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Lembrando papai… A LIGA MARANHENSE DE TUBERCULOSE*

Foi Odilon Soares quem fundou a Liga Maranhense contra Tuberculose. Deu-lhe a força duma vontade determinada. Um idealismo. Uma dedicação constante. Um muito de sacrifício e de abnegação. E a Liga, com Odilon Soares à frente, com Odilon no comando, teve vida. Funcionamento normal. E passou a servir, a ser útil. A realizar milagres. Muitos tuberculosos sofreram com a recuperação, e outros contaram com a ajuda do médico, com a luta do médico em atender sempre.

Muitos anos assim. Odilon fez da Liga uma realidade admirável. Poucos os recursos. Mas de Odilon a insistência. Muitos anos assim. Junto de Odilon outros médicos na cooperação, na ajuda. Mas, com o inesquecível médico, o inesquecível mestre, com o intelectual, o acadêmico da nossa Academia de Letras, a grandiosidade de não recuar nunca, de ir para frente, de não parar a Liga Maranhense contra Tuberculose.

Muitos serviços prestados aos que lhe batiam à porta. Para todos, o melhor cuidado. Todo um esforço para não decepcionar. Para não negar a assistência necessária. E isto numa época em que a tuberculose não contava com os recursos que tem hoje.

Os médicos especializados estavam na luta constante para combater a “terrível doença”. Mas a Liga apresentava, na época, uma organização que satisfazia, que atendia, que conseguia resultados benéficos. Havia o leite. Havia o médico. Havia o medicamento. Havia, sobretudo, a colaboração de todos. Neste todo, atuando com mais determinação, atento, ele, o dr. Odilon Soares.

Mas um dia Odilon deixou de existir. Seu coração parou. A Liga começou a entrar em “pane”. O coração da Liga ameaçava a entrar em “pane”. O coração da Liga ameaçava parar de todo. Os recursos iam minguando. Não mais aquela atividade de sempre. Não mais a eficiência. Não mais o desenvolvimento. A Liga morrendo todos os dias. Morrendo sempre. A indiferença dos que poderiam continuar a obra de Odilon Soares, acabou por deixá-la fora da possibilidade de continuar.

E já não mais se falava na Liga. Não mais curava enfermo. Ela estava enferma. Houve tempo que ninguém dava notícia da Liga. A impressão era de que parava totalmente. Cá fora, a lembrança de Odilon. Uma tristeza para a cidade. Para os doentes.

Muitos anos, parece, assim. Muitos anos na agonia. Mas foi apenas uma ameaça. A Liga passou a viver. A respirar. Foi vencida a crise perigosa. Havia, ainda, sangue no organismo da Liga. Havia a lembrança de Odilon. O exemplo de Odilon. O sacrifício do médico inesquecível. Ficara o exemplo da resistência. Odilon deixara seguidores. Entre eles, perfilava-se o dr. William Soares de Brito. O dr. Joaquim Meneses e outros. Com os seguidores, havia a determinação de renovar tudo. De dar à Liga Maranhense contra a Tuberculose uma organização. Uma nova orientação. Sacudi-la novamente. Trazê-la para a execução das suas finalidades. Havia este pensamento.

O dr. William Soares de Brito registrava sempre esta  esperança. Acreditava o médico ilustre na recuperação total da Liga. Um pensamento firme. E veio, agora, a notícia de que houve mesmo a mudança total. Surgiu uma nova diretoria. Tudo para que a Liga retome a caminhada dos seus objetivos: prestar uma grande assistência. E afirmam os seus novos dirigentes: “dinamizar os serviços hospitalares da velha instituição”. Uma equipe de médicos novos e velhos abnegados num esforço só: continuar a obra grandiosa de Odilon Soares.

O primeiro passo está dado. Há uma nova diretoria. Cabe, agora, aos maranhenses prestigiar o grande esforço. Cabe, agora, aos representantes do povo na Câmara Federal e no Senado, ajudar, conseguindo auxílios para que a Liga cumpra com as suas finalidades. E bem dizem eles: “ajuda moral e material”. Nós estamos no primeiro grupo, e esta é a primeira colaboração.

Vamos ajudar a crescer mais a Liga Maranhense contra a Tuberculose. Vamos oferecer a melhor colaboração.

* Paulo Nascimento Moraes. “A Volta do Boêmio” (inédito) – “Jornal do Dia”,  27 de outubro de 1966 (quinta-feira).

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