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Canoas (RS), 21/06/2024 - A professora Suelem Furlanetto dentro de sala de aula na Escola Municipal Rio Grande do Sul, após enchente que atingiu toda a escola. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC), com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), recebe, até o dia 15 de maio, inscrições para o curso de aperfeiçoamento Conhecimentos Profissionais para o Ensino de Matemática na Educação Básica.

A atividade é voltada a professores efetivos ou temporários do 5º ou 6º ano do ensino fundamental ou que exerçam a função de formadores pedagógicos.

Para participar, os professores devem pertencer a escolas devidamente registradas no MEC e vinculadas a entes que tenham aderido formalmente ao Compromisso Nacional Toda Matemática.

As inscrições podem ser feitas no formulário disponível no site do MEC. 

São ofertadas 100 vagas para cada unidade da federação participante. Metade será destinada a professores do 5º ano do ensino fundamental e o restante aos do 6º ano.

O curso soma 180 horas de carga horária, estruturado pelo Instituto UFC Virtual (IUVI) e pelo Centro de Excelência em Políticas Educacionais (CEnPE) na modalidade a distância. A grade mescla encontros obrigatórios por vídeo com atividades no ambiente virtual. 

Também estão programados até dois encontros presenciais em locais a serem definidos pela coordenação do curso. Nesse caso, o MEC, em parceria com a UFC, cobrirá os gastos dos participantes. A ida dependerá somente da autorização dos dirigentes municipais ou secretários estaduais.

Receberão o certificado os participantes que cumprirem frequência mínima de 75% nas nas tarefas síncronas, ou seja, atividades feitas com os colegas, ao mesmo tempo. 

As informações sobre o processo seletivo e o curso estão disponíveis no edital, na página da UFC. 

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 29/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Inscrições para a Obmep Mirim. Crianças em sala de aula. Foto: IMPA/Divulgação

As escolas públicas e privadas de todo o Brasil têm até o dia 8 de junho para inscrever alunos do 2º ao 5º ano do ensino fundamental na Olimpíada de Matemática Mirim (Obmep Mirim), promovida pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

No caso de instituições de ensino públicas, as inscrições são gratuitas. As escolas terão que informar apenas o número de estudantes participantes da olimpíada. Não haverá inscrição nominal neste momento.

As inscrições podem ser feitas também pelas secretarias de Educação por meio do site oficial da olimpíada, utilizando o código MEC/Inep para criar uma senha de acesso. O login será feito com esse código e a senha cadastrada no momento da inscrição.

Desde o lançamento da Obmep Mirim, em 2022, mais de 15 milhões de crianças participaram das quatro edições anteriores. Somente na edição do ano passado, foram 5,067 milhões de estudantes inscritos, mobilizando quase 35 mil escolas públicas e privadas, informou nesta quarta-feira (29) à Agência Brasil o diretor adjunto do Impa e gerente de Olimpíadas, Jorge Vitório Pereira. 

A competição terá duas fases, sendo que a primeira, cujas provas serão aplicadas no dia 25 de agosto, é classificatória. A segunda etapa será em 10 de novembro. As provas são divididas em dois níveis, sendo um para alunos do 2º e 3º anos do ensino fundamental (Mirim 1) e outro para os estudantes do 4º e 5º anos (Mirim 2).

Cada prova terá 15 questões de múltipla escolha. As próprias escolas corrigirão as provas e classificarão os alunos para a segunda etapa.

Brincadeira 

Os alunos ganhadores da Obmep Mirim não recebem medalhas, mas certificados digitais, equivalentes a medalhas de ouro, prata e bronze.

“A gente tem um Comitê de Provas extremamente cuidadoso que está sempre pensando no nível ao qual as questões têm que ser aplicadas. Para o pessoal do fundamental, o objetivo é mais despertar curiosidade, trazer a matemática quase como um jogo, como uma brincadeira. Então, nada de conteudismo; é usar e abusar de gráficos, de figuras, trazer elementos da realidade das crianças, para que a Obmep Mirim seja um prazer, uma brincadeira”, destacou Pereira.

O diretor adjunto disse que, a cada ano, a iniciativa conquista mais escolas para o processo de estímulo ao ensino e à aprendizagem da matemática. “Eu acho que a gente só tem a ganhar. Você traz esse elemento de curiosidade, dá material extra e interessante para os professores trabalharem com as crianças na escola. Não tem caráter de competição, mas realmente é como se fosse um jogo, uma brincadeira, e já vai aproximando as crianças desse mundo, porque a Obmep, quando vira coisa dos meninos crescidos, traz muitas oportunidades para eles.”

