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São Paulo (SP), 29/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - A 2ª edição da Feira do Livro da Rocha (FLIR) ocupará o tradicional bairro do Bixiga. Foto: FLIR/Divulgação

A 2ª edição da Feira do Livro da Rocha (Flir) ocupará o tradicional Bairro do Bixiga, na capital paulista, a partir desta sexta-feira (1º). Ao todo, serão três dias dedicados à literatura, à convivência e à ocupação cultural da rua. 

Com programação diversa e gratuita, o palco é a própria Rua Rocha, que dá nome ao evento e reúne espaços ligados à cultura e lazer.

As autoras Cidinha da Silva, Geni Núñez, Lilia Schwarcz, Luiza Romão, Márcia Tiburi e Micheliny Verunschk são alguns dos destaques da programação. Elas participarão de mesas de conversa e aulas públicas ao longo desta edição, cujo tema é o Bem viver – conceito presente na cosmovisão de povos originários e movimentos como a Marcha das Mulheres Negras.

A mesa de abertura, prevista para as 10h30 desta sexta-feira, terá expoentes do pensamento sobre o bem viver. 

O político Alberto Acosta, o escritor Kaká Werá Jecupé e a jornalista Juliana Gonçalves abordam o conceito a partir das cosmologias indígenas, das formulações andinas e da perspectiva das mulheres negras. 

Ainda neste contexto, a escritora e multiartista negra Thereza Santos (1930-2012), que integrou o Partido Comunista e foi ativista do movimento negro e pelos direitos humanos, é a homenageada deste ano no evento. 

A vida e a trajetória de Thereza serão lembradas e celebradas em mesa de conversa marcada para sábado (2), às 18h.

O evento reunirá mais de 60 editoras e livrarias, além de promover cerca de 70 atividades culturais gratuitas. Organizada pela Livraria Simples, com apoio de outros livreiros e organizações do Bixiga, a feira incluirá atividades para crianças, apresentações musicais e roteiros de turismo. 

Um dos roteiros é o Negros do Bixiga, que percorrerá a herança afro-brasileira do bairro. 

Anelis Assumpção e Claudia Balthazar vão tratar, em mesa de conversa, sobre lutas e caminhos para preservação da memória negra, partindo das experiências do Museu Itamar Assumpção e do coletivo Mobiliza Saracura Vai Vai.

Os escritores e jornalistas Fernando Morais e Cecília Olliveira discutirão temas relacionados às dinâmicas políticas no país e o acirramento da violência. O economista e político Eduardo Suplicy analisa, em aula pública, a realidade brasileira e o projeto da Renda Básica de Cidadania.

Outro destaque da edição é a ação pedagógica Jornada Literária, que resultou na compilação de textos escritos por cerca de 50 estudantes de escolas públicas da região, organizados em antologia que será publicada durante o evento. O objetivo é estimular uma produção literária que reflita a diversidade de vozes e experiências dos jovens do território.

Além da programação voltada à literatura, organizações do bairro vão promover atividades como oficinas de reciclagem, de bordado, de tricô, orientação jurídica, atividades físicas e troca de mudas de plantas.

A programação completa está no site da Flir.

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 16/11/2025 – Estudantes aguardam abertura dos portões no segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no Cefet Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Os interessados em ter a isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 devem fazer a solicitação ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O prazo termina às 23 horas e 59 minutos desta quinta-feira (30).

O prazo também valerá para o candidato que obteve a isenção de pagamento da taxa de inscrição do Enem de 2025 e não compareceu às provas nos dois dias de aplicação, em novembro passado, se desejar solicitar nova isenção para o Enem 2026.

Os dois procedimentos devem ser feitos na Página do Participante do exame, com o login no portal único de serviços digitais do governo federal, o Gov.br.

Quem tem direito

Para pedir a isenção da taxa de inscrição, os candidatos devem se enquadrar nos seguintes perfis:

· estar matriculado no último ano do ensino médio em escola pública (em 2026);

· ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral em escola privada e possuir renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio;

· ter inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) por estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A falta de atualização no CadÚnico pode levar ao indeferimento da isenção no Enem;

· ser participante do Programa Pé-de-Meia do Ministério da Educação (MEC).

E para quem precisa justificar a ausência no exame do ano passado para garantir a gratuidade na edição de 2026, precisa conferir os documentos aceitos que comprovem as condições declaradas, estão listados no anexo I do edital  do Enem 2026 que trata de cada uma das situações que podem ser justificadas na última edição do exame. Confira aqui.

Resultados

O Inep esclarece que não enviará qualquer tipo de correspondência à residência do participante para informar quaisquer resultados da justificativa de ausência no Enem 2025 e da solicitação de isenção de pagamento da taxa de inscrição no Enem 2026. 

É de responsabilidade do candidato enquadrado nessas duas situações acessar a Página do Participante do Inep e consultar seu resultado.

De acordo com o novo calendário do Enem 2026, o resultado dos pedidos de isenção será divulgado em 13 de maio.

Quem tiver o pedido negado poderá recorrer administrativamente entre 13 e 19 de maio.

O resultado final dos recursos sairá em 25 de maio.

Inscrição em futura data

A inscrição no Enem é obrigatória, mesmo para quem solicitou a isenção e teve o deferimento concedido.

Independentemente do resultado do pedido de isenção, o estudante precisará se inscrever oficialmente no Enem. O período ainda será estabelecido em futuro edital do exame a ser publicado pelo Inep.

O candidato que teve o pedido do recurso de isenção negado em definitivo, em 25 de maio, ainda terá que pagar a taxa para se inscrever no exame.

Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Desde a edição de 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão dessa etapa de ensino para os candidatos com 18 anos completos e que também alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento nas provas e na redação.

Os resultados individuais do Enem também podem ser aproveitados nos processos seletivos de instituições de ensino superior de Portugal que têm convênio com o Inep para aceitarem as notas do exame.

(Fonte: Agência Brasil)

São Paulo (SP), 17/06/2024 - Feira do Livro 2025 no Pacaembu em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Começam a valer, nesta quarta-feira (29), novas metas de incentivo à leitura em todo o país. Pelos próximos dez anos, o Plano Nacional do Livro e Leitura 2026-2036 pretende ampliar o número de bibliotecas e facilitar o acesso da população a livros.

O documento, publicado no Diário Oficial da União, serve de instrumento para que Estados, municípios e sociedade civil conheçam e criem os normativos de gestão cultural aprovados desde 2023, como o Sistema Nacional de Cultura, o Programa Escola em Tempo Integral e o Sistema Nacional de Bibliotecas Escolares.

A base do plano é a compreensão de que a leitura e a escrita são instrumentos indispensáveis ao desenvolvimento das capacidades individuais e coletivas, de acordo com os princípios a seguir:

  1. compreensão do livro como economia, da leitura como cidadania e da literatura como valor simbólico criativo;
  2. valorização da leitura como ato criativo de construção de sentidos;
  3. promoção do direito à literatura;
  4. desenvolvimento da escrita criativa e literária;
  5. garantia de acesso ao livro e a outros materiais de leitura.

Página exclusiva

O Ministério da Cultura lançou, no dia 23 deste mês, a página do Plano Nacional do Livro e Leitura. A navegação foi organizada em áreas temáticas que facilitam o acesso aos conteúdos. Entre os destaques estão as seções Políticas e Programas, Legislação, Guias e Cartilhas.

Após um período de desatualização desde o ciclo anterior (2006-2016), a retomada do Ministério da Cultura, em 2023, recolocou a construção do Plano como prioridade. A execução do plano envolve, além do Ministério da Cultura e da Educação, instâncias colegiadas responsáveis por sua governança.

