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Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2024 - Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Foto: IMPA/Divulgação

O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) informou que a 20ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) atingiu um marco histórico em 2025, registrando o maior número de escolas e municípios inscritos.

Neste ano, a competição chegará em 57.222 escolas de 5.566 cidades – garantindo uma cobertura de 99,93% dos municípios do país. Ao todo, o certame reunirá 18,6 milhões de estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio de instituições públicas e privadas.

As provas da olimpíada serão aplicadas em duas fases: a primeira em 3 de junho e a segunda em 25 de outubro. Os vencedores serão anunciados em 22 de dezembro.

Estudantes premiados com medalhas nacionais de ouro, prata ou bronze garantem vaga no Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), que oferece aulas avançadas de matemática e uma bolsa de R$ 300 do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para alunos de escolas públicas.

No total, a OBMEP distribuirá 8.450 medalhas nacionais — 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze — além de 51 mil certificados de menção honrosa. Para incentivar ainda mais a participação dos estudantes, a competição premiará também os melhores desempenhos estaduais, com a entrega de pelo menos 20,5 mil medalhas. A premiação estadual não dá acesso ao PIC.

Talentos

A OBMEP tem por objetivo incentivar o estudo da matemática e identificar talentos na disciplina. A cada edição, a olimpíada amplia seu alcance e reforça seu impacto na valorização do ensino e no estímulo ao pensamento lógico entre os jovens.

“A OBMEP chega à 20ª edição e segue batendo recordes, demonstrando a vitalidade de uma das mais importantes políticas públicas em educação no Brasil”, destaca Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada - IMPA.

A OBMEP se tornou ainda uma porta de entrada para o ensino superior. O IMPA Tech (bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação do IMPA) no Rio de Janeiro reserva 80% das vagas para estudantes medalhistas em olimpíadas científicas.

Outras universidades públicas, como USP (Universidade de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), também adotaram vagas olímpicas voltadas para alunos com bom desempenho nessas competições.

“As medalhas concedidas não apenas reconhecem o talento dos estudantes, mas também abrem portas para o ensino superior, podendo ser utilizadas como critério de ingresso em diversas instituições”, afirma Jorge Vitório, diretor-adjunto do IMPA e coordenador-geral da OBMEP.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 02.05.2024 - Os candidatos do Distrito Federal que farão o Concurso Público Nacional Unificado (CNU) estão aproveitando os últimos dias para revisar o conteúdo. Cerca de 160 pessoas acompanharam o último aulão preparatório promovido pela Biblioteca Nacional de Brasília (BNB). Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou que a segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2) usará o código de barras no cartão-resposta para identificar automaticamente o candidato, no lugar do preenchimento de bolinhas com caneta preta, como ocorreu na primeira edição do certame.

A mudança no sistema de identificação do participante foi adotada após diversos candidatos relatarem não ter marcado o tipo de gabarito da prova de agosto de 2024, ou ter deixado de transcrever a frase que constava no cartão-resposta.

Em nota, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, explicou que com o código de barras cada prova será vinculada automaticamente ao candidato “sem risco de confusão". 

"Não é o nome ou número de inscrição, mas a máquina consegue ler e garantir que aquela prova pertence àquela pessoa. Queremos que os candidatos se preocupem apenas com o conteúdo da prova, não com formalidades burocráticas”, detalhou a ministra.

Nova tecnologia

Com a nova tecnologia, cada caderno de questões virá com um código único, que identifica o candidato sem revelar seus dados pessoais aos corretores das provas. O anonimato em processos de seleção tem o objetivo de garantir a imparcialidade e a justiça.

O MGI entende que a alteração será útil quando houver diferentes versões da mesma prova dentro de uma mesma sala de aplicação do concurso público. As versões distintas são resultado do embaralhamento de questões idênticas da prova objetiva.

A expectativa da pasta é que o novo sistema também agilize a correção e a divulgação de resultados dos candidatos. No primeiro concurso unificado, os resultados finais foram disponibilizados pelo MGI e pela banca examinadora, a Fundação Cesgranrio, em 28 de fevereiro, 194 dias após a aplicação das provas objetivas e discursivas.

A previsão inicial do governo federal era que os resultados fossem divulgados em 25 de novembro. Porém, foram adiados após a União firmar acordo judicial com o Ministério Público Federal (MPF), permitindo a volta de 32.260 candidatos ao processo de seleção.

Edital único

Outro ajuste para o CNU 2, baseado nos aprendizados da primeira versão do chamado Enem dos Concursos, será o edital unificado para todos os blocos temáticos, com oito documentos separados.

Na primeira edição CNU, os oito blocos temáticos foram separados conforme áreas das vagas autorizadas para cada um dos 21 órgãos públicos federais participantes do certame. Sendo que sete editais foram para cargos que exigem nível superior de instrução, e apenas o oitavo documento do edital teve foco nas vagas de ensino médio.

Provas em 2025

O termo de referência para a escolha da banca examinadora do CPNU 2 deve ser lançado ainda em abril, e a aplicação das provas deve ocorrer no segundo semestre, prevê o MGI. 

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a ministra já havia adiantado que gostaria de repetir as provas do CNU 2 em agosto deste ano, porque é o mês de menor incidência de chuvas na maior parte do Brasil, considerando os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul, em abril e maio de 2024.

A ministra Esther Dweck confirmou que não haverá uma edição do concurso em 2026. 

"Por ser ano de eleição, é muito mais difícil realizar o concurso. Temos que homologar todos os resultados antes do início do período eleitoral", argumentou.

Novas carreiras

O maior concurso público já feito no país ofereceu 6.640 vagas em 21 órgãos públicos federais e teve mais de 2,11 milhões de inscritos confirmados.

A lista de participantes do CNU 2025 ainda está sob análise do Ministério da Gestão e Inovação.

Para a segunda edição, o ministério confirmou que duas carreiras serão incluídas no concurso. As novas carreiras transversais são Analista Técnico de Justiça e Defesa e Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico, ambas de nível superior.

Carreiras transversais são aquelas com atribuições e responsabilidades que podem ser exercidas em diversos órgãos e entidades da administração pública federal.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 19/02/2025 - Programa Pé-de-Meia. Alunos da escola CED 619 da Samambaia. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O programa Pé-de-Meia 2025 paga, nesta quarta-feira (2), a primeira parcela do ano aos beneficiários nascidos em maio e junho. O incentivo é relativo à matrícula, em 2025, em uma das três séries do ensino médio regular ou na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA), ambos da rede pública.

Para receber o valor de R$ 200, o estudante deve atender aos requisitos do programa do Ministério da Educação (MEC)

Desde segunda-feira (31), o incentivo-matrícula está sendo depositado, de forma escalonada, até 7 de abril, nas contas dos estudantes. O critério é o mês de nascimento do beneficiário:

·  nascidos em janeiro e fevereiro recebem nesta segunda-feira (31);

·  nascidos em março e abril recebem nesta terça-feira (1º);

· nascidos em maio e junho recebem nesta quarta-feira (2);

· nascidos em julho e agosto recebem quinta-feira (3);

· nascidos em setembro e outubro recebem sexta-feira (4);

· nascidos em novembro e dezembro recebem em 7 de abril.

A parcela única anual, no valor de R$ 200, já poderá ser sacada, se o estudante quiser. Não é necessário esperar a formatura para usufruir dos recursos financeiros.

