Saltar para o conteúdo

O sorriso nos rostos de 60 crianças carentes moradoras do Bairro Vila Conceição, em São Luís, tem um importante motivo: o Projeto Educação e Esporte – Escolinha de Futebol, iniciativa que possui uma proposta bem simples e, ao mesmo tempo, eficiente. Esse projeto une educação e esporte na vida de quem mais precisa. É com este objetivo que o projeto, patrocinado pelas Drogarias Globo e pelo governo do Estado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, chega à sua quarta edição, sendo referência no Maranhão.

Em execução desde 2016, o projeto já atendeu mais de 100 crianças. O lançamento oficial da edição de 2020 ocorreu no último sábado (29), na sede da Associação dos Médicos, na Vila Conceição, e contou com a presença dos meninos participantes da escolinha e seus parentes e amigos, seguindo as orientações sanitárias de distanciamento e higienização das mãos.

Durante a solenidade, a coordenação do Educação e Esporte – Escolinha de Futebol explicou como será o funcionamento semanal do projeto. Os 60 meninos beneficiados nesta edição terão encontros duas vezes por semana (sempre às segundas e quartas-feiras), onde irão participar dos treinos de futebol acompanhados por profissionais de educação física. Paralelamente ao trabalho desenvolvido em campo, a garotada recebe acompanhamento educacional com aulas que servem como uma espécie de reforço escolar.

“O grande diferencial dessa iniciativa é justamente conseguir levar educação e esporte para as crianças. A dinâmica do projeto é bem simples: as crianças treinam e estudam. Além disso, sempre é oferecido um lanche para a garotada, nos dias do projeto. Nosso objetivo é dar uma oportunidade para que esses meninos possam conhecer o esporte e, paralelamente a isso, incentivá-los a sempre estudar”, explicou o coordenador do projeto, Kléber Muniz.

Para a pedagoga Lourdes Soares, “o projeto Educação e Esporte é de suma importância para a comunidade da Vila Conceição, pois oferece ferramentas pedagógicas aliadas às práticas esportivas e à convivência social, fazendo que nossas crianças e jovens não entrem no mundo das drogas e em outros abusos sociais”.

Material individual

Cada menino participante recebeu um “kit” individual com todo o material que eles utilizarão durante o período de execução do projeto. Além do uniforme completo (camisa, calção, meião, caneleira e chuteira), a garotada também recebeu um caderno para utilizar durante as aulas, garrafinhas para água e máscaras de pano. Nos treinos no campo, a garotada também contará com material coletivo novo adquirido pela Lei de Incentivo ao Esporte. São bolas, cones, coletes, pratinhos e outros itens.

Vale destacar que o Projeto Educação e Esporte – Escolinha de Futebol vai adotar todos os protocolos sanitários necessários para a realização das atividades educacionais e esportivas ao longo do projeto. “Estamos preocupados com o bem-estar de todos que fazem parte do projeto. Por isso, seguiremos as orientações dos órgãos competentes para preservar a saúde de todos”, explicou Kléber Muniz.

(Fonte: Assessoria de comunicação)

Socorro Reis e Bruno Lima

Um desempenho sensacional. Os kitesurfistas maranhenses do Time Fribal deram um “show” na disputa da Fórmula Kite Ceará, competição realizada no último fim de semana, na Praia de Iracema, no Ceará. Socorro Reis e Bruno Lima, o Bruninho, confirmaram o favoritismo e conquistaram resultados expressivos. Na categoria feminina, Socorro não deu chances às adversárias e ficou com o primeiro lugar e, ainda, foi terceira colocada no geral (entre homens e mulheres). Enquanto isso, Bruninho foi o vice-campeão no masculino.

Com os bons resultados na Praia de Iracema, a dupla maranhense, que é patrocinada pela Fribal e pelo governo do Estado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, continua entre as melhores da modalidade no país, mesmo após a parada das competições devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A Fórmula Kite Ceará foi o primeiro evento após o período de quarentena e serviu para que os atletas voltassem ao clima de disputa.

Para a campeã Socorro Reis, esse retorno do kitesurf foi desafiador. “Foi um evento desafiador com vento com rajadas de 31 ‘knots’. Termino em primeiro lugar no feminino e em terceiro entre os homens. Agora, é treinar para o próximo desafio, que será o Campeonato Brasileiro. Vou correr em busca do título de tetracampeã brasileira de ‘hydrofoll’. Só tenho de agradecer o apoio dos meus patrocinadores Fribal e governo do Estado que, pela Lei de Incentivo ao Esporte, me possibilitam continuar acreditando no meu sonho. Obrigada por acreditarem em mim”, disse a maranhense que é a atual tricampeã brasileira e campeã Centro e Sul-Americana.

