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O escritor israelense Amos Oz, de 79 anos, morreu hoje (28) em decorrência de complicações causadas pelo câncer. A informação foi confirmada pela filha. Ele ficou mundialmente conhecido por sua defesa na busca por soluções para o conflito entre israelenses e palestinos.

O israelense é fundador do movimento pacifista Paz Agora. Nos seus livros, ele relatou a reconstrução do povo judeu após o holocausto e as disputas territoriais envolvendo Israel.

Amos Oz nasceu em Jerusalém, em 1939, em uma família de estudiosos e professores, alguns dos quais militantes de direita sionistas vindos da Rússia e da Polônia.

Desde a guerra de 1967, Amos Oz publicou artigos e ensaios sobre o conflito árabe-israelense, lançando opiniões em defesa do reconhecimento mútuo e da coexistência entre Israel e um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza.

O autor recebeu o prêmio de maior prestígio de seu país: o Prêmio Israelense de Literatura em 1998. Em 2002, foi agraciado com o Prêmio de Liberdade de Expressão da União de Autores da Noruega e uma indicação para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2005, ele recebeu o prêmio Goethe e, em 2007, o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras.

Em 2004, Amos Oz e o acadêmico palestino Sari Nusseibeh receberam, conjuntamente, a Premi Internacional Catalunya pelo governo catalão por sua “contribuição decisiva para o desenvolvimento de valores culturais, científicos e humanos em todo o mundo”.

Entre suas principais obras, estão “Uma História de Amor e Trevas”, “Uma Certa Paz” e “Pantera no Porão”.

(Fonte: Agência Brasil)

O governo federal publicou hoje (28), no “Diário Oficial da União”, a lista com os feriados e pontos facultativos da administração federal em 2019. A lista não inclui feriados estaduais e municipais.

No próximo ano, os feriados que cairão no fim de semana serão: Tiradentes (domingo), Independência (sábado), Dia de Nossa Senhora da Aparecida (sábado) e Finados (sábado). Os demais vão cair em dias de semana.

A portaria, publicada pelo, Desenvolvimento e Gestão, diz que os dias de guarda dos credos e religiões, não relacionados, poderão ser compensados, desde que “previamente autorizados pelo responsável pela unidade administrativa do exercício do servidor”.

O texto diz ainda que o cumprimento dos feriados não deve trazer prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais e que caberá aos dirigentes dos órgãos e entidades “a preservação e o funcionamento dos serviços essenciais afetos às respectivas áreas de competência”.

Em relação aos órgãos e entidades integrantes do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal, eles ficam proibidos de antecipar ou postergar ponto facultativo.

Veja as datas:

1º de janeiro: Confraternização Universal (feriado nacional);

4 de março: Carnaval (ponto facultativo);

5 de março: Carnaval (ponto facultativo);

6 de março: quarta-feira de Cinzas (ponto facultativo até as 14 horas);

19 de abril: Paixão de Cristo (feriado nacional);

21 de abril: Tiradentes (feriado nacional);

1º de maio: Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional);

20 de junho: Corpus Christi (ponto facultativo);

7 de setembro: Independência do Brasil (feriado nacional);

12 de outubro: Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional);

28 de outubro: Dia do Servidor Público (ponto facultativo);

2 de novembro: Finados (feriado nacional);

15 de novembro: Proclamação da República (feriado nacional);

24 de dezembro: véspera de Natal (ponto facultativo após as 14 horas);

25 de dezembro: Natal (feriado nacional);

31 de dezembro: véspera de ano-novo (ponto facultativo após as 14 horas)

(Fonte: Agência Brasil)

Hoje, há uma parte da obra de Pablo Neruda (1904-1973) que ganhou mais visibilidade no Chile que seus famosos poemas de amor, odes ou o celebrado livro “Canto Geral”.

Desde o início de novembro, viraram foco da atenção alguns parágrafos que, segundo especialistas na obra do poeta, passaram por anos de certa forma despercebidos – e, agora, são destacados e criticados por movimentos feministas. Eles fazem parte de cartas enviadas a amigos e do livro de memórias de Neruda, “Confesso que Vivi” (1974).

