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Hoje (29) é o Dia Internacional dos Soldados da Paz das Nações Unidas, comemorado em homenagem à contribuição de mais de 1 milhão de homens e mulheres que serviram e servem como soldados da paz da Organização das Nações Unidas (ONU). A data foi escolhida para a entrega do prêmio Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU 2019. As premiadas são a brasileira Carla Monteiro de Castro Araújo, comandante que serve nas Forças de Paz da República Centro-Africana, e a major indiana Suman Gawani, que, recentemente, completou sua missão no Sudão do Sul.

“Este prêmio é um reconhecimento pelo trabalho de equipe que envolve a força da Minusca (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana) e o componente civil. É muito gratificante, para mim e para a missão, vermos as nossas iniciativas dando frutos”, afirmou a brasileira, ao saber do resultado do prêmio.

Carla entrou para o serviço de saúde da Marinha brasileira em 1997. Trabalhou por mais de dez anos como dentista. Depois, trabalhou na Unidade Médica Expedicionária da Marinha, com gerenciamento de risco, controle e apoio à saúde. Ela se formou na Escola de Oficiais em 2012.

Desde abril de 2019, tem servido como conselheira de proteção e gênero na sede da Minusca. Lá, estabeleceu e conduziu treinamentos em aspectos relacionados a gênero e proteção. De acordo com a ONU, graças aos esforços dela, a missão aumentou significativamente o número de pontos focais de proteção de gênero e de crianças em suas respectivas localidades.

Suman Gawani

A major Suman Gawani entrou para o Exército indiano em 2011, quando se formou na Academia de Treinamento de Oficiais e se juntou às tropas de sinal do Exército. Ela é graduada em Engenharia de Telecomunicações no Colégio Militar de Telecomunicação e em Educação pelo Colégio de Pós-Graduação do Governo em Dehradun, na Índia.

Desde dezembro de 2018, quando foi designada para a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (Unmiss), Suman orientou mais de 230 observadores militares da ONU em violência sexual relacionada a conflitos e garantiu a presença de mulheres observadoras militares em cada uma das equipes locais da missão. De acordo com a ONU, ela proporcionou apoio, orientação, conselho e liderança e ajudou a criar um ambiente adequado para os integrantes da Força de Paz da ONU.

“Qualquer que seja nossa função, posição ou nível, é nosso dever, enquanto integrantes das Forças de Paz, incorporar todas as perspectivas de gênero no nosso trabalho diariamente e apropriarmo-nos delas nas nossas interações com os colegas e, também, com as comunidades”, afirmou Suman Gawani.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “essas integrantes das Forças de Paz são poderosos modelos. Por meio do seu trabalho, elas trouxeram novas perspectivas e têm ajudado a construir confiança e segurança entre as comunidades onde servem. Com seu comprometimento e métodos inovadores, elas alcançaram um nível de excelência que é uma inspiração para todos os capacetes azuis em todo o mundo. Ao confrontarmos os desafios atuais, o trabalho delas nunca foi tão importante e relevante”, afirmou Guterres.

O Prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU, criado em 2016, reconhece a dedicação e o esforço de um militar das Forças de Paz em promover os princípios da Resolução 1.325 da ONU sobre Mulheres, Paz e Segurança. Este ano, pela primeira vez, duas militares receberam o prêmio juntas. No ano passado, outra brasileira recebeu o prêmio. Foi Márcia Andrade Braga, a capitão de corveta brasileira, então integrante da Minusca.

A homenagem ocorreu hoje (29), em uma cerimônia “on-line” presidida por Guterres. A data, o Dia Internacional dos Soldados da Paz das Nações Unidas, homenageia, especialmente, os mais de 3.900 que perderam a vida em missões, em alguns dos lugares mais perigosos e vulneráveis do mundo.

O tema da celebração deste ano é “Mulheres na Manutenção da Paz” e destaca o papel das forças femininas nas operações promovidas pela organização. “As mulheres têm melhor acesso às comunidades que servimos, permitindo-lhes melhorar a proteção de civis, promover os direitos humanos e reforçar o nosso desempenho em geral, embora representem apenas 6% do contingente militar, de polícia, de agentes de Justiça e de pessoal colocados no terreno”, afirmou Guterres, em vídeo divulgado nas redes sociais da ONU.

(Fonte: Agência Brasil)

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Universidades e faculdades públicas e particulares preparam-se para receber novos estudantes diante das incertezas causadas pela pandemia do novo coronavírus. Para quem já está matriculado, aulas totalmente suspensas ou aulas remotas tornaram-se rotina. Como ficam, então, as novas matrículas? Uma das preocupações é com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que impacta não apenas os estudantes, que têm que se preparar para o exame em um cenário adverso, mas também as instituições de ensino, que precisam estar preparadas para receber os calouros.

O Enem é a principal forma de ingresso no ensino superior no país e o exame mais esperado por milhares de estudantes. Com a nota do Enem, é possível ingressar em instituições públicas, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pleitear bolsas de estudo em faculdades particulares pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e obter financiamento das mensalidades pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

A pandemia do novo coronavírus mudou o cenário do ensino superior no Brasil e trouxe várias incertezas. Na semana passada, o Enem foi adiado a pedido de estudantes e instituições de ensino. Ainda não há data definida para a realização do exame.

Nas universidades federais, as aulas presenciais estão majoritariamente suspensas, de acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil. Mesmo com o adiamento do exame, a preocupação é em conseguir cumprir os semestres letivos.

Nas federais, nem mesmo o primeiro semestre de 2020 foi concluído. “A gente não terminou nem de receber os alunos do primeiro semestre de 2020. Já temos os alunos do segundo semestre de 2020 selecionados [no caso da UFG], que provavelmente só entrarão na universidade mais adiante. Impossível receber dois semestres ao mesmo tempo. Então, o Enem vai ter efeito para o ingresso no primeiro semestre de 2021, e a gente não sabe quando será”. Ele explica que os semestres letivos diferem do calendário regular podendo, inclusive, extrapolar para o ano seguinte.

As instituições públicas discutem qual a melhor forma de retomar as aulas presenciais, mas ainda não sabem quando isso ocorrerá. “A discussão que toma conta da universidade hoje não é quando voltar, mas como será a volta. Quais as discussões que a gente precisa ter, desde discussões do ambiente, infraestrutura, higiene, movimentação dos ônibus de estudantes, entre outras”, diz. A Andifes tem realizado seminários para discutir quais são as medidas necessárias para a retomada das atividades presenciais, medidas para serem tomadas no curto, no médio e no longo prazo, levando em consideração as condições da evolução da pandemia em cada local onde está inserida a universidade federal.