(Fonte: Agência Brasil)

São Paulo (SP), 10/11/2024 - Estudantes  no segundo dia de provas do ENEM na UNIP Vergueiro em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

As inscrições gratuitas para as vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do primeiro semestre de 2026 terminam às 23h59 (horário de Brasília) desta quarta-feira (29). O período para os interessados se inscreverem começou no último dia 22.

Os interessados em participar do processo seletivo devem se inscrever, exclusivamente pela internet, por meio da página do programa, disponível no Portal Acesso Único ao Ensino Superior, na aba do Fies. É preciso fazer o login do portal Gov.br.

Para saber o passo a passo completo para se inscrever de graça no Fies, acesse o link. 

O programa do Ministério da Educação (MEC) foi criado para ajudar estudantes a cursarem o ensino superior em instituições privadas participantes dos Fies.  Esses cursos devem, necessariamente, ter avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

Quem pode inscrever-se

De acordo com o edital com as regras do processo seletivo de ocupação das vagas remanescentes do Fies, podem se inscrever os candidatos que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: 

. participação em uma das edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir de 2010; 

. média aritmética das notas nas cinco provas do Enem igual ou superior a 450 pontos;

. nota na redação do Enem superior a zero; 

. condições de atingir a frequência mínima exigida (70%) para o primeiro semestre de 2026 no curso escolhido.  

. renda familiar mensal bruta por pessoa de até três salários mínimos (R$ 4.863, em 2026); 

O MEC explica que o cálculo da renda familiar mensal bruta por pessoa é feito com base na soma da renda bruta de todos os integrantes do grupo familiar, dividida pelo número total de pessoas pertencentes ao referido grupo familiar.

Resultados

Após o período de inscrição, o MEC divulga os resultados e a classificação dos candidatos. 

O resultado da chamada única do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do primeiro semestre de 2026 será divulgado em 7 de maio.

Se for pré-selecionado na chamada única, o inscrito deve complementar sua inscrição na página do Fies.

Em seguida, entre os dias 8 e 11 de maio, o candidato deve validar as informações declaradas na inscrição diretamente na instituição de ensino superior privada, por meio da Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento da instituição.

Depois disso, ocorrerá a validação das informações no banco. O prazo para essa última validação é de até dez dias, contados a partir do terceiro dia útil, logo após a data da validação da inscrição pela CPSA, realizada na instituição de ensino para a qual o estudante foi pré-selecionado.  

Lista de espera

Quem não for pré-selecionado na chamada única será incluído automaticamente na lista de espera, cuja convocação ocorrerá no período de 15 a 29 de maio. 

O Fies realiza anualmente dois processos seletivos regulares, um para o primeiro semestre e outro para o segundo semestre de cada ano letivo, além de processos seletivos para vagas remanescentes.

Se ainda tiver dúvidas, o interessado pode entrar em contato com o MEC pelo telefone 0800-616161.

(Fonte: Agência Brasil)

Crato (CE), 12/05/2023 - Inauguração da creche em Crato/CE. Foto: Angelo Miguel/MEC

Apesar de a matrícula em unidades de educação infantil a partir dos 4 anos de idade ser obrigatória no país, ainda há crianças fora da escola. Em 16% dos municípios, ou seja, 876 cidades brasileiras, pelo menos, uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos não frequenta creches ou pré-escolas.

As desigualdades são ainda maiores quando é levado em consideração onde esses municípios estão localizados. Na Região Norte, 29%, o que corresponde a 130 municípios, têm menos de 90% das crianças matriculadas na educação infantil.

O menor percentual é no sul do país, com 11% dos municípios com menos de 90% das crianças de 4 e 5 anos fora da escola.

Na Região Centro-Oeste, são 21% dos municípios, ou 99; no Nordeste, são 17% (304); e, no Sudeste, 13% (213). Os dados são referentes a 2025.

As informações são do novo indicador de atendimento escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) a partir de uma parceria com as fundações Bracell, Itaú, VélezReyes+, Van Leer e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A divulgação foi feita nesta quarta-feira (29).

Matrículas em creches

O Brasil tem como meta estabelecida em lei, no Plano Nacional de Educação (PNE), ter, pelo menos, 60% das crianças de até 3 anos matriculadas em creches até 2036, além de atender a, pelo menos, 50% dessas crianças entre as populações indígenas, quilombolas e do campo.

Pelo novo indicador proposto, a maior parte dos municípios brasileiros, 81%, ou 4.485, registra taxas inferiores a 60% de crianças nessa faixa etária em unidades de educação infantil. Na Região Norte, está também o maior percentual – são 94% dos municípios com índices inferiores a 60%, ou 424 cidades. 

Nas demais regiões, os índices são: 90% no Centro-Oeste; 83% no Sudeste; 81% no Nordeste; e, 66% no Sul, com atendimentos inferiores a 60% das crianças de até 3 anos em creches. 

Educação infantil nas capitais

Entre as capitais brasileiras, aquelas que já conseguiram universalizar o atendimento de crianças de 4 e 5 anos em unidades de educação infantil, ou seja, atendem a 100% dessas crianças são Vitória, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte.

Aquelas com os índices mais baixos de atendimento são Maceió, com 64,8%; Macapá, com 71,4%; e João Pessoa, com 73,4%.

As capitais com os maiores percentuais de atendimento de bebês e crianças com até 3 anos de idade são: São Paulo, com 72,9% matriculadas em unidades de educação infantil; Vitória, com 66,7%; e Belo Horizonte, com 63%. Todas com atendimento acima da meta de 60% estabelecida no PNE para essa etapa nos próximos dez anos.

Os piores índices de atendimento estão em Macapá, com 9,1% das crianças atendidas; Manaus, com 12,8%; e Porto Velho, com 16,9%.

Informações para os municípios

O novo indicador não é oficial, mas, segundo as organizações responsáveis pela elaboração, traz principalmente informações municipais mais precisas que as disponíveis atualmente, que podem ajudar os municípios a garantir o acesso escolar.

São justamente os municípios, de acordo com a Constituição, os principais responsáveis pela oferta da educação infantil.

Saber quantas crianças estão fora da escola é importante até mesmo para que se possa fazer uma busca ativa, encontrá-las e garantir que tenham acesso a esse direito, diz o diretor-executivo do Iede, Ernesto Martins Faria.

“Como a gente está falando de educação infantil, que é de responsabilidade dos municípios, precisamos dar uma resposta, para eles verem o cenário e fazer busca ativa de crianças que deveriam estar na escola e não estão. Então, precisam de um dado. Mesmo que possa ter alguma imprecisão, necessitam de um norte. Especialmente no cenário em que possivelmente muitos municípios brasileiros têm taxa de atendimento muito abaixo da desejada”, acrescenta.

Atualmente, segundo Faria, as bases de dados disponíveis para monitorar o atendimento nessa etapa de ensino apresentam restrições. O Censo Demográfico cobre todos os municípios, mas é realizado apenas a cada dez anos. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) produz dados anuais, mas limitados aos níveis nacional, de Estados, regiões metropolitanas e capitais.

O novo indicador utiliza dados do Censo Escolar e projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas pelo Datasus, para estimar a cobertura anual em creches e pré-escolas em todos os municípios brasileiros. Ele também busca maior precisão quanto à idade das crianças.

Oficialmente, os dados do IBGE divulgados em dezembro de 2025, referentes a 2024, mostram que 39,7% das crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em escolas, e 93,5% daquelas de 4 e 5 anos.

Ter dados mais precisos em nível municipal mostra que a cobertura escolar pode estar ainda mais crítica em algumas localidades, que precisam de atenção.

“Ainda há algo muito relevante para se olhar em relação a atendimento. Especialmente para 4 e 5 [anos], que é obrigatória. Foi um avanço muito grande a gente mirar essa universalização, mas ainda há avanços muito importantes a se fazer que é entender que muitos municípios têm esse desafio de acesso”, afirma o diretor.