Os trechos vieram à tona depois que a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados do Chile propôs alterar o nome do aeroporto de Santiago, capital do país, acrescentando o nome deste que foi o terceiro latino-americano a ganhar um prêmio Nobel de Literatura.

"Não é tempo de homenagear alguém que maltratou as mulheres, que abandonou uma filha doente e confessou um abuso. Menos ainda para representar a imagem do país", escreveu, no Twitter, a deputada Pamela Jiles.

Mas quais são as acusações contra o poeta mais conhecido do Chile?

“Um erro da juventude”

Um dos casos sob polêmica foi relatado, ao que se sabe, apenas pelo próprio Neruda. Não há provas além do que ele escreveu, e também não se sabe porque o poeta decidiu falar do episódio em seu livro de memórias.

Em alguns parágrafos de “Confesso que Vivi”, o autor menciona um "encontro" que teve, quando era um jovem diplomata, com uma mulher pobre no Ceilão (atualmente Sri Lanka). Ela era encarregada de recolher uma lata onde ele deixava suas fezes.

"Certa manhã, muito determinado, segurei-a firmemente pelo pulso e olhei-a no rosto. Não havia linguagem com a qual eu pudesse falar. Ela se deixou ser guiada por mim sem um sorriso e logo ficou nua na minha cama", diz o trecho.

"Foi o encontro de um homem com uma estátua. Ela permaneceu todo o tempo com os olhos bem abertos, impassível. Ela fazia bem em me desprezar. A experiência não se repetiu", conclui.

Mark Eisner, autor de “Neruda: O chamado do poeta” (2018), a mais recente biografia do Nobel chileno, destacou à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) que este episódio esteve publicado desde 1974, e ninguém se questionou sobre o que de fato se contava ali.

"Estamos diante da descrição de uma violação, o testemunho de um homem que fala como um impulso sua força sem consentimento contra uma mulher pobre", diz.

Rodolfo Reyes, sobrinho de Neruda, opinou que o relato pertence a memórias poéticas e que, por isso, nem tudo escrito deve ser tomado literalmente.

"Além disso, Neruda era um jovem de 24 anos, sozinho na Ásia", disse Reys à BBC News Mundo. "O que ele relata deve ser visto naquele contexto. E, se aconteceu, foi em sua juventude, com uma falta de experiência total. Mais tarde, na mesma passagem, ele disse que não voltou a fazer aquilo, e pede desculpas nesse sentido".

Secretário-executivo da Fundação Pablo Neruda, Fernando Sáez destaca que a releitura desse episódio se relaciona com o auge dos movimentos feministas, mas que é preciso não "distorcer a história encaixando os fatos do passado nos princípios de hoje".

"Não quero justificar o que aconteceu, mas infelizmente, naqueles anos e no Chile, houve abusos dos homens contra seus serventes, por décadas. Era algo normal e atual. Às vezes com consentimento e às vezes sem, mas sempre a partir do poder que o homem tinha como patrão", comenta o representante da fundação.

Conotação política

Fernando Sáez diz também que, por trás das críticas que permeiam o debate sobre o aeroporto, está uma "desconfiança" contra o poeta por causa de sua militância no Partido Comunista.

"É a direita mais dura aquela que exerce um poder para desmerecer sua imagem (a de Neruda)", diz ele.

Já para Mark Eisner, biógrafo de Neruda, "uma violação é uma violação não importa em qual século nem em qual contexto cultural, político e legal".

"As ações descritas ali, chamemos de abuso sexual, estupro ou o que quisermos, são o comportamento de um homem que impôs sua sexualidade a uma mulher", diz o escritor.

"E o fato de ele se arrepender ou não, não torna a ação menos questionável. Posso admitir que matei ou estuprei alguém e depois me desculpar, mas isso não tira minha culpa e responsabilidade".

A filha “esquecida”

Outra faceta do poeta questionado por feministas, na verdade... Não está no livro de memórias.

