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Professores da rede pública e servidores públicos federais que queiram trabalhar na aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio de 2018 podem se inscrever, a partir de hoje (31), pela “internet”. No caso dos professores, podem participar os das redes estaduais e municipais de ensino.

As inscrições vão até o dia 20 de agosto. As provas do Enem 2018 serão aplicadas nos dias 4 e 11 de novembro.

Os inscritos que forem aprovados vão receber capacitação por meio de um curso à distância. Quem já participou da aplicação de provas anteriores do Enem também deverá fazer a capacitação. Para atuar no dia da prova é preciso ter, no mínimo, 70% de aproveitamento nas atividades do curso.

Critérios para inscrição

Alguns dos critérios para se inscrever são: ter o ensino médio; ser servidor público federal ou docente da rede estadual ou municipal de ensino efetivo e registrado no censo escolar; não estar inscrito ou ter cônjuge, companheiro ou parentes inscritos para as provas do Enem 2018; não ter vínculo com as atividades do processo de elaboração, impressão, distribuição, aplicação e correção da redação exame. Ainda é indispensável ter “smartphone” ou “tablet” com acesso à “internet” móvel.

O trabalho é remunerado, e o valor pago é de R$ 318 por dia de atuação na Rede Nacional de Certificadores (RNC) do Enem 2018. A carga horária diária é de 12 horas.

(Fonte: Agência Brasil)

No Brasil, metade dos professores não recomendaria a um jovem se tornar educador, por considerar a profissão desvalorizada, revela a pesquisa Profissão Docente, iniciativa da organização Todos Pela Educação e do Itaú Social.

De acordo com o levantamento feito pelo Ibope Inteligência em parceria com a rede Conhecimento Social, a maioria (78%) dos professores disse que escolheu a carreira principalmente por aspectos ligados à afinidade com a profissão. Entretanto, 33% dizem estar totalmente insatisfeitos com a atividade docente, e, apenas, 21% estão totalmente satisfeitos.

Durante a pesquisa, foram entrevistados 2.160 profissionais da educação básica em redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o país, sobre temas como formação, trabalho e valorização da carreira. A amostra respeitou a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do país, segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica (MEC/Inep).

Para o diretor de políticas educacionais da organização Todos pela Educação Olavo Nogueira Filho, os dados são preocupantes. Ele reforçou a necessidade de repensar a valorização da carreira dos professores brasileiros. “Há bastante tempo, conhecemos o desafio da desvalorização docente, da falta de prestígio em relação à carreira, mas acho que os novos dados chegam para reforçar e, mais uma vez, mostrar que temos um longo caminho a ser trilhado na educação, no que diz respeito à valorização da carreira”, afirmou.

Formação

Os docentes apontam como medidas mais importantes para a valorização da carreira, a formação continuada (69%) e a escuta dos docentes para a formulação de políticas educacionais (67%). Eles consideram urgente a restauração da autoridade e o respeito à figura do professor (64%) e o aumento salarial (62%).

Para o diretor Nogueira Filho, os números passam relevante mensagem no sentido de desmistificar o senso comum, que coloca a questão salarial como o principal problema para a carreira docente no país.

“O debate, de modo geral, tem colocado ênfase, de maneira quase isolada, na questão salarial. E, de fato, esse ponto surge no conjunto das principais medidas que as pessoas entendem como importantes para valorizar a carreira, mas não aparece na pesquisa como fator principal. Acho que isso traz uma questão importante sobre a discussão da valorização], que precisa ir além da questão do salário”.

A remuneração média dos professores no Brasil atualmente, segundo a pesquisa, é de R$ 4.451,56. A maioria dos docentes (71%) tem a profissão como principal renda da casa, e 29% afirmam ter outra atividade como fonte de renda complementar.

Segundo a pesquisa, um em cada três professores tem contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e no cumprimento de um terço da carga horária, prevista na Lei do Piso do Magistério para atividades extraclasse. Pelo menos, 58% dos professores afirmam ter tempo remunerado fora da sala de aula. Contudo, somente cerca de 30% dos docentes dispõem de, aproximadamente, ou mais de um terço da carga horária para planejamento de aula.