A Caixa Econômica Federal confirma que, neste mês, serão disponibilizadas cerca de 3,9 milhões de parcelas, sendo 1,3 milhão para novos estudantes, ou seja, que ingressaram no primeiro ano do ensino médio público em 2025.

Neste mês, serão pagas também parcelas remanescentes de 2024 dos incentivos conclusão e de participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), bem como do incentivo à frequência.

Critérios do Pé-de-Meia

Os depósitos são para os estudantes que cumprem os critérios do Pé-de-Meia. 

Além da obrigatoriedade de o jovem estar Cmatriculado no ensino médio regular público ou na modalidade EJA, para receber a bolsa do Pé-de-Meia é necessário que o estudante seja parte de famílias incluídas no Cadastro Único para programas sociais (CadÚnico) do governo federal, atualizado.

Para participar do programa, o estudante não precisa se inscrever, basta ter Cadastro de Pessoa Física (CPF) e estar matriculado em 2025 em uma escola pública de ensino médio.

Como consultar

O Ministério da Educação não faz contato com beneficiários do Pé-de-Meia do ensino médio. O estudante da rede pública que cumpre os critérios acima pode consultar o aplicativo (app) Jornada do Estudante do MEC para conferir se tem direito a receber os benefícios e os status de pagamentos (rejeitados ou aprovados). 

A ferramenta pode ser baixada gratuitamente em smartphones e tablets e o login é feito com o próprio Cadastro de Pessoa Física (CPF) na conta no portal único de serviços digitais do governo federal, o Gov.br. A conta pode ser de nível de segurança bronze.

Informações relativas ao pagamento do benefício podem ser consultadas também no app Caixa Tem.

Depósitos

Todos os quatro tipos de incentivos da chamada Poupança do Ensino Médio são pagos pelo MEC em conta digital aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal em nome dos beneficiários dos três anos do ensino médio contemplados.

Aqueles estudantes que, desde 2024, fazem parte do programa recebem o pagamento nas mesmas contas abertas no ano passado. Os novos receberão o depósito em contas abertas no ano corrente.  

Caso o estudante já tenha, em seu nome, uma conta ativa no banco público, não será necessária a abertura de nova conta para crédito do incentivo, desde que seja do tipo poupança.

A partir do depósito, os estudantes menores de 18 anos precisam de autorização do responsável legal para movimentar a conta. O responsável pode fazê-lo pelo App Caixa Tem, na opção "Programa Pé-de-Meia" – "Permitir acesso a um menor", ou em uma agência bancária. Ainda será necessário o upload [carregamento do arquivo] da carteira de identidade do estudante contemplado.

Caso o responsável legal não seja o pai ou a mãe, o consentimento para movimentação dos valores do Pé-de-Meia deverá ser feito presencialmente em uma agência da Caixa.

Calendário

Portaria nº 143/2025 do MEC estabelece o calendário de pagamento do programa Pé-de-Meia em 2025.

Além dos depósitos relativos ao incentivo-matrícula, ainda estão programados os pagamentos das bolsas de incentivo-frequência dos estudantes nas aulas e a participação no Enem. Os pagamentos seguem cronograma que varia conforme o mês de nascimento do estudante.

Confira os prazos do calendário do Pé-de-Meia 2025 para o ensino regular:

Calendário Pé-de-Meia - Ensino regular

Confira os prazos do calendário do Pé-de-Meia 2025 para o EJA (primeiro semestre):

Calendário pé-de-meia - EJA - primeiro semestre

Confira os prazos do calendário do Pé-de-Meia 2025 para o EJA (segundo semestre):

Calendário pé-de-meia EJA - segundo semestre

Poupança do ensino médio

O programa federal do Ministério da Educação (MEC) funciona como um incentivo financeiro para que o estudante de baixa renda da rede pública permaneça na escola e se forme no ensino médio, sem abandonar os estudos para trabalhar.

O MEC afirma que o objetivo é democratizar o acesso ao ensino médio e reduzir as desigualdades sociais entre os jovens, além de promover a inclusão social pela educação.

Os estudantes que participarem do Pé-de-Meia durante os três anos podem ter depósitos que somam até R$ 9,2 mil por aluno ao fim do ensino médio, divididos da seguinte forma:

· incentivo por matrícula registrada no início do ano letivo, valor pago uma vez por ano, no valor de R$ 200. O saque é imediato.

·  incentivo por frequência mínima escolar mensal de 80% do total de horas letivas. Para o ensino regular, são nove parcelas durante o ano letivo de R$ 200, disponíveis para saque a qualquer momento. A soma é de R$ 1,8 mil por ano.

·  aos alunos da Educação de Jovens e Adultos, o bônus é pago em quatro parcelas de R$ 225, por semestre cursado. O valor total semestral é de R$ 900.

·  incentivo por conclusão e com aprovação em cada um dos três anos letivos do ensino médio e participação em avaliações educacionais. O valor recebido é R$ 1 mil por ano letivo, podendo chegar a R$ 3 mil no fim da educação básica. O saque depende da obtenção                de certificado de conclusão do ensino médio;

·  incentivo-Enem: por participação comprovada nos dois dias do exame, no último ano do ensino médio. Os R$ 200 são pagos em parcela única ao estudante matriculado no terceiro ano e ficam disponíveis para saque.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 05/12/2024 - O ministro Flávio Dino durante sessão do STF. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, nesta terça-feira (1°), a imediata suspensão de emendas parlamentares para universidades estaduais e suas respectivas fundações de apoio em oito Estados.

A liminar do ministro vale para instituições do Acre, Alagoas, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia e Sergipe.

A decisão foi tomada após os estados não enviarem ao Supremo manifestação sobre a determinação de Dino para que sejam criadas normas e orientações sobre a aplicação e prestação de contas referentes às emendas que são destinadas às instituições. A exigência consta em uma decisão assinada no dia 12 de janeiro deste ano.

Na mesma decisão, Flávio Dino também determinou que estados e municípios têm 90 dias para prestarem contas sobre 6.247 planos de trabalho não cadastrados que envolvem as chamadas “Emendas Pix”.

Entenda

O impasse sobre a liberação das emendas começou em dezembro de 2022, quando o STF entendeu que as emendas chamadas de RP8 e RP9 eram inconstitucionais. Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou uma resolução que mudou as regras de distribuição de recursos por emendas de relator para cumprir a determinação da Corte.

No entanto, o PSOL, partido que entrou com a ação contra as emendas, apontou que a decisão continuava em descumprimento.

Após a aposentadoria da ministra Rosa Weber, relatora original da ação, Flávio Dino assumiu a condução do caso.

Em agosto do ano passado, Dino determinou a suspensão das emendas e decidiu que os repasses devem seguir critérios de rastreabilidade. O ministro também determinou que a Controladoria-Geral da União (CGU) auditasse os repasses dos parlamentares por meio das emendas do orçamento secreto.

Em fevereiro deste ano, o ministro homologou o plano de trabalho no qual o Congresso se comprometeu a identificar os deputados e senadores responsáveis pelas emendas ao Orçamento e os beneficiários dos repasses.

A decisão do ministro também liberou o pagamento das emendas deste ano e dos anos anteriores que estavam suspensas por decisões da Corte.

(Fonte: Agência Brasil)

O Maracatu Rural ou Maracatu de Baque Solto é um tipo de maracatu, uma manifestação folclórica com origem no estado de Pernambuco.[1] Tem como principal símbolo o caboclo de lança, e distingue-se do Maracatu Nação por sua organização, personagens e ritmo. Foto: Iphan/Divulgação

O maracatu nação pode se tornar o oitavo bem cultural do Brasil inscrito na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultural (Unesco).