O que se critica é justamente a ausência: nas mais de 500 páginas do título, não há uma única referência do autor à sua única filha, Malva Marina. Ela nasceu com hidrocefalia e morreu aos oito anos, sob os cuidados de amigos da mãe da menina.

Uma das raras menções de Neruda à criança está em uma carta que ele enviou a alguns amigos na Argentina, por meio de palavras duras.

"Minha filha, ou como a chamo, é um ser perfeitamente ridículo", escreveu à amiga Sara Tornú.
De acordo com Eisner, Neruda "teve vergonha" da filha por ela ter nascido com uma doença congênita que a impedia de andar e falar. Quando a menina tinha dois anos, o poeta abandonou ela e sua mãe, a holandesa Maria Antonieta Hagenaar.

"Há várias cartas conservadas em que a mãe pedia dinheiro desesperadamente, que ele fizesse as tarefas de pai. Neruda as ignorou, muitas vezes não enviou dinheiro. Elas passavam por uma situação muito difícil, era Segunda Guerra Mundial", diz o biógrafo.

Mario Amorós, autor de outra biografia - "Neruda: O Príncipe dos Poetas” (2015), afirma que a atual interpretação dos laços com Malva Marina descontextualiza as circunstâncias da época.

"Após se separar de sua esposa holandesa, ele continua com sua vida no Chile e, depois, vai para o México. Mas ele não abandonou a filha. Tampouco foi o melhor pai, isso é indiscutível. Mas, naquele mundo e naquela época, eram as mulheres que cuidavam das crianças, e os homens desconsideravam as tarefas domésticas", diz.

Amorós, que decidiu não incluir em sua biografia o episódio do Sri Lanka, concorda, no entanto, que quem busca atacar Neruda pode encontrar nessa história e na relação com a filha uma base para controvérsias.

"Curiosamente, aqueles que se lembram dessas questões esquecem a dimensão humanista de Neruda, uma pessoa cuja poesia e vida estão no alto da literatura e do compromisso político", disse à BBC Mundo.

Para a poeta e feminista Paula Ilabaca, a divulgação desses episódios polêmicos foram "um duro golpe para os chilenos, porque, nesse país, Neruda é como um pai". Crítica ao projeto de mudar o nome do aeroporto em Santiago, ela aponta como principal preocupação diante da história de Neruda o endosso a atitudes semelhantes que podem repetir-se hoje.

"Me causou muita dor também conhecer o episódio do abuso (sexual). Mas isso passou. Agora, me preocupo mais com o fato de que essas atitudes possam continuar sendo tomadas por escritores diante de mulheres jovens, algo que acontece com muitas de nós em festivais literários", disse à BBC Mundo.

(Fonte: Portal Globo.com)

Morreu nessa quinta-feira (27), aos 93 anos, a ialorixá baiana Mãe Stella de Oxóssi, considerada uma das referências do candomblé no país. Ela estava internada desde o início do mês no Hospital Incar, em Santo Antônio de Jesus (BA), por causa de uma infecção.

Em comunicado, o hospital informa que a ialorixá teve sepse urinária, insuficiência renal crônica e hipertensão arterial sistêmica, morrendo às 16h.

Nascida em 2 de maio de 1925, em Salvador, Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxóssi, Odé Kayode, era a quinta ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais da Bahia. Foi levada a um terreiro e conheceu o candomblé por meio de uma tia quando era adolescente. Trabalhou como enfermeira ajudando, principalmente, os mais pobres. Escreveu vários livros, entre eles, “Meu tempo é agora”, “Òsósi – O Caçador de Alegrias”, “Epé Laiyé – terra viva” e “Ófun”, sendo uma das primeiras mulheres a escrever sobre candomblé no país.

Defensora da cultura negra, foi agraciada com diversos títulos, como o de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (2005) e da Universidade do Estado da Bahia (2009). Em 2013, foi eleita para a Academia de Letras da Bahia, onde tomou posse da cadeira número 33 – já havia sido ocupada pelos escritores Castro Alves e Ubiratan Castro de Araújo.