Além de receber medalhas de ouro, prata e bronze, os ganhadores da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) – voltada para os últimos anos do ensino fundamental e o ensino médio –, têm também acesso a programas de iniciação científica, alguns inclusive com bolsa. “E, hoje, há universidades que já estão também aceitando a Obmep como um programa de acesso para vagas no ensino superior”, salientou Pereira.

Segundo ele, ao terem contato com o universo da Obmep Mirim, as crianças menores só têm a ganhar. “É mais um caminho, mais uma porta que elas conseguem ter. E sem falar de fazer tudo isso com leveza, trazendo o aspecto lúdico, criativo, da matemática para elas, que acabam entendendo que a matemática não é um bicho de sete cabeças.”

Interesse

Jorge Pereira ponderou que, nas primeiras séries do ensino fundamental, as crianças não têm tanta resistência ao aprendizado da matemática, que é construída um pouco depois. “Então, a gente chegar nesse momento e trazer o aspecto prazeroso, criativo, o aspecto lúdico da matemática para essas crianças, eu acho que ajuda bastante. Sem falar que a gente também está conseguindo incrementar a quantidade de material a que os professores passam a ter acesso.”

O diretor-geral do Impa, Marcelo Viana, explicou que a “Olimpíada Mirim foi pensada para despertar, desde cedo, o interesse pela matemática, tanto nos alunos quanto nos professores".

"Queremos contribuir para que o aprendizado aconteça de forma mais envolvente, estimulando a curiosidade e o raciocínio lógico dentro da sala de aula”, reforçou.

A estudante Sophia Dutra, de 11 anos, é uma das vencedoras das edições de 2024 e 2025 da Obmep Mirim. "Ela [a olimpíada] foi muito importante para o meu desenvolvimento porque tem uma estrutura muito diferente das outras provas. Tudo que o professor explica a gente consegue usar até em outras provas olímpicas”, disse a menina, que considerou a prova “divertida, legal e interessante".

A Obmep Mirim tem apoio da B3 Social, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de promoção dos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Este ano, o Impa fará também uma competição inédita, a 1º Olimpíada de Professores da Obmep Mirim. As inscrições poderão ser feitas no período de 4 a 29 de maio.

(Fonte: Agência Brasil)

28/04/2026 - Prêmio Mulheres Inovadoras destina R$ 3,6 milhões a startups. Representantes da Masima Macunaíma Soluções em Imagens Médicas, da região Sul.  Foto: Lucas Landau/Finep

O Prêmio Mulheres Inovadoras está com inscrições abertas e destinará R$ 3,6 milhões a 50 startups lideradas por mulheres. Serão selecionadas dez empresas vencedoras de cada região do país.

As inscrições podem ser feitas até dia 4 de maio, no site da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

As empresas selecionadas irão participar de uma aceleração com uma equipe de mentores e palestrantes das iniciativas pública e privada. Ao término, todas se apresentarão para uma Banca de Avaliação Regional.

Aquelas que cumprirem o processo de forma satisfatória receberão um prêmio de R$ 60 mil para usar no negócio. Duas de cada região do país serão escolhidas pela Banca para receber um prêmio no valor de R$ 120 mil.

Processo seletivo

Podem se inscrever startups brasileiras de todos os setores econômicos e que atendam aos seguintes critérios: 

  • Sede no Brasil e formalização há, pelo menos, três meses; 
  • Estrutura societária como Ltda., S/A, sociedade simples ou SLU; 
  • Receita operacional bruta de até R$ 4,8 milhões em 2025; 
  • Presença de, pelo menos, uma mulher sócia, com função executiva ou gerencial e participação relevante na empresa. O edital também contempla a participação de mulheres trans; 
  • Desenvolvimento de tecnologia ou modelo inovador próprio. 

De acordo com o edital, a seleção irá priorizar projetos alinhados a tecnologias estratégicas como: inteligência artificial, biotecnologia, internet das coisas (IoT), big data e computação em nuvem, blockchain, 5G e conectividade avançada.  

Mulheres Inovadoras

O Programa Mulheres Inovadoras é uma iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para estimular startups lideradas por mulheres por meio da capacitação e do reconhecimento de empreendimentos.

O Prêmio Mulheres Inovadoras, que faz parte do programa, está na sétima edição. 