Ministério da Educação

Procurado, o Ministério da Educação (MEC) informou que os indicadores oficiais utilizados pela pasta são “seguros, precisos e consistentes” tanto para monitorar o cumprimento das metas do PNE quanto para orientar a tomada de decisões de políticas públicas. O ministério acrescentou que cruzamentos e análises são possíveis por causa da disponibilização das bases de dados públicas, como as do Datasus. 

Em relação à educação infantil, o MEC diz que vem “intensificando as ações para apoiar os municípios, responsáveis diretos pela educação infantil, na ampliação do acesso com qualidade a essa etapa de ensino”.

A pasta cita como um dos principais instrumentos o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que reúne mais de 2,5 mil entes federados. 

O MEC destaca, ainda, o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, desde o início da atual gestão, entregou 886 unidades de educação infantil, com investimento de R$ 1,4 bilhão.

O Novo PAC, segundo o MEC, ainda garantirá 1.684 novas creches e escolas de educação infantil, beneficiando 1.438 municípios, com investimento total de R$ 7,5 bilhões. Desse total, 821 unidades estão em execução.

Outra prioridade é a retomada e a conclusão de obras paralisadas e inacabadas. Das 1.318 unidades de educação infantil que manifestaram interesse em retomar as construções, 904 foram aprovadas e 278 foram concluídas. Ao todo, essas unidades têm potencial para gerar mais de 323 mil novas vagas em dois turnos, ou cerca de 161 mil vagas em tempo integral.

“Esses dados demonstram uma mudança de prioridade na gestão, com a ampliação dos investimentos recentes para dar mais condições aos municípios de abrir vagas, garantindo o atendimento pleno e atuando de forma proativa para superar as lacunas ainda existentes na educação infantil brasileira”, afirma.

(Fonte: Agência Brasil)

PALESTRA MOSTRARÁ INTELIGÊNCIA MARANHENSE E EXPOSIÇÃO TERÁ OBRAS RARAS E ANTIGAS E O MENOR LIVRO DO MUNDO

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A solenidade dos 22 anos da Academia Açailandense de Letras (AAL) promete muitas novidades nas atividades comemorativas que ocorrerão nesta quarta-feira (29), a partir das 19h, na Câmara Municipal. Além das posses solenes da Diretoria, tendo à frente o presidente reeleito Domingos Izaías Cézar Ribeiro, e dos novos Acadêmicos, a solenidade será marcada pela palestra INTELIGÊNCIA MARANHENSE, ORGULHO BRASILEIRO: A CONTRIBUIÇÃO DO MARANHÃO PARA A IDENTIDADE E O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL.

A palestra está surpreendendo e encantando pessoas em todo o país pela importância e, até, ineditismo das informações, que mostram o quanto homens e mulheres maranhenses contribuíram a Identidade, a Cidadania, a Ciência, a História e Cultura do Brasil, em especial a partir do século XIX.

A partir do talento maranhense, ocorreram avanços na Medicina brasileira e mundial, na Odontologia, Hematologia, Cardiologia, na Antropologia, na Música, na Literatura, na Administração, nos Esportes e diversos outros campos.

O palestrante convidado, Edmilson Sanches, que acaba de chegar do Rio de Janeiro, onde fez palestras sobre o assunto no Clube Militar e na Academia Pan-americana de Letras e Artes, revelará aos açailandenses que avanços foram esses e como contribuíram para a formação da brasilidade e para a melhoria da vida brasileira.

Outra novidade da solenidade será a exposição de livros raros, antigos e curiosos, do acervo de mais de 50 mil livros de Edmilson Sanches. A curiosidade fica por conta dos menores livros do mundo com impressão regular em gráficas e editoras. São obras em capa dura, costuradas, impressas em off-set. As fotos com o menor livro do mundo sobre a unha de um dedo mínimo ou mindinho.

Também poderão ser vistos exemplares originais dos dois primeiros livros que o poeta Gonçalves Dias, fundador da Literatura Brasileira, leu ainda criança. Um dos livros é de 1787. Outros livros curiosos também estarão expostos, como “A Carolina”, de 1852, que trata dos limites territoriais entre Maranhão e Goiás e que tinha a ver com as terras das futuras cidades de Imperatriz e Açailândia; a primeira gramática da Língua Portuguesa feita no Brasil, de 1877, escrita pelo maranhense Sotero dos Reis; a primeira tradução das obras do escritor inglês William Shakespeare para a Língua Portuguesa, feita pelo maranhense José Antônio de Freitas, de 1887; e o livro “Higiene da Boca”, do maranhense Aderson Ferro, o primeiro livro escrito por um brasileiro sobre Odontologia, de 1895.

Para aqueles que acompanharam os tempos de ouro da Imprensa brasileira, a exposição mostrará três raríssimos itens: os números 1 e 2 da revista semanal “O Cruzeiro”, de 1928; o número 1 da revista “Manchete”, de 1952;  e um número de 1952 da revista “Eu Sei Tudo”, todas publicadas no Rio de Janeiro e que alcançavam o território nacional.

Um dos itens em exposição, que toca a cidade de Açailândia, é a coleção completa, encadernada, do primeiro jornal registrado em cartório do município: o “Jornal de Açailândia”, fundado em janeiro de 1987 por Edmilson Sanches, que, à época, era jornalista em Imperatriz e exercia ainda elevadas funções administrativas e operacionais em Instituição federal de promoção do desenvolvimento econômico também em Açailândia.

Para os interessados, serão colocados à venda exemplares de diversos livros de Edmilson Sanches, nas diversas áreas – Literatura, Biografias, Enciclopédia, Comunicação, Redação Empresarial, Desenvolvimento etc. Os compradores poderão pagar em até 90 dias.

Serviço

O QUÊ:

Solenidade Comemorativa dos 22 anos da AAL.

QUANDO:

Quarta-feira, 29 de abril, a partir das 19h.

ONDE:

Câmara Municipal de Açailândia.

Entrada franca.

Fotos:

“Jornal de Açailândia”, livros antigos e raros e o menor livro do mundo.

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Rio de Janeiro (RJ) 11/09/2024 – Artistas circenses do Unicirco fazem apresentação no picadeiro para indígenas do povo tupinambá que vieram receber o Manto Tupinambá no Museu Nacional. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Projetos culturais do Estado do Rio de Janeiro podem se candidatar até o dia 18 de maio ao Edital de Apoio a Ações Continuadas RJ, lançado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec). As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma Desenvolve Cultura.

A chamada pública é para projetos culturais que ocorrem de forma contínua e conta com R$ 19,2 milhões em recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O valor será distribuído em dois ciclos de execução, em 2026 e 2027, cada um com R$ 9,6 milhões.

O presidente do Grupo de Trabalho da PNAB na Secec, Leonardo Alves, explicou à Agência Brasiç nesta terça-feira (28) que o edital resulta da Portaria 216 do Ministério da Cultura (MinC), que instituiu no ano passado o Programa Nacional Aldir Blanc de Apoio a Ações Continuadas.

O proponente que for beneficiado pelo edital receberá recursos para executar um projeto de um ano. Ao término dessa proposta, ele receberá um novo recurso de igual valor, para continuar no ano seguinte. “Por isso, é um edital de ação continuada. Ele vale por dois anos”, explicou Alves.

Categorias

O edital abrange três categorias: circos de lona, grupos e companhias artísticas, além de festivais e eventos culturais. Serão selecionados: 

  • 15 circos de lona, com apoio de R$ 200 mil cada um e total de R$ 6 milhões nos dois ciclos;
  • 15 grupos ou companhias artísticas, com R$ 200 mil cada um, somando outros R$ 6 milhões;
  • 12 festivais ou eventos culturais, com R$ 300 mil cada um, totalizando R$ 7,2 milhões.