Os fortes ventos também influenciaram o desempenho do jovem Bruno Lima. Bruninho terminou a Fórmula Kite Ceará na segunda colocação e comemorou o resultado após a pausa forçada em razão da pandemia.

“A competição foi muito boa, gostei do meu rendimento. Devido à quarentena, treinei bastante em casa e estava bem preparado fisicamente para esta prova. Foi uma das melhores provas que eu já fiz, apesar das condições que foram muito extremas: vento muito forte e mar bem mexido. Eu esperava um vento forte, mas não tanto quanto a gente pegou aqui. Agora, é continuar treinando para que, nas próximas competições – Campeonato Brasileiro e Copa Brasil de Vela –, consiga chegar na primeira colocação. Os treinos vão ser ainda mais intensos”, explicou o maranhense.

Antes da pandemia

Antes da pausa por causa da pandemia, a dupla do Time Fribal colecionava resultados bastante expressivos no Brasil e no exterior. Nos Jogos Mundiais de Praia, competição realizada no Catar, Socorro Reis foi a única brasileira na disputa, onde teve bom desempenho tendo ficado no top 10 em várias corridas, o que fortaleceu a kitesurfista para a sequência da temporada.

Em seguida, Socorro brilhou no Campeonato Brasileiro e levou o tricampeonato. Na mesma semana, a maranhense não deu chances às adversárias e sagrou-se campeã do Campeonato Centro e Sul-Americano, competição realizada em Praia Brava, em Itajaí, litoral norte de Santa Catarina.

Considerado a principal promessa do kitesurf maranhense, o jovem Bruno Lima foi muito bem no Campeonato Brasileiro, onde terminou o evento com resultados expressivos na categoria Kitesurf Hydrofoil: uma prata, um bronze e um quarto lugar.

No Campeonato Centro e Sul-Americano, Bruninho mostrou bastante evolução e terminou a disputa sendo o brasileiro mais bem colocado. O jovem de 19 anos terminou o evento na quarta colocação.

(Fonte: Assessoria de comunicação)

Amaral Raposo

José Raposo Gonçalves da Silva [Grajaú, Maranhão, 27 de maio de 1903 – 10 de abril de 1976] usava o pseudônimo de Amaral Raposo e era, o que se pode dizer, com todas as letras, um homem extraordinário. Relembro Amaral com muita saudade, honrou-me com sua amizade, ensinou-me muitas coisas, me divertiu com suas histórias e me fez ouvir muitas canções bonitas [músicas e versos seus] acompanhados pelos acordes que, magicamente, produzia em seu violão, companheiro inseparável de memoráveis serestas.

Filólogo, Amaral era um purista do nosso idioma, sempre na espreita para apontar alguma asneira que descobrisse em ultraje à língua em que Camões cantou o bravo peito lusitano e que também pediu esmolas, gestos que levaram o professor Sebastião Jorge a registrar que Amaral Raposo “não tolerava escorregões, nem pequenos deslizes por parte daqueles que se aventuravam em fazer acrobacias na superfície imaculada de uma página de jornal ou de um livro”.

Fernando Viana [escritor, médico e político maranhense] que tinha Amaral Raposo guardado em seu coração, o levou consigo quando foi estudar Medicina na Bahia. Enquanto Fernando Viana estudava, o nosso Amaral tratou de arranjar um “bico” no jornal “Correio da Tarde” para pagar a pensão, e às noites, quando o futuro tisiologista manuseava os grossos volumes da Ciência de Hipócrates, Amaral dedilhava o doce e saudoso violão para deleitar o amigo. E, assim, foram os seis anos da formação do querido companheiro na cidade de Salvador. Um belo dia, Fernando Viana mandou, para o próprio jornal em que o Amaral trabalhava, o seguinte soneto que era um perfil irretocável do seu querido parceiro.

Diz assim:

“Mistura de filósofo e de cético, / na completa inversão de um dom Donzel. / É um gozo vê-lo, súbito, apoplético, / sobre os doces de a vida pingar fel. / Tendo horror ao grotesco, a que cruel, / pulveriza sem dó – seu senso estético / ora, fá-lo vestir-se qual Brummel; / ora, impõe-lhe um desleixo ultrassintético. / Poeta, de um lirismo que comove. / Tem olhos tumefatos, que nos dão / a lembrança do Mal de Basedow. / Boêmio de nascença e profissão, / É-lhe a prova, mais certa que as do nove, / um cigarro, uma cana e um violão”.