Desde a criação, em 2020, o programa já acelerou 193 startups lideradas por mulheres e distribuiu R$ 10 milhões em prêmios. Em 2025, alcançou o recorde histórico de 657 inscrições. 

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 23/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Atriz NAtalia Reyes em cena do filme Aún es de noche en Caracas. Foto: Prêmios Platino Xcaret/Divulgação

Filmes dirigidos e protagonizados por mulheres são maioria entre os indicados ao principal prêmio do cinema ibero-americano, o Prêmio Platino Xcaret.

Conheça os concorrentes a melhor filma:

  • Ainda é noite em Caracas, das venezuelanas Marité Ugás e Mariana Rondon;
  • Belén, da argentina Dolores Fonzi;
  • Os Domingos, da espanhola Alauda Ruiz de Azúa;
  • O Agente Secreto, do brasileiro Kleber Mendonça Filho;
  • Sirât, do espanhol Oliver Laxe. 

O vencedor do Prêmio Platino será conhecido em 9 de maio, durante cerimônia em Cancún, no México. Parte dos indicados pode ser assistida em plataformas digitais.

Ao todo, 30 filmes e 19 séries compõem a lista de finalistas desta edição. São produções de 14 países ibero-americanos, incluindo sete produções brasileiras.

O Agente Secreto recebe oito indicações ao Platino Xcaret

Brasília (DF), 23/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Atriz Dolores Fonzi em cena do filme Belén. Foto: Prêmios Platino Xcaret/Divulgação

Presença feminina

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o destaque feminino reflete avanços no setor, embora a desigualdade ainda persista nos bastidores.

Diretora do Festival do Rio, a produtora brasileira Ilda Santiago pondera que o avanço ainda é circunstancial, já que a presença feminina ainda é menor em áreas técnicas, como montagem, fotografia e trilha sonora.

“Quando olhamos para a categoria principal do Platino, temos três mulheres, todas com experiência em cinema, que não estão lançando a primeira obra e isso é muito bem-vindo", destacou.

O Prêmio Platino, em 2026, tem as diretoras Fonzi e Azúa disputando com Mendonça e Laxe, que concorreram, em março, ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Já em montagem, fotografia e efeitos visuais, categorias técnicas, por exemplo, as mulheres são minoria.

Ilda Santiago considera que mulheres à frente das filmagens ampliam abordagens sobre a complexidade do nosso tempo. Essa presença também se reflete em sets mais equilibrados, com equipes “mais ricas e harmoniosas”.

A professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marina Tedesco avalia que as obras assinadas por mulheres no Platino trazem perspectivas que têm encontrado mais adesão nas telas e nas premiações, mesmo que este espaço não esteja consolidado na indústria.

Estudiosa do cinema latino-americano, Tedesco avaliou que, nos últimos anos, em função de movimentos sociais, pautas feministas, antirracistas e sobre diversidade ganharam força e passaram a se refletir tanto nas salas de cinema quanto nos festivais. A partir dessa mobilização, obras encontram mais facilidade para serem realizadas, acredita.

“Hoje há maior interesse por histórias que representam experiências que não foram vistas ou foram poucas vezes vistas nas telas”, disse Tedesco. Essa combinação aumenta o apelo comercial dos filmes, uma consequência positiva para o cinema e a sociedade.

Investimentos na cadeia do audiovisual são necessários para sustentar uma transformação de longo prazo, pondera Juliano Gomes, crítico e professor de cinema da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

“O cinema feito por mulheres floresce, em todo o mundo, quando há incentivos às pequenas e médias produtoras”, afirmou.

Segundo ele, com o fomento igualitário, todos os grupos sociais se beneficiam, incluindo pessoas negras, indígenas e LGBTQIA+.

Brasília (DF), 23/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Cena do filme Los domingos. Foto: Prêmios Platino Xcaret/Divulgação

Conheça as histórias

Entre os indicados, Belén exemplifica esse movimento. O roteiro é inspirado em um caso real de uma jovem presa após sofrer um aborto espontâneo, reacendendo debate sobre direitos das mulheres e desigualdades no sistema de Justiça.

O longa, marcado pela atuação da advogada da vítima, Soledad Deza, papel de Fonzi, recebeu 11 indicações aos prêmios Platino, incluindo, além de melhor filme, melhor atriz e diretora. 

Já Os Domingos narra o despertar da vocação religiosa da adolescente Ainara e o conflito que isso gera na família da menina, no País Basco. O longa é o terceiro dirigido por Alauda Ruiz, que constrói uma obra discutindo a família na contemporaneidade.