O ideal, de acordo com o reitor, é que, em vez de se fixar uma data para o Enem, a situação seja reavaliada mais para frente, de acordo com evolução da pandemia. “Têm outras etapas que precisam ser cumpridas. Ainda precisamos terminar de matricular o primeiro semestre de 2020”, diz e acrescenta: “Tem uma série de atividades que exigem que estudantes apresentem documentos que, muitas vezes, não estão sendo oferecidos pelas escolas. Muitos alunos não vão conseguir sequer trazer comprovante de renda ou de escolaridade”.

Instituições privadas

Nas instituições particulares de ensino superior, o cenário é diferente. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) mostra que, até o fim de abril, 78% das faculdades haviam migrado as aulas para ambientes virtuais. O semestre letivo, então, seguiu para a maior parte desses alunos.

“Estamos em uma excepcionalidade, ninguém escolheu passar por isso. As decisões têm que ser pensadas observando o todo. Estamos discutindo o adiamento para não prejudicar os alunos, mas não podemos colocar em risco todo o sistema. Pode haver adiamento, desde que não comprometa a entrada de novos ingressantes, [tendo como] limite o calendário de 2021”, defende o diretor-executivo da Abmes, Sólon Caldas.

O setor privado concentra, de acordo com o último Censo da Educação Superior, de 2018, 75% das matrículas nessa etapa de ensino. O setor já vinha, de acordo com o diretor-executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil, Rodrigo Capelato, antes da pandemia, pleiteando a antecipação dos processos seletivos do Enem. Isso porque, geralmente, os estudantes esperam a finalização de todos os processos, do Sisu, ProUni e Fies para somente então realizarem as matrículas nas instituições privadas.

“Isso já vinha sendo um grande complicador porque as aulas, para cumprir calendário, começam em fevereiro e temos alunos entrando em março. Tem sido um dificultador muito grande para as instituições. Se eu adiar 30 dias [o Enem], na melhor das hipóteses, se mantiver esse processo, o calendário fica impossível. Os alunos vão entrar em abril, em maio, fica inviável de cumprir calendário letivo. Isso é preocupante para a gente”, diz.

O Semesp defende que haja mudanças no exame, como a realização da prova em apenas um dia e não em dois, como é feito atualmente. Defende também que não haja prova de redação este ano, para que a correção seja acelerada. Para equilibrar a desigualdade entre os estudantes, a entidade defende a ampliação da porcentagem de vagas destinadas aos estudantes de escolas públicas nas federais – a reserva atual é de 50% – e a revisão das notas mínimas necessárias para participar do ProUni e do Fies. “[Defendemos] que os critérios mínimos de entrada nesses programas sociais sejam revistos. Não posso deixar vagas sobrando, nem ProUni, nem no Fies, nem no Sisu”, diz.

Desigualdade no preparo

Devido à pandemia, os estudantes de ensino médio, que são público-alvo do Enem, estão também com as aulas presenciais suspensas. Há, portanto, diferenças no preparo desses estudantes para o exame, o que, segundo o professor de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, pode provocar injustiças no resultado da prova.

Para o professor, o exame deve ser realizado após a finalização do ano letivo nas escolas de ensino médio. A data de conclusão varia de acordo com a rede de ensino. Em algumas, as aulas remotas contarão no calendário, em outras, não, e as disciplinas ainda serão repostas após o retorno às atividades presenciais. “Isso vai retardar o calendário das universidades? Vai. Mas, é o mínimo de justiça em relação ao exame, que é um exame tão relevante”.

“Muitos alunos vão prestar o exame sob uma enorme insegurança. Insegurança de conclusão do ano letivo, insegurança em relação à capacidade de responder ao exame”, diz e acrescenta: “Se as secretarias estaduais de educação continuarem na linha que vêm adotando, esse vai ser um ano perdido em termos de aprendizado, porque fizeram educação a distância sem nenhum projeto pedagógico. Tinha outra opção? Não tinha alternativa. Mas, era preciso ter projeto pedagógico e projeto de distribuição de equipamentos, de equipar os alunos de condições para poder cursar as teleaulas, e isso não foi feito”.

Adiamento

O MEC decidiu adiar o Enem 2020 em razão dos impactos da pandemia do novo coronavírus. De acordo com a pasta, as datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais. O cronograma previa a aplicação do Enem 2020 impresso nos dias 1º e 8 de novembro. Já os participantes da versão digital fariam, inicialmente, a prova nos dias 11 e 18 de outubro. Essa data foi, posteriormente, adiada para 22 e 29 de novembro.

Para definir a nova data, o Inep promoverá uma enquete direcionada aos inscritos do Enem 2020, a ser realizada em junho, por meio da Página do Participante.

(Fonte: Agência Brasil)

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O deputado federal Juscelino Filho (DEM-MA) elogiou o pronunciamento feito, nessa terça-feira (26), pelo presidente da Câmara dos Deputados. Na abertura da sessão plenária virtual, Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu o diálogo entre as instituições e a preservação da harmonia entre os Poderes, sobretudo neste momento em que quase 25 mil pessoas no país já perderam a vida em razão da pandemia do coronavírus.

“O povo brasileiro espera que cada um de nós, detentores de mandatos públicos, tenhamos consciência do papel a desempenhar na busca de soluções para enfrentar o vírus. Vencida essa etapa, ficará um legado de imensos desafios a enfrentar. E o primeiro deles é a reconstrução da nossa economia”, disse Maia. Ele acrescentou: “Armados do espírito da resiliência e da capacidade de trabalho do nosso povo, haveremos de conseguir”.

Para Juscelino Filho, é urgente a união de esforços em torno de um objetivo comum: derrotar a Covid-19. “É com diálogo, convívio harmonioso entre os poderes e respeito à Constituição e à democracia que vamos superar as crises sanitária, econômica e social. Esse é o sentimento de todo o parlamento. E tenho certeza que é também o da maioria dos brasileiros. Aproveito para prestar minha solidariedade às famílias das vítimas”, afirmou.

Recentemente, o deputado Juscelino Filho manifestou preocupação com o avanço do novo coronavírus pelo interior do Maranhão. “O problema vai se comprovando dia a dia com o aumento dos números de casos, internações e mortes nos municípios maranhenses. Essa realidade, aliás, só reforça a importância de um trabalho conjunto entre a União, os governos estaduais e as prefeituras”, acrescentou.