Políticas públicas

Os professores ouvidos pela pesquisa consideram que é papel das secretarias de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que programas educacionais, como um todo, estejam bem alinhados à realidade da escola (66%). Apontam a falta um "bom canal de comunicação" entre a gestão e os docentes (64%), e dizem que não há envolvimento dos professores nas decisões relacionadas às políticas públicas (72%). Também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões de saúde e psicológicas (84%) e ao salário (73%).

Falta de confiança

Para o diretor de políticas educacionais da organização Todos pela Educação Nogueira Filho, os dados mostram que a falta de confiança entre o professor e as secretarias estaduais e municipais de educação é outro desafio a ser enfrentado. “Uma parcela significativa dos professores diz não acreditar que a secretaria tem lançado mão de políticas que tenham aderência à sua escola e, mais do que isso, mostram descrença com relação ao próprio compromisso da secretaria para com a aprendizagem dos alunos”.

O governo federal anunciou, em fevereiro deste ano, o aporte de R$ 1 bilhão para a Política Nacional de Formação de Professores, com objetivo de financiar 190 mil vagas em três diferentes iniciativas para formação docente: o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), o Programa de Residência Pedagógica e a Universidade Aberta do Brasil (UAB).

“São políticas que apontam no sentido correto e desejável, mas, considerando o tamanho do desafio, é razoável dizer que são insuficientes para, de fato, mudar o cenário que a pesquisa traz no que diz respeito à valorização da profissão, das estruturas da carreira e a qualidade da formação, tanto do ponto de vista inicial quanto continuado”, disse.

O diretor ressaltou a necessidade de mudança estrutural na formação inicial dos docentes. Na sua opinião, o governo federal pode ter papel importante na indução de melhorias a partir da criação de parâmetros de estruturação de carreira que possam ser seguidos pelas secretarias de Educação.

Procurados pela reportagem, o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) não se manifestaram até o momento de publicação da matéria.

(Fonte: Agência Brasil)

A Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa, na sigla em inglês) comemora, neste domingo (29), o seu 60º aniversário, um feito que marca o momento em que o governo americano começou a olhar para as estrelas tanto com curiosidade científica quanto com temores militares.

Em um dia como hoje, há exatamente 60 anos, o então presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, assinou a lei que deu origem à emblemática agência espacial, embora sua implementação só tenha ocorrido no dia 1º de outubro daquele mesmo ano.

No entanto, a história da Nasa remonta há mais de meio século, no alvorecer da aviação, quando em 1915 Washington criou o Comitê de Assessoria Nacional para a Aeronáutica (Naca, na sigla em inglês), cuja missão principal era buscar soluções práticas aos desafios apresentados pelos primeiros voos.

"[A Naca] não se limitava a estudar voos na atmosfera, por isso, com o passar do tempo, seus engenheiros e cientistas começaram a estudar foguetes e voos espaciais", explicou à Agência EFE o historiador e assessor do Pentágono para assuntos aeronáuticos e espaciais, Richard Hallion.

Em 1926, o físico e inventor americano Robert Goddard atraiu a atenção do mundo inteiro ao lançar com sucesso o primeiro foguete propulsado com combustível derivado do petróleo líquido.

Esse feito representou uma conquista científica de enorme valor, mas também uma oportunidade militar evidente.

Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), a Alemanha deu um grande passo à frente dos EUA ao desenvolver mísseis balísticos que podiam viajar por mais de 300 quilômetros, e com os quais aterrorizou os cidadãos de Londres, no Reino Unido.

"No fim da guerra, o desenvolvimento de foguetes se transformou em um assunto de grande interesse para os Estados Unidos e a União Soviética", assinalou Hallion, que acrescentou que, definitivamente, "isto foi basicamente o início do que depois acabaria ficando conhecido como a corrida espacial".

Naquela época, a pesquisa espacial já tinha duas vertentes claras: uma militar, que pretendia a desenvolver foguetes capazes de transportar uma ogiva nuclear; e outra científica, que buscava colocar um satélite em órbita.

Novamente, os americanos ficaram para trás e tiveram que observar como, em 4 de outubro de 1957, os soviéticos realizavam o feito de colocar em órbita o primeiro satélite da história: o Sputnik 1.