Em tempo: O nosso Sálvio Dino, há pouco falecido, ao fazer o necrológio de Amaral Raposo na Assembleia Legislativa, após o seu sepultamento a 11 de abril de 1976, compara seus sonetos “As Fábricas” e “Postal”, “entre os melhores sonetos brasileiros de todos os tempos e coloca o poema ‘Só’ em nível dos poemas de angústia dos mundialmente famosos de Edgar Allan Poe, Oscar Elide e Reading. [...] Zeca Gonçalves foi também grande solista de violão, tanto na música popular quanto na música de câmara e erudita [...]”. E para concluir este seu pequeno perfil biográfico, enfatizou Sálvio: “transcrevo, a seguir, a opinião do insigne professor de Direito Penal (seu cunhado) Dr. Antenor Mourão Bogéa: ‘Para o poeta inspiradíssimo, para o tribuno fulgurante, para o editorialista escorreito, para o filólogo abalizado, para o violonista aplaudido, para a figura prototípica da simplicidade, para o humorista eçaniano, que tudo isso foi Amaral Raposo, voltam-se as atenções da expoência intelectual do Maranhão”.

Amaral Raposo, ou simplesmente Zeca, foi eleito para a Cadeira nº 37 da Academia Maranhense de Letras, patroneada pelo poeta Inácio Xavier de Carvalho, vaga, por ironia, com o falecimento do Dr. Luís Viana, irmão de Fernando Viana e também médico. Amaral Raposo espalhou pela cidade que iria fazer um discurso de posse sem verbo. Os que acreditavam em Amaral Raposo estavam certos de que o velho mestre seria capaz de tal façanha, apesar de o verbo ser o ponto de ligação entre as orações; sem a presença do verbo se torna muito difícil a comunicação, mas ele nos dizia que era possível; outros duvidavam daquela proeza.

E de fato aconteceu... Em certa altura, na peroração discursiva, Amaral Raposo num rasgo, justifica a proeza da tal oração sem verbo:

“Feita esta breve digressão, quero, ainda, salientar um episódio, cuja referência me parece oportuna. É que eu, tempos há, em palestra informal com amigos, tinha dito que faria meu discurso de posse, inteiramente sem verbos. E – adiantei – para substituir uma individualidade excepcional como Luís Viana, algo de excepcional se me afigurava mister igualmente realizar.

Ouviu-me dizer isso o jovem e conhecido cronista Benedito Buzar, e, bom profissional que o é, registrou o fato por mais de uma ocasião, em seu jornal.

As notícias não correm; voam. Assim, sem demora, até a imprensa da Guanabara comentou, com antecedência, o discurso que eu iria pronunciar, anunciado, aliás, por mim, e, por simples blague, numa ligeira palestra de bar.

Em tais circunstâncias, já agora que sou compelido a cumprir, embora em parte, a promessa, ou a empresa a que me aventurei, bem inadvertidamente.

Consegui-lo-ei? Dir-no-lo-á, depois vosso julgamento, Senhores Acadêmicos: (1)

Eis o texto sem verbo:

“Onde, agora, os elementos essenciais à consecução da meta em pauta? Ante o fulgor sideral da personalidade de Luís Viana, surpreendente de ilustração e de cultura, onde em mim, a energia espiritual, a força de análise, os recursos de intuição, e, ainda, os documentos imprescindíveis ao estudo e à crítica para o elogio do vitorioso didata?

Onde, em mim, a esta altura de uma existência, sem brilho e sem relevo, portador de um coração já deserto de impulsos criadores e de uma alma já órfã de esperanças, de idealismo e de sonho, a conquista dos clarões mentais, indispensavelmente necessários ao exame de tão preclaro representante da capacidade científica maranhense, das vitórias literárias maranhenses, dos triunfos poéticos maranhenses, sobretudo da extraordinária vocação pedagógica do insigne conterrâneo, tão viva e palpitante, entre as cogitações desse grande vencedor de mil batalhas, nos altiplanos da erudição e da sabedoria?

Por isso mesmo, para quem as solenidades desta noite? Para quem esta reunião dos mais categorizados expoentes do nosso romance, do nosso periodismo, de nossa poesia, de nosso teatro, de todas essas multifárias e luminosas atividades, presentes, sempre, nas elevadas preocupações dos homens de pensamento e de cultura?

Acaso por minha causa, acaso para mim, obscuro combatente de campanhas sem vitórias, para mim, vaga figura sem projeção e sem nome. Além das fronteiras provincianas de nossa terra? Certo de que não. Para quem esta honra grandiosa, tão repleta de beleza espiritual, de encantamento e de sonho? Para mim, para a inútil insignificância do meu nada?