(Fonte: Agência Brasil)

Morreu, no fim da tarde desta quinta-feira (27/12), a cantora e compositora Miúcha, aos 81 anos, em decorrência do tratamento de um câncer. Ela foi internada às pressas e teve uma parada respiratória.

Filha do historiador e jornalista Sérgio Buarque de Holanda e da pintora e pianista Maria Amélia Cesário Alvim, Miúcha lançou 14 álbuns ao longo de sua carreira de mais de 40 anos.

Ela é mãe da também cantora Bebel Gilberto, fruto de seu casamento com o músico João Gilberto, e irmã de Chico Buarque.

Heloísa Maria Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro em 30 de novembro de 1937, e mudou-se para São Paulo com a família quando tinha 8 anos. Começou a cantar ainda criança, vindo a formar um grupo com seus irmãos — Chico, inclusive. Suas primeiras noções de violão foram dadas por um amigo da família, o poeta Vinicius de Moraes. "Depois, eu ensinava pro Chico o pouco de violão que tinha aprendido com Vinicius. E Chico logo começou a brincar de fazer música", contou Miúcha em entrevista ao “Globo” em 2016.

Nos anos 1960, ela estudou História da Arte em Paris, na École du Louvre. Em Roma, foi apresentada pela cantora chilena Violeta Parra a João Gilberto, com quem viria a casar, tempos depois, em Nova York.

"Não sabia nem falar inglês, mas arrumei um emprego de datilógrafa. Eu era desenhista, tinha feito publicidade. Uma das perguntas que me fizeram, na entrevista, foi se eu era boa com ‘figures’ (cálculos, números, em português). Eu disse 'oh, yes', pensando que era desenhar figuras (risos)", revelou Miúcha na entrevista ao “Globo” de 2016. "Casei com João em 1965. Na época, viajávamos muito, nos mudamos muito. Uma vez peguei um ônibus errado, fui parar em New Jersey, gostei e voltei com uma casa alugada.

Miúcha inicou a carreira artística de fato em 1975, cantando no disco "The best of two worlds", de João Gilberto e Stan Getz. Ainda naquele ano, apresentou-se no Newport Jazz Festival, fez “shows” com Stan Getz e participou da faixa "Boto", do LP "Urubu", de Tom Jobim.

Ela seguiu a parceria com o maestro no LP "Miúcha e Antônio Carlos Jobim" (de 1977), que se destacou pelas faixas "Maninha" (composta especialmente para ela por Chico), "Pela luz dos olhos teus" e "Vai levando". Ainda em 77, entrou no “show” "Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha", que ficou quase um ano em cartaz no Canecão antes de percorrer América do Sul e Europa. O espetáculo foi gravado ao vivo e lançado em disco. No mesmo ano, Miucha participou do musical "Os Saltimbancos", adaptado para o Brasil por Chico, interpretando a Galinha, com a filha Bebel no coro infantil.

Em 1979, a cantora gravou com Tom o LP "Miúcha & Tom Jobim", que trouxe as faixas "Triste alegria", de sua autoria, "Falando de amor" (de Tom) e "Dinheiro em penca", única parceria de Tom Jobim com o poeta Cacaso. No ano seguinte, ela lançou o disco "Miúcha", com arranjos de João Donato e com a participações da filha Bebel (cantando na faixa "Joujoux et Balangandans"), e de João Gilberto (violão em "All of me" e "O que é, o que é").

(Fonte: Portal Globo.com)

A Seleção de João Lisboa conquistou o título da sétima etapa do Campeonato Maranhense de Beach Soccer, competição promovida pela Federação Maranhense de Beach Soccer (FMBS) com o patrocínio do governo do Estado e da Cerveja Glacial por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. Na decisão, a equipe joão-lisboense não teve dificuldades para derrotar Cidelândia por 8 a 1. O torneio foi realizado na cidade de Imperatriz.

Com o título, João Lisboa se classificou para a fase final do Campeonato Maranhense. Apesar da goleada sofrida na decisão, Cidelândia também se garantiu na fase decisiva do Estadual.

