O prazo para que os aprovados na segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) confirmem o interesse na vaga, na segunda rodada de convocação, termina às 23 horas e 59 minutos desta segunda-feira (2), no horário de Brasília.
Ao acessar o sistema, o candidato consegue visualizar exclusivamente o cargo referente à sua convocação.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) destaca que “é importante finalizar todas as etapas do processo no sistema [da FGV]. Apenas acessar a plataforma não é suficiente”, explicou o comunicado da pasta.
Conforme o edital, nesta edição do CNU, a confirmação ocorre para um único cargo por rodada de manifestação de interesse pelo candidato.
Convocação
O novo grupo foi convocado para a segunda rodada de confirmação de interesse nas vagas imediatas da segunda edição do CNU na última sexta-feira.
A convocação dos candidatos foi publicada no Diário Oficial da União e ocorreu após a atualização das listas de classificação do CNU 2025. O MGI retirou dessas listas os nomes dos candidatos convocados na primeira rodada que não manifestaram desejo de continuar no processo.
A nova rodada de convocação reúne tanto os candidatos que estão sendo chamados pela primeira vez pela organização do certame, quanto as pessoas que, após a primeira rodada de confirmação de interesse, passaram a ocupar uma posição em cargo de maior preferência.
Das 409 pessoas convocadas, 86 haviam sido convocadas na primeira manifestação e confirmado interesse e tiveram sua manifestação positiva registrada automaticamente no sistema da FGV.
Na segunda rodada, essas 86 pessoas foram chamadas para cargos de maior preferência.
Rodadas de confirmação
Ao todo, o CNU 2025 terá três rodadas de confirmação de interesse nas vagas, antes da divulgação de todas as listas definitivas de classificação em vagas imediatas e na lista de espera.
Em cada rodada, o registro de interesse poderá ser realizado uma única vez, não permitindo edição posterior, mesmo que ainda esteja dentro do prazo.
Haverá ainda uma 3ª rodada, das 10h de 7 de março até às 23h59 de 9 de março.
O resultado final está previsto para 16 de março e vai considerar as respostas dos candidatos convocados em todas as três rodadas de confirmação de interesse pela vaga.
CNU 2025
A segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado oferece 3.652 vagas distribuídas em 32 órgãos federais.
Do total de vagas, 3.144 são de nível superior e 508, de nível intermediário. Os cargos serão agrupados em nove blocos temáticos.
O chamado Enem dos Concursos registrou 761.528 inscrições confirmadas de pessoas inscritas de 4.951 municípios brasileiros.
As provas foram aplicadas em centenas de municípios de todo o país. A primeira fase, de provas objetivas, ocorreu em outubro. A segunda, de discursivas, em dezembro.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta segunda-feira (2), o resultado da segunda chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) do primeiro semestre de 2026.
A lista pode ser consultada no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na aba do Prouni. É preciso fazer login da plataforma Gov.br.
O Programa Universidade para Todos (Prouni) oferece bolsas de estudo integrais (100% de gratuidade do valor da mensalidade) e parciais (50%) em universidades particulares para estudantes de baixa renda.
Documentação comprobatória
Entre os dias 2 e 13 de março, os pré-selecionados precisam entregar a documentação que comprove as informações prestadas em sua inscrição diretamente na instituição privada de educação superior em que foram selecionados.
O estudante pode comparecer à faculdade privada para entregar fisicamente aos colaboradores a documentação, nos locais de oferta de curso superior. Outro meio é o encaminhamento da documentação virtualmente, por meio eletrônico disponibilizado pela instituição, em um campo específico, em sua página na internet.
Bolsas
O requisito para ter a bolsa integral é comprovar a renda familiar menor ou igual a um salário mínimo e meio por pessoa. Para a bolsa parcial (50%), a renda familiar não pode ultrapassar três salários mínimos por pessoa.