Os recursos previstos e divididos em dois ciclos dão “previsibilidade para aquele grupo ou companhia elaborar seus projetos”, reforçou o presidente do Grupo de Trabalho da PNAB na Secec.

Quem pode participar

Podem participar do edital pessoas jurídicas ou microempreendedores individuais (MEIs) da área cultural, com até três anos de atuação comprovada no Estado. Os candidatos deverão apresentar um plano de atividades estruturado em dois ciclos.

No momento da inscrição, será exigido o detalhamento completo do primeiro ciclo, incluindo ações previstas, equipe, cronograma, orçamento e local de realização, além de planejamento preliminar para o segundo ciclo.

Será obrigatória também a apresentação de portfólio, planilha orçamentária e previsão de medidas de acessibilidade e sustentabilidade.

Política nacional

Os estados que aderem ao programa devem investir, no mínimo, 10% dos recursos recebidos da PNAB em ações culturais que ocorrem de forma contínua.

O Edital de Ações Continuadas faz parte de um conjunto de três programas que o MinC lançou em parceria com os Estados. Os outros são o Programa Nacional Aldir Blanc de Formação em Gestão Pública de Cultura, na Portaria 217, e o Programa Nacional Aldir Blanc de Requalificação de Infraestrutura Cultural, na Portaria 218.

Leonardo Alves afirmou que o Rio de Janeiro aderiu aos três programas, que visam à execução de uma política cultural nacional.

“A gente sabe que não é a realidade do Rio de Janeiro, mas outros Estados acabam com algumas dificuldades, inclusive jurídicas, de autorização para executar certos tipos de edital. Por isso, o Ministério fez essa parceria com os Estados para poder subsidiá-los na construção dos seus editais”.

(Fonte: Agência Brasil)

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A forte chuva que se iniciou antes das 19h do sábado, 24/11/2018, e que se estendeu para próximo ou além da meia-noite, deve ter sido mesmo uma bênção dos céus para servir de desculpa a algumas autoridades de todos os gêneros e espécies que, convidadas, não deram o ar da graça na solenidade pública e festiva de posse dos primeiros 25 membros e da primeira diretoria (com oito integrantes) da Academia João-lisboense de Letras (AJL).

Entretanto, e ainda bem, o auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de João Lisboa (SINTEJOL) estava lotado, e com mais gente nos corredores. E todas aquelas pessoas – mulheres, homens, jovens, moças, meninos e até bebês – representavam, elas sim, a verdadeira autoridade, fonte primeira do poder: o Povo, POVO grande, maiúsculo.

O povo de João Lisboa – município maranhense com 101 anos de início de sua História, a partir da chegada de seu primeiro morador, Sr. Joaquim Alves da Silva, em 1925, com 65 anos de autonomia política, com território de 1.135km2, com 24,7 mil habitantes e com economia de R$ 362,2 milhões (2023) – o povo de João Lisboa, repita-se, avalizou no dia 25/11/2018 todos os esforços anteriores e posteriores que tiveram como marco histórico o ato também público e solene realizado em 27 de abril de 2017, quando, na Câmara Municipal joão-lisboense (“casa do povo”), foi criada a Academia João-lisboense de Letras.

João Lisboa merecia sua Academia – até mesmo a partir do seu nome, uma homenagem ao maranhense João Francisco Lisboa, que integra a Academia Brasileira de Letras (ABL) como patrono da Cadeira nº 18, por escolha de seu primeiro ocupante, o escritor, educador, jornalista e estudioso da literatura brasileira José Veríssimo, paraense de Óbidos, considerado o principal idealizador da criação da ABL.

João Francisco Lisboa nasceu em Pirapemas (MA), em 22 de março de 1812, e faleceu na capital portuguesa, Lisboa, em 26 de abril de 1863. Foi escritor, jornalista e político combativo. É clássica sua obra “Jornal de Tímon” (Tímon – com acento agudo no “i” – era um filósofo cético grego dos séculos III e IV antes de Cristo). A cidade que lhe homenageia com o nome, João Lisboa, está, repita-se, com 101 anos de existência, considerada o ano de chegada – 1925 – do Sr. Joaquim Alves da Silva, o primeiro morador das terras do município e que deu ao lugar o nome de “Gameleira”, ante a existência de árvores de mesmo nome, com cuja madeira se fazem, entre outras, as vasilhas chamadas “gamelas”, de uso doméstico (banhos, por exemplo) e de trabalho (como dar de comer a porcos, estes em geral de pequenas criações domésticas).

Os primeiros 25 acadêmicos da AJL (do total de 40 Cadeiras) são, em ordem alfabética:

BRUNIDES QUEIROZ MOREIRA, Cadeira nº 14, patronato do escritor, jornalista e professor Josué Montello;

CLAUDYO JACKSON DAMASCENA SIMÃO, Cadeira nº 19, patronato do escritor, jornalista e teatrólogo Nelson Rodrigues;

EDMILSON SANCHES, Cadeira nº 22, patronato do professor, historiador e escritor João Renôr Ferreira de Carvalho;

EMERSON GEOVANE DO NASCIMENTO, Cadeira nº 4, patronato do militar e político Duque de Caxias;

FLÁVIA DE ALMEIDA, Cadeira nº 5, patronato da escritora e jornalista Clarice Lispector;

HERLI DE SOUSA CARVALHO, Cadeira nº 24, patronato da professora, historiadora e ativista dos direitos humanos Maria Beatriz do Nascimento;

HOLDEN FARHANY ARRUDA MARTINS, Cadeira nº 12, patronato do escritor, sociólogo e professor Antônio Cândido de Mello e Souza;

IOLÂNGELA BARRETO SILVA, Cadeira nº 10, patronato da escritora, poetisa e contista Cora Coralina;

IVAN LIMA DE AZEVEDO, Cadeira nº 2, patronado do jornalista, advogado e professor Jurivê de Macedo;

JAQUELINE BARBOSA FERRAZ DE ANDRADE, Cadeira nº 18, patronato da escritora, romancista e poeta Lucy Teixeira;

JOÃO BOSCO BRITO, Cadeira nº 27, patronato do pioneiro, empresário e empreendedor João Paraibano;

JOSÉ HUMBERTO SANTOS NASCIMENTO, Cadeira nº 28, patronato do escritor e líder religioso Estevam Ângelo de Sousa;

JOSÉ RIBEIRO DA SILVA JÚNIOR, Cadeira nº 1, patronato do historiador, jornalista e escritor João Francisco Lisboa;

JOSIANO CÉSAR DE SOUSA, Cadeira nº 13, patronato do escritor, advogado e poeta Gonçalves Dias;

LAIZA SOUZA DE LIMA CAMPELO, Cadeira nº 20, patronato do professor, pedagogo e filósofo Paulo Freire;

LUIZ CARLOS FERREIRA CEZAR, Cadeira nº 25, patronato do escritor, jornalista e memorialista Graciliano Ramos;

MARCELO BITAR LOBO JÚNIOR, Cadeira nº 8, patronato do escritor e cordelista Manu Rolim;

MARIA DA CONCEIÇÃO MEDEIROS RODRIGUES FORMIGA, Cadeira nº 21, patronato da escritora, historiadora e professora Edelvira Marques de Moraes Barros; 

MARIA LOZA DA ANUNCIAÇÃO SILVA, Cadeira nº 9, patronato do compositor, cantor e músico João do Vale;

MARIA NATIVIDADE SILVA RODRIGUES, Cadeira nº 36, patronato da escritora, romancista e professora Maria Firmina dos Reis;

MARICÉLIA RIBEIRO DE MENEZES ROCHA, Cadeira nº 39, patronato do escritor, jornalista e dramaturgo Machado de Assis;

MÔNICA MONTEIRO, Cadeira nº 6, patronato do escritor, jornalista e cineasta Fernando Sabino;

NERY BARRETO SILVA, Cadeira nº 7; patronato do escritor, advogado e diplomata Ruy Barbosa;

RAIMUNDO NONATO CABELUDO VIEIRA, Cadeira nº 31, patronato do empresário e político João Menezes Santana;

REGIVALDO ALVES, Cadeira nº 34, patronato da professora e servidora pública Darcy Fontenele Cruz de Queiroz;

SÁLVIO DINO JESUS DE CASTRO E COSTA (“in memoriam”), Cadeira nº 32, patronato do professor, jornalista e empreendedor João Parsondas de Carvalho;

SÔNIA MARIA NOGUEIRA, Cadeira nº 17, patronato do escritor, jornalista e poeta Francisco Sotero dos Reis;

VALDIZAR FERREIRA LIMA, Cadeira nº 3, patronado do jornalista, escritor e editor Adalberto Franklin;e

 ZENEIDE MARIA PEREIRA, Cadeira nº 15, patronato do escritor, dramaturgo e professor Ariano Suassuna.

