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Paraty (RJ), 25/07/2026 - A filósofa e escritora Angela Davis participa da mesa América e África: uma conversa Atlântica durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP, no Sesc RJ. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e também Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrados no último sábado (25), a ativista e pesquisadora Angela Davis foi um dos destaques da programação da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela participou de evento público e gratuito no Sesc Caborê. A conversa com a jornalista Flávia Oliveira fez parte da programação paralela da Festa, que se encerrou ontem (26).

“Nós podemos sentir a presença dos ancestrais aqui nesse lugar, que tiveram papel fundamental durante o período da escravização”, disse a ativista sobre a cidade de Paraty,  palco do festival literário. 

Segundo ela, o processo de luta pela liberdade do movimento negro tem uma dimensão cultural, que estava sendo celebrada na ocasião do evento. “Há algo sobre a natureza da música, da arte e da literatura que nos permite alcançar dimensões que não são alcançáveis de outro modo”.

A ativista denunciou, ainda, o processo de gentrificação e racismo ambiental na cidade. “Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental. Os jovens nos falam que estão preocupados com o meio ambiente, que eles não têm futuro. Eles não terão futuro para viver neste planeta. Aqui em Paraty, tentam criar meios para ganhar mais lucro, tirando as pessoas das suas terras, das terras dos seus ancestrais”, disse Angela.

Gentrificação é o processo em que a valorização de um bairro eleva o custo de vida e acaba expulsando os moradores mais pobres para regiões mais periféricas.

A ativista relatou que teve a oportunidade de conversar com a própria comunidade em Paraty. “Podemos escutar o que está acontecendo aqui nessa área. Não devemos prestar atenção apenas na literatura, mas devemos prestar atenção nesse papel da literatura de influenciar as pessoas e promover mudanças”.

Angela afirmou que estava feliz em participar da mesa de conversa e lamentou que o convidado Wole Soyinka, primeiro africano a vencer o Nobel de Literatura, não estivesse presente devido a questões de saúde. Ele dividiria a mesa com ela. Angela agradeceu, ainda, a presença da escritora mineira Conceição Evaristo, que estava na plateia.

“É um prazer que ela esteja aqui presente. Muito obrigada pela sua literatura tão bela”.

Para a ativista, Conceição está no mesmo patamar de relevância da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison, ambas norte-americanas.

Ao comentar sobre a "escrevivência", conceito literário criado por Conceição Evaristo, a ativista mencionou que demorou muito tempo para o reconhecimento de que as pessoas negras precisavam contar e compartilhar as próprias histórias. “Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal.”, afirmou, ao citar a primeira mulher negra a receber um Prêmio Nobel de Literatura, em 1993. 

Com mediação da jornalista Flávia Oliveira, que foi apresentando nomes de pesquisadores e ativistas relacionados ao movimento negro, ambiental e de direitos humanos, Angela comentou sobre as contribuições da brasileira Beatriz Nascimento. “Quando ela falou ‘eu sou atlântica’, ela emitiu o sentimento que nos chega a todos, que nos faz sentir parte de um mundo gigantesco”. 

“O internacionalismo foi minha primeira iluminação”, disse.

A ativista contou que chegou a ir para a França e pensou que encontraria igualdade, liberdade e fraternidade, que foram elementos chave do discurso durante a Revolução Francesa. “Eu não encontrei o que estava procurando. Eu descobri a revolução argelina. Os argelinos estavam sob ataque da polícia francesa. Então, eu descobri que eu poderia estar em solidariedade com as pessoas na França, que eu poderia ser parte de algo maior, que é o que Beatriz Nascimento diz quando ela fala ‘eu sou atlântica’”.

Lélia Gonzalez

Angela Davis também citou a autora e ativista brasileira Lélia Gonzalez, referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe.“Eu amo a Lélia Gonzalez”, afirmou.

Ela acrescentou que Lélia é uma inspiração há muito tempo, destacando o conceito da Amefricanidade da ativista e professora. “Naquele conceito, ela reconhece que a luta negra, em qualquer parte do mundo, não pode acontecer também sem o povo indígena”, disse, ao exemplificar o conceito.