O parlamentar protocolou no dia 12 de maio, na Mesa Diretora da Câmara, Requerimento de Informação direcionado ao secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula. O objetivo é obter o detalhamento das ações tomadas no enfrentamento da doença. Após pedido feito por Juscelino Filho, o governo estadual anunciou a transformação do Hospital Macrorregional de Santa Inês em unidade exclusiva para atendimento de pacientes com Covid-19.

(Fonte: Assessoria de comunicação)

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Termina, às 23h59 desta quarta-feira (27), o prazo para as inscrições no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) alerta os interessados que não deixem para a última hora e lembra que quem solicitou a isenção da taxa de inscrição precisa se inscrever, assim como os demais participantes.

Os dados declarados pelos candidatos devem ser conferidos e apenas alguns deles podem ser modificados na página do participante, durante o acompanhamento da inscrição. No caso da escolha do município para fazer a prova, por exemplo, o Inep pede cuidado reforçado, porque, após o encerramento do prazo, não será possível trocar. Além disso, é necessário memorizar a senha ou anotá-la e guardá-la em local seguro, porque é com ela que o participante irá acompanhar todas as etapas de execução do exame.

Feita a inscrição, o pagamento do boleto, no valor de R$ 85, só pode ser feito até amanhã. De acordo com o último balanço divulgado pelo Inep, mais de 5 milhões de estudantes se inscreveram no Enem 2020.

Data das provas

Por causa da pandemia do novo coronavírus, no fim de junho será feita uma enquete com os estudantes inscritos, na Página do Participante. As datas do exame serão definidas após a consulta.

(Fonte: Agência Brasil)

Ricardo Constâncio (ilustração)

O BLOG DO PAUTAR mostrando aos leitores – bons leitores – textos literários que valorizam a nossa literatura maranhense... Aproveitem... Boa leitura!

(Um passeio memorial, rápido, pela Literatura, pelas histórias em quadrinhos, pelos cordéis, pelo Cinema, pela Música, pela vida...)

(Prefácio ao livro “Assim Tombou Ricardo Constâncio”,
de João Pereira Neto, 2019, inédito.)

***

Era boquinha da noite. Conta-se que o homenzarrão chegou ao povoado do qual se dizia ser terra de gente valente.

O homão não viu ninguém nas ruas. Aparece um menino e ele, rude, pergunta: “– Cadê os homens daqui?” O garoto aponta um bar logo adiante.

Foi entrando e já foi insultando: “– Este lugar não tem homem, não? Cadê os cabras valentes daqui?” E foi enticando os presentes. Enfiava o dedo nos peitos de cada um e questionava: “– É você o valentão daqui?”

Quando o indicador em riste do valentão foi se chegando ao peito de um baixinho que pitava seu fuminho tranquilamente, o homenzarrão finalmente ouviu uma resposta: “– Seu moço, neste lugar, num tem nem um valentão, não; porque os que chegam aqui... nós mata!”

O grandão recém-chegado ainda teve tempo de revirar os olhos, tentando aparar com as mãos o sangue e os intestinos que, aos borbotões, em evisceração, começavam a sair de seu bucho, aberto de cima a baixo e de lado a lado por uma afiadíssima faca peixeira que, com modos de prestidigitador, o baixinho pitador manuseara, cortando fundamente em cruz a barriga do malsinado valentão, que, ali mesmo, tombou, mortinho da silva...

O baixinho João da Cruz não tinha esse nome à toa...

***

Que eu me lembre, desde a minha infância, convivo com valentões. Sequer imaginava que, no completar de mais uma década de vida, com este pequeno grande livro – ”Assim Tombou Ricardo Constâncio”, de João Pereira Neto –, eu viesse a me apegar com mais um. E dos bons.

Explico: Menino curioso que sempre fui, eu ouvia histórias de valentões nas conversas na entrada da noite, quando os vizinhos iam falar seus casos, coisas e “causos” em frente lá de casa, sentados em seus tamboretes, mochos, cadeiras de macarrão, cadeiras preguiçosas... Para iluminar a noite e as conversas, em uma época sem energia elétrica para todos, um ou outro mais abastado trazia seu Petromax, alguns remediados traziam candeeiros e os mais humildes, as lamparinas de morrão. E haja aparecerem histórias e “causos” de valentões, arruaceiros e brutamontes!... A noite de animadas conversas só terminava tarde – antes, só se o tempo recomendasse ou se a rasga-mortalha teimasse chirriar por sobre ali, emitindo prenúncios de mau agouro.

Do convívio com valentões das conversas, passei para os valentes dos livros. Os primeiros acho que os conheci por volta dos seis anos de idade, quando eu, sentado no chão de barro batido da casa, ficava a ouvir Seu Miguel, um paraplégico ledor, morador do mesmo lado de rua, que lia para mim a “História de Carlos Magno e os Doze Pares de França”, que, depois, ele me emprestou e que, adulto, consegui um exemplar semelhante da obra. Até hoje, tenho de memória o nome dos valentes Roldão (ou Rolando) e Oliveiros e, também, Galalão (ou Ganelão), entre outros, e o adversário gigante Ferrabraz, todos com suas espadas com nome: “Joiosa”, espada do Imperador Carlos Magno; “Durindana”, de Roldão; “Alta Clara”, de Oliveiros; “Plotança”, “Batizo” e “Braba”, todas de Ferrabraz. (Além dessas armas do período carolíngio (742-814), como não se lembrar das espadas arturianas, da Távola Redonda? A “Excalibur”, do Rei Artur, a “Cortana”, do cavaleiro Tristão...).

Aos valentões de conversas e aos valentes de livros juntei os da Cultura Popular. Foram estes e outros valentes e valentões que me acompanharam, bem retratados nos muitos “romances” que eu lia e, até hoje, leio e releio. “Romance” era o nome que se dava, à época, aos livretos de literatura de cordel. Nestes, eram frequentes os valentes e valentões, reais e imaginários, que, igualmente, viviam ou eram colocados em relatos verdadeiros ou aventuras fictícias. Entre esses valentes e valentões, além de príncipes em busca de suas princesas, de Juvenal e seu dragão, havia personagens mais chãos, mais telúricos, como Lampião; ou Antônio Cobra Choca e Zé Mendonça (o “Sertanejo Valente”), e Negrão do Paraná e João Balduíno (o “Seringueiro do Norte”), todos do cordelista Francisco Sales de Arêda; os ladinos e legendários Cancão de Fogo e Pedro Malasartes. A valentia de uns e a valentice de outros são sempre bem descritas pelos autores cordelistas. O citado Arêda descreve o valentão Negrão do Paraná:

“Quando chegava nas feiras
fazia o maior destroço
dava nuns matava outros
quebrava pernas e pescoço
o pobre que ele pegasse
quebrava osso por osso”.