Os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores entregaram, nessa segunda-feira (31), o dossiê oficializando a candidatura do maracatu nação, também conhecido como maracatu do baque Intergovernamental da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, que deve apreciar o pleito até o fim do próximo ano.

Pesquisadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, mestres detentores da forma de expressão cultural e outros representantes ligados à  Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco e à Associação dos Maracatus de Olinda trabalharam na elaboração do documento desde 2021.

Entre os critérios para entrar na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, estão os de ser um bem registrado como patrimônio imaterial pelo Iphan, ter um plano de salvaguarda elaborado e garantir o envolvimento dos detentores do bem cultural no processo.

Reconhecido como patrimônio cultural do Brasil em dezembro de 2014, o maracatu nação é uma manifestação artística da cultura popular e carnavalesca da região metropolitana do Recife,  em que um cortejo real desfila pelas ruas, acompanhado de um conjunto musical percussivo. Composto majoritariamente por negros, os maracatus nação podem ser remontados às antigas coroações de reis e rainhas do antigo Congo africano.

Os sete bens culturais brasileiros inscritos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco são o samba de roda do Recôncavo Baiano; as expressões orais e gráficas dos Wajapis; o frevo; o Círio de Nazaré; a roda de capoeira; o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão e o modo de preparar o queijo minas artesanal.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília - 27/06/2023 - O Programa Universidade Para Todos (Prouni) oferta bolsas de estudo, integrais e parciais (50% do valor da mensalidade do curso), em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições de educação superior privadas. As inscrições podem ser feitas pelo celular ou pelo computador. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta terça-feira (1º), os pré-selecionados na lista de espera para bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) do primeiro semestre de 2025.

Os candidatos já podem conferir on-line o resultado da seleção no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na aba do Prouni com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e senha da conta da plataforma de serviços digitais do governo federal, o Gov.br.

O Prouni oferta bolsas de estudo integrais (100%) e parciais (50%) do valor da mensalidade em cursos de graduação de instituições de educação superior privadas. O público-alvo do programa são os estudantes brasileiros sem diploma de nível superior.

Prazo

Todo o processo é gratuito, e as informações oficiais são divulgadas nos canais de comunicação do MEC.

Quem estiver na lista de espera do Prouni 2025/1 divulgada nesta terça-feira deverá comparecer à faculdade privada escolhida de 1º a 11 de abril, para comprovar as informações prestadas no momento da inscrição.

A instituição de ensino superior define se a entrega da documentação pode ser feita virtualmente ou de forma presencial na própria faculdade onde o candidato foi selecionado.

De acordo com o edital do Prouni 2025/1, entre os documentos exigidos dos estudantes estão o de identificação do candidato e dos membros do grupo familiar, além dos comprovantes de residência; de onde cursou o ensino médio; de rendimentos; e quando for o caso, se é professor da educação básica, se houve separação, divórcio ou óbito dos pais; ou se é pessoa com deficiência.

Para ser beneficiário das bolsas integrais, o inscrito deve ter a renda familiar bruta mensal por pessoa até um salário mínimo e meio, atualmente R$ 2.277. No caso de bolsas parciais (50%), o candidato deve comprovar que a renda familiar bruta mensal per capita não ultrapassa três salários mínimos (R$ 4.554).

As instituições de ensino ainda podem fazer exigências adicionais.

Prouni 2025/1

Nesta primeira edição do Prouni, foram ofertadas 338.444 bolsas em 403 cursos de 1.031 instituições privadas por todo o país. Dessas bolsas, 203.539 são integrais e 134.905 parciais.

A edição de 2025 do Prouni teve 1,5 milhão de inscrições, sendo que cada participante pode escolher até dois cursos para concorrer à bolsa.

Na primeira chamada do Prouni 2025/1, divulgada no início de fevereiro, 197.080 estudantes foram pré-selecionados.

Na segunda chamada, no fim de fevereiro, foram convocados 86.373 pré-selecionados.

Este ano, o Prouni comemora 20 anos de existência, com mais de 3,4 milhões de estudantes beneficiados.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF) 28/11/2023 – Estudantes do ensino médio terão poupança para permanecer na escola
Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Os beneficiários do programa Pé-de-Meia 2025 nascidos em março e abril recebem nesta terça-feira (1º) o incentivo-matrícula de R$ 200. O valor corresponde à primeira parcela do ano do programa federal apelidado de Poupança do ensino médio

O incentivo-matrícula é pago em parcela única anual e será depositado de forma escalonada até 7 de abril, conforme o mês de nascimento do estudante.

  • nascidos em janeiro e fevereiro receberam nesta segunda-feira (31);
  • nascidos em março e abril recebem nesta terça-feira (1º de abril);
  • nascidos em maio e junho recebem nesta quarta-feira (2 de abril);
  • nascidos em julho e agosto recebem na quinta-feira (3 de abril);
  • nascidos em setembro e outubro recebem na sexta-feira (4 de abril);
  • nascidos em novembro e dezembro recebem em 7 de abril.

O valor poderá ser sacado, ou seja, o estudante não precisa esperar a formatura no ensino médio para usufruir dos recursos financeiros.

A Caixa Econômica Federal confirma que, neste mês, serão disponibilizadas cerca de 3,9 milhões de parcelas, sendo 1,3 milhão para novos estudantes, ou seja, que ingressaram no primeiro ano do ensino médio público em 2025.

Neste mês, ainda serão pagas parcelas remanescentes de 2024 dos incentivos conclusão e de participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), bem como do incentivo frequência.

Depósitos

Todos os incentivos do Pé-de-Meia são pagos pelo Ministério da Educação (MEC) em conta digital aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal (CEF) em nome dos beneficiados dos três anos do ensino médio contemplados.

Aqueles estudantes que, desde 2024, fazem parte do programa recebem o pagamento nas mesmas contas abertas no ano passado. E os novos participantes receberão o depósito em contas abertas no ano corrente.  

Caso o estudante já tenha, em seu nome, um conta ativa no banco púbico, não será necessária abertura de nova conta para crédito do incentivo, desde que sejam do tipo poupança.

Informações relativas ao pagamento do benefício podem ser consultadas no aplicativo Caixa Tem

Para estudantes menores de 18 anos, o responsável legal deve autorizar a movimentação da conta pelo App Caixa Tem, por meio da opção "Programa Pé-de-Meia" – "Permitir acesso a um menor", ou em uma agência bancária. Ainda será necessário que seja realizado o upload [carregamento do arquivo] da carteira de identidade do estudante.

Caso o responsável legal não seja o pai ou a mãe do estudante, o consentimento para movimentação dos valores do Pé-de-Meia deverá ser feito presencialmente em uma agência bancária da Caixa.

Critérios dp Pé-de-Meia

Os depósitos são destinados aos estudantes matriculados do ensino médio regular e na modalidade da educação de jovens e adultos (EJA), que sejam parte de famílias incluídas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal.

Para participar do programa, o estudante não precisa se inscrever, basta ter Cadastro de Pessoa Física (CPF); e estar matriculado em 2025 em uma escola pública de ensino médio.

Como consultar

O Ministério da Educação não faz contato com beneficiários do Pé-de-Meia do ensino médio. Para o estudante do ensino médio da rede pública de ensino saber se tem o direito a receber os benefícios, deve consultar o aplicativo Jornada do Estudante do MEC. Pelo app, o estudante poderá consultar informações escolares, regras do programa e status de pagamentos (rejeitados ou aprovados). 