Esse novo revés levou o governo americano a refazer os planos sobre qual deveria ser o caminho a ser seguido na pesquisa espacial. O Congresso decidiu, então, criar uma agência que fundiria a Naca com a Agência de Mísseis Balísticos do Exército (ABMA, na sigla em inglês).

"O resultado desse casamento foi a agência que acabou se transformando na Nasa", disse o historiador. Ele destacou que, apesar de as Forças Armadas terem mantido "seus próprios interesses no espaço", essa decisão permitiu que a Nasa "se concentrasse nos aspectos civis e na exploração".

A partir daquele momento, a agência aeroespacial começou a acumular conquistas históricas, como a chegada do homem à Lua em 20 de julho de 1969, mas também sofreu reveses como a explosão do ônibus espacial Challenger, em 1986, na qual morreram seus sete tripulantes.

Os acidentes e o elevado custo da corrida especial levaram Washington a apostar nos últimos anos por manter os pés na Terra e olhar menos para as estrelas.

No entanto, com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, o país voltou a situar a conquista do espaço como prioridade. Uma conquista que, agora, tende a ser tanto científica como militar.

A promessa de Trump de que os Estados Unidos serão o primeiro país a levar o homem a Marte parece hoje um pouco mais distante que seu compromisso de criar um Exército espacial, cuja missão será proteger os interesses americanos na estratosfera.

"Para garantir que nossos militares estão preparados para lutar e vencer neste cenário disputado, trabalhamos com afinco para aumentar nossa letalidade e nossa força e para garantir a manutenção da nossa liderança e liberdade de ação no espaço", disse à EFE o major da Força Aérea americana, William Russell.

Longe, portanto, parecem ficar os anos dourados nos quais as autoridades começaram a olhar para as estrelas com tanta curiosidade como apreensão. "O espaço já não pode ser considerado um ambiente benigno", frisou Russell.

(Fonte: Agência Brasil)

Destruído por um incêndio em 2015, o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, tem sua reabertura prevista para dezembro de 2019. Quando voltar a receber visitantes, o equipamento cultural terá mais espaço destacado ao português falado fora do Brasil que sua versão anterior e manterá a diversidade de sotaques dos brasileiros.

Segundo o presidente da empresa de energia portuguesa EDP no Brasil, Miguel Setas, o museu exibirá para brasileiros e turistas a riqueza que a língua portuguesa adquiriu ao se espalhar da Europa para a África, América e Ásia, chegando até a fronteira com a Oceania, e somando 260 milhões de falantes atualmente. A EDP é uma das patrocinadoras da reconstrução, ao lado da Fundação Roberto Marinho, do Grupo Globo, do Itaú e da Sabesp.

"Agora, vamos ter um museu que capta todas essas tonalidades do português ao redor do mundo", disse Miguel. "É um conteúdo que é muito importante para os brasileiros, porque é desconhecida muitas vezes essa difusão do português".

Além de Brasil e Portugal, falam português Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Em Macau, na China, a língua não é a oficial, mas continua a ter falantes, já que a região também teve colonização portuguesa.

Setas informou que a reforma do museu caminha em ritmo acelerado e que, após a conclusão da fachada e da cobertura, os esforços agora se concentram nos recursos tecnológicos e no acervo.

Quando foi inaugurado, em 2006, o museu encontrou uma população menos habituada a usar tecnologia em seu dia a dia, e, em 2019, deve contar com recursos como paredes táteis e equipamentos de direcionamento sonoro para surpreender os visitantes.

A nova versão do museu não vai apagar ou tentar esconder o incêndio que o destruiu, mas incorporá-lo como parte de sua história. Na visita, será possível ver sinais do fogo integrando o acervo, como madeira queimada.

Outra novidade deve ser o terraço do espaço, que antes era fechado e agora será um espaço com vista aberto a visitação e realização de eventos.