“Eu gostaria de dizer que a Lélia Gonzalez é uma crítica do capitalismo, algo que precisamos fazer na primeira era dos trilionários, especialmente porque temos bilionários e trilionários que estão explorando a terra, não se preocupam com nada mais do que fazer dinheiro sem pensar nas consequências”, mencionou. 

Na crítica que fez aos trilionários, ela ressalta que eles não representam o futuro do planeta. “Devemos considerar que essas pessoas são o motivo pelos quais a vida é tão difícil para tantas outras pessoas no planeta. O capitalismo acaba lucrando mais”.

Para Angela, uma das dificuldades enfrentadas para que as pessoas habitem o planeta de forma justa e equilibrada decorre do sistema capitalista. Ela enfatizou que a exploração e destruição atingem, além dos recursos naturais, os próprios seres humanos. 

Contexto atual

Paraty (RJ), 25/07/2026 - A filósofa e escritora Angela Davis participa da mesa América e África: uma conversa Atlântica, mediada pela jornalista Flávia Oliveira,

 durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP, no Sesc RJ. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A ativista comentou também sobre o prejuízo às populações por causa da ascensão de governos autoritários e afirmou que o povo é mais forte do que o fascismo que pretende governá-lo. “Fascimo é uma coisa que está emergindo na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, mas não entre o povo”, disse. Ela citou, ainda, as eleições no Brasil neste ano, mencionando que não se pode permitir que candidatos alinhados ao fascismo sejam colocados no poder.

A redução da jornada de trabalho e a inclusão de pessoas negras nas universidades também foram temas abordados pela ativista. Segundo ela, a redução de jornada poderia permitir mais tempo de lazer e oportunidade de acesso à cultura aos trabalhadores. Angela conta que alguns lugares da Europa já estão vivenciando a redução da jornada de trabalho.

“Na primeira vez em que visitei o Brasil, havia poucos negros na universidade. Eu estava aqui e eu vi um novo sistema universitário se desenvolver na Bahia, eu vi mudanças palpáveis e nós devemos celebrar essas mudanças porque vocês as conquistaram. Nós conquistamos essas vitórias, mas não nos acomodemos com essas vistorias. Temos que continuar lutando”.

Luta popular

Como forma de demonstrar o poder da luta coletiva contra as pessoas em posição de poder, Angela rememorou o período de sua prisão. “Eu digo que eu não fiz muito, eu estava sentada na prisão. As pessoas estavam nas ruas gerando o movimento que impediria que aqueles homens que estavam no poder tomassem essa decisão [pela pena de morte]”.

“Essa experiência me trouxe o ensinamento de que as pessoas se unindo além das fronteiras podem impedir as pessoas [que violam direitos]. Em todo o mundo, as pessoas disseram: não vamos permitir que nossa irmã seja executada”, concluiu.

Perseguida por seu ativismo no Partido Comunista e nos Panteras Negras, ela foi presa sob a falsa acusação de conspiração, sequestro e homicídio. Em diversas partes do mundo, houve protestos por sua libertação.

Ao contar sobre esse período da vida, ela disse acreditar que a maior parte do que fez no ativismo e no trabalho acadêmico foi porque a prisão lhe trouxe uma evolução.

“Quando olho pra trás naquele período, vejo que foi um presente. Eu fui moldada pelo que passei naquela cadeia, com a experiência com aquelas mulheres que estavam encarceradas também. Nunca pensei que isso acabaria moldando a minha vida”.

Angela se lembrou, ainda, da luta em defesa da Palestina, da qual participa desde a década de 60. "Uma das vantagens de a gente ficar velha é que a gente acaba reconhecendo que as coisas podem mudar. Eu digo isso porque, por um longo período, parecia que seria impossível a opinião pública mundial ser contrária ao Estado de Israel", afirmou. 

Violência contra mulheres

Ao comentar sobre violência de gênero, Angela citou que não há apenas a violência íntima, que ocorre no âmbito doméstico, mas aquelas cometidas pelo Estado.

“Vamos pensar também na violência do Estado, as conexões entre a violência íntima e a violência contra mulheres que estão encarceradas, por exemplo, as mulheres sujeitas a violência policial. Isso acaba aumentando a medida da violência no mundo e no contexto da violência íntima”, disse ela.