Mas como toda chaleira tem sua tampa, havia o humilde e valente Seringueiro do Norte, de nome João Balduíno, na estrofe abaixo identificado como “rapaz”, que não tinha medo de foba e assim falou pro Negrão do Paraná na peleja:

“O rapaz disse está certo
você é duro eu sou duro
pegue arma se defenda
que também estou no apuro
pode furar se puder
que também vou vê se furo”.

Em outro folheto de cordel, e rejeitando a fama de valentices de um lugar, Cobra Choca diz a que veio:

“– Isto de fama é besteira
quem é bravo também morre!
Se o senhor quiser, eu vou
buscá-lo e ele não corre.
Caso ele com a negra
só Jesus Cristo o socorre”.

Cancão de Fogo, por exemplo, se não era um valentão, era um trapaceiro adorável, com laivos de valentia, como na hora da morte, segundo relata João Martins de Athayde, em seu cordel “A Vida de Cancão de Fogo e Seu Testamento”:

“Quando ele viu que morria
Chamou a mulher pra junto
e disse: ‘Minha mulher,
não precisa chorar muito:
não há tempo mais perdido
do que chorar por defunto’”.

O cordelista Severino Milanês descreve bem o seu “Valentão do Mundo”, o herói-título do folheto:

“Era forte e musculoso
tinha força igual a Sansão
domesticava pantera
pegava lobo de mão
matava cobra de murro
botava sela em leão”.

Desde criança, eu também via e ouvia valentes e valentões nas Histórias em quadrinhos (HQs) e na Música. No universo das HQs, lotado de mil e muitos heróis (e seus respectivos vilões...), cite-se apenas um, clássico, que traz a intrepidez no nome: o Príncipe Valente, do desenhista e roteirista canadense Hal Foster (1892-1982), que há mais de oitenta anos, desde 1937, povoa mentes crianças e adultas com suas aventuras.

Por seu lado, as músicas, em especial as brasileiras, me encantavam com os sons que delas saíam e com as letras, pelas imagens que com elas eu construía. Até hoje, recordo da letra e melodia de uma canção que, ainda, não consegui identificar: “Ele é o João Valentão, o bandidão”. Este João aqui tem nada a ver com a música-título “João Valentão”, que Dorival Caymmi passou nove anos pra compor e que, finalmente, gravou em 1953, merecedora de regravações inúmeras nas vozes de Ângela Maria, Elis Regina, Fagner, Ná Ozzetti, Oswaldo Montenegro... Ao descrever seu valentão, Caymmi dedica vinte dos vinte e seis versos para detalhar o ambiente/lugar encantador que é terra de João, personagem apresentado, ao término da música, como um “homem que nunca precisa dormir pra sonhar” – mas os primeiros seis versos revelam logo o “lado A” do moço:

“João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção
E nem pensa na vida
A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida”

E faltaria espaço pra tantos valentes e valentões na Música, como nas composições de Luiz Gonzaga com Zé Dantas (o “sujeito valente e brigão” em “Forró de Caruaru”, de 1955) e com José Clementino, no icônico “Xote dos Cabeludos”, que seria uma “resposta” do Rei do Baião para outro “rei”, Roberto Carlos, que teria feito uma desfeita ao sanfoneiro pernambucano. Eis a descrição de um homem valente no xote:

“[...]
No sertão de cabra macho
Que brigou com Lampião
Brigou com Antônio Silvino
Que enfrenta um batalhão
Amansa burro brabo
Pega cobra com a mão
Trabalha sol a sol
De noite vai pro sermão
Rezar pra Padre Ciço
Falar com Frei Damião
[...]”.

No Cinema, nem se fale! É valente e valentão pra todo lado, na Terra e fora dela, com seus heróis e vilões armados com as próprias mãos (artes marciais e fortões tipo Hércules, Ursus e Maciste), com revólveres (faroeste), com armas de raios (ficção científica) etc. Conan, Dirty Harry, Braddock, Rambo, Shaft, enfim, do “A” do Aquaman ao “Z” do Zorro, é gente valente por toda a terra, água e ar...

Voltando à Literatura, fora das menções ao ciclo carolíngio e ao reino arturiano, Guimarães Rosa nos apresenta o valente Manuel Fulô e o valentão Targino, no conto “Corpo fechado”, de “Sagarana”. A “Bíblia” traz valentes aos milhares; a meu ver, um exemplo de valente é Davi e, de valentão, Golias.

As citações acima, nas diversas formas de expressão cultural (Literatura, Música, Cinema, Cultura Popular etc.), impõe que seja feita a distinção entre o que é “valente” e o que é “valentão”. Valente é uma virtude; valentão, uma deformação. Valente, em geral, é o que uma pessoa é; valentão, via de regra, é o que lhe atribuem ser. Para mim, valentão é arruaceiro, provocador, brigão, quando não um mero bravateiro, farsante, fanfarrão.

Esse “-ão” em “valentão” não é um intensificador da palavra; é um corrompedor dela, como em “respondão”.

Esse “-ão” em “valentão” não é um aumentativo; paradoxalmente, é um diminutivo, desqualificador, depreciativo.

Neste livro, a preponderância do termo “valentão” sobre “valente” e “valentia” é quase sempre um espelho, em que se vê, invertida, a imagem do outro. Por mais realística que seja, é reflexo e é o contrário da realidade.

Mulheres e homens que conheceram Ricardo Constâncio descrevem-no como “um moço muito bonito, educado e respeitador”. O próprio Ricardo Constâncio declara que “nunca havia nem sonhado de ser valentão ou coisa parecida”. O autor, de certa forma, ratifica isso quando, tanto no fim quanto na introdução, ressalva: “[...] não há relatos de que Ricardo tenha algum dia matado por encomenda ou para roubar” e “pensamos não ser justo pintar Ricardo Constâncio como um bandido celerado e de coração duro. Mas também não adianta querer retratá-lo como bonzinho. Nada de extremos”. João Pereira Neto sabe: “In medio virtus”. Nem ladino nem paladino.