"Isso vai conferir ao museu um charme ainda maior do que tinha antes”

(Fonte: Agência Brasil)

Nascida em uma família liberal e que defendia a laicidade no Marrocos, país de maioria islâmica e leis conservadoras, a escritora Leila Slimani sentia-se no exílio, em sua própria casa, em relação ao mundo fora dela. Depois de mudar para a França, aos 17 anos, ela encontrou uma sociedade mais laica, mas ainda cheia de resistências ao multiculturalismo e preconceitos contra imigrantes. Francesa de origem marroquina, aos 36 anos, Leila considera-se pertencente à literatura.

"O exílio não é uma coisa geográfica, sentia-me exilada até no meu próprio país", afirmou a escritora em entrevista coletiva, nessa sexta-feira (27) durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde participou de uma das mesas de discussão. "O único lugar em que não me sinto exilada é na literatura. Este é o meu verdadeiro país. Quando era jovem e li livros de [Leon] Tolstói e Jorge Amado, por exemplo, senti que era a esse universo que eu pertencia".

A escritora critica certo saudosismo que existe entre os conservadores europeus, que sonham com a volta da França ou da Itália de outrora. "Eu não tenho nenhuma saudade dessa França e não lamento. Uma França em que as mulheres não tinham direito de votar, nem de abortar, em que os homossexuais eram considerados ilegais. Não vivo nessa nostalgia", disse ela.

"O multiculturalismo é uma enorme riqueza para nosso continente. Infelizmente, como vocês sabem, ele suscita muita oposição e muita violência por parte da direita", acrescentou.

Leila Slimani publicou recentemente, no Brasil, o livro “Canção de Ninar”, que rendeu a ela o Prêmio Goncourt, o mais importante da França. Na história, em que uma babá mata os dois filhos de seus patrões, Leila Slimani explora as diferenças sociais, culpas e relações de poder presentes nessa sociedade, sem julgamentos ou condescendências. Autora de sete livros, ela já escreveu sobre uma mulher casada e compulsiva por sexo, e sobre a vida sexual secreta de mulheres marroquinas.

Na história de “Canção de Ninar”, a babá transita entre a loucura e o desejo ilusório de alcançar a perfeição para pertencer a uma família burguesa. "Percebi, na qualidade de mulher e na qualidade de mãe, que eu só poderia ser realmente emancipada e livre quando tivesse aceitado o fato de ser imperfeita".

Para a escritora, a sociedade imputa muito mais culpa às mulheres que aos homens, especialmente no que diz respeito à maternidade. "Em uma situação dessas, em que estou em Paraty, até a minha própria mãe diz para mim que estou fazendo muita falta aos meus filhos. Se for o meu marido que viaja, eles dizem para ele: 'seus filhos devem fazer muita falta para você'".

Intimidade é política

Leila Slimani contou que sua experiência como jornalista, cobrindo a insatisfação da juventude nos países da Primavera Árabe, revelou uma falta enorme que esses jovens sentiam da intimidade, por terem suas vidas constantemente controladas pelas famílias e pela moral religiosa. Segundo ela, no Marrocos, apenas 0,1% das pessoas com menos de 28 anos moram em uma casa com um quarto só para elas. "Eu me dei conta de que essa questão da intimidade era, sim, uma questão política".

No caso das mulheres, a percepção da escritora nas viagens ao país de origem era de que seus corpos não pertenciam a elas, ainda que se falasse com mulheres diversas, casadas, prostitutas, lésbicas ou ateias. "Constatei que a primeira violência que você pode fazer com uma mulher é o silêncio, é dizer cale-se eu não quero ouvir o que você tem a dizer", disse ela, que se lembrou de uma jovem que contou a ela que queria ser escritora, mas tinha medo de perder as pessoas que amava. "Temos que lembrar sempre que, para muitas mulheres ao redor do mundo, ousar dizer e ousar contar histórias é perder as pessoas próximas".

Captura do leitor

A escritora disse também que o fato de ser jornalista influenciou na forma de seus textos e, também, na capacidade de observar os detalhes à volta, muito usados em sua literatura.

"A gente [jornalista] está sempre cortando o texto. Isso me ensinou que é preciso que o leitor seja imediatamente capturado pelo texto. Não se pode perder tempo para que isso aconteça".