A primeira Diretoria eleita tem oito membros: JOSÉ RIBEIRO DA SILVA JÚNIOR, presidente; IVAN LIMA DE AZEVEDO, vice-presidente; VALDIZAR FERREIRA LIMA, diretor-geral; EMERSON GEOVANE DO NASCIMENTO, vice-diretor-geral; JOSIANO CÉSAR DE SOUSA, diretor financeiro; MARIA DA CONCEIÇÃO MEDEIROS RODRIGUES FORMIGA, vice-diretora financeira; João Bosco Brito, diretor de Comunicação; HOLDEN FARHANY ARRUDA MARTINS, vice-diretor de Comunicação.

Por decisão dos acadêmicos da AJL, fui escolhido para presidir tanto os atos de criação da Academia, em 27/4/2017, quanto os atos de posse solene dos acadêmicos e da primeira Diretoria em 24/11/2018.

Nesses dois momentos da história inicial da AJL, além da parte protocolar, formal, oficial, ousei concitar e incitar a todos, em especial convidados e demais pessoas presentes, para um novo olhar sobre as funções e a importância latente, potencial, de entidades do gênero das Academias de letras e culturais em geral.

Com efeito, Academias de Letras não mais devem ser vistas como apenas um ambiente intelectual, mas, também, como espaço social, fórum político (sociopolítico) e agente econômico.

Recordo-me de que, quando criei a Academia Imperatrizense de Letras (AIL) neste mesmo dia e mês, há 35 anos (27 de abril de 1991), fui “atacado”, questionado. Argumentavam, as forças contrárias, anônimas, que “Imperatriz não precisava de Academia”, que “o povo precisava era de comida e dinheiro”. Entre outras coisas, respondi, em contundente artigo, que “pessoas não são só bucho e bolso”. Na minha segunda gestão como presidente da AIL (2003/2005), criei a Semana Imperatrizense do Livro (SIL), anual, que mais tarde seria redenominada Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), que, há anos, consta do calendário do governo federal para eventos do gênero e que é, com certeza, um fator econômico ante o movimento financeiro de alto vulto proporcionado pelo consumo das dezenas de milhares de pessoas físicas e jurídicas que dão tamanho e grandiosidade ao evento e que se abastecem com a compra de milhares e milhares de livros e outros suportes de informação, conhecimento e cultura, além de alimentos, lazer, “shows” musicais etc.

Assim, uma academia ainda não decenal, como a de João Lisboa, tem de ter, em seu início, apenas essa primeira preocupação: existir. Existir legalmente. Existir enquanto determinada quantidade inicial de pessoas unidades sob mesmos propósitos. A partir de sua existência oficial, com os devidos registros legais (cartório, Receita Federal...), dão-se os primeiros passos rumo aos projetos. Como um ser recém-nascido, vai-se crescendo e vai-se fortalecendo com o decurso dos dias. Desprezam-se, olímpica e majestosamente, bílis e azedumes, invejas e ressentimentos. A energia intelectual, emocional e operativa deve ser dirigida ao SABER FAZER (realizar) acompanhado do FAZER SABER (comunicar, divulgar).

As Academias de Letras, pelas obras (sem trocadilho) e serviços tornam-se parte dos agentes da chamada Economia Criativa, segmento econômico que tem, como matéria-prima e mãe, o talento, a inteligência, a criatividade e outros recursos que, trabalhando sobre recursos outros, produzem desde literatura, música, pintura, programas de computador (“softwares”), artesanato e um sem-número de produtos e serviços cuja classificação ainda depende do estudioso ou da instituição que a faz. Por exemplo, as Nações Unidas (ONU), por meio da sua Conferência para o Comércio Internacional e o Desenvolvimento (UNCTAD) classifica a Economia Criativa em quatro grandes grupos: Herança ou Patrimônio (artesanatos, festivais e celebrações; sítios arqueológicos e culturais, como museus, bibliotecas, exposições etc.); Artes Visuais (pintura, escultura, fotografia e antiguidades) e Artes Performáticas (música ao vivo, teatro, dança, ópera, circo, marionetes etc.); Mídia e Produção Editorial (imprensa, livros e outras publicações) e Produção Audiovisual (cinema, televisão, rádio etc.); Criação Funcional: atividades como “design” (de interior, gráfico, moda, joias, brinquedos); a “nova mídia” (“software”, “videogames” e conteúdo criativo digitalizado); e outros serviços de criação intelectual (Arquitetura, Publicidade, Recreação, Pesquisa & Desenvolvimento etc.).

De modo oficial, o Brasil tem, no seu Ministério da Cultura, uma Secretaria de Economia Criativa e, também oficialmente, com o Decreto 7.743, de 1º de junho de 2012, listou, pelo menos, vinte segmentos: animação, arquitetura, artesanato, artes cênicas, artes visuais, audiovisual, cultura popular, “design”, entretenimento, eventos, “games”, gastronomia, literatura e mercado editorial, moda, música, publicidade, rádio, “software”, televisão, e turismo cultural.

É nessa realidade institucional e até oficial, advinda de uma realidade antecedente – o poder criativo das pessoas – onde uma Academia de Letra deve-se inserir, se manter e transformar e ampliar (para melhor). Evidentemente, nem de longe se está aqui preconizando a ascendência do econômico sobre o criativo. Obrigatoriedade não combina com liberdade. Não se trata de um CONTRA o outro, mas de um COM o outro. A criação com liberdade e, por que não, também com lucro, com resultados culturais, identitários, e também econômico-sociais ou socioeconômicos.

A compreensão do novo “modus vivendi” e “modus faciendi” de uma Casa de Letras tem a ver com o assumir papeis sociais cujas ações – de pensar, de expressar o pensamento, de realizar eventos e produzir “coisas” – contribuam para reduzir os graus das diversas carências para cuja debelação as autoridades tradicionais se mostraram / se mostram ainda poucas e incapazes, sobretudo ante as práticas de corrupção, que consomem ou para as quais se desviam enorme quantidade de esforço, de tempo, de talento, de dinheiro e de outros recursos, tão essenciais, tão fundamentais, tão vitais ao suprimento de obras e serviços para o povo.

A Academia João-lisboense de Letras é lugar de pessoas ocupadas. Todos os seus membros trabalham, têm suas atividades, além da prática e/ou do gosto pelas coisas e causas da Cultura, da Arte, da Literatura. São professores, comunicadores, gestores, empresários e empreendedores, servidores públicos, entre outros afazeres. Pessoas ocupadas são as mais indicadas para realizar “novas” tarefas... pois, as outras, não têm tempo – o “otium sine dignitate” consome talento e horas...

Portanto, integrada por trabalhadores, a AJL nasce com uma boa característica: responsabilidade, que deve gerar planejamento, que deve gerar foco, resultados, realidades – novas realidades.