Não ainda, para quem, pois, a homenagem? Para Luís Viana, para o infatigável mestre de sucessivas gerações, para o professor do Instituto de Manguinhos, para o belo cronista de “O Estado de São Paulo”, para o diretor da Instrução Pública da Paraíba, para o catedrático de História Natural do Liceu Maranhense; e, num crescendo (2) incessantemente de funções e de cargos, cada qual mais à altura de nossos louvores, de nossa admiração e de nosso respeito? Para o diretor do Liceu Maranhense, para o idealista e o pioneiro da Escola Normal do Maranhão, para o fundador, logo depois, do colégio de “São Luís”, essa tradicional fonte de educação moral e cívica de nossa mocidade estudiosa”.

Notas de Amaral Raposo:
(1) Conseguiu, pois, a oração fazê-la sem verbo?
(2) “Crescendo”, no caso, é substantivo. Dizem os dicionários: s.m. progressão, gradação.

* Fernando Braga, in “Conversas Vadias” [Toda prosa], antologia de textos do autor.

Uma casa foi construída em Natal, no Rio Grande do Norte, por meio de tecnologia que imprimiu o concreto. A solução, idealizada pela aluna do 9º semestre do curso de Engenharia Elétrica do Uniceub, Juliana de Almeida Martinelli, fez com que a impressão 3D das paredes da casa fosse realizada em apenas 48 horas.

Com a ideia, a estudante de 28 anos foi uma das cinco selecionadas para integrar a Comissão da Juventude do Brics. A futura engenheira embarca para a Rússia no dia 20 de setembro, para participar do evento “Incubadora de Negócios Internacional da Juventude dos Brics”.

A edificação de 66m² conta com os vãos de porta e parede. A tecnologia reduziu os custos da construção, que ficou em torno de R$ 30 o m². De acordo com a estudante de engenharia, esse valor ainda pode ser reduzido. Considerando os acabamentos da casa, o valor total da obra foi estimado em R$ 50 o m².

Juliana Martinelli irá apresentar seu trabalho à frente da InovaHouse3D. A “startup” é focada em impressões em 3D em concreto. O equipamento criado por Juliana produz placas de concreto para facilitar a montagem de casas, com preços mais acessíveis. Além disso, as construções feitas com a impressora são mais limpas, seguras e sustentáveis.

O projeto deu origem a “startup” InovaHouse3D, que iniciou em 2015 com Pesquisa e Desenvolvimento, e evoluiu hoje para uma parceria com a equipe de engenheiros de Natal que desenvolveu a primeira Casa 3D do Brasil.

“O principal impacto do nosso projeto na indústria nacional da construção está na otimização do processo construtivo por meio da industrialização e automação do operacional no canteiro. Essa tecnologia aumenta a previsibilidade da obra, reduz o desperdício de material, melhora a precisão da planta executada e abre espaço para inovação em material e em geometrias de obras”, afirmou a estudante.

Fórum

O Fórum de Juventude do Brics se insere nas 100 reuniões preparatórias, além de 15 reuniões em âmbito ministerial, encontros de altos funcionários, eventos técnicos e atividades nas áreas de cultura, educação e esporte, que antecedem Reunião de Chefes de Estado do Brics, que reúne os chefes de estados desses países.

O evento faz parte de várias iniciativas da agência de juventude da Rússia, tendo em vista a presidência “pro tempore” do Brics exercida pelo país. O governo russo enviou esta lista de iniciativas, e a Secretaria Nacional da Juventude, ligada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, realizou esta ponte entre os organizadores do evento e a sociedade civil.

De acordo com o ministério, Juliana Martinelli foi indicada para o evento por ser fundadora e CEO da InovaHouse3D, a primeira empresa latino-americana a desenvolver uma impressora 3D para a construção civil. A estudante também foi uma das organizadoras do Capítulo Brasília da Singularity University, com a proposta de movimentar os temas de "Cidades, Dados e Pessoas".

A pasta ressaltou que a estudante também esteve presente na lista da Forbes Under 30 Brasil aos 27 anos de idade, na edição de janeiro do ano passado.

Para indicar um estudante, a pasta considera os seguintes critérios:

- que o indicado seja um jovem empreendedor ou que trabalhasse com empreendedorismo voltado ao público jovem;

- que sua atuação tivesse ligação com as novas tecnologias da quarta revolução industrial.

Juliana foi convidada para representar o Brasil por cumprir os requisitos, não produzindo ônus à Administração Pública Federal tendo em vista que a viagem será custeada pelos próprios indicados.