“Francês não está em declínio”

Em outro ponto da entrevista coletiva, Leila Slimani discordou de uma repórter que perguntou como ela via o espaço da língua francesa tomado por outros idiomas como o inglês e o mandarim. A escritora respondeu que a língua francesa não está em declínio, porque é uma das mais estudadas e traduzidas, e está muito presente em países que terão grande crescimento populacional, especialmente no continente africano.

"Hoje em dia, existem 250 milhões de francófonos [aqueles que falam francês] no mundo. Em 2050, haverá 600 milhões", afirmou Leila, destacando que o francês é uma língua versátil e espalhada em todos os continentes, sendo, inclusive, mais estudada fora da França.

"A francofonia vai ficar cada vez mais forte à medida que a França não seja o seu centro", ressaltou Leila Slimani.

(Fonte: Agência Brasil)

O Brasil, assim como outros países da América Latina, tem dificuldade em atrair jovens talentosos para a carreira de professor. Essa é uma das conclusões do estudo “Profissão Professor na América Latina – Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?”, divulgado, nesta sexta-feira (27,) pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

No Brasil, apenas 5% dos jovens de 15 anos pretendem ser professores da educação básica, enquanto 21% pensam em cursar engenharia. No Peru, o índice dos que pretendem optar pela docência é de menos de 3%, contra 32% que querem se tornar engenheiros. Por outro lado, em países onde a profissão é mais valorizada, o interesse tende a ser maior, como na Coreia do Sul, onde 25% dos jovens têm a intenção de lecionar e, na Espanha, onde o índice chega a quase 20%.

Entre as razões para o desinteresse para atuar na educação básica estão, segundo a pesquisa, os baixos salários. “Mesmo nos últimos anos, após uma década de incrementos nos salários dos professores, eles continuam a ganhar consideravelmente menos do que outros profissionais”, enfatiza o texto.

A partir dos dados das pesquisas domiciliares no Brasil, Chile e Peru, o estudo do BID mostra que os educadores ganham cerca da metade da remuneração de profissionais com formação equivalente. No Equador, a diferença é menor, mas os professores ainda recebem 77% da remuneração de outras áreas. No México, os vencimentos dos trabalhadores da educação são de 83% dos de outros ramos.

Falta de infraestrutura

Além da questão financeira, o estudo aponta para as condições de trabalho como razão do desinteresse dos jovens pela docência. “Muitas vezes, a infraestrutura das escolas latino-americanas é deficiente em relação a equipamentos e laboratórios e até mesmo em termos de serviços básicos”, ressalta o documento.

O estudo menciona as informações levantadas pelo Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação em 2013 sobre escolas de 15 países latino-americanos, incluindo o Brasil. Na ocasião, foi constatado que 20% dos estabelecimentos de ensino não tinham banheiros adequados, 54% não tinham sala para os professores e 74% não contavam com laboratório de ciências.

Desinteresse

O estudo aponta ainda que muitos jovens acabam seguindo a carreira docente “por eliminação, não por vocação”. Recuperando dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2008, a pesquisa destaca que, à época, 20% dos estudantes de ensino superior com foco no magistério haviam feito a opção para ter uma alternativa caso não conseguissem outro emprego, e 9% por ser a única possibilidade de estudo perto de casa.

“Ser professor na América Latina não é uma carreira atraente para jovens talentosos do ponto de vista acadêmico. Não se pode ignorar o fato de que muitos futuros professores decidem frequentar um curso de carreira docente exatamente por ser uma carreira mais acessível no aspecto acadêmico, e não necessariamente por terem uma vocação pedagógica”, analisa o estudo.

Reflexos

Esse problema tem, com outros fatores, reflexos no desempenho dos estudantes. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), citados pela pesquisa, mostram, por exemplo, que os conhecimentos em leitura, matemática e ciências dos jovens de 15 anos da região está dentro dos 40% dos com pior resultado entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O percentual dos estudantes que não atingem o nível básico das competências é mais do que o dobro da média da OCDE.

