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O Ministério da Educação (MEC) deve anunciar, nos próximos dias, as ações para ampliar o número de escolas cívico-militares no país. Na semana passada, houve uma reunião da equipe responsável. A Agência Brasil apurou que faltam apenas os ajustes finais antes do lançamento da política.

Aumentar o número de escolas cívico-militares no país é uma das prioridades do MEC, que passou a contar com uma Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares.

Atualmente, são 120 escolas em 17 Estados do país com o modelo, a maior parte em Goiás, com 50 estabelecimentos de ensino, de acordo com levantamento da Polícia Militar do Distrito Federal (DF). Na conta, ainda não estão incluídas as escolas do DF.

Em nota, no mês passado, o MEC informou que o modelo se justifica pelos altos índices de criminalidade brasileiros. “O Ministério da Educação buscará uma alternativa para a formação cultural das futuras gerações, pautada no civismo, na hierarquia, no respeito mútuo, sem qualquer tipo de ideologia, tornando-os desta forma cidadãos conhecedores da realidade e críticos de fatos reais”.

De acordo com o ministério, são considerados também o desempenho positivo dessas escolas e os “elevados índices nas avaliações”.

O modelo de escola, segundo o MEC, "contará com a participação de vários segmentos da sociedade. Cada ente envolvido, dentro de sua esfera de competência, terá importância fundamental para a construção de um Brasil melhor. Essas unidades de ensino serão voltadas para as famílias que concordam com essa proposta educacional”. Para ser implementado, o modelo precisa da participação de Estados e municípios.

Moral e cívica

Com a ampliação das escolas cívico-militares, voltou ao debate a inclusão da disciplina educação moral e cívica em sala de aula, que é defendida pelo ministro da Educação, Ricardo Vélez. No Distrito Federal, nas escolas cívico-militares, haverá aula de ética e cidadania.

Sob o nome educação cívica, moral e física da infância e da juventude, a disciplina tornou-se obrigatória no governo de Getúlio Vargas, em 1940. O objetivo era a formação da consciência patriótica.

A disciplina foi adotada também em 1969. Instituída por decreto, tinha como objetivos a preservação, o fortalecimento e a projeção dos valores espirituais e éticos da nacionalidade; culto à Pátria, aos seus símbolos, tradições, instituições e aos grandes vultos de sua história; o aprimoramento do caráter, com apoio na moral, na dedicação à família e à comunidade, entre outros.

(Fonte: Agência Brasil)

O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, nasceu em Buenos Aires, na Argentina, quando o pai Dalton Boechat, diplomata, estava a serviço do Ministério das Relações Exteriores. Dono de um humor ácido, usava essa característica para noticiar fatos e criticar situações. O tom era frequente nos comentários de rádio, televisão e, também, na imprensa escrita.

Nos anos 1970, Boechat começou no jornalismo no “Diário de Notícias” como assistente do colunista Ibrahim Sued. Do “Diário de Notícias”, seguiu com Sued para “O Globo” em que trabalhou por 14 anos. Também foi chefe de Reportagem da Rádio Nacional, em 1973.

Boechat foi para o “Jornal do Brasil”, no início dos anos 1980, após briga com Sued. Logo depois, retornou a “O Globo” para assumir a Coluna do Swann. Ele teve uma breve passagem pela Secretaria de Comunicação do governo Moreira Franco, no Rio de Janeiro, em 1987.

Depois, ao voltar para “O Globo”, o jornalista ganhou sua própria coluna: Boechat. Nessa época, o jornal estabelecia a linha editorial de ter dois colunistas sociais de prestígio: Ricardo Boechat e Zózimo Barroso do Amaral.

Em 1997, passou a ser comentarista no telejornal “Bom Dia Brasil”, na Rede Globo. Nessa época, sua coluna era a mais lida no jornal carioca e uma referência nos jornais impressos, pautando dezenas de redações pelo país.

Em 2006, foi para o grupo Bandeirantes. Pela manhã, apresentava um programa com seu nome dividido em duas partes: uma nacional e outra dedicada ao Rio de Janeiro. À noite, era o âncora do “Jornal da Band”. Também escreveu para os jornais “O Dia” e “O Estado de S.Paulo”.