O MEC comemora que a edição de 2026 é a maior da história do Prouni, com 22 anos de existência.
Neste ano, estão sendo ofertadas 595.374 bolsas, em 895 cursos de 1.046 instituições privadas de ensino superior de todo o país.
Certificação do ensino médio
Os candidatos com 18 anos ou mais que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2025 – e se enquadram nos pré-requisitos previstos no edital do Enem – devem requerer a declaração de conclusão para apresentar na faculdade.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou documento autenticado na Página do Participante do Enem, o que permitirá a pré-matrícula dos pré-selecionados em instituições de educação superior de candidatos do Prouni.
Segunda chamada
Para quem está de olho nas vagas remanescentes e não foi selecionado na primeira e segunda chamadas, deverá manifestar seu interesse em participar da lista de espera do Prouni, entre os dias 25 e 26 de março de 2026, por meio Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
Todas as informações sobre as regras do processo seletivo estão no Edital nº 2/2026.
Um novo eclipse lunar está previsto para o dia 3 de março. O fenômeno sempre mobiliza curiosos e especialistas, mas, desta vez, o Brasil não estará na melhor posição geográfica para acompanhar o espetáculo completo da chamada Lua de sangue.
O fenômeno ocorre quando há um alinhamento preciso entre Sol, Terra e Lua.
“A Terra se coloca entre o Sol e a Lua. Então, a Lua fica atrás da sombra que a Terra projeta. É um alinhamento desses três corpos”, explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Segundo ele, no eclipse parcial vemos a sombra da Terra avançando sobre o disco lunar, como se fosse “uma mordida” escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total, ocorre o fenômeno mais aguardado.
“Quando ela está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. Mas atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Só a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso, a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol”, afirma.
O apelido Lua de sangue, segundo o astrônomo, é mais uma expressão de impacto popular do que um termo científico, mas traduz bem o efeito visual provocado pela filtragem atmosférica.
A notícia, porém, não é animadora para a maior parte do território brasileiro.
“Infelizmente, na maior parte do Brasil a gente só vai ver o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e que é um efeito difícil de perceber”, diz Thiago.
Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorre por volta das 6h da manhã, já com a Lua muito baixa no horizonte oeste e pouco antes de o nascer do Sol, o que dificulta ainda mais a observação.
A situação melhora levemente na Região Norte. No Acre, Rondônia e oeste do Amazonas, será possível acompanhar parte do eclipse parcial. “No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, explica.
Ainda assim, ele ressalta que o Brasil não é o melhor ponto do planeta para este eclipse. As condições ideais estarão no Pacífico, em regiões como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a totalidade será plenamente visível.
Etapas
A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional , detalha que todo eclipse total da Lua passa por cinco etapas: penumbral, parcial, total, parcial e penumbral novamente.
“O eclipse penumbral ocorre quando a Lua entra na sombra mais clara da Terra. Nessa fase, quase não percebemos diferença no brilho. Depois, quando começa a entrar na sombra escura, tem início o eclipse parcial, quando vemos a Lua ficando cada vez mais escura, em formato de mordidinha”, explica.
O eclipse total acontece quando a Lua está completamente imersa na umbra – a parte mais escura da sombra terrestre.
No caso do eclipse de 3 de março, porém, o Brasil verá apenas as fases iniciais. “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não vai ver o eclipse total”, afirma Josina.
Cronograma (horário de Brasília):
5h44 – início do eclipse penumbral
6h50 – início do eclipse parcial
8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)
Quanto mais a oeste a localização, maior será a porcentagem de obscurecimento. No extremo oeste do país, o encobrimento poderá chegar a 96% – muito próximo da totalidade, mas ainda tecnicamente classificado como parcial.
Segundo a astrônoma, eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil, mas teremos que esperar para rever um espetáculo completo. “Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o país”, destaca Josina.