A ferramenta pode ser baixada em smartphones e tablets e o login é feito com o próprio Cadastro de Pessoa Física (CPF) do estudante na conta no portal único de serviços digitais do governo federal, o Gov.br. A conta pode ser de nível de segurança bronze.

Incentivos pagos

A chamada Poupança do Ensino Médio tem quatro tipos de incentivos, entre eles, o incentivo-matrícula, pago nesta semana:

  • Incentivo-matrícula: por matrícula registrada no início do ano letivo, valor pago uma vez por ano, no valor de R$ 200. O saque é imediato.
  • Incentivo-frequência: por frequência mínima escolar mensal de 80% do total de horas letivas. Para o ensino regular, são nove parcelas durante o ano letivo de R$ 200, disponíveis para saque a qualquer momento. A soma é de R$ 1,8 mil por ano. Aos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o bônus é pago em quatro parcelas de R$ 225, por semestre cursado. O valor total semestral de é R$ 900.
  • Incentivo-conclusão: por conclusão e com aprovação em cada um dos três anos letivos do ensino médio e participação em avaliações educacionais. O valor recebido é R$ 1 mil por ano letivo, podendo chegar a R$ 3 mil no fim da educação básica. O saque depende da obtenção de certificado de conclusão do ensino médio;
  • Incentivo-Enem: por participação comprovada nos dois dias do exame, no último ano do ensino médio. Os R$ 200 são pagos em parcela única ao estudante matriculado no terceiro ano e ficam disponíveis para saque.

Os estudantes que participarem do Pé-de-Meia durante os três anos podem ter depósitos que somam até R$ 9,2 mil por aluno ao fim do ensino médio. 

Calendário

Portaria 143/2025 do MEC estabelece o calendário de pagamento do programa Pé-de-Meia em 2025.

Além dos depósitos relativos ao incentivo-matrícula, ainda estão programados os pagamentos das bolsas de incentivo-frequência dos estudantes nas aulas e participação no Enem. Os pagamentos seguem um cronograma que varia conforme o mês de nascimento do estudante.

Confira os prazos do calendário do Pé-de-Meia 2025 para o ensino regular:

Calendário Pé-de-Meia - Ensino regular

Confira os prazos do calendário do Pé-de-Meia 2025 para o EJA (primeiro semestre):

Calendário pé-de-meia - EJA - primeiro semestre

Confira os prazos do calendário do Pé-de-Meia 2025 para o EJA (segundro semestre):

Calendário pé-de-meia EJA - segundo semestre

Poupança do ensino médi

O programa federal do Ministério da Educação (MEC) funciona como um incentivo financeiro para que o estudante de baixa renda da rede pública permaneça na escola e se forme no ensino médio, sem abandonar os estudos para trabalhar.

O MEC afirma que o objetivo é democratizar o acesso ao ensino médio e reduzir as desigualdades sociais entre os jovens, além de promover a inclusão social pela educação.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 31/03/2025 - Saiba por que 1º de abril é o Dia da Mentira em diversos países
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Em muitos países, o dia 1º de abril é considerado o Dia da Mentira ou Dia dos Bobos. A data é uma oportunidade para brincadeiras, trotes e pegadinhas entre amigos. 

Nos Estados Unidos e na Inglaterra, a data é chamada de April Fool's Day (Dia dos Bobos de Abril). Na Itália e na França, a data é chamada de Peixe de Abril (Pesce d'Aprile, em italiano, e Poisson d'Avril, em francês). Uma das brincadeiras feitas pelas crianças e adolescentes é colar peixinhos de papel nas costas dos amigos. 

A tradição de 1º de abril nasceu na Europa no século XVI. Em 1582, diante do novo calendário cristão determinado pelo papa Gregório XIII, os mais resistentes à mudança teriam mantido as festas de ano novo na data antiga que variava do final de março ao dia 1° de abril. Assim, o dia ficou marcado como um “ano novo de mentira”, fazendo pegadinhas com compromissos marcados para essa data.

Há também relatos históricos que relacionam a data ao festival de Hilária - uma festa romana no período anterior ao nascimento de Cristo - que celebrava o equinócio de março em honra à deusa Cibele, a “Mãe dos Deuses", uma divindade que reunia aspectos das deusas gregas Gaia, Reia e Deméter.

No Brasil, a tradição foi introduzida em 1828, com o noticiário impresso mineiro “A Mentira”, que trazia em sua primeira edição a morte de Dom Pedro I na capa e foi publicado justamente em 1º de abril.

Histórias de mentiras

Além das brincadeiras entre amigos, algumas empresas e até veículos de comunicação já aderiram à tradição de fazer pegadinha com os consumidores. 

Em 1980, a emissora pública britânica BBC noticiou que o governo do Reino Unido trocaria o mecanismo de ponteiros do famoso relógio Big Ben por um mostrador digital. A brincadeira também dizia que a primeira pessoa a ligar para a rádio ganharia os antigos ponteiros do grande relógio como lembrança.

Nos Estados Unidos, em 1992, a National Public Radio (NPR), também uma emissora pública de comunicação, veiculou entrevista do comediante Rich Little em que ele se passava pelo ex-presidente Richard Nixon. O personagem afirmava que se candidataria novamente à Presidência naquele ano. Nixon havia renunciado durante processo de impeachment em 1974 pelo envolvimento no escândalo de Watergate, o que gerou revolta nos ouvintes. 

(Fonte: Agência Brasil)

– ou Da Presença Caxiense e Maranhense em Alguns Livros

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No último sábado (29/3/2025), em Fortaleza (CE), por benemerência do doador – mais que pelo mérito do recebedor –, chegou-me às mãos nada menos que dezoito preciosidades bibliográficas. Foram um presente, com gentis dedicatórias, do companheiro (de Rotary), colega (de escritas), confrade (de academia) e amigo (de sempre) José Augusto Bezerra, talentoso e, tanto quanto, ativo e operoso homem de cultura, membro e presidente de entidades de nome regional e nacional e autor de trabalhos de reconhecimento e premiação internacional.

No geral, os livros que me foram doados são obras de difícil conseguimento em livrarias e até mesmo em sebos. Acho que um dos itens, a coleção completa, de dez volumes (2009-2023) da revista-livro “Scriptorium” (veja mais abaixo), publicação da Associação Brasileira de Bibliófilos, é atualmente algo quase impossível de se obter.

José Augusto Bezerra, administrador de formação e confirmação, foi destacado gestor regional de empresa multinacional, de produtos e marcas mundiais, onde investiu talento e esforços e conseguiu resultados que o levaram ao mérito de ao menos oito medalhas de ouro. Foi professor universitário e um dos profícuos governadores do Rotary International, Distrito 4490, formado pelos Estados do Maranhão, Piauí e Ceará – morando em Fortaleza, fui um dos membros de sua Governadoria. Com semelhante denodo e eficácia, Zé Augusto administrou, como presidente, a Academia Cearense de Letras, o Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), a Academia Maçônica de Letras do Ceará, a Associação Brasileira de Bibliófilos, que fundou e onde continua à frente como gestor. É também membro da Academia Cearense da Língua Portuguesa, Academia Fortalezense de Letras, Academia Cearense de Retórica e de outras Instituições, nacionais e estrangeiras, inclusive somo sócio correspondente e benemérito.