Considerada essa distinção, apresenta-se, nesta obra, o moço Ricardo Gomes, o Ricardo Constâncio, pessoa histórica, isto é, verdadeira, real, que existiu mesmo. Casou-se, teve uma filha, tinha trabalho e endereço certos. João Pereira Neto o descreve com habilidade de escritor e leveza de um bom contador de “causo”. Nem parece que são rarefeitas as fontes para a pesquisa e construção de “Assim Tombou Ricardo Constâncio”. Talvez o mais que houvesse agora seja expletivo.

Com “Assim Tombou Ricardo Constâncio”, a boa Literatura maranhense e brasileira enriquece seu rol de personagens intrépidos, corajosos, valentes. João Pereira Neto, jovem, mas experiente juiz de Direito, está acostumado à dura prática diária da escrita – mas uma escrita que decide liberdade, patrimônio e valores intangíveis de pessoas, nos limites quase inflexíveis da Lei.

Sair desse cotidiano não é fácil, o que torna mais admirável esta pequena grande obra – no gênero, a primeira do autor. Entretanto, se, em seu mister, o juiz sentencia sobre Liberdade, Patrimônio e Valores, o escritor, em seu mistério, não é diferente: o personagem Ricardo Constâncio luta por liberdade legal, ao querer ajustar contas com a Justiça, e defende o patrimônio, material e moral, seu e de outros.

A Literatura ganha um estilista, pesquisador e documentador/descrevedor de falas, ambientes, situações. Nem o incômodo de ombro seriamente dolorido, que o levou à terapia física e a esta terapia literária, minou-lhe o bom humor, o (re)lembrar-se de aspectos da vida que ele próprio, autor, viveu e que reviveu em uma e outra passagem deste seu primeiro filho literário.

Como não gostar dos gostosos achados e descrições dados aqui à leitura pelo autor? “Dia de feira era, quase sempre, dia de facadas [...]”. “Aqui se mata por devoção [...]”. “[...] a Justiça daquele tempo era cara, lenta e rara, sendo vantajosamente substituída pela sentença do trabuco, que era definitiva, não admitia recurso”. Lei mesmo? Só “o bacamarte, o cacete, a faca”, “sem receio das fraquezas dos juízes e das patifarias dos jurados, sempre escolhidos a dedo”.

Ao relatar a briga entre o valente Ricardo Constâncio e o valentão Negão do Sul, João Pereira Neto alia à competência descritiva um “humour” na medida: “Ricardo não perdeu tempo e deu uma forte bofetada em Negão, que caiu de queixo trancado por cima de uma mesa de tábua de bacuri. Nisso, aparece o pai de Negão, chamado Isidoro, que morava em Caxias, e entra na briga. // Isidoro estava portando um cacete de jucá, assado ao fogo, duro mais do que beirada de sino [...]”.

Que beleza o trazer-se para aqui essa riqueza de imagens e analogias do interiorzão maranhense!... Que autoridade a do escritor, ele próprio, menino, um (con)vivente dessas realidades da gostosa linguagem cabocla, interiorana, com um belo e delicioso repertório de comparações e paralelismos semânticos!...

“Assim Tombou Ricardo Constâncio” recupera uma história de vida (e morte), de – “O tempora! O mores!” – um tempo que se (es)vai, de “homens de gênio forte e desassombrada coragem”, de gente que ousava “comprar questão”, de um povo “façanhudo” que nem Ricardo Constâncio, que, valente, “não costumava comprar valentia, mas também não era homem de vender covardia”.

Se não é um libelo acusatório, este é também um livro denunciatório... pelo menos em relação às práticas e modos de ser de ontem (ontem?) da Justiça, da Polícia, da Política, vale dizer, do Estado – um Estado corrupto e corruptor, desservidor e prejudicador dos cidadãos. Veja-se a descrição forte, precisa, exata de João Pereira Neto...

... sobre a Polícia: “As delegacias, com raríssimas exceções, estavam entregues a indivíduos analfabetos, servindo de cegos instrumentos de obediência partidária, sob a influência nefasta de desabusados chefetes políticos e sem os livros exigidos para registro de ocorrências, queixas-crimes, licença etc.”.

E sobre os desvios da Política por desviados políticos: “[...] a Guarda Municipal, mantida pelas Prefeituras do interior, existente em diversos municípios do Estado, formava um quadro de política roceira, sendo constituída por homens a serviço particular do prefeito, do delegado e de outras autoridades, pessoas que nada mais eram do que rachadores de lenha, tiradores de palmito ou tratadores de animais e que, nas horas vagas, faziam a correição, matando nas ruas e fundos de quintais os animais de propriedade dos adversários políticos, quando não podiam, por outro meio, satisfazer o seu capricho partidário”.

João Pereira Neto é um desses escritores que faltavam. Desenvolve, com primor, uma técnica de períodos curtos: nos originais à minha frente, em mais de cento e oitenta parágrafos de seu texto (com linhas de, em média, oitenta caracteres com espaço) apenas nove parágrafos tinham mais de cinco linhas e nenhum chegou a dez linhas. Uma qualidade ou um estilo, ou os dois – sem qualquer contraindicação, em especial nestes tempos de preguiça de ler, de acomodação mental, de consumo imagético via “smartphones” (estes aparelhinhos que, em geral, têm mais “esperteza” e conteúdos que seu manipulador).

Como a previamente querer desencorajar louvores por ou para esta obra, o autor diz, em “ponto final”, que, apenas, contou o que ouviu contar – o que, assim, digo-o eu, tornaria a obra uma realização coletiva e o autor mero escrivão da frota (de gentes).

Nesta sua obra primogênita, João Pereira Neto afirma que não há “pretensão literária alguma” e não intenciona “obter rasgados elogios”. (Fazendo blague, no caso deste prefácio pelo menos, os elogios vão inteiros...).

Neste livro, portanto, uma boa história, escrita com excelência.

***

Com valentia. Assim lutou, assim viveu e assim tombou Ricardo Constâncio.

Com mestria. Assim contou muito bem contada a história João Pereira Neto.

Parabéns, João Neto!

Bem-vindo ao clube.