Boechat teve diferentes cargos nas redações em que passou, mas sempre manteve a veia jornalística, talvez a sua maior característica profissional. Ele ganhou três prêmios Esso: em 1989, 1992 e 2001. Venceu oito vezes o Prêmio Comunique-se.

Flamenguista, foi atleta assíduo na pelada de fim de semana, que reunia artistas e jornalistas no Alto da Boavista, no Rio de Janeiro, durante muitos anos. Em 2008, escreveu “Copacabana Palace: um hotel e sua história”. Organizado por Cláudia Fialho, que, por 17 anos, foi relações públicas do hotel, o livro conta a história dos bastidores do cinco estrelas mais famoso do país.

Boechat deixa mulher, cinco filhas e um filho.
(Fonte: Agência Brasil)

O jornalista Ricardo Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero no início da tarde de hoje (11) em um dos acessos da Rodovia Anhanguera, que liga a capital paulista ao interior. Segundo o Corpo de Bombeiros, o piloto da aeronave também morreu carbonizado.

Boechat era apresentador do “Jornal da Band” e da Rádio BandNews FM e tinha uma coluna semanal na Revista “IstoÉ”.

O motorista de um caminhão atingido no acidente foi resgatado pelo serviço da concessionária que administra a via. O fogo no local já foi extinto.

(Fonte: Agência Brasil)

O ano letivo na rede pública do Distrito Federal (DF) começa hoje (11), com a implementação do modelo cívico-militar em quatro escolas de regiões ao redor do Plano Piloto, área central de Brasília. São elas o Centro Educacional (CED) 308 do Recanto das Emas, CED 7 de Ceilândia, CED 1 da Estrutural e CED 3 de Sobradinho. Os colégios foram escolhidos a partir da análise socioeconômica da região, índices de violência e aproveitamento escolar. O modelo seguido é o adotado em Goiás, que reúne 50 colégios que seguem o sistema.

No país, há 120 escolas com gestão compartilhada entre professores e militares. O modelo é defendido pelo governo federal, que pretende incentivar a expansão dessas escolas. A Agência Brasil acompanhou as reuniões que foram feitas nas férias nessas escolas, com mães, pais, responsáveis, professores e estudantes.

O governo do DF (GDF) reconheceu a aprovação das unidades e começa, nesta segunda-feira, a implementar o modelo. A primeira semana será de adaptação. Os estudantes só usarão as fardas, típicas de escolas militares, no terceiro mês de aula.

A Secretaria de Educação do DF informou que se as práticas funcionarem, apresentando bons resultados, poderão ser estendidas para o restante da rede pública, que, atualmente, tem 693 escolas. Uma das primeiras práticas replicadas deverá ser um aplicativo para comunicação direta com os pais.

Porém, o modelo de educação cívico-militar divide opiniões. Os favoráveis defendem que o sistema cria índices elevados de aproveitamento escolar e o ensino de disciplina e regras. Os contrários afirmam que não cabe à polícia atuar dentro da escola e que o ideal é intensificar a segurança externa dos colégios.

Decisão

O modelo de gestão compartilhada, na qual os militares cuidam da parte administrativa e os professores da parte pedagógica da escola, foi anunciado em 11 de janeiro pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

Nas férias escolares, houve reuniões nas quatro unidades de ensino escolhidas como piloto. Segundo o governo do DF, para a escolha dos colégios foram considerados a violência na região, o baixo nível socioeconômico e o desempenho em avaliações do Ministério da Educação (MEC).

Outro critério foi a estrutura física da escola, que deveria estar apta a receber as atividades esportivas e musicais no contraturno.

No DF, a meta é instalar mais 36 unidades até o fim do ano. O GDF espera, até o fim do atual mandato, em 2022, chegar a 200 escolas.

(Fonte: Agência Brasil)

Os rascunhos de Manoel de Barros são a base da mostra em homenagem ao poeta, que começa na próxima quarta-feira (13), no Itau Cultural, na Avenida Paulista, região central da capital. Os manuscritos foram anotados em cadernos irregulares, de diversos tamanhos e formas, confeccionados pelo próprio autor mato-grossense.