Ainda em 2026 haverá um eclipse parcial quase total (93% de magnitude) visível em todo o território nacional, na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais. Já em 2028 haverá eclipses parciais, mas nenhum total visível no Brasil.
Temos 26 letras e com elas já escrevemos todas as cartas de amor e todas as declarações de guerra.
... Com essas letras, falamos as palavras mais suaves e também dissemos as mais ásperas.
... E todas essas letras e palavras são insuficientes para dizer do silêncio e do infinito da beleza que se faz sentido(s) em nós dois nos sentindo...
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Temos 10 algarismos, do zero ao nove, e com eles fazemos todas as contas astronômicas e todos os cálculos microscópicos.
... Com esses algarismos, construímos números de fortunas, percentuais de lucros e quantidades de pobreza, fome, miséria.
... E todos esses algarismos e números não são bastante para somar esperanças, subtrair preconceitos, multiplicar respeito, dividir fraternidade...
– e também se mostram insuficientes para dar alguma medida a sentimentos que mais são aumentados quanto mais são repartidos.
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Temos 7 notas musicais e com elas compusemos todas as sinfonias mais celestiais e todas as músicas-grude mais "infernais".
... Com essas notas, embalamos todas as cantigas de ninar a vida que nasce e também escrevemos em partituras todos os réquiens de chorar a vida que se (es)vai.
... E todas essas notas musicais são insuficientes para (re)produzir o desassossego de suspiros e os sonidos de gemidos que emanam de ti em manhãs tardes e noites de amor.
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Temos inúmeros modos, jeitos, maneiras, atos e atitudes, ritos e rituais, liturgias e liberdades para nos expressarmos ante o imponderável – amor e morte, beleza e violência, frustração e gozo, o universo fora e dentro de nós.
Tudo – letras e palavras, algarismos e números, sons e sonoridades –, tudo é nada ante a hora derradeira, o momento último, o instante extremo, a explosão sequencial, o suspiro final, a calma temporal...
O Ministério da Educação (MEC) prorrogou, até quarta-feira (4 de março), o prazo para a adesão dos cursinhos populares interessados em participar da edição de 2026 da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP).
As adesões devem ser feitas eletronicamente pelo Sistema da Rede Nacional de Cursinhos Populares, com login da plataforma Gov.br com dados básicos da instituição e informações sobre equipe, estudantes e atividades.
A rede CPOP oferece suporte técnico e financeiro a cursinhos pré-vestibulares populares e comunitários de todo o país visando preparar os estudantes socialmente vulneráveis para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal porta de entrada na educação superior no Brasil. Em 2026, 92,4% dos bolsistas do CPOP participaram da última edição do Enem.
Para ajudar os cursinhos populares neste processo, o MEC desenvolveu um guia com o passo a passo para a inscrição.
Edição 2025
Em 2026, o MEC vai apoiar 514 cursinhos populares. Desses, 384 já receberam apoio técnico e financeiro e continuarão a participar do programa, enquanto outros 130 novos cursinhos serão selecionados.
Para este ano, o investimento total previsto é de R$ 108 milhões.
Os cursinhos que preparam estudantes para o acesso ao ensino superior e integram a CPOP podem solicitar a prorrogação do apoio federal. Antes, é preciso apresentar o relatório final de atividades prestadas e ter a prestação de contas aprovada.
Quem pode participar
Conforme o edital, podem concorrer ao apoio do governo federal cursinhos populares legalmente registrados, cursinhos informais (por intermédio de instituição operadora), iniciativas vinculadas a projetos ou programas de extensão e redes de cursinhos populares.
As propostas deverão atender, prioritariamente, estudantes de escolas públicas, negros, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência (PCD) e com renda familiar por pessoa de até um salário-mínimo (R$ 1.621, em 2026).
Apoio técnico e financeiro
Cada cursinho popular selecionado poderá receber até R$ 208 mil. Esse valor contempla o apoio financeiro para educadores, coordenadores e profissionais de apoio técnico-pedagógico e psicossocial e também o valor destinado à aquisição de recursos materiais para as atividades administrativas, além do auxílio permanência de R$ 200 mensais pago a cada estudante da unidade ao longo da preparação.