* EDMILSON SANCHES

Alunos de diferentes cursos de graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF) criaram o aplicativo EPI Solidário, para “smartphones”, que já está disponível nas lojas Apple. O objetivo é conectar profissionais que estão necessitando de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), trabalham na linha de frente de combate ao novo coronavírus e não estão encontrando esse material no mercado, com outras pessoas ou empresas que produzam equipamentos e queiram doar. O criador do aplicativo é Eduardo de Oliveira Camara, formado em ciência da computação e, atualmente, aluno de medicina da UFF.

O professor do Instituto de Computação da UFF responsável pelo projeto, Flávio Luiz Seixas, disse à Agência Brasil que o aplicativo aproxima o doador do receptor. “Ele vai ao aplicativo e vê se tem o registro de alguém que tem EPI para fazer alguma doação solidária. O mecanismo dele é esse”. As pessoas não pagam nada para ter acesso ao aplicativo nem para receber as doações. Daí, o nome EPI Solidário, afirmou Seixas. “O aplicativo pode facilitar esse intercâmbio de informação”.

O aplicativo foi disponibilizado em versão de testes numa plataforma da Microsoft (appcenter.ms), que permite fazer seu “download” para dispositivos Android. Para isso, basta a pessoa interessada fazer um cadastro e registrar uma senha. O primeiro contato é por “e-mail”. “Assim, a pessoa já está apta a usar o aplicativo”. O APP Center é uma plataforma de anúncio de aplicativos.

Flávio Seixas disse que os alunos da equipe já estão com ideia de implementar novas funcionalidades para o aplicativo, como identificar a localização do usuário e mandar informação de que há uma pessoa próxima querendo doar. “Há particularidades que a gente vai implementar nos próximos ciclos evolutivos. A ideia é ter ciclos evolutivos constantes a partir de agora, “muitos alimentados pelo que os usuários vão comentar com a gente”, completou o professor.

Eduardo Câmara acredita que o aplicativo também poderia vir a servir, por exemplo, como facilitador para outros equipamentos, incluindo aparelhos produzidos por iniciativa das universidades, como “face shield” (protetor facial) e respiradores.

Match Buyer

Outro aplicativo idealizado por estudantes da UFF e executado inteiramente por eles é o Match Buyer. O graduando em engenharia química da universidade Leolo Lopes, que atua como desenvolvedor do aplicativo, informou que ele funciona na mesma ideia do Tinder (aplicação multiplataforma de localização de pessoas para serviços de relacionamentos “on-line”), conectando uma pessoa que precisa fazer compras e não pode sair de casa com outra pessoa que pode sair de casa e não está no grupo de risco.

“A ideia central do aplicativo é proteger a vida das pessoas, conectando-as e, também, ajudar a economia de bairros, de forma mais precisa, os pequenos e médios estabelecimentos que estão com problemas de venda”. Ao mesmo tempo em que o Match Buyer une pessoas que estão em situação de risco, evitando o contágio, ele opera para prevenir o fechamento de estabelecimentos.

Lopes esclareceu que o aplicativo estará disponível para qualquer pessoa, mas que vai existir uma verificação quanto à segurança de quem se disponibilize para ir até o mercado e de quem vai receber as compras. Não será necessário pagar para ter acesso ao aplicativo, afirmou. O acesso tanto das pessoas do grupo de risco, quanto dos usuários que podem ir aos mercados, e até mesmo do pequeno ou médio estabelecimento parceiro, que deseja expor os produtos, é totalmente gratuito.

Cadastro

Para utilizar o Match Buyer, é preciso fazer um cadastro prévio. Existe um tipo diferente para cada perfil de usuário e também uma área limitada a partir da qual eles podem se comunicar. “Podemos dizer que o Match Buyer é o Tinder da pandemia".

O grupo que assina o projeto é composto por seis estudantes, integrantes da Equipe de Foguetes da UFF. Em breve, o aplicativo de compras estará disponível na Play Store, sendo possível acessá-lo por meio de “download” e cadastro.

(Fonte: Agência Brasil)

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 estão abertas até a próxima quarta-feira (27) e devem ser feitas por meio da “internet”. O prazo começou no dia 11 e terminaria no dia 22, mas foi estendido por mais cinco dias.

Neste ano, será obrigatória a inclusão de uma foto atual do participante no sistema de inscrição, que deverá ser utilizada para procedimento de identificação no momento da prova. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as fotos poderão ser alteradas ou inseridas após o período de inscrições, na Página do Participante.

A foto deve ser atual, nítida, individual, colorida e com fundo branco. Não serão aceitas imagens de pessoas com óculos escuros ou artigos de chapelaria (boné, chapéu, viseira, gorro ou similares). Ela deve mostrar o rosto inteiro do participante com uma boa iluminação e foco, nos formatos de arquivo JPEG e PNG, com tamanho máximo de 2MB. Imagens em PDF não serão permitidas.

As datas do Enem serão definidas após enquete que será feita com os participantes inscritos, no fim de junho, na Página do Participante. As provas estavam previstas para novembro deste ano, mas em razão dos impactos ocasionados na sociedade pela pandemia de covid-19, o Ministério da Educação decidiu pelo adiamento por 30 a 60 dias.

No Enem 2020, serão aplicadas duas modalidades de provas, a impressa e a digital. Todas as 101.100 vagas para a prova digital já foram preenchidas.

A estrutura dos dois exames será a mesma. Serão aplicadas quatro provas objetivas, constituídas por 45 questões cada uma, e uma redação em língua portuguesa. A redação será manuscrita, em papel, nas duas modalidades. Durante o processo de inscrição, o participante deverá selecionar uma opção de língua estrangeira – inglês ou espanhol.

O valor da taxa de inscrição do Enem é de R$ 85 e deverá ser pago até 28 de maio. Quem tem direito à gratuidade da taxa de inscrição, por se enquadrar nos perfis previstos nos editais do Enem, terá a isenção automática, a partir da análise dos dados declarados no sistema.

A regra se aplica, inclusive, aos isentos em 2019 que faltaram aos dois dias de prova e não tenham justificado ausência. De acordo com o Inep, a medida beneficia quem teve dificuldades em realizar a solicitação de isenção devido às restrições impostas pelo isolamento social em razão da pandemia de covid-19.

(Fonte: Agência Brasil)

A voz e os versos abriram-se com a amplitude de “janelas”. Quando não imaginava, Renata Weber, psicóloga clínica, mestre em antropologia, doutora em psiquiatria, viu-se no palco. Assumiu o nome artístico de Tatá Weber. “A música sempre fez parte da minha vida, mas deixei um pouco suspensa por causa da minha carreira e das minhas pesquisas”.

