, para mim e por enquanto, é só silêncio...

* EDMILSON SANCHES

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