(Fonte: Agência Brasil)

Nesta sexta-feira (27), os olhos do mundo inteiro estarão voltados para o céu. No fim do dia, terá início o maior eclipse lunar já registrado neste século. Este tipo de fenômeno ocorre quando o Sol, a Terra e a lua ficam alinhados nesta ordem e o planeta faz sombra sobre a última, diminuindo ou até mesmo impedindo a iluminação do corpo. Brasileiros se organizam para contemplar o evento, que deve durar pouco menos de duas horas.

Um atrativo será a iluminação por um efeito laranja avermelhado na Lua, que ganhou o nome de “Lua de Sangue”. A razão das cores é a atmosfera terrestre. “O vermelho depende da quantidade de poluição suspensa na atmosfera, que pode ser partícula de pó lançada por vulcões. Quando a atividade vulcânica aumenta, ela fica mais vermelha. Quando isso não acontece, ela continua no tom mais alaranjado”, explica o tecnologista da Agência Espacial Brasileira, Ademir Xavier.

O espetáculo atrai atenções de diversas pessoas, desde aquelas envolvidas com astronomia até cidadãos curiosos com o fenômeno. Um primeiro aspecto que merece atenção para quem quer acompanhar são os horários. Como o eclipse ocorrerá no fim da tarde, ele terá características especiais diferentes daqueles na parte da noite.

Horários

A Lua nascerá em horários diferentes nas cidades brasileiras, começando no litoral. Segundo a Sociedade Astronômica Brasileira, entre as capitais a primeira deve ser Recife (17h15), seguida por Vitória (17h18), Natal (17h19), Salvador (17h22), Rio de Janeiro (17h26) e Belo Horizonte (17h34). A visibilidade total se dará em apenas parte do país, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

Segundo o professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Eduardo de Brito, o efeito laranja avermelhado não será visível em todos os pontos do Brasil, mas apenas para as cidades mais próximas do litoral.

“Quando já estiver bem escuro, a Lua vai estar escondida e vai ter um tom mais avermelhado. Assim que a Lua nascer, por volta das 18h, vai ser possível conferir a Lua escondida. Assim que o Sol sumir, as pessoas vão conseguir ver a Lua avermelhada”, explica Brito. Em regiões mais no centro do país, como em Brasília, esse aspecto não deve ficar tão perceptível.

Instrumentos

Embora o eclipse tenha uma visibilidade diferenciada dependendo do ponto onde o observador estiver, a Lua ficará bem visível a olho nu. Quem quiser conferir com maior nitidez a superfície dela ou o efeito laranja avermelhado pode usar telescópios, lunetas binóculos ou até mesmo câmeras fotográficas equipadas com lentes contendo bons “zooms”.

Além da Lua, no eclipse lunar desta sexta-feira, o planeta Marte também ganhará visibilidade, e instrumentos de observação podem contribuir para conferir este e outros planetas, como Vênus, Júpiter e Saturno.

Atividades

Variados grupos se mobilizam para acompanhar o espetáculo. Em Brasília, o clube de astronomia da cidade vai reunir interessados na Praça dos Três Poderes, com instrumentos de observação disponíveis aos interessados. “Vamos ter telescópios e pessoas que possam explicar o fenômeno. Aqui em Brasília, vamos pegar só o fim do eclipse, mas até 19h20 a Lua vai estar saindo da sombra da Terra”, conta o presidente do clube, Augusto Ornellas.

Diversas universidades vão abrir seus observatórios para que curiosos possam acompanhar o espetáculo. Será o caso da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Federal do Ceará. Em Campinas, o observatório municipal, o primeiro do país, vai também disponibilizar telescópios em uma sessão guiada para observar a Lua e o planeta Marte. As inscrições foram encerradas devido à grande procura.

Em São Paulo, o Centro Cultural Butantã (CCB) vai promover um evento em seu terraço para os observadores. Em Niterói, a prefeitura vai abrir o Parque Municipal para que moradores possam acompanhar o eclipse do local. Os portões ficarão abertos até as 20h.