(Fonte: Agência Brasil)

O colunista hoje, neste domingo, uma mistura de sol, de luz e sombra, céu ora azul, límpido, ora cinzento, nuvens escuras lá em cima, denunciadora de chuva, de aguaceiros até, fora, totalmente fora das crises políticas, sociais e militares em que se encontra o país.

Está na contemplatividade de si mesmo, da sua mocidade, da sua juventude e, já agora, da sua velhice, uma velhice que vem chegando aos poucos, deliciosamente aos poucos. Está olhando para si, sua vida. Sua vida na imprensa. Sua vida no magistério maranhense e do Sul do país. Sua vida em versos, no sentimentalismo, no romance e nas suas emoções. Está na iluminação de um Passado cheio de íntimas recordações e está na feérica iluminação deste Presente, com a presença de filho varão que chegou, o segundo de uma série de cinco. Que se encontrava no Rio, no atual Estado da Guanabara, há alguns anos, trabalhando, cavando a vida, vivendo-a com os seus próprios recursos intelectuais, com o fortalecimento das suas reservas morais.

Está o colunista diante dele, olhando-o, matando saudade, abraçando-o, sentindo-o no seu afeto, na grandiosidade deste amor que é amizade, que é fraternidade do espírito e noivado dos corações. E tudo é festa sentimental para o colunista: rever o seu garoto Manuel Henriques, o seu menino de ontem, menino bom, menino pobre da cidade, do chão duro da cidade. O menino que cresceu, que se fez homem, que construiu seu lar. O Menino que já deu para o Pai dois presentes emocionais: um casal de netos! Então, tudo é beleza, tudo é encantamento. Tudo é poesia. Deslumbramento. Paisagem sentimental, romance que se vive com o quadro das íntimas recordações.

E o colunista está olhando para ele. E todo um passado de emoções desponta, desponta neste presente, e tudo tem a valorização de uma existência que tem vivido só, só com tais recordações. E isto dignifica o homem que vive no colunista. Dignifica e o enobrece. No filho, ele encontra a razão da sua existência, da sua vida, da sua luta, dos seus empreendimentos no campo das ideias.

E o Manuel Henriques chegou. O mesmo. O mesmo homem e o mesmo filho. A mesma dedicação. O mesmo sentido de realidade, de independência. Tem personalidade. Vive como quer. Vive a seu modo. Não pode fixar-se na terra natal. Reside no Rio, trabalha no Rio. E tudo nele é uma soma total de energias capazes de, um dia, realizar seus sonhos, firmar-se definitivamente, conquistar uma situação melhor para garantir o futuro de seus filhos.

E o colunista, nesta página, registra este encantamento, esta emoção de o abraçar mais de perto, de o sentir mais perto. E, mais alguns dias, o Manuel Henriques regressará. Deixará a cidade, a cidade onde ele nasceu, onde foi menino, onde foi garoto, onde cresceu para a mocidade. Deixará a terra maravilhosa, cheinha de tradições, deixará a terra, hoje túmulo do seu avô, o inesquecível Nascimento Morais e, amanhã, num dia assim, de sombra, de luz, de sol, de encantamento, será, também, o túmulo de seu Pai. É a vida.

O colunista, hoje, está fora, totalmente fora das crises políticas, sociais e militares que estão ameaçando empurrar o país para uma situação de gravíssimas consequências. O colunista está em festa com a presença do seu filho Manuel Henriques. E é esta a melhor recompensa que os pais têm na vida. Ora se é.

* Paulo Nascimento Moraes. “A Volta do Boêmio” (inédito) – “Jornal do Dia”, 1º de dezembro de 1963 (domingo)

3

Com a voz enrouquecida de implorar o verso,
sinto que a Musa de há muito já me fez disperso.

Nas noites mouras ninguém me dá caso e ouve,
e não há por esta Pátria vivalma que me louve.

Deporei também o meu triste e desafinado canto,
porque me faltam engenho e arte para tanto.

Aquele outro poeta, com a deusa em terna avença,
entra solene no épico, e por pouquíssima tença,

de dez cantos e cento e quarenta e cinco estâncias,
pede que o sirvam, por seu gênio e grã constância,

já com ela prostrada a seus pés, torpe e avassalada,
o canto que abandonou Camões na Lira Destemperada!

* Fernando Braga, “Poemas do tempo comum”, São Luís, 2009.

Mais dicas de ortografia neste domingo.

1ª) “–ISAR” ou “-IZAR”?
a) Escrevem-se com “s” (= ISAR) os verbos derivados de palavras que já têm “s”:
análise = analisar; aviso = avisar; paralisia = paralisar; pesquisa = pesquisar...

b) Escrevem-se com “z” (= IZAR) os verbos derivados de palavras que não
têm a letra “s”:
ameno = amenizar; civil = civilizar; fértil = fertilizar; legal = legalizar; normal = normalizar; real = realizar; suave = suavizar...