A palavra grega “academia” é formada pelos antigos elementos de composição “aká-” e “-demos” e significa “lugar distante do povo”, pois a Academia original – criada pelo filósofo Platão por volta de 387 antes de Cristo – localizava-se nos arredores de Atenas (Grécia), em lugar afastado dos locais de acesso mais comum da população.

De certo modo, por modos incertos, à origem etimológica agregou-se um viés sociológico de elitismo, de distanciamento do comum da população. As Academias, todas elas, têm de remarcar-se, posicionar-se, espacial, intelectual e operacionalmente para ocupar o lugar de proximidade que seu nome e os novos tempos impõem.

Pois, na palavra “academia”, a maior parte (“-demia”) é povo.

Sem o povo, não é  -- não há – Academia.

Viva a Academia João-lisboense! Viva ao povo de João Lisboa!

E vamos ao trabalho, pois, como lembra o também grego Hipócrates, pai da Medicina: “Ars longa, vita brevis”.

A arte é longa, a vida é breve.

* EDMILSON SANCHES

Ilustração:

Logomarca da Academia João-lisboense de Letras.

*

Nos registros de passagem do tempo, convencionou-se que 30 anos se chamam “bodas de pérola”. A Academia Imperatrizense  de Letras (AIL) fez seu 30º aniversário em 2021 e continua mesmo tendo algo a ver com a pérola –  é uma joia.

Nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, faz 35 anos, bodas de coral – ser das águas que, pelo que é, pelo que faz, representa longevidade, fortaleza, abrigo e acolhimento, paciência, fortalecimento de estrutura...

*

Voltando à pérola. Já se disse que ostra tranquila, quieta em seu canto, não produz pérola. É preciso haver uma irritação, advinda de uma partícula qualquer (um grão de areia, por exemplo), que invada sua intimidade e ela, ostra, a partir daí, faz de sua irritação uma rica obra: envolve a partícula alienígena com uma substância nacarada, iridescente, até ao final resultar em bela e valiosa pérola.

Eu sei não apenas dos grãos, mas das carradas de areia; não das partículas, mas das “partes” que tentaram demover-me da criação da Academia imperatrizense de Letras. Quem acompanhou a Imprensa da época pôde – e qualquer um ainda hoje pode – ver/saber de alguns registros que assomaram e se tornaram visíveis, como ponta de “icebergs”.

Mas eu já aprendera: Onde há uma sinfonia de corvos, desafinado é o rouxinol. Onde há ajuntamentos de urubus, fedorenta é a rosa.

Resultado: todo ano, e trinta e cinco anos depois, entrega-se uma preciosa joia – cada vez mais valiosa – aos desmotivadores e detratores...

Depois que fundei a AIL, não me neguei a atender convites de diversas cidades e mesmo a sugerir a pessoas delas no sentido de criarem sua própria Academia de Letras. Assim, fui convidado a presidir a solenidade de instalação da Academia Açailandense de Letras e posse de seus membros, além do discurso saudando a instalação da Academia e a formalização dos acadêmicos.

Tempos depois, reuni intelectuais de Santa Inês e lá criamos a Academia.

Participei da criação da Academia Caxiense de Letras e fui designado para fazer o discurso de posse dos membros, em concorrido evento para toda a sociedade local.

Aí se seguiram São João do Sóter, Aldeias Altas, João Lisboa, Buriticupu... e outras onde nossa experiência e boa vontade, mais que algum conhecimento, foram demandadas. Estimulei a criação da Academia de Porto Franco.

Nada mais poderoso que uma faísca que sabe que é hora de se tornar incêndio...

*

Neste 27 de abril de 2026, quando a Academia Imperatrizense de Letras (AIL) completa seu 35º aniversário, lanço, como sempre, um olhar para diante e, sorrindo meio sem jeito cá dentro de mim, fico pensando nessas três décadas e meia de existência da AIL.

Recordo-me das buscas cartoriais, para saber se, formalmente existia ou não uma Academia de Letras em Imperatriz. Era eu no único cartório do município à época, o Cartório do 1º Ofício, na Rua Godofredo Viana, Centro de Imperatriz, enchendo a paciência – e o dever de ofício – do Rosseny da Costa Marinho (“in memoriam”; o decano entre os tabeliães), do Antônio Carlos da Mota Bandeira, do Miguel da Mota Bandeira (“in memoriam”; meu velho amigo de jogo de palavras – a “impugna”, junto com o professor e farmacêutico-bioquímico Oscar Gavinho, lá no Bar do Riba, perto da antiga Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

Recordo-me dos 13 que aceitaram vir comigo no ingente e despudorado mister e mistério de fazer cultura em uma cidade que – diziam – era a “terra da pistolagem” e onde “o dinheiro corria”, o que parecia querer dizer que Imperatriz seria refratária, não porosa, contraindicada a assuntos ligados à Cultura. Valores do espírito, na Imperatriz da época, só mesmo os das Igrejas – e olhe lá...

Mas, graças a Deus, isso não era verdade e, se parecia, foi desmentido pelo inicial esforço conjunto das 14 “pessoas das Letras”, humanistas, sensíveis às causas e cousas que, elas sim, criam, fortalecem e ainda dão brilho ao que de mais visível e forte deve ter uma sociedade: sua Identidade.

Eis os nomes dos que, comigo, assinaram a ata de fundação da Academia Imperatrizense de Letras, em 27 de abril de 1991, há trinta e cinco anos:

ADALBERTO

Lembro-me do Adalberto Franklin Pereira de Castro ("in memoriam") recebendo meu convite, ele meio sem jeito, imbiocado (introvertido), mas sempre me apoiando – como, aliás, já acontecia no movimento de organização da Imprensa (criei a AIRT – Associação de Imprensa da Região Tocantina e o SINDIJORI – Sindicato dos Jornalistas e Radialistas de Imperatriz). Adalberto, que nem o Jurivê, não pôde comparecer à reunião de fundação, mas ficou acertado que estaria com a decisão da maioria.

DOM AFFONSO

Dom Affonso Felippe Gregory (“in memoriam”) tinha aquela bonomia dos bons pastores espirituais. Sempre conversávamos – inclusive bebericando... – e ele apoiou de pronto a ideia de criação da AIL. Anos depois, coincidiu ter sido em uma gestão minha frente à Academia a decisão dele, explicada por carta, de se autoexcluir da Entidade, por questões de saúde e sobrecarga de serviços. (Para se ter uma ideia, Dom Affonso, além de bispo de uma grande Diocese, também era presidente da Caritas Internacional, espécie de confederação de quase duzentas organizações humanitárias da Igreja Católica, com atuação em mais de duzentos países. A Caritas, fundada em 1897 na Alemanha, tem sede no Vaticano. Bastava este compromisso e havia tantos outros, para dar-se razão ao bom Dom Affonso, o 1º bispo de Imperatriz, ele que tinha de viajar regularmente para diversos países.)

EUCÁRIO

O sempre bem-humorado Eucário Rodrigues (“in memoriam”). Ele era colega de lides bancárias, funcionário do Banco do Brasil em Imperatriz. Psicanalista de formação e atuação, tinha fundado em São Paulo uma entidade da classe.

ZÉ BREVES

O José de Sousa Breves Filho era meu conhecido da Universidade (Uema). Carioca de nascimento, foi o primeiro professor imperatrizense a concluir um doutorado. Anos depois, pediu para sair da AIL e mudou-se para Fortaleza, onde se aposentou por instituição de ensino do governo federal.

GERALDO

Também me lembro do José Geraldo da Costa, a quem “intimei” em sua casa para juntar-se a mim neste projeto – e ele, prontamente, aceitou. Geraldo e eu mantínhamos muitas e longas e boas conversas e vivíamos nos esbarrando nas universidades UFMA [Universidade Federal do Maranhão] e Uema e em diversos, incontáveis eventos sociocomunitários e culturais naqueles idos dos anos 1980 e 1990.