Para chegar ao título, João Lisboa não teve vida fácil. Após estrear com vitória por 3 a 2 sobre Itinga, a equipe foi goleada por Governador Edson Lobão: 6 a 2. Mesmo com o revés na fase de grupos, os joão-lisboenses conseguiram avançar às semifinais, onde reencontraram a Seleção de Governador Edson Lobão.

Desta vez, a história do confronto foi bastante diferente, e João Lisboa venceu por 4 a 3 para chegar à decisão contra Cidelândia, que havia eliminado a Seleção de Imperatriz nas semifinais: 5 a 4.

Com a definição desta etapa, 14 seleções estão classificadas na fase final do Campeonato Maranhense de Beach Soccer. São elas: São Luís, Paço do Lumiar, Pinheiro, Santa Helena, Parnarama, Matões, Trizidela do Vale, Lima Campos, Barreirinhas, Santo Amaro, Tutoia, Paulino Neves, João Lisboa e Cidelândia.

No site da FMBS (www.beachsoccerma.com.br) e em suas redes sociais oficiais (@beachsoccerma), estão disponíveis todas as informações da competição estadual. O Campeonato Maranhense de Beach Soccer de Seleções Municipais é uma realização da Federação Maranhense de Beach Soccer (FMBS) e conta com o patrocínio do governo do Estado e da Cerveja Glacial por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.

Guido Schäffer, seminarista e surfista

Florianópolis, 18 de outubro de 1991. O papa João Paulo II cumpria uma maratona no país — em dez dias, visitou dez capitais. Na capital catarinense, aproveitou a celebração da beatificação de Madre Paulina para encaixar uma opinião pessoal: “O Brasil precisa de santos, de muitos santos!”.

Foi a senha para o início de uma força-tarefa que está inserindo cada vez mais compatriotas na fila pelo título mais prestigiado da Igreja Católica. Por enquanto, poucos conquistaram a canonização.

Até o ano passado, o único brasileiro a ser declarado santo, com decreto assinado em 2007 pelo papa Bento XVI, havia sido o Frei Galvão. O jejum acabou quando Francisco deu a mesma honraria a 30 mártires do Rio Grande do Norte.

Também são considerados santos nacionais a Madre Paulina, nascida na Itália, e o espanhol São José de Anchieta, mas o país corre atrás de mais reconhecimentos. Por isso, hoje, estima-se que cerca de 90 comissões postuladoras da causa dos santos estejam montando processos de quase cem candidatos à canonização.

Odete Vidal de Oliveira, a Odetinha

Os passos para a santidade

É um caminho complexo e demorado. Normalmente, o postulante se torna um “servo de Deus”, com a abertura do procedimento. Se ele apresentar as virtudes necessárias, é proclamado “venerável”. Caso se prove um milagre por sua graça, é beatificado. A canonização acontece com a comprovação de um segundo milagre.

Hoje, mais de 130 brasileiros são considerados pela Igreja servos de Deus, veneráveis ou beatos.

— O Brasil, um imenso país católico, olha para o exterior e ignora que também abriga santos — avalia o português Miguel de Salis Amaral, consultor da Congregação da Causa dos Santos do Vaticano. — a Igreja e a população devem assumir o desafio de identificá-los. E não se deve procurá-los apenas entre padres e freiras. Até crianças podem inspirar devoção.

É o caso de Odete Vidal de Oliveira, a Odetinha, uma menina que viveu na década de 1930, em Botafogo, na zona sul do Rio. A menina, morta aos 9 anos de paratifo, uma doença de origem bacteriana, impressionou os católicos por suas obras de caridade. Organizava refeições beneficentes, fazia doações para mendigos e convenceu os pais a começar uma obra social para meninas órfãs. Hoje, ela é considerada serva de Deus.

Odetinha chegou ao Vaticano graças à dedicação do padre João Cláudio, que passou quatro anos montando sua biografia, baseado em entrevistas com testemunhas, pesquisas de campo e análise de documentos. E assegura que está pronto para levar o caso a um tribunal eclesiástico, que investigará a santidade da menina.