Como fotografar o eclipse lunar

O coordenador de fotografia da Agência Brasil, Marcello Casal Jr., dá algumas dicas de como fotografar o eclipse lunar:

- Usar um tripé e disparador remoto. A recomendação vale para câmeras ou “smartphone”

- Evitar movimentos bruscos para que a câmera ou o celular não vibrem

- No caso de câmeras profissionais, usar o ISO corretamente. O ISO mede a sensibilidade do sensor à luz. Quanto maior o ISO, mais sensível ele está e, com isso, amplia a claridade e captação de luz. Quanto menor o ISO, menos informações serão captadas

- No caso de “smartphones”, que têm sensor pequeno e lente de dimensões reduzidas, é importante um bom enquadramento. A captação de nuvens pode ajudar a compor uma boa foto. "Timelapses” podem render boas e lindas misturas de fotografia e vídeo que captam a mudança de luz.

(Fonte: Agência Brasil)

 

Mais um importante passo foi dado para a construção do Campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), na cidade de Vitorino Freire. Nesta semana, foi publicada, no “Diário Oficial da União”, a licitação da obra que irá beneficiar a população de Vitorino Freire e de diversos municípios vizinhos. Os recursos para a construção do Campus do IFMA na região foram viabilizados por meio de emenda do deputado federal Juscelino Filho (DEM), que está empenhado nessa causa há bastante tempo.

Ao tomar conhecimento da publicação no “Diário Oficial da União” da obra do Campus do IFMA de Vitorino Freire, Juscelino Filho comemorou mais esta conquista para o Estado do Maranhão. Para o deputado, investir em educação é fundamental para que outros setores possam evoluir.

“Essa é a realização de um sonho. Estamos investindo no ‘campus’ e isso, também, vai alavancar todos os setores econômicos da região, assim como também será um ponto de partida para ingresso ao mercado de trabalho. Vitorino tem potencial, o que nos incentiva a buscar investimentos e, assim, criar oportunidades para nossa juventude e melhorar, em escala, a qualidade da vida do vitorinense”, afirmou o parlamentar.

A construção de um Campus do IFMA em Vitorino Freire já havia sido garantida pelo Ministério da Educação em 2016 após compromisso firmado em reunião em Brasília entre o deputado federal Juscelino Filho, o ministro da Educação, Mendonça Filho, e o reitor do IFMA, Roberto Brandão.

Além de beneficiar a cidade de Vitorino Freire, o Campus do IFMA irá beneficiar, diretamente, os municípios vizinhos como Olho d’Água das Cunhãs, Brejo de Areia, Bom Lugar, Altamira do Maranhão, Marajá do Sena, Paulo Ramos, entre outros.

“Pessoas mais bem instruídas têm empregos melhores, salários maiores. Educação de qualidade para todos é condição essencial para o desenvolvimento do país e é isso que queremos para o nosso Estado”, comentou o deputado Juscelino Filho.

Licitação

De acordo com a publicação do “Diário Oficial da União”, a abertura de propostas do processo licitatório para escolher a proposta mais vantajosa para a execução dos serviços de engenharia necessários para a construção da sede do Campus do IFMA em Vitorino Freire terá início no dia 16 de agosto.

(Fonte: Assessoria de comunicação)

Destaque da Mesa “Barco Com Asas”, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a portuguesa Maria Teresa Horta faz questão de se declarar poetisa, demarcando o feminino da palavra poeta. Perseguida por escrever textos eróticos no período em que Portugal vivia um governo fascista, ela contou com orgulho ao público da Flip que enfrentou o poder político de seu tempo em nome da liberdade.

“Eu sou uma mulher da liberdade. Eu escrevo porque quero a liberdade", disse Maria Teresa, que publicou o livro “Novas Cartas Portuguesas” com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, sendo chamadas de as Três Marias. A obra foi publicada três anos antes da chamada Revolução dos Cravos e denunciou para o mundo o autoritarismo vigente em Portugal. A Revolução dos Cravos foi o movimento ocorrido em 1974 que derrubou o regime salazarista em Portugal.
"Houve uma solidariedade muito grande, e a solidariedade faz parte do feminismo", disse a escritora, aclamada pelo público que acompanhava sua mesa, ao proclamar: "Feminismo é a solidariedade entre mulheres”.

Maria Teresa arrancou risadas da plateia quando contou que, ainda criança, dizia que era muda, sendo logo corrigida por seu pai: "Se fosse muda, ela não conseguiria dizer que é muda", brincava ele.