Foi há 5 anos que ela passou, de verdade, a dividir a vista que fazia do mundo. “Eu brinco que tenho um bando de janelas na vida. Voltei muito tardiamente. O meu primeiro álbum é de 2015 com o disco ‘Leve”’, diz, hoje, aos 48 anos de idade. Depois, produziu ainda mais dois CDs (“Cantadas” e “Suítes para Eletrodos”, lançados em maio). Tem, pelo menos, 30 músicas autorais, em “singles” e, também, em parcerias, como com Danú Gontijo. No ano passado, a doutora de psicologia precisou controlar os sentimentos “com toda a carga emocional que o festival tem”, quando foi anunciada como vencedora no Festival de Música da Nacional FM com a música “Quarta-feira”.

Em 2020, o Festival chega a sua 12ª edição para promover a música brasileira em um momento de pandemia da covid-19 onde tudo vai ser possível com inscrições pela “internet”. No caso de Tatá Weber, no ano passado, a fã do festival e da Rádio Nacional entende que o evento cumpre importante função em prol dos músicos que trabalham com material autoral. “É uma festa. Ganhar é ótimo, e participar é muito gostoso”.

Bicampeão

Músico com experiência no palco do Festival da Nacional é Marcelo Lima (foto), de 49 anos. Venceu em 2014 (com a composição “Bora Lá”, com letra de Ângela Brandão, na categoria de “música com letra”) e também, no ano passado, com a composição instrumental “Voa Zepellim”.

Ao todo, ele já participou de cinco festivais, e chegou a três finais. “É um desafio muito grande. Você ganhar um festival é um início muito bom para uma música, ainda mais em uma rádio renomada como a Rádio Nacional”.

O caminho para chegar até ali, no palco, sob aplausos, foi de exercícioos, literalmente. Ele é profissional de música desde 2000 (além de compositor, toca instrumentos como bandolim, violão e guitarra), mas já foi professor de educação física por 15 anos. “Como eu trabalhava com competição, os horários começaram a ficar incompatíveis. Por isso, passei a me dedicar, apenas, à música. Um dia penso em voltar à educação física”.

A música foi um caminho que lhe deu musculatura de campeão nas partituras. Até chegar aos títulos do Festival da Nacional, gravou três discos com o grupo “Marambaia”, com quem ficou na estrada pelo Brasil de 2002 a 2014, um disco com Lauro Aires, no grupo “Centropia”, com quem trabalhou a partir de 2015, e, agora, mais um trabalho a ser lançado em junho chamado de “Marcelo Lima e os Procurados”.

“Quando fui compor pensando no festival da Nacional, pensei que era importante no trabalho refletir sobre o repertório eclético da rádio”. Ousou e deu certo, misturando estilos, batidas e ritmos.

Para se inscrever

Neste ano, as inscrições serão feitas, até o dia 31 de julho, exclusivamente pela “internet”. Os concorrentes do Distrito Federal e entorno poderão anexar os arquivos das músicas e dos documentos por “upload”, diretamente na ficha de inscrição.

Leia o regulamento

Podem ser inscritas músicas instrumentais e canções com letra. Os finalistas concorrem aos prêmios de Melhor Música com Letra, Melhor Música Instrumental, Melhor Intérprete Vocal, Melhor Intérprete Instrumental, Melhor Letra, Melhor Arranjo, Música Mais Votada na Internet e Melhor Torcida.

Os concorrentes devem ler, atentamente, o regulamento de participação. Em caso de dúvidas e para informações complementares, é possível entrar em contato com a coordenação do Festival pelo “e-mail” festivalnacionalfm@ebc.com.br.

Etapas

O Festival de Música da Nacional FM é dividido em duas fases de apuração dos vencedores. Depois de encerradas as inscrições, 50 músicas são selecionadas por um corpo de jurados especializados. Essas canções passam a ser executadas diariamente na programação da Rádio Nacional FM. Nesta etapa, os ouvintes podem votar em suas canções preferidas pelo “site” do Festival. A música mais votada é, automaticamente, classificada entre as finalistas. As outras 49 músicas passam por um novo processo seletivo, onde são escolhidas 11 canções para fechar a lista das 12 finalistas. Em seguida, tem início uma nova fase de veiculação das músicas na programação da Nacional FM e votação na “internet”.

Tradicionalmente, os vencedores do Festival são conhecidos em um grande “show” em que os 12 finalistas se apresentam ao vivo diante do público e jurados para a escolha dos ganhadores nas oito categorias. Eles participam no dia seguinte do Show dos Vencedores, com mais tempo para apresentarem seus trabalhos.

Neste ano, os “shows” estão programados para acontecer nos dias 28 e 29 de novembro. No entanto, por causa da situação da pandemia do novo coronavírus, a confirmação das datas e detalhes relativos aos dois eventos públicos serão divulgados posteriormente.

A primeira edição do Festival Música da Nacional FM foi realizada em 2009, em consolidação a várias iniciativas da rádio em apoio à cultura e à música de Brasília. Desde 2015, a final do Festival e o Show dos Vencedores ocorrem no Teatro da Caixa Cultural.

Todos os anos, a realização do Festival provoca uma grande mobilização na cadeia produtiva musical da cidade, movimentando compositores, cantores, músicos, arranjadores e estúdios de gravação. A cada edição, é registrado um crescimento significativo no número de músicas inscritas e recordes de acesso nas votações pela “internet”.

Pioneira

A Rádio Nacional foi a primeira emissora FM de Brasília, entrando no ar em 1976. Os destaques da programação são o melhor da música brasileira e a informação de qualidade. O sinal da Nacional FM também é disponibilizado via “internet”, por meio do “site” das Rádios EBC e do aplicativo Rádios EBC para iOS e Android.

(Fonte: Agência Brasil)

Somos avaliados todo o tempo, a vida toda – na família, no trabalho, nas escolas, nas “rodas” sociais e em outros locais e que tais...

* * *

24 de maio de 2016, 4h40 da madrugada.

Eu terminava de preparar os tópicos para uma palestra que faria menos de quatro horas depois, para alunos de 3º ano do ensino médio que vão enfrentar o vestibular. (O que não faço para dar algumas informações e sobretudo muita motivação para os estudantes irem um pouco mais estimulados para essa batalha...).

* **

Somos avaliados todo o tempo, a vida toda – na família, no trabalho, nas escolas, nas "rodas" sociais e em outros locais e que tais...