2ª) “-SINHO” ou “-ZINHO”?
a) Escrevem-se com “s” (= SINHO) os diminutivos derivados de palavras que já têm a letra “s”:
casa = casinha; lápis = lapisinho; mesa = mesinha; país = paisinho; pires = piresinho; princesa = princesinha; tênis = tenisinho...

b) Escrevem-se com “z” (= ZINHO) os diminutivos derivados de palavras que não têm a letra “s”:
animal = animalzinho; balão = balãozinho; café = cafezinho; chapéu = chapeuzinho; flor = florzinha; pai = paizinho; papel = papelzinho...

Você sabia que a grafia oficial é…
adivinhar; advogado; aleijado; asterisco; astigmatismo; bandeja; beneficente; cabeleireiro; calvície; caranguejo; cinquenta; companhia; criminologista; depredar; de repente; dilapidar; disenteria; empecilho; engajamento; espontaneidade; estupro; freada; jus; lagartixa; manteigueira; mendigo; meritíssimo; nhoque; prazerosamente; privilégio; propriedade; receoso; reivindicar; simplesmente; verossimilhança...

Teste da semana
Assinale a opção que completa, corretamente, as lacunas da frase abaixo:
“Cumpre que __________ concessões quando __________ de assuntos políticos”.
(a) faça-se / se trata;
(b) se façam / se trata;
(c) se faça / trata-se;
(d) se faça / se tratam;
(e) se façam / se tratam.

Resposta do teste:Letra (b).
Em “que se façam concessões”, o verbo deve concordar no plural com o sujeito “concessões”. A partícula “se” é apassivadora. É um caso de voz passiva sintética (= que concessões sejam feitas). Em “quando se trata de assuntos políticos”, como o verbo “tratar” é transitivo indireto (= tratar-se de), não há voz passiva. Em razão disso, o verbo deve ficar no singular.

(e O DISCURSO DA PALAVRA)

Dia 25 de julho é o Dia do Escritor.

A data lembra a realização do Festival do Escritor Brasileiro em 1960, em um "shopping center" de Copacabana, bairro do Rio de Janeiro.

O evento foi promovido pelos escritores Peregrino Jr. e Jorge Amado, que eram, respectivamente, presidente e vice-presidente da União Brasileira de Escritores.

O sucesso do acontecimento levou o governo a instituir o 25 de julho como o Dia do Escritor.

**

O DISCURSO DA PALAVRA

O jovem discípulo aprisionou um pequeno pássaro entre as mãos, colocou-se atrás do seu mestre e falou-lhe: “Mestre, tenho um pássaro nas mãos. O senhor, que sabe todas as respostas, diga-me: Ele está vivo ou morto?”

Se o mestre respondesse: “Está vivo”, o discípulo esmagaria o pássaro e o exibiria morto. Se a resposta fosse: “Está morto”, o discípulo libertaria o pássaro, que voaria frente ao mestre agora desmoralizado.

O que falar? O que dizer? O que responder?

Permitam-me que eu os cumprimente a todos aqui com a tradição, a simplicidade e a educação de duas palavras:

Senhoras; Senhores.

O que podemos falar, e o que devemos dizer, em um discurso? Que palavras devemos usar, que sentidos devemos empregar, que emoções devemos expressar, que reações queremos provocar?

Ah!, esse novo jogo verbal, essa nova esfinge vocabular também nos observa e repete: “Decifrem-me, ou lhes devoro”.

Falar sobre o que falar é reabrir a discussão ¬¬ – tão antiga, tão presente – entre o ser e o ter. Reflitam comigo: Como escritores, queremos ter o poder da palavra ou queremos ser a palavra do poder?

O mundo ainda não acabou por causa da Arte, por causa dos artistas. Há artistas de todos os naipes: gente que musica e compõe, que esculpe e cinzela, que calcula e escreve, gente que pinta e borda. Gente, boas gentes. E há gente que fala, que canta e encanta, que clama e reclama, gente que declama.

Nisso tudo, a palavra. A palavra base, baldrame, bastião. A palavra resistência, permanência – e, disse Guimarães Rosa, “resistir é permanecer”. Senão, vejamos: O que valeu mais para Portugal: ter conquistado, com seus navegadores, algumas terras há muito tempo retomadas ou devolvidas, ou conquistar diária e eternamente o mundo inteiro com “Os Lusíadas” de Camões, com a poesia de Fernando Pessoa?