O auxílio permanência ao aluno será pago por até oito meses e poderá atender de 20 a 40 estudantes por cursinho selecionado.
Rede CPOP
Em 2025, o programa do MEC selecionou 384 cursinhos, beneficiando mais de 12,1 mil estudantes em todas as regiões do país. O investimento federal foi de R$ 74 milhões.
Cada cursinho contemplado recebeu até R$ 163,2 mil para o pagamento de professores, coordenadores e apoio técnico-administrativo, incluindo auxílio-permanência de R$ 200 mensais para cada alunos, limitado a 40 beneficiários por unidade.
Neste 4 de março de 2026, a querida amiga e minha diretora em todo o ensino médio completa 98 anos. Quem disse que vaso bom não dura muito?! Eis, então, um bom, ótimo, excelente e superior exemplo: Irmã Maria Gemma de Jesus Carvalho, a inesquecível Irmã Clemens, diretora do Colégio São José, da Associação das Irmãs Missionárias Capuchinhas em Caxias (MA).
A longa e profícua vida de Irmã Gemma já supera, com 18 anos a mais, os 80 anos médios de vida da mulher no Brasil e, com 22 anos a mais, os 76 anos que, em média, vive o brasileiro em geral. Irmã Gemma caminha – agora devagar, com passos compassados – rumo a um número fortemente simbólico, em especial quando se trata da vida humana: CEM ANOS, um século de existência logo ali, daqui a dois anos, em 2028.
Irmã Gemma é essa mulher que viveu e vive a singular beleza de ser marco na Educação caxiense e deixar marcas positivas em dois séculos e dois milênios.
Em sua grandiosidade de 98 anos, todo tempo importa, cada momento é uma vitória para a Irmã Gemma. Na ponta do lápis, seus 98 anos são 1.176 meses, 5.113 semanas, 35.794 dias, 859.056 horas, 51.543.360 minutos. Para efeito de cálculo, tomando-se como base a meia-noite de quarta-feira, 4 de março, e o meio-dia do domingo em que ela nasceu em 1928, Irmã Gemma terá, no tique-taque da vida, onde cada segundo importa, 3.092.601.600 segundos – três bilhões...
Se os números, em sua secura e exotismo, já não fossem admiráveis, admiráveis teriam de ser, por representarem, em quantidade de tempo, a qualidade de vida uma mulher de quem, humilde e honradamente, me considero amigo.
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Estudei na segunda metade dos anos 1970 no Colégio São José, em Caxias (MA). Era o segundo grau, hoje ensino médio, três anos. Eu vinha da escola pública, o Ginásio Duque de Caxias, do Projeto Bandeirante. Aos 13 anos, passei em um seletivo ou seleção do Banco do Brasil e, depois de exame admissional de saúde com o médico Humberto Coutinho, na Casa de Saúde e Maternidade de Caxias (Rua Libânio Lobo, no prédio que ficou conhecido como “Sinhá Castelo”), fui admitido como o primeiro menor estagiário ou menor aprendiz da agência do maior banco do país em Caxias. Mesmo ainda rapazote, raciocinei: “Se o salário de menor trabalhador dá para pagar uma escola particular de segundo grau, por que ocupar uma vaga em escola pública, que pode servir para outro aluno como serviu para mim?”
Fui para o São José e, já no primeiro ano de estudo, candidatei-me a presidente do Grêmio Santa Joana d’Arc. Fiquei na vice-liderança. O Roldão Ribeiro Barbosa, hoje professor-doutor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), ficou em 1º lugar, mas, pouco tempo depois, abdicou e eu fui empossado à frente do Grêmio.