Autor e coautor de rica bibliografia, José Augusto Bezerra cultiva em seus livros desde os assuntos de bibliofilia e bibliológicos em geral até o romance histórico e a História propriamente dita. Rica iconografia e detalhados textos são tratados, trabalhados, com adequados projetos gráficos, que se assentam sobre material de alta qualidade gráfico-industrial.

OS LIVROS

Entre essas obras “augustas”, de autoria ou coautoria, coordenação ou organização do dedicado autor cearense, listam-se grandes livros como “Uma História do Brasil em Manuscritos” e “Arquivos do Barão de Studart” (no singular na ficha catalográfica: “Arquivo”), os quais abordarei mais adiante, e também:

– “A Carta de Américo Vespúcio, em Lisboa (1504)”, com Ingrid Schwamboru (Edições UFC, Fortaleza, 2019; edição bilíngue: português/alemão, 228 páginas, formato 21 cm X 29,5 cm, ilustrado);

– “Haydn, Mozart e Neukomm na Corte Real do Rio de Janeiro (1816-1822)”, com Ingrid Schwamboru e Maria Elias Soares (Edições UFC, Fortaleza, 2010; edição bilíngue: português/alemão, 370 páginas, formato 17,5 cm X 25,5 cm, ilustrado);

– “Um Novo Olhar sobre ‘O Quinze’ de Rachel de Queiroz”, com Ingrid Schwamboru e Maria Elias Soares (Edições UFC, Fortaleza, 2014; edição bilíngue: português/alemão, 508 páginas, formato 17,5 cm X 25,5 cm, ilustrado);

– “XIX Instituto Rotário do Brasil” (Fortaleza, 1996, 216 páginas, formato 18,7 cm X 25 cm, ilustrado), uma bem documentada obra sobre encontro de administradores do Rotary International, realizado em Fortaleza na gestão distrital de José Augusto Bezerra; e

– “O Espírito do Sucesso”, definido como “romance épico baseado na vida de Alexandre, o Grande”, publicado em 2004, com 244 páginas, formato 14 cm X 21 cm, ilustrado – com segunda edição em breve, que certamente repetirá o êxito da primeira, merecedora de reconhecimentos como o de Marilda Corrêa Ciribelli, que considerou “O Espírito do Sucesso” uma das melhores obras do mundo sobre a vida de Alexandre da Macedônia, que viveu no século IV antes de Cristo. Marilda Ciribelli é especialista em História Antiga e Medieval, com estudos em Roma, professora doutora, titular do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Outras obras têm vindo a público tendo nos bastidores, para sua existência, a decisiva contribuição e esforço do José Augusto, entre elas a “Revista do Instituto do Ceará”, como em 2012, cujo volume, nº 126, tem mais de 340 páginas. Também, um livro “post-mortem” da notável escritora cearense, Rachel de Queiroz, com 35 poemas selecionados de entre rica e até inédita coleção de textos poéticos da autora de “O Quinze”. Trata-se, a seleta poética, de “Serenata: Poesias”, com apreciação de dois conterrâneos de Rachel: prefácio da escritora Ana Miranda e posfácio do próprio José Augusto. O mimoso livro, com formato 15 cm X 18,5 cm, tem 123 páginas e traz três fotos de Rachel de Queiroz em diversas fases da vida. Lançado em 2010, em abril de 2023 já estava na quarta reimpressão.

“SCRIPTORIUM”

Da Associação Brasileira de Bibliófilos, a revista “Scriptorium” é, por assim dizer, seu item de maior documentação e de mais exposição de conteúdos, informações, conhecimentos, às vezes em textos bilíngues. Verdadeira “pièce de résistance”, cumpre a dupla e difícil missão de alimentar mentes e perdurar em tempos dementes, de pouco caso com a leitura, em especial a leitura em suportes físicos, impressos.

A “Scriptorium” é um publicação diferenciada, dedicada, sobretudo, mas não apenas, a temas relacionados ao livro. “Noblesse oblige” – afinal, trata-se da publicação oficial da maior entidade do País a reunir colecionadores, cultores, leitores, em suma etimológica, amigos dos livros (daí, “bibliófilos”).

As edições de 1 a 10 era a coleção pessoal do próprio doador, que me disse que, posteriormente, saberá formar uma outra série completa. Tenho, portanto, motivo(s) para adubar cá dentro um sadio desvanecimento... Os dez números da exclusiva “Scriptorium” abarcam exatos 15 anos, de 2009 a 2023 (não saíram edições em 2011, 2014, 2017, 2020 e 2022; Lúcio Alcântara, médico, político, escritor e bibliófilo, editor da “Scriptorium” do início até hoje, registrou, em editorial, as razões: “dificuldades”, “óbices”, “elevação dos custos”, “pandemia”...).

As dez edições, com os editoriais, totalizam 124 textos bem distribuídos em 1.280 páginas, com dez a até catorze textos por edição, cada uma com diferente número de páginas, no mínimo 96 e máximo de exatas 200 páginas. À exceção da edição nº 4, todas as demais têm ilustrações. A partir do nº 3, “Scriptorium” traz reproduções de imagens, cartonadas, coloridas, encartadas em bolsa na terceira capa ou mesmo solta, dentro de cada exemplar.

O BARÃO

Em sua farta e fértil vida de médico e historiador, filho de comerciante britânico e de mãe com ascendentes políticos e empresariais, o cearense Guilherme Chambly Studart (1856-1938), o Barão de Studart, era comprometido em tudo que era: abolicionista ativo, católico militante, médico dedicado, historiador produtivo. O Ceará era sua seara. Mas às vezes, condescendente, se atinha a investir seu enorme e consistente talento cuidando de algum aspecto histórico relacionado a Estados como Pernambuco e Maranhão (como os documentos publicados em edição de 1906 da “Revista do Instituto do Ceará” relacionados a decretos de 1648, os quais o Barão ofereceu, respeitantes a “mercês” [recompensas, benefícios, presentes] para índios).

A grande obra “Arquivos do Barão de Studart”, com a coordenação geral de José Augusto Bezerra, tem 160 páginas em formato 28,8cm X 27cm. Reproduz mais de 170 documentos (fotos, mapas, tabelas, esboços, panfletos, correspondência etc.) . Gentil, Bezerra escreve na dedicatória: “Ao inspirado estudioso Edmilson Sanches, este escorço sobree a História, a Geografia e a Antropologia do Ceará. Um dos bons livros sobre a nossa Terra de Iracema”.

O Maranhão – de cujo território o Ceará capitania era parte –, em pelo menos uma dúzia de vezes é menção, referência nessa obra majoritariamente cearense. Logo na página 41 é reproduzido documento de 9 de julho de 1659, de Martim Soares Moreno (1586-1648), que já tinha estado no Maranhão em 1612, observando os franceses, e em 1615, auxiliando na expulsão deles. Nesse manuscrito, Moreno, militar português e capitão-mor do Ceará, manifesta insatisfação com a “dependência política” da sua capitania ao Estado do Maranhão. Ele lista justificativa para o Ceará ficar sob os cuidados de Pernambuco. Esse raro documento contribui também para ampliar o número de anos vividos por Martim Moreno, já que há registros dando conta de que ele teria morrido em Portugal “após 1648”. Agora, acrescente-se mais onze anos, devendo-se escrever “após 1659”.