De que valeram os enormes, portentosos, mas ao final destroçados, derrotados tanques de guerra da Alemanha?

Porém, as obras de seus pensadores e compositores permanecem inteiras e, elas sim, continuam conquistando todo mundo no mundo todo.

Na minha terra -- que, por sua importância econômica e cultural, em meados do século XIX, dividia o território brasileiro em dois: Estado do Maranhão e Estado do Brasil –, na minha terra, havia gigantescas fábricas de tecidos, que teciam o nome e fama nacionais. Hoje, que é daquelas fábricas? Sumiram. De-sa-pa-re-ce-ram. Tornaram ao pó, como prova da efemeridade, da transitoriedade, da impermanência a que estão submetidas, "ab initio", as coisas materiais.

Mas é igualmente da terra das palmeiras, onde cantam os sábios e os sabiás, que vem a obra de Gonçalves Dias, Coelho Netto, Humberto de Campos, Ferreira Gullar, Josué Montello, sem esquecer um dos maiores – e menos divulgados – gênios matemáticos que o mundo já teve: Gomes de Sousa, o jovem “Sousinha”, que também era médico, literato e poliglota, e que deixou perplexa a Europa com seus conhecimentos sobre tudo, mas, sobretudo, sobre Matemática, Física e Astronomia, antes de morrer com pouco mais de trinta anos.

Senhores: Da bíblica Jerusalém, da Grécia do século VIII não restou pedra sobre pedra, mas a palavra de Cristo, e os versos de Homero estão aí, a encantar o mundo, a edificar o homem.

Que lição isso traz? A lição, tão bem dada e tão mal recebida ou mal aprendida, o exemplo tão bem demonstrado e muito pouco seguido, é a lição de que aquilo que nos parece ser mais frágil, mais débil, mais fraco, é o que resiste, é o que permanece. A palavra, passada oralmente, escrita em papel, às vezes moldada no barro ou emoldurada no ferro, a palavra é o edifício que não rui, a construção que não desaba, o prédio que não tomba, a casa que não cai.

No princípio, e depois do fim, será sempre o Verbo.

Senhores, estamos vivendo em um mundo de virtudes rarefeitas. Neste momento, empregados estão contrafeitos, clientes são desfeitos, cidadãos mostram-se insatisfeitos, e patrões, administradores e governantes podem levar tiro nos peitos porque não estão sendo humildes e honestos no que tinham a falar, no que deviam dizer; porque, mesmo quando lhes é exigido serem duros no falar, não devem perder a ternura jamais.

E comunicar também sugere isso. Afinal, ternura não é frescura, delicadeza não é patente de dama inglesa. Não há como confundir, não há porque confundir educação com bajulação, boas maneiras com maneirismos. Servir não é ser vil, ou servil. Comunicação é ação única, ação comum, como um, como única ação.

E por que assuntos como este, discussões como esta, sobre palavra e virtudes, por que isso tudo parece ser tão incompreensível, inadmissível, tão “démodé”, às vezes tão estranho, hoje?

O que foi que aconteceu? Houve a banalização da fala? A vulgarização da palavra? A dessensibilização dos sentidos? A dessacralização dos sentimentos?

É o mau uso da Língua, a incorreção da linguagem, a palavra de duplo sentido ou a vida sem nem um significado?

É a precariedade ética, a prevenção cética, o primarismo estético, o pragmatismo técnico?

É a miopia política, a ausência de crítica, a repetição cíclica, a deseducação típica?

É a inafeição cultural, a inaptidão intelectual, a indisposição literal, a desinformação atual, a decomposição moral e coisa e tal, o que é, Senhoras e Senhores? É a falta da virtude rara, da vergonha na cara?

Desculpem-me – peço-lhes – se, em vez de um fraseado bonito e soluções confortantes, trago-lhes eu aqui um leriado, um palavreado feio e dúvidas cortantes, constantes. Mas até nisto há de se entrever algum mérito, porque o homem também cresce quando duvida.

Dúvidas, pois, à mão cheia... e deixa o povo pensar. Dúvidas, pois, à mão cheia, para todos vocês, fiéis e únicos depositários de suas próprias respostas.

Trago-lhes a dúvida não da palavra, mas a do que fazer com ela. A mesma dúvida que pensou gerar o jovem discípulo (lembram-se) ao aprisionar um pequeno pássaro entre as mãos e testar seu próprio mestre: “O pássaro está vivo ou está morto, mestre?”

“Filho – respondeu o mestre –, o futuro do pássaro está em tuas mãos. Como o queiras”.