Também concorrendo a melhor filme, Ainda é noite em Caracas é um suspense em que a protagonista é uma mulher venezuelana que se vê sozinha ao voltar do enterro da mãe, em meio a protestos na capital, em 2017, tomada por milícias.

Os outros dois filmes na disputa de melhor filme ibero-americano são os conhecidos O Agente Secreto, já premiado internacionalmente — incluindo três prêmios Platino de melhor música original, montagem e direção de arte —, e o suspense espanhol Sirât, que ganhou Cannes, em 2025.

(Fonte: Agência Brasil)

Hoje, 1º de maio de 2026, o jornal "O Imparcial", de São Luís (MA), completa CEM ANOS. Uma edição de 40 páginas está circulando pelas bancas de jornais e revistas da capital maranhense e do interior, além de chegar às mãos de maranhenses pelo Brasil e o mundo e, também, aos gabinetes de autoridades políticas e gestores empresariais no país.

Hoje, 1º de maio de 2026, o jornal "O Imparcial", de São Luís (MA), completa CEM ANOS. Uma edição de 40 páginas está circulando pelas bancas de jornais e revistas da capital maranhense e do interior, além de chegar às mãos de maranhenses pelo Brasil e o mundo e, também, aos gabinetes de autoridades políticas e gestores empresariais no país.

Convidado pessoalmente pelo diretor de Redação, Raimundo Borges, compareço nesta edição com o texto "Imparcial. Imortal". Está ali na página 23. Quem desejar ver a edição em arquivo PDF, visite "O Imparcial" no "site": https://oimparcial.com.br/. Meu texto vai reproduzido abaixo. Vida longa a "O Imparcial". Parabéns. (E. S.)

*

CEM

Os místicos e numerologistas encontram ou constroem simbolismos e significados para algarismos e números. O número 100 é bem positivo: abundância, alto potencial, independência, integridade... Também a exploração do novo, a ideia de liderança...

Para tudo isso transmitir, é necessário – indispensável – existir. Se mesmo antes da explosão das mídias digitais, dos aplicativos multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz, a “coisa” já não estava fácil para os jornais impressos, imagine-se a sobrevivência na realidade “pós-moderna” de hoje.

Há 100 anos, exatamente desde 1º de maio de 1926, este “O Imparcial” existe. Há um século resiste. Resistiu a ameaças políticas... a crises econômicas... a concorrentes privilegiados... a planos governamentais malfadados... ao império da imagem, ao desprestígio da leitura... ao apelo visual, à preguiça mental... Talvez, deva-se escrever “resistência” com “x”: “rexistência” – pois a pré-condição para resistir é existir.

Este jornal é um resistente. Ao completar CEM ANOS, “O Imparcial” deixa de apenas registrar fatos. Ele passa a ser História.

Cem anos. Convenhamos: É muuuuita coisa. Como diz a Bíblia, Salmo número 100: “Celebrai com júbilo”.

COM

Estive no e COM “O Imparcial”. Fui diretor de sua sucursal em Imperatriz, Maranhão, década de 1980. Antes disso, fui seu colaborador, articulista. Revisitar suas edições de meio século atrás é uma mistura de lembranças e emoções... e coceira nas ventas, que ácaros e fungos, mofo e bolor cobram seu preço...

Sobre Imperatriz, destaco dois cadernos especiais que marcaram (e documentaram) aspectos da vida do município. Chamaram minha atenção e integraram minha coleção. Trata-se, um desses cadernos especiais, daquele que foi publicado em conjunto com o jornal de referência da Capital Federal, Brasília, o “Correio Braziliense”, do grupo (condomínio) dos Diários Associados, como “O Imparcial”. Esse caderno foi chamado de “O Maranhão de Corpo Inteiro”, de 35 páginas, publicado em 15 de março de 1987. Ali, a convite, compareci com artigo sobre a “Princesa do Tocantins” que ocupou duas das grandes páginas do jornal, formato “standard”, 35cm X 56cm. Meu texto era referência entre os 16 listados no Sumário ou Índice de Matérias.

Uma dúzia de anos depois, em 16 de julho de 1999, “O Imparcial” brindava com celulose, tinta e fatos os 147 anos da majestosa Imperatriz. Era um caderno de oito páginas, mais 12 páginas de outro caderno, exclusivo para a 31ª Exposição Agropecuária de Imperatriz, a tradicional Expoimp, que se realiza anualmente em julho, mesmo mês de aniversário da cidade. O município, que chegou a ter mais de 15 mil km2, ainda mantinha quase 6 mil km2 do seu antigo e grande território – depois cederia para novos municípios mais de três quartos do total de sua área, hoje se conservando com apenas 1.369 km2 (se o distrito de Lagoa Verde um dia não se tornar autônomo...).