JURIVÊ

Relembro do meu colega jornalista Jurivê de Macedo, o Juredo, de supersaudosa memória. Embora nos primeiros instantes tenha se mostrado relutante, e até com negativa escrita em sua coluna no "O Estado do Maranhão", terminou por não resistir ao meu “leriado” e igualmente somou-se ao projeto – vindo a adicionar muito mais, muito mesmo, como membro assíduo, produtivo e aconselhador no dia a dia da Academia. Jurivê não esteve na reunião de fundação, mas antecipou que concordaria com o que fosse decidido.

JUCELINO

O Jucelino Pereira da Silva era colega de Jornalismo e aqui e acolá me chamava de “príncipe do Jornalismo”. O futuro advogado e excepcional redator Jucelino trabalhava em “O Progresso” e escrevia uma das colunas assinadas como “da Redação”, onde registrou alguns dos “ataques” de outrem a mim por causa da ideia de criação da Academia. Houve até quem escrevesse ao jornal dizendo que “Imperatriz não precisa de Academia; precisa é de comida e dinheiro”. Claro que respondi em um histórico texto: “De Bucho e Bolso”.

LOURENÇO

O Lourenço Pereira de Sousa foi um dos 14 que comigo iniciaram a Academia. Na época, e sempre, foi considerado um dos mais talentosos sacerdotes de Imperatriz e região. Ele e eu vivíamos escrevendo em jornais da Imperatriz daquelas décadas de 1980 e 1990. Lourenço saiu da Academia e também da Igreja. Casou-se. Sempre discreto, destacou-se e se destaca como professor universitário.

SEREJO

Lembro-me da abordagem ao juiz de Direito Lourival Serejo, também escritor, que era meu cliente no Banco do Nordeste, e de sua pronta, imediata adesão ao projeto (ficou como meu secretário informal nos trabalhos iniciais). O notável e premiado escritor, contista e cronista Serejo é hoje desembargador em São Luís, presidiu o Tribunal Regional Eleitoral e o Tribunal de Justiça do Maranhão e, atualmente, preside a Academia Maranhense de Letras.

DONA NENECA

A entusiasmada, radiante, sempre alegre escritora e radialista Neneca Motta Mello (Sebastiana Vicentina da Motta Mello; “in memoriam”) era desses espíritos eternamente dispostos, apesar das muitas tarefas. Vivíamos nos esbarrando em páginas de jornais e em salas de locução de rádios. Assim como já fizera no Sudeste do País, onde nascera, Neneca também desenvolvia grande e discreto serviço sociocomunitário em Imperatriz.

SÁLVIO DINO

O Sálvio de Jesus de Castro e Costa (Sálvio Dino; "in memoriam") era o pesquisador e escritor de destaque e político atuante na região. Encontrávamo-nos em meu local de trabalho, em eventos políticos, culturais e sociocomunitários em Imperatriz, João Lisboa etc. Sempre disposto a colaborar, abriu as portas da sede de uma entidade municipalista que ele presidia para que, nela, a Academia realizasse reuniões enquanto não se localizasse de modo definitivo.

TASSO

O Paulo de Tasso Oliveira Assunção, raro e caro amigo, é uma das testemunhas oculares e auriculares de nosso trabalho. Esteve comigo no “Jornal de Imperatriz”, o primeiro diário da cidade impresso em “off-set”, criado pela dupla José Maria Quariguasi (industrial gráfico; “in memoriam”) e Edmilson Sanches, com Jurivê de Macedo como primeiro diretor de redação. Tasso Assunção prosseguiu comigo no “Jornal de Negócios” (que Jurivê de Macedo, do alto de sua autoridade técnica, dizia ser “o jornal mais bem feito do Maranhão”) e no “Jornal de Açailândia”, os quais fundei, e em “O Imparcial”, cuja sucursal dirigi em Imperatriz e região, em substituição ao decano do jornalismo Sebastião Negreiros (“in memoriam”). Tasso também esteve comigo na fundação e administração da Associação de Imprensa da Região Tocantina (igualmente, o Adalberto Franklin, o meu vice-presidente Conor Farias, o Manoel Cecílio, o Zé Geraldo...).

VITO

O Vito Milesi fui “buscá-lo” na casa dele. Igual ao Adalberto, no começo ficou assim como sem jeito com o convite, mas o tirei do saudável casulo onde ele, ex-padre, bem se havia, como professor no ensino médio e em Universidade (foi meu professor no curso de Direito na Universidade Federal do Maranhão). Terminou não resistindo ao meu convite e conversa e tornou-se a maior referência de dedicação, seriedade sem sisudez, compromisso e verdadeira entrega à Academia, da qual foi por diversas vezes presidente. Mantinha religiosamente, sem trocadilho, correspondência (escrita a mão) e contatos comigo, quando, “ex officio”, fui obrigado a mudar-me para Fortaleza (CE). A partir de uma ação em uma das gestões dele frente à AIL, uma feira de livros na Praça de Fátima (segundo ele me relatava), tive a ideia de criar e institucionalizar uma “Feira de Livros”, como está em documento escrito em uma tarde de 27‎ de ‎março‎ de ‎2003, uma ‏‎quinta-feira, ‎como parte das ações para meu segundo mandato frente à Academia. O documento foi distribuído em reunião de um mês depois, 27/4/2003, no 12º aniversário da Instituição, e a “Feira de Livros” transformou-se, inicialmente, em “Semana Imperatrizense do Livro (SIL)” e, depois, duradouramente, em “Salão do Livro de Imperatriz (Salimp)”.

PRIMEIRA REUNIÃO

Relembro a pregação que fiz às 10 horas e 30 minutos da manhã de 27 de abril de 1991, um sábado, na sala de projeção de uma pioneira videolocadora na Rua Simplício Moreira, nº 1467, próximo à Praça de Fátima, cujo proprietário era simpático à causa. Essa foi a primeira reunião formal, de fundação, aprovação do Estatuto e eleição da primeira Diretoria e coisa e tal.

SEGUNDA REUNIÃO

A segunda reunião já foi sob as bênçãos do bispo Dom Affonso Felippe Gregory, que nos cedeu sua residência episcopal e também se integrou ao projeto.

PRIMEIRO ANO

O primeiro ano da AIL, completado em 1992, foi comemorado em evento no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), com Sálvio Dino conferenciando sobre “o perfil histórico do Rio Tocantins”.

LIVALDO

De 27 de abril de 1991 para cá, muita tinta rolou sobre o papel – desde há 32 anos, incluindo-se os olhares enviesados e ataques enraivecidos, todos contra mim, tudo contra a criação e existência da Academia. Certa vez, em bilhete de 17 linhas, o escritor Livaldo Fregona me escreveu:

– “(...) Meu velho, orgulho-me não de ser seu amigo, mas, apenas, por tê-lo conhecido. Não tenha pressa nem estranhe os invejosos; o mundo reconhecerá seu valor”.

OVÍDIO

O templo nublara, mas eu não estava só – citando o escritor romano Publius Ovidius Naso, o conhecido Ovídio, que viveu 40 anos antes e quase 20 depois de Cristo e que dizia: “(...) se os tempos estiverem nublados, estarás só”.

FÉ COM OBRAS

A certeza enfática dos adversários do projeto apequenou-se e foi engolida pelo desfilar dos dias e, nestes, a persistência, o amor, o trabalho, a fé com obras (não apenas literárias...) dos membros e colaboradores da AIL.

COUSAS E CAUSAS

“Tempus edax rerum” – “o tempo, (esse) devorador das coisas”. É Ovídio novamente, que nos alerta para (também) o que o tempo pode fazer esquecer... e, paradoxalmente, o que não se deve esquecer de fazer.