Na página 42, documento assinado pelo marquês do Maranhão, “O Lobo do Mar” (o almirante britânico Thomas Cochrane, 1775-1860,) anuncia em 2/11/1824 recompensa para quem “prender” o “chefe insurgente” cearense coronel Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, 1789-1825 (não confundir com “Tristão de Alencar Araripe”, como está na obra, que foi o quinto dos nove filhos do coronel insurgente e tinha só quatro anos quando o pai, um militar revolucionário, foi assassinado pelas tropas do Império. A mando do imperador Dom Pedro I, o coronel Tristão esteve em minha cidade, Caxias (MA), e auxiliou o baiano José Pereira Filgueiras, o “Napoleão das Matas” e capitão-mor do Crato (terra de Tristão), a prender o general e comandante português João José da Cunha Fidié, em 31 de julho de 1823.

Na página 74, os “Arquivos” registram que “(...) Fortaleza era o porto mais próximo da Europa e se situava entre duas províncias economicamente importantes – Pernambuco e Maranhão.” Duas páginas depois, nova menção à terra maranhense: “Em 1882, a empresa American Telegraph and Cable Cº. Ltd. instala o Cabo Submarino ligando Fortaleza com o sul do país e o Maranhão. Estes serviços impulsionaram o desenvolvimento da capital na segunda metade do século XIX.” Logo adiante, na página 78, o registro de que, “nos anos de 1860”, a Companhia Maranhense de Navegação a Vapor, aportando nas cidades de Amarração, Granja, Acaraú e Fortaleza, era uma das três que “atracavam em portos cearenses”. Antes dos transportes, as comunicações: em correspondência de 24/5/1815, mostrada na página 83 dos “Arquivos”, Simplício Dias da Silva 1773-1829) pede agência dos Correios para sua terra natal, Parnaíba, e também “para Maranhão e Pernambuco”. A carta era dirigida ao à época governador-geral da capitania do Ceará, Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire (1778-1856), que governou o Ceará de 1812 a 1820. A lembrança do Maranhão por Simplício reforça a conexão que ele tinha com a província vizinha: ele estudou no Maranhão e, depois, no exterior; era um dos mais ricos homens do Piauí e do Brasil e em 1822 foi convidado por Dom Pedro I para ser o primeiro presidente da província do Piauí, convite que não aceitou em função dos muitos negócios que tinha.

O livro “Arquivos do Barão de Studart” continua com as menções ao Maranhão. Na página 103, se não a terra, um filho dela. Está: “É possível reconstruir a relação entre as Ciências Sociais, a Geografia e o pensamento médico brasileiro, através das obras de Nina Rodrigues e seus ‘Tratados de Antropologia Física’ (...)”. O maranhense Raymundo Nina Rodrigues (1862–1906), que faleceu em Paris (França) com 43 anos, foi médico (legista, epidemiologista, sexologista, dietólogo, psiquiatra e especialista em doenças tropicais), antropólogo, etnólogo, biógrafo, professor e escritor; é o fundador da Antropologia Criminal brasileira, primeiro a realizar estudos sobre a cultura negra no país e patrono da Medicina Legal do Brasil.

Na página 119, documento de 17/1/1907 trata da “separação entre Igreja e Estado na França”. Sobre o assunto, lateralmente: No Brasil, texto sobre a separação Igreja-Estado e a liberdade de crença e culto, redigido por Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), maranhense de Caxias, foi incluído na Constituição Brasileira de 1891. Até fevereiro desse ano a Constituição de 1824 estabelecia uma única religião – oficial –  para os brasileiros.

Na página 131 o livro mostra documento de 8/7/1656, em que o paraibano André Vidal de Negreiros (1606-1680), então governador e capitão geral da Capitania do Maranhão e do Grão-Pará, destaca, “em nome dos oficiais da Capitania do Ceará”, “o estado de miséria no qual se encontra a região (...)”. Foi uma necessária lembrança e cobrança, mas André Vidal logo deixaria o governo, transferindo-o para Agostinho Correia 77 dias depois da data dessa correspondência. Encerrava assim seu curto mandato, de 16 meses e 12 dias (11 de maio de 1655 a 23 de setembro de 1656).

O livro exibe ainda cópia de uma “relação do padre Luís Figueira, da Companhia de Jesus Superior, sobre mudanças a serem feitas no Maranhão e no Grão-Pará, com vistas a corrigir problemas relacionados à invasão de holandeses e franceses.” O documento manuscrito traz uma data, 2 de agosto de 1623. O religioso português Luís Figueira, nascido nos meados da década de 1570 e falecido em 1643, além de padre jesuíta, é autor da “Arte da Língua Brasílica”, tida como uma das primeiras gramáticas da língua tupi. Ele esteve em 1607 e 1608 no Ceará e no Maranhão. No Ceará participou da primeira missa realizada nesse território. No Maranhão, viu morrer em 10/1/1608 seu colega padre Francisco Pinto. Figueira escapou e escreveu e publicou sua “Relação do Maranhão”, obra onde relata o que aconteceu na atribulada viagem. O padre Figueira, que retornaria ao Maranhão em 1621, escreveria diversas outras obras, delas publicadas em Portugal: “Dificuldades da Missão do Maranhão”, de 1609; “Relação de Vários Sucessos Acontecidos no Maranhão e Grão-Pará (...)”, de 1631; "Missão que Fez o Padre Luís Figueira da Companhia de Jesus, Superior da Residência do Maranhão, Indo ao Grão-Pará, Camutá e Curupá, Capitanias do Rio das Amazonas, no Ano de 1636"; e também o “Memorial sobre as Terras e Gente do Maranhão & Grão-Pará & Rio das Amazonas” (1637).

Outros registros e menções e inter-relações devem (es)correr pelos textos postos e documentos expostos nos “Arquivos do Barão de Studart”. Trabalho para estudiosos e analistas mais percucientes. De todo modo, o Barão de Studart e descendentes comprovadamente têm o Maranhão como objeto de seus estudos e publicações. O fortalezense Carlos Studart Filho (1896-1982), que foi médico, jornalista, historiador, geógrafo, indianista e militar (chegou a general de divisão), escreveu “Fundamentos Geográficos e Históricos do Estado do Maranhão e Grão Pará” (358 páginas; Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1959) e “O Antigo Estado do Maranhão e suas Capitanias Feudais” (360 páginas; Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1960)

BRASIL EM MANUSCRITOS

 “Uma História do Brasil em Manuscritos”, de 2012, bilíngue, ilustrada, colorida, impressa em papel “couché” de 175 g/m2, 240 páginas, 30 cm X 30 cm, que mereceu o prestigioso Prêmio Fundação Calouste Gulbenkian, da Academia Portuguesa da História (Lisboa, Portugal), e também premiação da Biblioteca Britânica de Londres, na Inglaterra. O exemplar dessa obra que me chega vem com a dedicatória do seu autor, José Augusto Bezerra: “Ao grande tribuno e amigo Edmilson Sanches este mais completo livro de manuscritos do nosso País. (...). Estou terminando o volume dois. Quando estiverem juntos será uma importante obra sobre a História brasileira.”

Embora a observação do José Augusto, não é de todo necessária a desejada, esperada publicação do segundo volume para “Uma História do Brasil em Manuscritos” ser “importante”. O volume inicial tem sua autonomia e sua excelsa importância para os que sabem o que ele contém, o de que ele trata – e reconheça-se o tanto que se afadigou e investiu o autor para, primeira e continuamente, reunir e preservar tantos documentos primários, além, é evidente, de escrever, organizar, recorrer a especialistas (paleógrafos, bibliotecários, tradutores etc.). Ter um livro de peso (literalmente), de beleza e de utilidade desses nas mãos nem de longe comunica, ao leitor ou consulente menos reflexivo, o quanto há de gasto e desgaste para se apresentar finalmente uma obra assim às (não muitas) pessoas e instituições interessadas.