— Uma pessoa só pode ser canonizada se for comprovado que ela cumpriu dois milagres. Vi centenas de relatos interessantes, como pessoas que, após orarem por ela, curaram-se de câncer terminal e sobreviveram a acidentes e a atos de violência, como tentativas de assassinato — explica.

João Cláudio integra a Comissão da Arquidiocese do Rio de Janeiro para a Causa dos Santos, presidida por dom Roberto Lopes. A equipe, formada em 2011, também conseguiu o título de servo de Deus para Guido Vidal França Schäffer. O médico e seminarista atendia, gratuitamente, a moradores de rua. Ele morreu afogado aos 34 anos, enquanto surfava, em 2009.

— Entrevistamos mais de 30 pessoas para mostrar o caso de Guido ao Vaticano e, depois, será montada sua biografia oficial. E estamos recebendo milagres que serão apurados por uma equipe científica. Esperamos que ele e Odetinha sejam os primeiros beatos do Rio, o último passo antes da canonização — diz dom Roberto. — Nossa equipe conversa praticamente todos os dias e, uma vez ao ano, há a reunião nacional das comissões postuladoras de santos.

Dom Roberto assinala que as dioceses estão, cada vez mais, organizadas, formando padres e trazendo leigos especificamente para organizar os trabalhos de canonização.

Princesa Isabel em 2019

No ano que vem, a comissão pode iniciar a candidatura à canonização da Princesa Isabel, que assinou a abolição da escravatura no país, em 1888. Mas o processo já provoca controvérsias, porque uma corrente de historiadores defende que outras pessoas, que não tiveram uma posição privilegiada na sociedade, foram mais combativas na libertação dos escravos. Desta forma, seriam mais dignos de reconhecimento.

(Fonte: Portal Globo.com)

Em 24 de dezembro de 1818, o padre austríaco Joseph Mohr pediu ao amigo organista Franz Xaver Gruber que compusesse a melodia para um poema escrito por ele dois anos antes. Nascia assim “Stille Nacht, heilige Nacht”, uma das mais famosas canções natalinas, traduzida para mais de 300 idiomas e conhecida em português como “Noite Feliz”.

Naquela noite, Mohr e Gruber executaram a música pela primeira vez durante o serviço da igreja de São Nicolau em Oberndorf bei Salzburg, na Áustria. Hoje, a canção é quase onipresente no Natal, figurando desde 2011 na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O poema foi criado em um período difícil para Salzburgo. O então principado eclesiástico independente sofreu diversas ocupações durante as Guerras Napoleônicas. Os conflitos trouxeram caos e fome – em especial no Ano Sem Verão de 1816, quando temperaturas extremamente baixas destruíram plantações na Europa e América do Norte.

Naquele mesmo ano, Salzburgo perdeu sua independência e foi incorporada à Áustria. "As palavras deste cântico foram escritas nestas circunstâncias. Elas expressam uma ânsia por redenção e paz", explica à BBC News Brasil Peter Husty, curador da exposição Silent Night 200 – The Story. The Message. The Present ("Noite Feliz 200 – A História. A Mensagem. O Presente", em tradução livre), no Museu de Salzburgo.
O contexto local não impediu que a canção se tornasse um sucesso em todo o mundo. Primeiro, a música se espalhou em um manuscrito na região dos autores. Depois, o construtor de órgão Carl Mauracher a levou para Zillertal, um vale em Tirol, onde era cantada por corais. Dali, alastrou-se pela Alemanha, Europa e Estados Unidos.

"O Cristianismo levou essa música para o mundo com missionários (protestantes e católicos). Ela virou acessível em muitas línguas e dialetos, tornando-se global", afirma Thomas Hochradner, chefe do Departamento de Musicologia da Universidade Mozarteum, na Áustria, e idealizador da exposição Silent Night 200.

A exibição traz informações detalhadas sobre a canção - como o fato de que ela é cantada por dois bilhões de pessoas no mundo –, além de objetos que ilustram o estilo de vida no tempo da composição, autógrafos de Mohr e Gruber, e o piano usado para tocar a música.