Ao reaproveitar diferentes materiais para usar como suporte para o seu trabalho, o escritor colocava em prática uma filosofia que defendia em sua obra, de que tudo “serve para poesia”: “caco de vidro”, “grampos”, “retratos de formatura”, “detritos semoventes”, “latas” e “todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe a distância”, como enumerou em seu poema “Matéria de Poesia” (1974).

O apreço pelas coisas pequenas e simples é uma das principais marcas do poeta, que lançou o primeiro livro em 1937 e o último em 2013, um ano antes de morrer, quase chegando aos 98 anos. “Eu trato muito dessas coisas miudinhas”, enfatiza em um dos depoimentos inéditos colhidos em vídeo por Joel Pizzini e que poderão ser vistos na exposição. “Nós desprezamos o ínfimo. O homem despreza o que é pequeno, é desimportante, não vale nada, é lixo. Mas para a poesia, vale”, filosofava.

Cartas e arquivos

Para montagem da mostra, a filha do poeta, a artista visual Martha Barros, passou um ano e meio vasculhando os arquivos do pai. “Tenho em casa uma biblioteca com as cartas, fotos e todo o material literário de meu pai, mas foi necessário fazer uma longa busca e organização para a exposição”, diz.

Também poderão ser vistas as cartas trocadas entre o autor e personalidades como o desenhista Millôr Fernandes, os escritores Mário de Andrade e Carlos Drummond e o chargista Henfil. Soma-se a esse material as primeiras edições dos livros do poeta e cinco quadros de Martha que se tornaram ilustrações para as capas das obras do pai.

Leituras e oficina de encadernação

As poesias de Manoel de Barros foram gravados nas vozes do escritor Marcelino Freire e da cantora Marlui Miranda. Um telão fará ainda projeções dos escritos do autor. Marcelino e Marlui farão uma leitura ao vivo dos textos na noite de abertura.

O público é convidado ainda a participar de uma oficina de encadernação nos dias 23 e 24 de fevereiro, último fim de semana do mês, das 14h às 16h. Assim, os presentes vão confeccionar os próprios cadernos de rascunho, como fazia o poeta.

(Fonte: Agência Brasil)

O Instagram anunciou que passará a ter mecanismos para restringir imagens que estimulem a autoflagelação e o suicídio. Imagens de pessoas se machucando, como atos de cortar partes de corpo, serão proibidas na rede social.

As medidas foram uma reação à morte de uma adolescente de 14 anos no Reino Unido, no mês passado. Após o suicídio, o caso provocou questionamentos sobre o papel do Instagram, pela presença no perfil da moça de conteúdos mostrando formas de autoflagelação e relacionados ao suicídio. O pai da jovem, em entrevista a veículos de mídia, responsabilizou diretamente a plataforma.

Além disso, outros conteúdos relacionados a essas práticas, inclusive textos, não serão disponibilizadas nas buscas. Essas mensagens, contudo, não serão removidas das redes sociais. O Instagram justificou que a publicação de mensagens nesse sentido pode ter um papel de expressão em pessoas que estejam convivendo com sofrimento e sentimentos como esses.

Antes, a plataforma já proibia conteúdos que promovessem essas práticas. Mas permitia mensagens relacionadas à admissão delas (como uma pessoa relatando um desejo ou uma tentativa), como forma de alertar amigos e parentes para reagir e prestar apoio.

Orientações de especialistas

Segundo o Facebook, empresa controladora do Instagram, as mudanças foram formuladas a partir do diálogo com especialistas no tema, de diferentes países. Eles teriam indicado o efeito negativo da circulação de imagens de práticas de autoflagelação, como cortes. Elas “podem ter um potencial de promover não intencionalmente a autoflagelação, mesmo quando são compartilhadas no contexto da admissão da prática ou no caminho para uma recuperação”, explicou o diretor global de Segurança do Facebook, Antigone Davis.