Foi sobretudo por essa função na Organização Estudantil da respeitada Escola capuchinha que passei a ter vez e voz e interações com a Direção do Colégio São José – vale dizer, com a diretora Irmã Clemens (como era Irmã Gemma chamada e mais conhecida à época).
Nos demais anos do ensino médio, meu trabalho para o alunado desde o primeiro ano credenciou-me a reeleições sucessivas, anuais. Fui eleito e reeleito em 1975, 1976 e 1977.
E Irmã Gemma / Clemens acompanhando... No fim do terceiro e último mandato, dela recebi um diploma pelo “atuante desempenho no Grêmio na função de Presidente (1975/1977)”.
Depois que passei décadas e décadas fora de Caxias, deixando pegadas e digitais em, pelo menos, dezenove Estados brasileiros, além de Europa e Estados Unidos, sempre que retornava a Caxias visitava o Colégio e a “casa das Irmãs”, no centro de Caxias. As emoções eram sempre a surpresa carinhosa e a recepção bondosa, com Irmã Gemma, Irmã Sueli, Irmã Rita, Irmã Eucaristia e outras religiosas querendo saber de mim, ou dizendo que acompanhavam à distância essas e aquelas informações sobre minha vida etc. etc.
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Irmã Gemma faz 98 anos. Trago, de presente, lembranças do passado: o texto “Uma Irmã de Ouro”, que escrevi e publiquei em 11 de junho de 2000, quando a querida Irmã completou 50 anos de vida religiosa. Vamos rever/reler, abaixo.
A essa altura do campeonato, nesse nonagésimo oitavo aniversário de Irmã Gemma, desejar-lhe muitos anos de vida e querer dar a ela o que nós não tempos – e que ela, pela Graça de Deus, tem de sobra... e tendo feito boa obra.
Mas podemos orar para o bom Deus, para que Ele conceda a tão devotada filha Sua a dádiva da saúde, da paz e do encanto que é a benevolência divina para com essa Sua escolhida para a Obra espiritual e educacional.
Paz e Luz, Irmã Gemma!
(EDMILSON SANCHES)
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UMA IRMÃ DE OURO
(escrito e publicado em 11 de junho de 2000, nos 50 anos – jubileu de ouro – de vida religiosa da Irmã Maria Gemma de Jesus Carvalho)
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Domingo passado, dia 11 [de junho de 2000, a cidade de Caxias testemunhou um momento raro: 50 anos de vida religiosa de uma de suas mais queridas freiras, a Irmã Gemma Carvalho, diretora do Colégio São José.
Natural de Oeiras, Maria Gemma de Jesus Carvalho foi a primogênita entre os três filhos de Dona Natividade e "seu" Mílton (que tiveram também Antônio Carlos, militar da reserva e professor universitário, e Luís Geraldo, auditor da Receita Federal, aposentado).
Foi em Teresina que "tudo" aconteceu. Enviada para continuar os estudos na capital do Piauí, a jovem e bela Maria Gemma pretendia fazer Medicina. Queria tratar dos males do corpo. Não deu certo. Decidiu-se por cuidar das coisas do espírito e da mente. Quis ser freira e professora.
O que levou uma jovem atraente, inteligente, bem posta (era secretária do governador do Estado, José da Rocha Furtado, no Palácio de Karnak), festeira (dançava muito bem valsa e tango "y otras cositas más" nos bem-comportados bailes da época) a seguir uma vida de limites, rações e orações?
Há algo de indizível, de indecifrável, às vezes inadmissível mas quase sempre inafastável, em uma decisão que fuja dos padrões ditos e tidos como pragmáticos, impostos pela tal "vida moderna". Em 1948, isso aconteceu a Maria Gemma de Jesus Carvalho, que, em vez de formar-se médica, preferiu rimar "religião" com "educação".
