
Temos 26 letras e com elas já escrevemos todas as cartas de amor e todas as declarações de guerra.
... Com essas letras, falamos as palavras mais suaves e também dissemos as mais ásperas.
... E todas essas letras e palavras são insuficientes para dizer do silêncio e do infinito da beleza que se faz sentido(s) em nós dois nos sentindo...
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Temos 10 algarismos, do zero ao nove, e com eles fazemos todas as contas astronômicas e todos os cálculos microscópicos.
... Com esses algarismos, construímos números de fortunas, percentuais de lucros e quantidades de pobreza, fome, miséria.
... E todos esses algarismos e números não são bastante para somar esperanças, subtrair preconceitos, multiplicar respeito, dividir fraternidade...
– e também se mostram insuficientes para dar alguma medida a sentimentos que mais são aumentados quanto mais são repartidos.
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Temos 7 notas musicais e com elas compusemos todas as sinfonias mais celestiais e todas as músicas-grude mais "infernais".
... Com essas notas, embalamos todas as cantigas de ninar a vida que nasce e também escrevemos em partituras todos os réquiens de chorar a vida que se (es)vai.
... E todas essas notas musicais são insuficientes para (re)produzir o desassossego de suspiros e os sonidos de gemidos que emanam de ti em manhãs tardes e noites de amor.
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Temos inúmeros modos, jeitos, maneiras, atos e atitudes, ritos e rituais, liturgias e liberdades para nos expressarmos ante o imponderável – amor e morte, beleza e violência, frustração e gozo, o universo fora e dentro de nós.
Tudo – letras e palavras, algarismos e números, sons e sonoridades –, tudo é nada ante a hora derradeira, o momento último, o instante extremo, a explosão sequencial, o suspiro final, a calma temporal...
Teu prazer fêmeo é quase divinal.
Depois dele, em longa brevidade, só o silêncio.
Silêncio
silênci
silênc
silên
silê
sil
si
s
ssssssss!
Dormes.
* Edmilson Sanches