Por exemplo, fazer boas coisas, defender boas causas.

Matéria-prima, aliás, de que é feita a Academia – e da qual, aliás, são feitas as coisas que ela faz e as causas que ela defende.

Viva a Academia Imperatrizense de Letras em seus 33 anos de existência.

Verdadeiramente, uma joia.

* EDMILSON SANCHES

Imagens:

O prédio-sede da Academia Imperatrizense de Letras, dois dos livros publicados, o número 1 jornal (de junho de 1991), o fundador da Entidade, Edmilson Sanches, no quadro oficial de membros, e a logomarca – o perfil do rosto à direita é o membro da Academia olhando para a comunidade que deve servir, representada pelos três outros perfis. Entre os dois “olhares”, 40 linhas, representando o total de membros da Academia.

A LÃ VERMELHA

– Segunda-feira, 27 de abril de 2026: Academia Imperatrizense de Letras, 35 anos

*

Na parte ocidental da África, os pastores utilizavam um interessante sistema para contar suas ovelhas.

Cada pastor agrupava seu rebanho e, em fila, os animais iam passando, um a um. A cada ovelha que passava, uma concha era enfiada em uma lã branca. Quando chegava a dez, suspendia-se a contagem, tiravam-se todas as conchas da lã branca e colocava-se uma delas em outra lã, de cor azul.

Reiniciava-se a contagem e, a cada grupo de dez conchas na lã branca, correspondia a uma nova concha enfiada na lã azul. Quando esta, por sua vez, contasse dez conchas, à maneira do que acontecia na lã branca, também tinha todas as suas conchas retiradas e uma nova lã, agora de cor vermelha, recebia uma concha.

Parece claro que a primeira lã, a branca, reunia as conchas das unidades; a azul, a das dezenas; e a vermelha, a das centenas. Se a quantidade total de um rebanho fosse, por exemplo, 532 ovelhas, o pastor deveria ter cinco conchas enfiadas na lã vermelha, três na azul e duas na branca. A lã azul, portanto, era múltiplo de dez da lã branca e a vermelha, múltiplo de dez da azul. Não há registro do que vinha após a lã vermelha – talvez outra lã vermelha, ou talvez não houvesse, por justiça social, nem um pastor com mais de mil ovelhas…

No rebanho das eras, a Academia Imperatrizense de Letras (AIL) completa seus 35 anos neste dia 27 de abril de 2026 (mas a solenidade festiva de comemoração foi antecipada para o sábado, 25/4/2026). Se, em 2021, ao se completarem 30 anos, a AIL estava toda (de) azul, nesta segunda ela volta, de modo ampliado, a cobrir-se mais uma vez de céu e nuvem, ao ter cinco conchas na lã azul e três conchas na lã branca.

Trinta e cinco anos até pode não ser muito, mas já é representativo – dir-se-ia, já é suficiente para comprovar que Academias, quando com propósitos (bons propósitos), e trabalho (muito trabalho), são sim úteis e necessárias a uma sociedade.

*

Desde o final da década de 1970 ou início dos anos 1980, no século e milênio passados (soa estranho isso), eu tencionava reunir um grupo de humanistas para desenvolver ações relacionadas à cultura de Imperatriz. Neste aspecto, a cidade permanecia sem um referencial mais consistente, institucionalizado, embora o município já contasse, em sua história, quase 140 anos, na data em que fundei a Academia Imperatrizense de Letras (27 de abril de 1991).

Eu procedia de Caxias, onde a cultura, sobretudo a cultura literária, assenta-se em bancos de praça, mina de rios e riachos, brota de brotos de flores, é recitada no farfalhar das folhas pinadas das palmeiras e gorjeia em cantos de sabiás… Com a alma impregnada disso tudo, estranhava que, sendo uma terra de também tantas riquezas, Imperatriz ainda não tivesse um símbolo de tradição que representasse uma delas – sua cultura literária. A Academia é esse –- embora não único – símbolo cultural.

Mas, inicialmente, antes de eu criar a Academia Imperatrizense em 1991, contatei pessoas e juntei alguns de seus escritos e lancei, doze anos antes, em 1979, o "Safra – Jornal de Literatura", de muitas intenções e poucas edições. Depois, na universidade, curso de Letras, criei, organizei e lancei a "1ª Antologia Literária dos Universitários de Imperatriz" em 1981, durante o Congresso Universitário que, pela primeira vez, era realizado em Imperatriz, por proposição minha defendida no Congresso anterior, em São Luís, onde defendi a interiorização dos congressos universitários, proposta vencedora, embora alguns votos contrários até mesmo de uma minoria imperatrizense.

Em ambos os casos – a edição do jornal e a publicação de antologia –, embora tenham existido e tenham documentado produção literária, nenhuma dessas ações persistiu nos anos seguintes, ao menos o suficiente para encher de conchas a primeira lã.

Mas, à medida que a Vida enfiava sua concha de anos na lã do Tempo, diversas outras ações culturais e comunitárias, individuais e coletivas, foram se somando no meu fazer cultural e social no município de Imperatriz. Hoje, para contar uma a uma essas tantas ações, a lã da História teria de ter outra cor, que não é nem branca, nem azul, nem vermelha.

No conjunto desses (a)fazeres, a Academia Imperatrizense de Letras é símbolo, é marca, é ação – e, com 35 anos, firma-se, senão como tradição, ao menos como a mais luzidia referência, o mais orgânico e organizado dos elementos do “sistema” cultural não oficial do município e mesmo da região, senão de todo o interior do Estado. Uma dessas ações luzidias, reluzentes, é o Salão do Livro de Imperatriz, o Salimp, que criei em 2003, em minha segunda gestão (“Envolver para Desenvolver”) como presidente da Academia. Inicialmente, na lista de projetos, distribuída para cada membro da Academia, o Salão tinha o nome de “Feira de Livros Semanal”, evoluiu para “Semana Imperatrizense do Livro” (semana de dez dias…), até passar para “Salão do Livro de Imperatriz, nome que se mantém.

Como agregado de literatos e humanistas em geral, mas, antes disso, como uma reunião de pessoas cientes e conscientes, a Academia não para na letra, não limita a linha de seu verso e sempre aumenta pontos contando mais que contos – constrói realidade(s), pois que é em uma Realidade maior que ela atua e da qual é ao mesmo tempo agente e usuária. Assim, a Academia envolve-se em assuntos e desenvolve ações para além do espectro tradicional a que muitas entidades do gênero se circunscrevem. Porque, à maneira freiriana, antes de ler os livros é preciso ler o mundo. Antes de falar ÀS pessoas impõe-se falar COM elas.

Neste 27 de abril de 2026, a Academia veste-se novamente de azul e branco. O branco é da celulose (papel) que, sedenta, se deixa penetrar pelo líquido (tinta) da criação (literária). E o azul deve ser azul de metileno, que é aquele que, como ensina a Química, protege contra ataque de certos pequenos seres, funciona como antídoto contra envenenamentos e, ô, Glória!, ainda pode indicar que, embora as décadas, estamos menos enferrujados (a Química chama de oxirredução…).

Assim, a Academia distancia-se dos anos de experimentos e os consolida em três décadas e mais cinco anos de experiência(s), afirmando-se como tradição na História mas pensando a contradição do quotidiano.

É assim, centenariamente jovem, que a Academia Imperatrizense de Letras deve chegar à lã vermelha, quando completar um século, em 2091.

Porque velho não é o que nasce na centúria passada. Velho… é o que não vive o presente.

Porque velho não é ter nascido há anos.

Velho é não renascer a todo instante. Agora.

Chegaremos à terceira lã.

  • EDMILSON SANCHES

Fotos:
O prédio-sede da AIL, no centro histórico de Imperatriz, e Edmilson Sanches: criatura e criador.