Ele acrescentou que a equipe das plataformas ainda avalia como tratar imagens de cicatrizes. Segundo o diretor, os especialistas consultados indicaram ainda polêmicas nos estudos acadêmicos sobre os efeitos desse tipo de imagem em pessoas suscetíveis a cometer algum ato relacionado à prática.

As duas redes sociais, completou Davis, continuarão fornecendo recursos para dar apoio em situações de sofrimento, como a disponibilização, de forma acessível, de “linhas de ajuda” a pessoas nas plataformas.

Transparência

Na avaliação da pesquisadora de proteção de dados Marina Pita, do Instituto Alana, decisões como essa mostram a importância da transparência por parte das plataformas no que se refere às remoções de conteúdos e aos critérios usados nessas medidas. A cobrança por critérios mais claros das redes sociais vêm sendo uma demanda não somente no Brasil, como em outros países.

Além disso, acrescentou Pita, há a necessidade de discutir a lógica de funcionamento dos algoritmos de curadoria dos conteúdos mostrados aos usuários. Isso porque ao identificar uma vulnerabilidade ou condição psicológica de uma pessoa, especialmente adolescentes, o sistema passa a privilegiar conteúdos relacionados. “A plataforma, a partir da visualização de um conteúdo, identifica que aquele adolescente tem interesse naquele tipo de imagem e vai reforçar isso”, alerta a pesquisadora.

Isso ocorre, completou, em casos em que, muitas vezes, os usuários das redes sociais não têm consciência dessa forma de funcionamento. Por isso, é importante discutir de forma transparente não somente medidas como a anunciada, mas a própria dinâmica de segmentação dos usuários e de veiculação de publicidade a partir dela, que pode ter efeitos prejudiciais sobre os internautas.

(Fonte: Agência Brasil)

Diferentemente do Brasil, em que a educação para a mídia foi incluída em um documento que traz as diretrizes de abrangência nacional – a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino básico –, os Estados Unidos, por causa do seu sistema federativo descentralizado, dão autonomia aos Estados de terem suas próprias legislações na área educacional. No caso norte-americano, a iniciativa de inserir o tema da educação midiática nos currículos parte, sobretudo, dos Estados e da própria comunidade escolar.

Em Rhode Island, o menor dos Estados norte-americanos, na Costa Leste, a educadora Pam Steager, representante local da Media Literacy Now, organização da sociedade civil de promoção de políticas em alfabetização digital, conta que a lei estadual sobre educação midiática aprovada em 2017 apenas recomenda que o tema seja colocado nos currículos escolares.

“Estamos no processo de trabalhar com o Departamento de Educação de Rhode Island e com as escolas para encorajá-las a colocar os materiais existentes sobre alfabetização midiática nos currículos, e identificando os atores importantes, como administradores de escolas e professores”, disse Pam.

Segundo ela, o ensino para a análise crítica da informação está se tornando importante no país e ganhou impulso após a campanha eleitoral em 2016, que elegeu o presidente Donald Trump. Pam conta que a discussão em torno das “fake News” (notícias falsas) veio à tona com mais intensidade naquele momento.

Para a diretora do Media Education Lab, organização que tem por objetivo expandir a educação em mídia, Renee Hobbs, tem sido “fascinante” perceber o aumento do interesse sobre o tema no mundo. “A questão das “fake News” trouxe a ideia de que educação midiática é parte da solução, e está aumentando o número de professores que estão se capacitando para lidar com o assunto”.

Renee, que é professora da Universidade de Rhode Island, não considera uma desvantagem o fato de os Estados Unidos não terem uma norma federal estabelecendo a educação para a mídia como uma política pública nacional. “Vejo que se esse tema tem o suporte dos movimentos de base, da comunidade local, isso o torna mais forte”, avalia.

A vertente de pesquisa do Media Education Lab é preparar conteúdos sobre o tema para os currículos escolares e para cursos “on-line” de treinamento de professores. “Os professores precisam de materiais para o currículo. Com o tempo, eles começam a modificar e adaptar esses materiais até criar os seus próprios”, diz Renee.