No seu nome, algo como que já vaticinado: "Maria" e "de Jesus" a liga aos hagiônimos, aos nomes sagrados; "Gemma" traduz rica semântica – alimento e joia, ambos preciosidades, referência de valor –; e "Carvalho" lembra fortaleza, longevidade, persistência no tempo, com oferta de sombra, para os exaustos do caminho, e lenho, para os carentes de calor.
Com essa riqueza e predestinação onomástica, Maria Gemma apresentou-se para servir a Deus por intermédio de suas criaturas: Jesus Cristo e os seres humanos, elementos cheios de imperfeições e aspirações.
Foi Irmã Eucaristia (também piauiense, de União, e igualmente dos quadros do Colégio São José) quem a encaminhou, em Teresina, à Irmã Filomena, que repassou à pretensa noviça as primeiras informações e orientações sobre o "peso" e as consequências da decisão de ser freira. As duas, Eucaristia e Maria Gemma, se davam muito bem, reproduzindo a igual amizade que havia entre os pais de ambas – Arminda Barros e Benedito de Jesus Nery, os pais de Eucaristia. Em 1950, Maria Gemma de Jesus Carvalho fez sua profissão de fé.
O Colégio São José, criado em 1937, esperou 20 anos por sua mais permanente diretora. Irmã Clemens (era esse seu nome religioso na época) chegou em 1957 em Caxias e até hoje dirige o sexagenário educandário. Estudiosa, igualmente dedicada aos ensinos do século e do sagrado, Irmã Gemma Carvalho estudou Letras Neolatinas e Ciências Religiosas no Rio de Janeiro. Foi além e aperfeiçoou-se em cursos de pós-graduação. De vez em quando, sua competência como educadora e administradora afastava-a de Caxias para realizar outras missões que a Ordem lhe atribuía, como organizar colégios, entre eles o Divina Pastora, de São Luís.
Durante três anos, de 1975 a 1977, convivi mais diretamente com Irmã Gemma Carvalho. Cursei o 2º grau (hoje, ensino médio) e, nesse período, fui o presidente do grêmio (o Santa Joana d'Arc – a propósito, cadê a estudantada de hoje, que ainda não reativou essa saudosa e histórica agremiação caxiense? Ficam me devendo esta).
Como líder estudantil, tive a obrigação (na época) e orgulho (hoje) de ter, entre os "liderados" expressões culturais, profissionais, políticas e humanas do naipe de Jamil Gedeon e Fauze Simão (irmãos), Renato e Silvana Menezes (irmãos), Jorge Bastiani, Jandir e Jorge Gonçalves (irmãos), Erlinda Bittencourt, Sinésio Santos Filho (Sinesinho), Kátia e Daniele Gonçalves (irmãs), Sezostris Paé Lima, Fátima Viana, Letícia, Eugênia, Celeste e Marcus Antônio de Vasconcelos Assen (irmãos), Nise Bandeira, Adalgisa, Roldão (a quem substituí no Grêmio), Jorge "Maracujá", Paulo Augusto Queiroz Baima Pereira, Jofran, Arsênio, os irmãos Mário Barros Filho e Raimundo Guilherme, os irmãos Guilhermina, Raul Germano e Hélvio de Sousa Vilhena, Zequinha, Jeane e Jane Alves Costa (irmãs), José Carlos e Manoel Alencar (filhos de Teresinha e netos de Dadá, minhas vizinhas na rua Bom Pastor), os irmãos Manoel e Antônio Carlos, Jaldo, as irmãs Márcia e Rosângela...Tantos e tantos colegas, conhecidos, amigos... Não cito mais porque, como dizem, o tempo voa e as palavras vão a pé (não tenho culpa se o correr da pena não acompanha o correr dos anos).
E as professoras, essas suportadoras, que "padeciam" no paraíso de nossa infância e juventude? Enriquecendo a nossa mente e, muitas das vezes, balançando o coração pueril e suas vontades imberbes, postavam-se ali, à nossa frente, dando-nos aulas de ofício e, por nossa conta, lições e ilações – sufocadas e sufocantes – de desejo. Coisas da mente menina de nós meninos...