Na direção da sucursal de “O Imparcial”, eu substituía o colega e amigo Sebastião Negreiros (1917-2003), nascido em Pau dos Ferros (RN) e decano do jornalismo imperatrizense à época. Ele se mudara para São Luís, e eu fui procurado para teclar as letras e tocar o jornal. Éramos eu, o Tasso Assunção, repórter, a quem chamava meu secretário de Redação; a Thethê na coluna social; a Odete na área administrativa e comercial; e a Maria José no apoio ao escritório e à redação.

Um dos grandes momentos da equipe de “O Imparcial” de Imperatriz foi dar em primeira mão, na edição de 20 de abril de 1988, a notícia da condenação do pistoleiro Geraldo Rodrigues da Costa, o “Geraldão”, um dos responsáveis pela morte do padre Josimo Tavares Morais (1953-1986). Geraldo foi sentenciado a 18 anos e seis meses de prisão no julgamento que se encerrou praticamente à meia-noite do dia anterior, 19. Os colegas de “O Imparcial” em São Luís mantiveram a primeira e a oitava páginas abertas, esperando meu texto com a prolatação da sentença pelo juiz Raymundo Liciano Carvalho. Liciano, falecido em 23 de abril de 2018, era filho de Mirador (MA). Já tinha sido delegado de Polícia e advogado. Residia em Imperatriz desde março de 1984, dez anos de magistratura em 1986. Era fisicamente magro, pequeno, mas de olhar e posições firmes, como se via pessoalmente ou nas entrevistas à TV. Era conhecido meu, ele e o promotor Mílton dos Santos Mattos, ambos meus clientes no banco federal em que eu trabalhava.

No salão do Fórum da Justiça Estadual em Imperatriz, podia-se jogar um carambolo para cima que ele não cairia no chão... Lotado o espaço. Jornalistas de todo o país e de diversas partes do mundo. BBC de Londres. Revista “Veja”. Nomes nacionalmente famosos do Direito estavam lá. Aquela terça-feira, 19 de abril, começara com chuva. Igreja, sindicatos e outras instituições e movimentos se manifestavam e se esbaldavam por toda a cidade e região. Afinal, guardavam, na garganta, um grito que começara a ser dado dois anos antes, em 10 de maio de 1986, dia do assassinato de Josimo em uma escada do edifício da Diocese de Imperatriz, onde fui o primeiro jornalista a chegar, logo que informado dos tiros contra o sacerdote.

A demorada espera da equipe ludovicense de “O Imparcial” foi compensada. Após aquela meia-noite, que migrara do dia 19 para o dia 20 de abril de 1988, um texto ocupando 5cm X 6cm na primeira página e a manchete principal na página 8 (policial), de 20cm X 13cm, com fotos do padre morto e do pistoleiro matador, asseguravam a “O Imparcial” o “furo” jornalístico já na edição da manhã de 20 de abril, poucas horas após a sentença do juiz Raymundo Liciano.

Entre as diversas notícias do cotidiano imperatrizense, um segundo momento de destaque foi a reportagem sobre o “leilão de virgens”, meninas menores de idade que eram persuadidas por promessas de mulheres e seduzidas por dinheiro de homens em leilões em casas exclusivas na periferia de Imperatriz, destino de “poderosos” da região. Algum tempo depois, em Fortaleza (CE), encontrei-me com o jornalista paulistano Gilberto Dimenstein (1956-2020), que lançava, na capital alencarina, seu livro “Meninas da Noite – A Prostituição de Meninas-escravas no Brasil”, de 1992, no qual Imperatriz é um dos lugares da investigação do reconhecido escritor e homem de Imprensa, que integrou o Conselho de Redação do jornal “Folha de S.Paulo”. Na dedicatória em meu exemplar, como a lembrar minha anterioridade na apuração e cobertura de fatos como aqueles que ele registrou, Dimenstein escreveu: “Para Edmilson Sanches, testemunha ocular”.

Não importa quantos anos mais desejemos a “O Imparcial”: mais cem... mil... Não importa.

Ele é um jornal para sempre.

Imparcial.

Imortal.

* EDMILSON SANCHES

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EDMILSON SANCHES foi diretor da sucursal de Imperatriz (MA) na década de 1980.