Segundo a educadora, na década de 1990, professores já começaram a usar reportagens de jornais como meio de estimular o pensamento crítico dos estudantes norte-americanos sobre atualidades. Ela avalia que a questão da desinformação ganhou maior relevância no país em 2015, com o início da corrida eleitoral.

“Tem que haver um ambiente propício na comunidade para que apoie o tema. Por isso, é importante alcançar os pais, os formuladores de políticas públicas, a opinião pública”, afirma Renee.

Na opinião do professor da Escola de Comunicação da Universidade de Miami, Alberto Cairo, mais do que ensinar o aluno a usar e criar tecnologias de informação, o sistema educacional deve investir na sólida formação humanística e ética dos alunos.

Projeto na aula de inglês

Na escola pública Albert Einstein, no Estado de Maryland, a professora de inglês Kerri Mauer percebeu a necessidade de dar ferramentas para que seus alunos na faixa dos 14, 15 anos pudessem compreender o que é opinião, fato, propaganda, sátira, conteúdo patrocinado e, principalmente, notícias falsas. Ela lembra que o fenômeno das “fake News” não é algo novo, mas ganhou muita dimensão por causa da “internet”, das redes sociais e dos aplicativos de mensagens.

O projeto de educação midiática na escola surgiu logo após as eleições de 2016 a partir das questões levantadas pela campanha presidencial. “Eles não entendiam o que era desinformação, onde buscar uma fonte confiável de informação, e diziam que usavam as redes sociais como fonte de informação confiável”, conta a professora, que teve a ajuda de uma especialista em mídia para montar o currículo.

Segundo Kerri, a escola usa vídeos informativos, faz seminários e encoraja o debate entre os alunos com exemplos próximos de sua realidade para analisar o conteúdo de diferentes mídias, para ensiná-los a achar fontes confiáveis e a distinguir fato de ficção na “internet”, “onde se posta todo tipo de coisa”.

“Queríamos empoderar os alunos para tomar decisões conscientes, para não serem enganados. Eles têm que aprender a usar seus celulares e as redes sociais de forma segura para ter informações confiáveis”, afirmou Kerri, que envia uma carta aos pais explicando os objetivos do curso.

A aluna Sachi, de 16 anos, que participou do programa piloto, conta que o que aprendeu não é para ser usado apenas na escola e esquecido depois. “É uma habilidade para a vida, de fazer a coisa certa no futuro”.

Atual aluno do projeto, Karl, de 14 anos, disse que a aula o ajuda a discernir o que é errado e certo nas redes sociais e em ter responsabilidade de não espalhar desinformação e boatos.

(Fonte: Agência Brasil)

Alunos da rede municipal de educação de Salvador, com média de 10 anos de idade, parecem gente grande ao interagir com microfones, estúdio de gravação e demais ícones do universo da radiodifusão. Tudo por conta do projeto Rádio Educação, coordenado pela jornalista Cristiele França dos Santos. A iniciativa, que tem ajudado os estudantes a desenvolver leitura, escrita e oralidade, foi o assunto do programa “Trilhas da Educação”, produzido e transmitido pela Rádio MEC, em edição que foi ao ar nessa sexta-feira (8).

Tudo começou em 2018, quando Cristiele França recebeu as primeiras turmas para a Oficina Introdutória de Técnicas de Radiofonia, oferecida, gratuitamente, aos estudantes, como atividade de contraturno das aulas na escola. O projeto funciona no Complexo Educacional Subúrbio 360, mantido pela Prefeitura de Salvador, e recebe alunos do ensino fundamental de toda a rede, com um estúdio profissional e equipamentos modernos. A intenção, segundo Cristiele, é aproximar os estudantes do processo de radiodifusão, que mantém no ar um programa de rádio cuja programação envolve música, cultura e educação.

Cristiele conta como o projeto funciona: “Na rádio, além da questão dos assuntos da sala de aula, eu também dou o conteúdo de rádio. Falo um pouquinho sobre teoria de rádio, como surgiu, como chegou ao Brasil, como chegou à Bahia. Dou exemplos de programas, de radionovela. A diferença entre o rádio noticioso e o rádio musical”, explica. “No final, fazemos uma entrevista com uma personalidade, um professor que se destacou na rede municipal, para que eles possam conhecer um pouco mais esse professor. E gravamos também uma radionovela, e eles fazem a locução musical”.