São esses, entre outros, os tempos que nestes dias se ressuscitam, no encontro de ex-alunos e sempre colegas, em volta do Jubileu de Ouro de Irmã Clemens, ou melhor, Gemma Carvalho.
Caxias tem um fabuloso passado. Mas o que nos deve sustentar é seu potencial de futuro. Nesse potencial inclui-se a preservação e cultivo (não adoração, mas respeito) de sua história e os agentes dela. Os caxienses de hoje estão devendo a seus antepassados e pósteros uma Caxias como a de ontem, feita de fé e fibra, percebida nacionalmente como terra de luta e cultura, de resistência e permanência.
Alguma coisa – um nome, uma ideia, uma instituição, uma causa – há de voltar a mobilizar esta cidade, para que possamos, ao lado do orgulho pelo passado, ter confiança em um futuro.
Partes desse passado, presente e futuro encontraram-se neste 11 de junho de 2000. Os 50 anos de Irmã Gemma Carvalho não deve ser apenas uma data, mas um marco. Um marco de história, a ser fincado também por outras pessoas e personagens caxienses.
Irmã Gemma Carvalho está consciente de que, embora ainda não terminado, seu dever vem sendo (muito) bem cumprido. É isso o que quer, é isso o de que precisa a cidade.
Nosso passado de cultura e glória, sozinho, parece já não ser suficiente para manter a cidade no panteão da História. Devemos persistir, como Irmã Clemens. Temos de sair, já já, deste, ao que parece, estado de dependência e chegar ao "status" de competência.
Caxias espera que cada caxiense cumpra seu dever.
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NOTAS DO JUBILEU
PRESENÇA – Cerca de 1.500 pessoas estiveram presentes nos dois dias de homenagens à Irmã Gemma Carvalho: no “sábado áureo”, dia 10, estudantes das classes infantis, pais e convidados; no domingo, a festa principal, com cerca de mil pessoas. Presença do prefeito de Caxias, Fauze Simão, deputado federal João Castelo e esposa Gardênia Gonçalves, deputado estadual Humberto Coutinho, desembargador Cleones (ex-aluno do Colégio São José), deputado federal Paulo Marinho e ex-deputada federal Márcia Marinha (estiveram na residência das freiras), irmãs capuchinhas de diversos pontos do País (irmã Janice, do Colégio Santa Teresinha, liderava a representação de Imperatriz), familiares da homenageada, empresários, profissionais liberais, a maioria ex-alunos e filhos e netos igualmente alunos do Colégio. Missa, números musicais (solos e corais), declamação de poesias, mensagens gravadas, flores muitas, balões... O discurso principal, em nome das turmas de ex-alunos das décadas de 1950 até 1990 foi feito pelo colunista.
LIVRO – Na residência das freiras, na parte da tarde e à noite, as homenagens se sucederam e Irmã Gemma Carvalho foi presenteado com um livro de exemplar único, editado pelo ex-aluno Jorge Bastiani, impresso em papel especial, com textos feitos por ex-alunos, irmãs de Ordem, padres, professores e familiares. Novamente o colunista foi convidado pela Irmã Eucaristia Nery para explicar as razões e a importância do livro.
* EDMILSON SANCHES
FOTOS:
Irmã Maria Gemma de Jesus Carvalho e Edmilson Sanches discursam em reunião do Grêmio Santa Joana d’Arc, do Colégio São José, no auditório lotado de alunos da Escola, com a presença, no palco, de alunas que eram membros da diretoria do Grêmio. Diploma concedido a Edmilson Sanches pela Irmã Gemma, diretora do Colégio, pelo “atuante desempenho no Grêmio na função de Presidente 1975/1977”. Edmilson Sanches com Irmã Gemma no ginásio do Colégio, e em visita à casa das Irmãs, com Irmã Gualberta. O Colégio São José.