A ativista se lembrou da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. “E eu quero dizer obrigada a Marielle. Muito obrigada, Marielle Franco", disse, ressaltando que sua irmã Anielle Franco se dedica a continuar o legado de Marielle.

Para a ativista, a violência contra a mulher é uma das mais perversas. Ela apontou os grupos mais vulneráveis, nesse contexto. “Eu acho que aprendemos que nós [mulheres negras] somos as que sofremos mais [violência de gênero], e nós sabemos que as mulheres trans negras aqui no Brasil e nos Estados Unidos sofrem muito mais violência do que outro grupo de mulheres. Isso nos indica que temos que quantificar isso de algum modo”.

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 24/07/2026 – Tenda que abrigará parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói(RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) realiza, deste domingo (26) até o próximo sábado (1º/8), a 78ª reunião anual, considerada o maior encontro científico da América Latina. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas para participar de mais de 250 atividades no campus da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O tema escolhido para o evento deste ano é Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão. 

De acordo com a diretora da SBPC, Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, a escolha do tema está alinhada à visão da ciência como ferramenta de transformação da sociedade. 

"Este é um ano extremamente importante, com as eleições, em que a gente está pensando no futuro. E sem ciência, não existe um futuro que vá trazer desenvolvimento social, desenvolvimento econômico, porque a ciência está envolvida com todas as áreas, desde segurança alimentar a sustentabilidade, saúde. E todas essas áreas estão contempladas aqui", disse.

A programação científica trará cerca de 500 palestrantes, de 23 Estados, incluindo grandes nomes da ciência. As conferências, mesas-redondas e sessões especiais transitarão por cerca de 20 trilhas temáticas, que ligam diversas áreas do conhecimento ao tema principal. 

Rio de Janeiro (RJ), 24/07/2026 – A secretária-geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Andrea Macedo durante apresentação da programação da 78ª Reunião Anual da entidade, que acontece na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Andrea Macedo

A coordenadora-geral do evento, Andrea Macedo, disse que as discussões englobam desde inteligência artificial até a exploração de terras raras. 

"A SBPC sempre teve esse papel de provocar transformações e debater qual país a gente deseja. O papel da reunião, mais do que qualquer outro, é de promover, provocar, inspirar e divulgar um mundo melhor", afirmou.

E para fazer jus ao lema Ciências para todos, a programação abrange não apenas atividades acadêmicas, mas também apresentações culturais, exposições e espaços de divulgação da ciência para a população em geral. 

O reitor da UFF, Antônio Claudio Lucas da Nóbrega, reforça que o campus estará de portas abertas, e toda a programação é gratuita. 

"Esse aspecto da inclusão da população é fundamental, não somente para que as pessoas compreendam o papel da ciência e tecnologia na sua vida cotidiana, mas que também possam ser soberanos como indivíduos e contribuir com o país soberano através do conhecimento", disse.

Dentro dessa proposta, três espaços se destacam. A ExpoT&C com 69 expositores, incluindo universidades, institutos de pesquisa e museus para apresentar iniciativas inovadoras. 

Na área reservada para a SBPC Cultural, estarão concentradas as apresentações de música, teatro e outras exposições artísticas. 

A tenda SBPC Jovem promoverá uma grande feira de ciências com oficinas e atividades interativas, voltadas principalmente para estudantes e professores da educação básica. Alunos e profissionais das escolas públicas municipais de Niterói já têm presença garantida. 

Rio de Janeiro (RJ), 24/07/2026 – O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega durante apresentação da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da universidade, em Niterói (RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Antonio Claudio da Nóbrega

O ponto alto de participação da comunidade é o Dia da Família na Ciência, tradicionalmente realizado no último dia da reunião, sábado, quando o público poderá participar de diversas atividades especialmente planejadas para aproximar pessoas de todas as idades da produção científica brasileira. 

O evento terá, ainda, dois espaços dedicados a discussões de gênero, diversidade e equidade e aos saberes afro, indígenas e de comunidades tradicionais. 