Toda a produção dos alunos vai ao ar na Rádio Educação, que funciona 24 horas por dia na “internet”. Além das entrevistas, radionovelas e música, há quadros educativos com dicas de português e matemática, além de um que destaca a história de personagens do bairro.

Desenvolvimento

O trabalho com os alunos dura dois meses e cada um recebe o certificado no fim. No entanto, a empolgação é tanta que muitos acabam continuando, mesmo depois da conclusão do curso. “Eu tenho crianças aqui que fizeram oficina comigo da primeira turma. Após a conclusão, a gente tem que dar lugar para outras crianças, mas eles me pedem para ser aluno-ouvinte. É bom porque acaba incentivando muito o desenvolvimento deles, a oratória, eles passam a ter mais gosto pela leitura, têm uma maior preocupação na forma como vão ler o conteúdo, até mesmo em sala de aula, nas atividades. Os próprios professores relataram que o projeto os ajuda muito a ter esse olhar mais criterioso na leitura”, destaca Cristiele.

Futuro

A pequena Bianca de Jesus, de 10 anos, está no quinto ano da escola Graciliano Ramos. Ela é um bom exemplo dos estudantes que se apaixonaram pelo rádio e já sonham em ser profissionais da área. Ela lembra como as atividades na oficina a ajudaram em sala de aula. “Eu lia um pouco gaguejando. Melhorei minha leitura, palavras que eu não sabia escrever, falar, eu aprendi. Aprendi a falar um pouco rápido e eu gostei muito”, relata Bianca, que se encantou com as técnicas de produção de radionovelas. “Eu gostava de gravar e de criar. A gente gravava porque se errasse ia ter como consertar. Então, primeiro gravava para depois colocar no ar”.

Formação

A rádio também funciona como um veículo de comunicação para toda a rede municipal de ensino, por meio da divulgação de eventos e conteúdo pedagógico. Mas,, para Cristiele, a maior realização desse trabalho é poder desenvolver as potencialidades dos estudantes e ajudá-los na formação cidadã.

“Além do prazer de conhecer o funcionamento de uma rádio, de ter essa vivência com os microfones e equipamentos, que os deixa superanimados, também ajuda muito na leitura e no aprendizado”, aponta Cristiele. “Por exemplo, a questão da consciência negra, do ‘bullying’, tudo isso tentamos trazer para os programas, as coisinhas que a gente grava aqui na rádio”.

(Fonte: Agência Brasil)

O grupo Pombas Urbanas estreia, hoje (9), o primeiro espetáculo da companhia teatral com uma equipe só de mulheres. Fundado em 1989, o grupo tem sede desde 2004, na Cidade Tiradentes, no extremo leste paulistano, onde tem um intenso trabalho com a comunidade. A montagem “Vulcânicas” faz uma relação entre as situações de opressão e violência sofridas pelas mulheres na Idade Média e o contexto brasileiro atual.

A relação entre períodos tão distantes temporalmente foi feita a partir da leitura do livro “Calibã e a Bruxa”, da escritora italiana Silvia Federici. “Então, a gente vai entender toda a questão da Idade Média, da caça às bruxas e, ao mesmo tempo, entendendo com as mulheres foram criminalizadas de uma forma bastante intencional. E como essa história da Idade Média se repete nos dias atuais, é uma história atemporal”, destaca uma das três atrizes que compõe o elenco, Cinthia Arruda.

As violências desse período se relacionam, segundo ela, com as sofridas pelas mulheres no tempo atual. “Os ataques diretos às mulheres, os dados atuais do feminicídio no Brasil”, exemplifica. Nesse contexto, a mulher vulcânica é a que explode contra as opressões que lhe são impostas.