O Maranhão comparece com diversos registros nessa obra. Minha cidade, Caxias, está indiretamente presente na página 159, em texto sobre “O Pacificador” Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, título de nobreza que ele obteve em 1869, antecedido do título de marquês em 1852 e de conde em 1845 e, todos esses, corolário do título inicial, o de barão de Caxias, de 18 de julho de 1841.

Foi o nome de minha cidade que Luís Alves escolheu como denominação de seu título. Diferentemente do que alguns ainda não sabem, não é o município de Caxias que deve seu nome ao Duque; é o Duque que, “motu proprio”, “deve” o nome de seu título a Caxias.

Na “Bibliografia”, pelo menos dois autores que, mesmo um pouco forçadamente, vinculam-se a Caxias:

1) o carioca Octavio Tarquínio de Sousa (1889-1959), historiador e ex-presidente do Tribunal de Contas da União, era o marido da escritora, biógrafa e crítica literária mineira Lúcia Miguel Pereira (1901-1959), autora da festejada biografia “A Vida de Gonçalves Dias”, de 1952, sobre o grande poeta brasileira, maranhense, caxiense; e

2) os cientistas alemães Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, que estiveram em Caxias em 1819 e, doentes, foram bem atendidos, em inglês, por um médico caxiense formado no exterior. No volume 2 da sua monumental obra “Viagem pelo Brasil”, Spix e Martius relatam sua chegada a Caxias, a permanência na cidade, e fazem muitas observações acerca da economia, dos índios e do cotidiano de “uma das mais florescentes vilas do interior do Brasil”.

Dois textos, ao menos, lembram o município de Imperatriz, o segundo maior do Maranhão, após a capital:

1) um pouco da história da Imperatriz Teresa Cristina, a partir de uma carta autografa. Foi o título – Imperatriz – da nobre italiana que, em vida dela, deu-se ao futuro mais rico município maranhense, afora São Luís; e

2) uma carta do Visconde de Taunay (Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, 1843-1899, engenheiro militar, político, historiador, sociólogo, escritor, músico e professor carioca) para seu conterrâneo e colega militar, engenheiro e político, o marechal Conrado Jacob de Niemeyer (1831-1905). Na correspondência, Taunay escreve sobre a morte do engenheiro baiano André Pinto Rebouças (1838-1898), que havia se exilado na Europa, acompanhando Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina. André Rebouças esteve pelo menos três vezes no Maranhão (1861, 1864 e 1865) e foi quem primeiro pensou e planejou uma ferrovia conectando o sudoeste do Maranhão (vale dizer, Imperatriz) ao sudoeste de Minas Gerais. Era o famoso “Plano Rebouças”.

Além desses registros, há pelo menos três menções ao rio Tocantins, o majestoso curso d’água por onde vieram de Belém aqueles que por fim decidiram se assentar nas terras que seriam Imperatriz e fundaram a cidade em 1852. A obra augustiana traz registros sobre a descoberta do rio Tocantins, em documento e transcrições.

Cerca de uma dúzia de outros registros mencionam o Maranhão. Alguns desses registros:

... a fundação de São Luís pelos franceses em 1612;

... o único tribunal instalado no período de Dom João VI no Brasil, que foi no Maranhão e com jurisdição sobre outras quatro Capitanias, inclusive a do Ceará;

... uma cópia de documento impresso com comentário manuscrito e assinatura do maranhense José Pereira da Graça Aranha (1868-1931), magistrado, diplomata e escritor, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (1897) e um dos organizadores da Semana de Arte Moderna (1922), autor, entre outras, do romance “Canaã”;

... a transferência do bispo do Maranhão, em 1898, Dom Antônio Cândido de Alvarenga, há vinte anos no Maranhão, e que retornava no mesmo cargo religioso para seu estado e cidade natal, São Paulo, onde permaneceu até sua morte, em abril de 1903;

... introdução e primeiro capítulo de um livro manuscrito de 1685 intitulado “Noticiário Maranhense”, uma descrição “do Estado do Maranhão, suas contendas e peregrinas circunstâncias”, de autoria de João de Souza Ferreira; e

...documento de 7/8/1822 com nomeação de capitães do mato (ou capitães de campo), que eram homens encarregados de pequenas tropas que, a laço e a tiros, caçavam escravos fugidos.

Na rica “Bibliografia” da obra, com perto de trezentos itens (livros etc.) brasileiros e estrangeiros, anoto pelo menos três maranhenses:

1) o são-luisense ou ludovicense Josué Montello (1917-2006), com seu livro “História da Independência do Brasil”, obra de 1972, em quatro volumes, comemorativa do sesquicentenário;

2) o advogado, jornalista, ex-deputado (cinco vezes) e ex-senador Cândido Mendes de Almeida (1818-1881), autor do “Atlas do Império do Brasil”, de 1868. Cândido Mendes nasceu em 14 de outubro de 1818, em Brejo (MA). Entretanto, em 1818 a povoação situava-se no município de Caxias. Somente por alvará de 29 de janeiro de 1820 a povoação foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Caxias, mas menos de três meses depois, decreto de 18 de abril de 1820 tornou Brejo um distrito, voltando a ficar subordinado a Caxias. Brejo só ganhou autonomia, como cidade, meio século depois, em 11 de julho de 1870, conforme a Lei Provincial nº 899; e

3) o não menos maranhense Bernardo Pereira de Berredo e Castro, historiador e administrador colonial nascido em Portugal. Governou o Maranhão de 1718 a 1722. Para fortalecer a colonização do estado, realizou entradas para o interior, inclusive aos rios Itapecuru, da minha infância, e Tocantins (da adultez). De seu viés historiador, deixou uma obra muito conhecida no meio intelectual (professores, historiadores, pesquisadores), publicada em Lisboa em 1749, um ano após a data provável de sua morte: “Anais Históricos do Estado do Maranhão, em que se dá Notícia do seu Descobrimento e Tudo o mais que Nele tem Sucedido desde o Ano em que foi Descoberto até o de 1718”.

*

Eis aí, com os possíveis e prováveis lapsos, um breve apanhado de registros sobre / de alguns dos livros que formaram o conjunto de dezoito volumes/obras que me chegou pelas mãos e benquerença do empresário, administrador, escritor e bibliófilo cearense José Augusto Bezerra.

Que estas anotações possam ter alguma utilidade. Senão, à maneira de Gonçalves Dias em seus “Primeiros Cantos” (1846), eu as fiz para poucos, e contentar-me-ei se alguns mais as apreciarem; e se, ainda assim, estas escritas não forem úteis, terei sempre tido a satisfação de tê-las escrito.

* EDMILSON SANCHES

FOTOS:

Os números 1 e 10 da publicação “Scriptorium”, da Associação Brasileira de Bibliófilos. Os livros “Arquivos do Barão de Studart” e “Uma História do Brasil em Manuscritos” e o autor, José Augusto Bezerra, com Edmilson Sanches, em solenidade na Academia Cearense de Letras.

Rio de Janeiro (RJ), 31/03/2025 - Cine Concerto da Orquestra Petrobras Sinfônica. Foto: Daniel Calvet/Orquestra Petrobras Sinfônica

No Cinema Mudo, como o nome já diz, não se ouviam os diálogos dos atores. Era com a presença de músicos nos locais de exibição dos filmes que a trilha sonora ditava a intensidade das cenas e ajudava no desenvolvimento do roteiro. Com o tempo, as vozes dos atores puderam ser gravadas e incorporadas ao filme, e os instrumentos musicais saíram de cena, dando lugar à trilha gravada, como vemos nos cinemas até hoje.