"Eu era muda porque me faltava aprender a escrita. Não era só saber ler, era aprender a escrever", disse ela. "Eu sufoco se não escrevo. Escrevo por paixão. Sou apaixonada pela poesia", afirmou Maria Teresa, que participou da Flip apenas por vídeo. A curadora da Flip, Joselia Aguiar, explicou que a poetisa não viaja de avião, e não foi possível encontrar um navio que a transportasse para o Brasil nessa época do ano.

Dialogaram com Maria Teresa as poetisas brasileiras Júlia de Carvalho Hansen e Laura Erber, que são ávidas leitoras da poesia portuguesa e se consideram influenciadas por autores do outro lado do Atlântico.

Júlia de Carvalho Hansen morou seis anos em Portugal, para onde se mudou em busca de uma redescoberta de sua própria língua. "Imediatamente, percebi que havia na minha convivência com a língua em Portugal a possibilidade de reinventar a escrita em muitos caminhos", disse ela, que, além de escritora e editora, é também astróloga.

"Meu poema funciona como uma espécie de oráculo. Eu escrevo, e ele me mostra uma realidade ou uma diferença, uma ausência que está em mim, mas não era visível", enfatizou Júlia.

Ela defende a astrologia como uma forma de conhecimento sensível e livre, que resistiu tanto à época em que a religião a tachava de bruxaria quanto aos ataques da ciência. Para ela, a astrologia dá a seu trabalho a noção de que o tempo é cíclico, e a clareza de entender a sincronicidade entre as coisas. "Astrologia são pessoas interpretando ligações sensíveis entre os acontecimentos e o céu".

Outro universo

Laura Erber contou que seu interesse pela literatura portuguesa ganhou força quando ela cursou Letras. Hoje, professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), ela concorda que o português de Portugal pode abrir todo um horizonte para autores e leitores brasileiros. "Você descobre uma outra língua que é a sua, mas você não domina. Isso abre outro universo de literatura e de língua".

Para a autora, escrever é também metabolizar sua própria experiência de leitura, pondo para fora as sensações e estranhamentos causados por ela.

Ao responder como decidiu se tornar poeta, Laura explicou que o poeta é alguém que está permanentemente se tornando, pois o poema se encerra, e o fazer poético precisa recomeçar para que o poeta não deixe de ser.

"A leitura é a experiência mais radical e mais revolucionária subjetivamente. Ela é básica e é extrema", disse ela em outro momento.

(Fonte: Agência Brasil)

As pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos na idade apropriada e, atualmente, estão detidas em unidades prisionais ou socioeducativas têm até amanhã (27) para se inscreverem no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja Nacional PPL) 2018.

A aprovação nas provas é uma forma de regularizar o nível escolar dos candidatos que precisam ter, no mínimo, 15 anos para tentar a certificação do ensino fundamental e, pelo menos 18, no caso do ensino médio.

As inscrições para o exame começaram no último dia 16. Quem faz a inscrição é o responsável pedagógico das unidades prisionais e socioeducativas que aderiram, entre 9 e 20 de julho, ao Encceja. Esse mesmo responsável irá acompanhar os resultados e pleitear a certificação do participante.

Datas das provas

As provas estão previstas para os dias 18 e 19 de setembro e serão divididas em quatro testes objetivos, com 30 questões de múltipla escolha e uma redação.

Para obter o certificado ou declaração de proficiência, o participante deve conseguir, no mínimo, 100 pontos em cada uma das áreas de conhecimento, o que corresponde a 50% do total distribuído.

O exame para o ensino fundamental inclui questões de Ciências Naturais, História e Geografia, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Artes, Educação Física, Redação e Matemática.

Para o ensino médio, o exame exigirá conhecimento nas áreas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens e Códigos e suas Tecnologias, Redação e Matemática e suas Tecnologias.

Na edição do ano passado, 74,1 mil pessoas privadas de liberdade se inscreveram no Encceja Nacional PPL. Do total, 44,1 mil buscavam a certificação do ensino fundamental e quase 30 mil, a certificação do ensino médio. As provas foram aplicadas em 1.329 unidades prisionais.

(Fonte: Agência Brasil)