O espetáculo foi construído a partir de relatos de pessoas e observações do grupo, que foram sendo transformados em improvisações dentro do processo de pesquisa. O resultado é uma peça que mescla a narração direta e a interpretação de papéis. “A gente tem uma linguagem onde, por vezes, são as atrizes narradoras, por outras, são as personagens que têm o fio condutor da história, que vão para esse tempo mais medieval. Tem essa troca de linguagens entre a narração e a fábula”, detalha Cinthia Arruda.

As atrizes também compuseram uma trilha sonora que é interpretada por elas ao vivo no palco. Em alguns momentos, até as luzes ganham protagonismo em cena. “O gesto da iluminação que é de se iluminar, uma mulher ilumina a outra”, conta Cinthia.

Apresentações

A primeira apresentação é hoje, às 21h, no Galpão do Folias, na Santa Cecília, centro paulistano. O local recebe ainda o segundo dia de espetáculo, às 20h de domingo. Na segunda-feira (11), a encenação será no mesmo horário (20h) no Teatro Bruta Flor na Rua Augusta (região central). A última apresentação é na sede do Pombas Urbanas, na sexta-feira (15), às 20h. O público paga quanto puder.

(Fonte: Agência Brasil)

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro iniciou, como parte das comemorações de seus 110 anos, a entrega para o público 8 mil documentos digitalizados em seu “site”, que retratam espetáculos realizados desde a inauguração, em 1909. Os 110 anos do museu serão completados em 14 de julho.

No acervo, é possível encontrar programas de apresentações, fotos e matérias de jornais. A chefe do Centro de Documentação (Cedoc) do Theatro Municipal, Fátima Gonçalves, disse à Agência Brasil que o trabalho, de quatro anos, envolveu equipe do próprio teatro. “Estamos entregando 8 mil documentos na íntegra, e a gente espera que o restante [do acervo] venha para o público muito antes do previsto”. A documentação disponível corresponde aos primeiros 50 anos de atividades.

Segundo o presidente do teatro, Aldo Mussi, a digitalização dos 60 anos restantes já foi iniciada.

Fátima Gonçalves destacou que, entre os documentos digitalizados, está o de inauguração do teatro, no dia 14 de setembro de 1909; a peça “Mambembe”, com Fernanda Montenegro e Sérgio Britto; da Companhia de Teatro dos 7, comemorativo ao cinquentenário; a apresentação da peça “Dom João Tenório”, que teve figurinos e cenários assinados por Salvador Dalí, em dezembro de 1959.

Bidu Sayão e Nelson Rodrigues

Da vasta lista, constam também a primeira apresentação completa do balé Lago dos Cisnes para a América Latina, em 1959; a estreia da cantora lírica Bidu Sayão em “O Barbeiro de Sevilha”, em julho de 1926, quando ela integrava a Companhia Italiana do Teatro Constanzi; a estreia da peça “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, em dezembro de 1943, considerada “um divisor de águas em relação à discussão de uma nova moralidade e dos temas tabus na sociedade da época”; a primeira audição mundial da ópera “Izaht”, de Villa-Lobos, em 1958; e a apresentação da ópera “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes, com música de Tom Jobim e cenário de Oscar Niemeyer, em 1956.

A gente tem muita coisa para rememorar”, afirmou a chefe do Cedoc, citando o recital do compositor e pianista russo Igor Stravinsky, em 1936, e a apresentação do também compositor clássico Richard Strauss, em 1922.

Fátima Gonçalves relembra que, de 1909 a 1959, o Theatro Municipal era considerado a principal instituição de cultura do antigo Distrito Federal. “Tudo que era nome famoso, tudo que era moda, se apresentava aqui”. Um exemplo foi a cantora lírica grega Maria Callas, que se apresentou em setembro de 1951. “A gente teve toda essa efervescência dentro do Theatro Municipal e, agora, o público vai poder se deliciar com essa história toda".

Para fazer a consulta, o interessado deve acessar a página, buscar a opção Centro de Documentação e clicar em Acesso à Pesquisa. Na nova janela, é preciso entrar em Acesse o acervo “on-line” e, em seguida, na outra janela, clicar na caixa Museu, FTM – Centro de Documentação do Theatro Municipal.

(Fonte: Agência Brasil)