Os estudantes, no vestibular, não têm avaliados apenas seus conhecimentos das disciplinas para, naquela época, as 180 questões do exame e mais a temida redação.

Em uma fase cheia de conflitos, ideais, angústias e expectativas, que é a adolescência, o jovem que se inscreve em vestibular também tem avaliada sua capacidade de reação à pressão (tempo da prova, habilidades linguísticas e de conhecimentos gerais para a redação, concorrência, ambiente, expectativas da família, amigos, colegas...).

É mais um “rito de passagem” nessa fase de transformação do adolescente.

Não é sem razão, à parte outras, que, segundo números de há alguns anos, dos quase dois milhões que ingressam nas universidades anualmente, cerca da metade desistem dos cursos que escolheram e não concluem, não se formam.

Eu mesmo já fui professor em curso superior de universidade pública que, na solenidade de formatura, somente DOIS alunos concluíram no tempo regular. Outros desistiram, ou foram ficando pelo caminho, atrasados, com matérias ou trabalhos por concluir. E, no caso das universidades públicas, a sociedade bancando essa conta e esse subaproveitamento de espaços, de vagas, de capacidade docente etc. etc. etc. Lamentável...

O vestibular existe desde 1911, no Brasil. Na Europa, antigamente, a partir do século XII, só ingressava em cursos superiores estudantes indicados pela Igreja ou pela Nobreza.

E por que o nome "vestibular"?

Na Europa dos tempos idos, os estudantes que iam iniciar no curso superior não podiam assistir às aulas com os veteranos. Assim, ficavam na entrada das salas. “Entrada”, em latim, é “vestibulum” – daí, “vestibular” ou exame de entrada, de ingresso na universidade para fazer cursos superiores.

Que os estudantes que me têm ouvido em tantas palestras possam dispor das melhores informações, possam elaborar as melhores reflexões e possam tomar as mais adequadas decisões – e, também, escrever as melhores redações...

Que eles atravessem o Rubicão.

Em um vestibular, mais uma vez a sorte é lançada. “Alea jacta est”.

Muita força, foco, fé – e estudo.

* EDMILSON SANCHES

Neste domingo, vamos falar sobre o uso do particípio.

Ele tinha ENTREGUE ou ENTREGADO os vídeos?

O certo é PAGO ou PAGADO? Posso dizer que ele “tinha chego”?

Vamos analisar os casos.

Dicas gramaticais
Uso do PARTICÍPIO

Ele tinha ENTREGUE ou ENTREGADO os vídeos?

O certo é “TINHA ENTREGADO”.
Quando o verbo apresenta dois particípios (= verbos abundantes), a regra é a seguinte:
a) Com o verbo auxiliar TER (ou HAVER), devemos usar a forma regular (= com terminação “-ado” ou “-ido”).
“Ele TINHA ENTREGADO os vídeos”.

b) Com o verbo auxiliar SER (ou ESTAR), devemos usar a forma irregular.
“Os vídeos FORAM ENTREGUES por ele”.

Observe outros exemplos:

Observação 1:
A princípio, essa regra também se aplica aos verbos GANHAR (ganho e ganhado); GASTAR (gasto e gastado); PAGAR (pago e pagado) e PEGAR (pego e pegado):
“Ele tinha ganhado, gastado, pagado e pegado”;
“Isso foi ganho, gasto, pago e pego”.

As formas regulares estão em desuso. Muitos autores aceitam as formas irregulares até com os verbos TER e HAVER:
“Ele TINHA GANHO, TINHA GASTO, TINHA PAGO e TINHA PEGO”.

Observação 2:
Os verbos TRAZER, CHEGAR e EMPREGAR não são abundantes. Apresentam apenas um particípio: TRAZIDO, CHEGADO e EMPREGADO. Na língua padrão, não se aceitam as formas trago, chego e empregue:
“Isso foi trago por mim”.
“Ele tinha chego atrasado”.
“O dinheiro foi muito bem empregue na construção deste campo”.

Só podemos usar:
“Isso foi TRAZIDO por mim”.
“Ele tinha CHEGADO atrasado”.
“O dinheiro foi muito bem EMPREGADO na construção deste campo”.

Acrescentando...
DICIONÁRIO DE DIFICULDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA – Domingos Paschoal Cegalla
pagado
Particípio regular de pagar. Forma obsoleta, suplantada pela forma irregular pago*: Ele não tinha pago (e não pagado) a conta.

pago
1. Particípio irregular de pagar. Usa-se tanto na voz passiva como na ativa.
É preciso que os benefícios da previdência social sejam pagos em dia.
Por que essa conta ainda não foi paga?
Temos pago regularmente nossos débitos.
Foi expulso do recinto porque não havia pago a entrada.

* Veja pagado. // Adj. 2. Que se pagou, quitado: débito pago; contas pagas. 3. Fig. Vingado: Viu o assassino de seu pai na cadeira: estava pago. 4. Recompensado: Ele agora se considera bem pago dos sacrifícios que fez.

MANUAL DE REDAÇÃO E ESTILO – “O Estado de S.Paulo”
Pago
Use pago tanto com ser e estar como com ter e haver: Foi ou estava pago, tinha ou havia pago. Tinha pagado, embora correto, está caindo em desuso.

Entregado, entregue
Prefira entregado com ter e haver e entregue, com ser e estar: Tinha (havia) entregado, foi (estava) entregue. Já se admite, porém, o uso de entregue com ter e haver: Havia entregue.

Ganho
Use ganho tanto com ser e estar quanto com ter e haver: O jogo foi ganho no primeiro tempo. / O time havia ganho a oitava partida seguida. Ganhado, embora correto, já é de uso raro, mesmo com ter e haver.

Pegado, pego
Use pegado com ter e haver e pego, com ser e estar: Tinha (havia) pegado, foi (estava) pego.

Teste da semana
Que opção completa, corretamente, as lacunas da frase abaixo?
"Ele só chegou ___ Botafogo ao meio-dia porque antes teve de ir ___ Ilha do Governador".

(a) à – à;
(b) a – a;
(c) à – a;
(d) a – à.

Resposta do teste: Letra (d).
Se voltamos “DE Botafogo”, é porque não há artigo. Assim sendo, em “chegou a Botafogo” não há crase. Se voltamos “DA Ilha do Governador”, é porque há artigo e ocorre a crase: “ir à Ilha do Governador”.