Uma experiência, no entanto, vai misturar esses dois momentos nesta semana, e o público vai poder se envolver, ao som de uma orquestra, com a história de um filme nacional consagrado por sua história e também por sua comovente trilha sonora: Central do Brasil.

Nesta quarta (2) e quinta-feira (3), o clássico do cinema brasileiro vai ser assistido com a sua trilha incidental, que são músicas compostas especialmente para o filme pelos músicos Jaques Morelenbaum e Antônio Pinto, executadas ao vivo pela Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES), no Teatro Riachuelo, no Passeio, centro do Rio.

Rio de Janeiro (RJ), 31/03/2025 - Cena do filme Central do Brasil. Foto: Videofilmes/Divulgação

O maestro Alexey Kurkdjian Ogalla, que vai reger a OPES no Cine Concerto Central do Brasil, disse que este formato de concerto tem sido muito apresentado no exterior e atrai bastante o público, tanto o fã e apreciador da música sinfônica de orquestra, quanto um público que ainda não está tão familiarizado com concerto sinfônico, mas que é fã de cinema.

“Isso acaba atraindo esses dois públicos e formando um público ainda maior. É muito interessante. Aqui no Brasil, essa forma de espetáculo está começando a ficar mais popular”, completou em entrevista à Agência Brasil. “É um resgate de uma tradição que se foi”.

De acordo com o maestro, o público tem gostado e comparecido à série de cine concertos que tem a curadoria de Anselmo Mancini, apresentados pelo Brasil e também em Portugal. 

“Essa é a minha estreia como regente convidado e não consigo encontrar palavras para expressar a minha alegria e como me sinto honrado em ter sido chamado para este espetáculo, ainda mais sendo uma orquestra a que eu cresci, praticamente, assistindo. Considero uma coroação na minha carreira reger a Petrobras Sinfônica neste momento e neste Cine Concerto”, revelou.

Segundo o maestro, esse é um desafio ainda maior porque é necessário executar a trilha do filme no mesmo instante em que ele está sendo exibido.

“É um processo que exige o dobro de atenção e de cuidado no preparo de todo esse material. A sensação é maravilhosa. Sou muito fã de cinema desde pequeno. Tenho ator e diretor na família. Então, é uma coisa que já vem de casa e sempre fui muito fã de trilha sonora também. Juntar essas duas coisas é um prazer maravilhoso. É uma experiência maravilhosa, tanto para mim, que sou regente, quanto, com certeza, para os músicos”, relatou, destacando que os compositores da triha sonora tocarão junto com a orquestra.

Rio de Janeiro (RJ), 31/03/2025 - O músico e compositor Antônio Pinto. Foto: Orquestra Petrobras Sinfônica/Divulgação

Trilha sonora comovente

O fato de o filme ser Central do Brasil torna a apresentação ainda mais emocionante. “É um filme que exige, que tem uma trilha sonora muito tocante e dramática, muito bonita e com um toque do minimalismo. Traz também alguma coisa da tradicional música brasileira. A gente tem duas vertentes. Tem um pouco da música clássica contemporânea e da música tradicional brasileira. O filme é uma obra de arte e merece todo o cuidado e preparo. É tudo muito delicado. Entre todos os Cine Concertos que eu conheço esse é um dos mais tocantes, emocionantes”, analisou.

O curador do espetáculo, Anselmo Mancini, teve contato com este modelo de apresentação quando morava fora do Brasil e, desde o seu retorno ao país, começou a desenvolver projetos nesse sentido. Ele conta que tem conseguido tanto sucesso com a iniciativa que, este mesmo concerto, com o filme Central do Brasil, foi executado no Festival Mate, em Coimbra, em Portugal.

A escolha do teatro não podia ser melhor, acredita a porta-voz do Teatro Riachuelo, Aniela Jordan. O prédio em que o teatro funciona abrigou o Cine Palácio, fechado em 2008. Depois de uma obra de dois anos, a casa foi reaberta em 2016. “É um espaço tombado, e a gente teve que fazer tudo dentro das normas do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]. É um teatro que prima pela qualidade, o que faz com que hoje, oito anos depois de inaugurado, o público venha, porque, mesmo que não saiba o que vai assistir, sabe que é alguma coisa de qualidade. O teatro conquistou esse lugar”, afirmou à reportagem.

Aniela também contou ter memórias afetivas ligadas ao antigo Cine Palácio, incluindo uma coincidência. “É uma volta às origens. Ele foi um cinema muito tradicional, eu, inclusive assisti a Noviça Rebelde, quando tinha 5 anos de idade, neste cinema e depois, no ano passado, eu produzi o musical Noviça Rebelde aqui”.

Para o diretor de Projetos da Orquestra Petrobras Sinfônica, Marcos Souza, a narrativa do filme “cresce absurdamente” com a participação dos compositores Jaques Morelenbaum e Antônio Pinto, mostrando, ao vivo, a trilha sonora que foi pensada exclusivamente para cada cena.

“Estar com os compositores no palco, que pensaram aquela música como uma narrativa que super funcionou, e vendo o filme com a orquestra tocando na hora, é muito mais emocionante. É como se estivesse dentro do filme. Para a gente, vai ser muito emocionante. O Central do Brasil tem um peso muito grande, e a indicação [ao Oscar] da Fernanda Montenegro também, aliás mãe e filha [Fernanda Torres com o filme Ainda Estou Aqui]. Que dupla, e com o mesmo diretor [Walter Salles]", analisou.

“A música tem uma narrativa, com as composições do Jaques Morelenbaum e do Antônio Pinto, pontuando cenas emblemáticas, como aquela da carta que a Fernanda Montenegro escreve para o menino. Se você ouvir a trilha no Spotify [plataforma de música] estará lá, inclusive, com a fala dela, de tão forte que ficou. Acho que a gente tem que valorizar mais o cinema brasileiro e mostrar a importância da trilha. A música é parte do audiovisual e conta uma história também. Quando uma música entra, ela prepara uma cena, te emociona, segue um ambiente. Tem muitas formas de ser usada como narrativa”, destacou.

Celebração do cinema nacional

Marcos Souza disse que a escolha do Cine Concerto com Central do Brasil foi antes desse movimento que se ampliou com a indicação do filme Ainda Estou Aqui. Quando soube da apresentação no festival de Portugal, fiz o convite a Anselmo Mancini para realizar no Rio, com a Orquestra Petrobras Sinfônica. “É um momento muito feliz de a gente compartilhar a felicidade de ter o mesmo diretor com o primeiro Oscar do Brasil. A gente está, na verdade, celebrando o cinema brasileiro, Walter Salles e as Fernandas, no palco de um cinema [na origem], com a possibilidade de o público ouvir o filme”, afirmou.

O concerto está incluído na Temporada 2025 da Orquestra Petrobras Sinfônica, que celebra 50 anos de história. A OPES foi fundada por Armando Prazeres e é uma das únicas no mundo gerida pelos próprios músicos. O maestro Isaac Karabtchevsky, que é atual diretor artístico, lidera o conjunto com a missão de aproximar o público da música de concerto.

Rio de Janeiro (RJ), 31/03/2025 - Cena do filme Central do Brasil. Foto: Videofilmes/Divulgação

(Fonte: Agência Brasil)