Uma infinidade de traduções e adaptações

A propagação de “Stille Nacht” em diversos idiomas resultou em traduções nada fiéis ao texto original. Muitas delas são, na verdade, adaptações. A versão em português, por exemplo, foi intitulada “Noite Feliz”, embora o título real seja algo como "Noite Silenciosa".

A primeira estrofe também abriga a frase "pobrezinho nasceu em Belém", inexistente no poema austríaco. "As chamadas traduções são novas poesias que tentam manter a mensagem do texto, mas precisam levar em conta o ritmo e as rimas (da língua)", diz Hochradner.

Segundo Husty, geralmente as traduções buscam manter o sentido central da canção: o Natal como festa da redenção e sinal de paz. Mas nem sempre é o caso, como prova a “Weihnachtsringsendung”, a versão nazista do cântico.

O regime de Hitler tinha um problema óbvio com Natal: Jesus era judeu. E o antissemitismo estava no centro da existência da ditadura nazista. Por isso, sua equipe tentou remover todo o contexto religioso da celebração. Isso incluía reescrever canções natalinas sem referências a Deus, Cristo ou fé.

Na Alemanha nazista, o primeiro verso de “Stille Nacht” transformou-se em um louvor a Hitler. A letra dizia: "Tudo é calmo, tudo é esplendido / Apenas o Chanceler fica em guarda / O futuro da Alemanha para vigiar e proteger / Guiando nossa nação certamente".

A música também não escapou do uso comercial em inúmeros filmes (a Forbes afirma que ela apareceu em 295 até 2015) e interpretações por cantores famosos, incluindo Sinead O'Connor, Elvis Presley, Etta James e Kelly Clarkson.

Os compositores

Padre austríaco Joseph Mohr

Mohr nasceu em 1792 em Salzburgo, onde estudou e foi ordenado padre. Em 1815, o religioso tornou-se curador na pequena municipalidade de Mariapfarr. No ano seguinte, escreveu o poema que o tornou conhecido.

Em 1817, Mohr foi transferido para Oberndorf bei Salzburg. Na cidade, o padre conheceu Gruber, nascido em Hochburg, em 1787, e que tocava órgão na igreja local. Eles cultivaram uma amizade por toda a vida.

Os dois são tão famosos na Áustria que os locais onde nasceram, trabalharam e morreram possuem memoriais e museus em sua homenagem.

Para celebrar os 200 anos do “hit” natalino, Hochburg, Mariapfarr, Arnsdorf, Hallein, Oberndorf, Hintersee, Wagrain, Fügen e Salzburgo fizeram uma parceria para uma exposição nacional. "Os austríacos gostam e cantam a canção, principalmente em sua versão original, que difere um pouco daquela mais comum no mundo. É mais uma tradição do que orgulho", afirma Hochradner.

Para Husty, Stille Nacht transcende a religião. "Ela conta a história do nascimento de Jesus. Então, é um cântico religioso ao mesmo tempo em que é para a paz no mundo".

(Fonte: Portal Globo.com)

Pesquisadores do Museu Nacional, que pegou fogo no dia 2 de setembro, estimam que o trabalho de reconstrução de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, pode “renascer” já em 2020. A reconstituição de um dos itens mais preciosos da instituição bicentenária começará no segundo semestre de 2019. Não será uma tarefa simples: dividido em três etapas (diagnóstico, uma reconstituição virtual e, enfim, a remontagem física), o procedimento deverá levar cerca de um ano.

Novo laboratório

Para o trabalho de reconstrução do fóssil daquela que é chamada de “a primeira brasileira”, será montado um laboratório. O investimento poderá chegar a R$ 3 milhões.

— Teremos uma sala próxima ao local onde é coordenado o trabalho de resgate do acervo. Está sendo preparada com o dinheiro doado pelo governo alemão e com recursos que estamos adquirindo lentamente. O laboratório deverá receber equipamentos especiais, como um grande microscópio. Mas precisamos de outros itens, como um software de reconstrução virtual. Ainda não temos verba para todo o material necessário — diz a arqueóloga Cláudia Carvalho, que, ao lado de outros três pesquisadores do Museu Nacional, cuida da recuperação de Luzia.