Senhoras e Senhores, usei da palavra para conceder-lhes, para conceder-nos o benefício da dúvida. Pois a resposta, o futuro – vivo, alegre, de altos voos aos céus, ou morto, cinzento, ao rés do chão e no pó da terra –, esse futuro, e o que fazer da palavra, dependerá dos Senhores, dependerá de nós. U-ni-ca-men-te. Como assim o decidirmos.

Façam o jogo, senhoras e senhores.

A sorte novamente está lançada.

* EDMILSON SANCHES

ARÁBICOS x ROMANOS

(... E ALGUMAS ANOTAÇÕES SINGULARES SOBRE O USO DO PLURAL)

**

Leitor de nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/edmilson.sanches.9) escreveu-me no dia 21/7/2020. Diz ele:

“... se não for meu engano, as sequências do papado e de membros de famílias da nobreza, escrevem-se com ‘romanos’...”

**

Respondi:

“[...] nesses casos, o uso de algarismos romanos é costume, tradição, não norma.

Já há algum tempo (décadas), prefere-se ‘decodificar’ os símbolos e facilitar a leitura, utilizando-se, na grafia, os caracteres que mais se aproximam da fala. Assim, ‘primeiro’ é ‘1º’.

Diversos grandes veículos de Imprensa já consignam em seus manuais de redação a preferência ou prevalência dos algarismos arábicos aos romanos. A comunicação se faz mais rápida e/ou com menos dificuldade (ou mais facilidade).

Por exemplo, é costume os filmes trazerem o ano de lançamento em algarismos romanos e às vezes, no cinema ou TV, não dá tempo ‘interpretar’ o ano: MCMXLVIII – por que não ‘1948’?

Sobre o assunto, e a confirmação de que não há base normativa para o uso formal dos algarismos romanos nas sequências citadas, vejam-se os comentários do ‘Jornal de Brasília’:

‘Os algarismos romanos são usados na nossa comunicação escrita especialmente para designar sequência de títulos de nobreza e eclesiásticos (papas), numeração de incisos ou outras partes de documentos, eventos, séculos e até mesmo (agora está bastante em moda em alguns países estrangeiros) para filhos e netos em substituição a ‘Júnior’ e ‘Neto’, como ‘Roberto Pereira II’ e por aí vai. // Diante disso, muita gente pode pensar que é obrigatória essa utilização em algumas situações como o século e a sequência de encontros, reuniões, fóruns etc. Também há quem oriente para a pronúncia como século 4º, por exemplo, em detrimento de século 4 (e que assim se deveria pronunciar ao ler ‘século IV’). Todavia, não há em nenhuma base do acordo ortográfico orientando para uso dos algarismos romanos, a não ser por manuais de redação (que configuram muito opção intestina). Em documentos já não se negocia: deve-se usá-los em partes especificadas’.

( https://jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/mandando-a-letra/algarismos-romanos-pra-que/ )

Grato por seu tempo e atenção”.

**

Elegantemente, e até por não ser o objeto da dúvida, não quis fazer referência à inconformidade ou impropriedade no uso da expressão “as sequências do papado e de membros de famílias da nobreza”.

Às vezes, a ideia de plural, em Língua Portuguesa, pode ser expressa de forma bem... singular. É o caso de “sequências”.

Quando uma propriedade diz respeito a dois ou mais sujeitos não se deve usar plural. Usa-se o “singular distributivo”, que é aquele em que a propriedade (“sequência”) se aplica, na frase do leitor, aos dois termos (“papado” e “membros de famílias da nobreza”. Assim, a grafia adequada é: “[...] a sequência do papado e de membros de famílias da nobreza [...]”.

Da mesma forma, não se diz nem se escreve: “Ainda não foram descobertas as identidades dos criminosos” (Ainda não foi descoberta a identidade dos criminosos); “Há homens que perdem as cabeças quando perdem o amor” (Há homens que perdem a cabeça quando perdem o amor); “Eram tão presunçosas que só viviam de narizes empinados” (Eram tão presunçosas que só viviam de nariz empinado); “Vocês, eleitores, estão em nossos corações – disseram os políticos” (Vocês, eleitores, estão em nosso coração – disseram os políticos); “Agradecemos as presenças de todos vocês” (Agradecemos a presença de todos vocês).

Nos casos acima, a propriedade que vale para um vale para todos. A palavra no singular confere ou distribui a necessária ideia de plural. É, repita-se, o singular distributivo.

A Língua Portuguesa tem aspectos bem singulares, até quando trata de plurais – ... bem como tem modo plural de tratar até do singular das palavras.

Ave, Maria!

* EDMILSON SANCHES"