Nos dias seguintes ao incêndio que destruiu a maior parte dos 20 milhões de itens do acervo do Museu Nacional, cientistas consideravam praticamente nula a chance de o fóssil humano de 11.500 anos ter resistido ao fogo. Contudo, no dia 19 de outubro, arqueólogos do mundo inteiro vibraram quando uma equipe de resgate das peças encontrou, dentro de um armário semidestruído, uma caixa de ferro parcialmente derretida. O crânio de Luzia estava ali, fragmentado.

(Fonte: Portal Globo.com)

O Ministério da Educação realizou na última segunda-feira (17), audiência pública para apresentar proposta para o novo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) para o ensino médio. A proposta para o PNLD 2021 – Ensino Médio está ancorada nas competências e habilidades elencadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 14 de dezembro, bem como nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino médio.

Os novos livros devem chegar às escolas em 2021. “O processo é complexo. Os escritores precisam de tempo para elaborar o material. Depois, as obras devem ser avaliadas pelo MEC para, então, entrar na fase de compra e distribuição às escolas da rede pública”, disse o ministro da Educação, Rossieli Soares.

De acordo com o Censo Escolar de 2017, o Brasil tem 7.930.384 estudantes no ensino médio, em 24.542 escolas que ofertam essa etapa. Do total de estudantes, 84,8% estão em escolas estaduais.

PNLD

O programa é destinado a avaliar e a oferecer obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre outras ferramentas de apoio à prática educativa. São beneficiadas as escolas públicas de educação básica das redes federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal, além das instituições de educação infantil comunitárias, confessionais ou filantrópicas conveniadas com o Poder Público.

Segundo a diretora de apoio às redes de educação básica do MEC, Renilda Peres de Lima, “o PNLD 2021 está todo desenhado para atender às competências e as habilidades da BNCC”. Ela observa que, segundo a orientação do MEC, são produzidos quatro grupos diferentes, além da parte comum recomendada pela BNCC. “Há cadernos temáticos, contemplando a parte diversificada, há os itinerários formativos, as obras literárias e o guia de tecnologias, para cobrir alguma temática ainda não coberta”.

Com a edição do Decreto nº 9.099, de 18 de julho de 2017, todos os programas do livro foram unificados. Assim as ações de aquisição e distribuição de livros didáticos e literários, anteriormente beneficiadas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) foram consolidadas em um único Programa, chamado Programa Nacional do Livro e do Material Didático.

Para participar, basta que as redes de ensino e instituições federais façam a adesão ao programa. São atendidas apenas as entidades que tenham aderido, formalmente, ao PNLD. A adesão é realizada no sistema PDDE Interativo com a senha do secretário de Educação ou dirigente federal, tornando dispensável o envio de documentos ao FNDE.

Etapas

As obras são inscritas pelos detentores dos direitos autorais, de acordo com critérios estabelecidos em edital. Uma comissão técnica específica nomeada pelo ministro da Educação supervisiona a etapa de avaliação pedagógica, que é coordenada pelo MEC em consonância com o Decreto 9.099 de 18 de julho de 2017. Para a realização da avaliação pedagógica, são constituídas equipes de avaliação formadas por professores das redes públicas e privadas de ensino superior e da educação básica. Esses especialistas de diferentes áreas do conhecimento são selecionados a partir de Banco de Avaliadores do MEC.

Caso sejam aprovados, os livros passam a compor o Guia Digital do PNLD, que orienta professores e gestores da escola na escolha das coleções para as diferentes etapas de ensino. Compete às escolas e às redes de ensino garantir que o corpo docente da escola participe do processo de escolha de modo democrático. Para registrar a participação dos professores na escolha e dar transparência ao processo, a decisão sobre a escolha das coleções deve ser documentada por meio da Ata de Escolha de Livros Didáticos.

Distribuição

A compra e a distribuição dos livros são responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Os livros chegam às escolas antes do início do ano letivo. Nas áreas rurais, as obras são entregues nas prefeituras ou nas secretarias municipais de Educação.

(Fonte: MEC)