Na manhã de segunda-feira (27), os participantes farão um ato contra o feminicídio, reafirmando o compromisso da comunidade científica com o combate à violência contra as mulheres. 

Para facilitar a participação de todos, pessoas com deficiência poderão contar com centrais de acessibilidade espalhadas pelo campus, além de recursos como carros de transporte para pessoas com mobilidade reduzida, material em braile e espaços de regulação para neuroatípicos.  

"Todas as pessoas têm direito a experimentar a ciência, praticar ciência e se beneficiar dela. À medida que você tem olhares diferentes, histórias de vidas diferentes, os problemas complexos passam a ser abordados de maneira mais ampla. Então, também é um exercício para responder melhor aos desafios do país", enfatiza o reitor da UFF. 

Durante a reunião, a SBPC também vai divulgar o documento Vozes da Ciência – O Brasil que queremos, com 117 propostas da comunidade científica para os candidatos que vão disputar a eleição deste ano, em todas as esferas de poder. 

Rio de Janeiro (RJ), 24/07/2026 – A diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ana Tereza Vasconcelos durante apresentação da programação da 78ª Reunião Anual da entidade, que acontece na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Ana Tereza Vasconselos

"Foram cinco meses de trabalho, em que nós organizamos debates com pesquisadores de todo o país. Aqui, a gente tem uma síntese do que acreditamos ser mais importante para termos um país com desenvolvimento social, científico, político e econômico", resume a diretora da entidade, Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos. 

Serviço

Encontro nacional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Abertura oficial: 26 de julho

Programação científica e cultural: 27 de julho a 1º de agosto

Campus do Gragoatá da Universidade Federal Fluminense – Niterói (RJ)

Entrada gratuita

Inscrições e informações no site da SBPC

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro - 25/07/2026 - Pela primeira vez no Brasil, a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah  chega à @flip_se com a edição brasileira de Noite no Coração . Foto: Bazar do tempo

A Festa Literária de Paraty (Flip), na 24ª edição, teve uma escolha relevante para ampliar a diversidade geográfica e cultural dos convidados, reunindo escritores de diferentes países e trajetórias.

Um dos destaques é a escritora franco-mauriciana Nathacha Appanah, cuja obra mais recente narra os destinos de três mulheres submetidas à violência doméstica. A convidada esteve em mesa do programa principal da Flip, na última sexta-feira (24).

Com uma obra marcada pela investigação das violências íntimas e sociais, a escritora define Noite no coração (Bazar do Tempo), traduzido e publicado em mais de 15 países, como uma tentativa de romper o silêncio.

As personagens têm origem em histórias reais, sendo uma delas inclusive a própria autora. As outras duas foram assassinadas por seus companheiros.

Ela relatou que a obra traz elementos não apenas de um relato, mas de romance e reflexão.

“Tudo isso estava contido neste livro e que, sobretudo, havia nele a tentativa de uma escritora de colocar adiante a linguagem e sua própria condição”, disse, durante o evento.

A autora contou ainda que, no início da produção da obra, há mais de cinco anos, tinha consciência de que se tratava de um livro primeiramente sobre o tempo.

“Eu tinha a impressão de que a única coisa que eu poderia fazer como objetivo literário seria contrair o tempo, fazer com que três mulheres que jamais se encontraram ou conheceram existissem no mesmo local, trazer essas três existências pra dentro do livro”.

Nascida nas Ilhas Maurício, dentro de uma família de imigrantes indianos e que se radicou na França, Nathacha explicou como a ideia de deslocamento e de migração marca sua vida e sua escrita.

“O que eu aprendi antes dos deslocamentos, antes do que é deslocamento, é que nenhuma língua é superior às outras. Havia a língua do coração, da intimidade, da escola. Havia a língua que nós falamos com um vizinho específico, uma língua de sedução”, disse.

“E todas essas línguas na minha casa, na minha vida, formavam uma espécie de existência. As Ilhas Maurício ficam muito longe de tudo, e nessa casa estranha – eu digo estranha, mas era muito bela – eu tinha a impressão de ter o mundo ao meu alcance”, concluiu.

A escritora mencionou que morava com seus pais e avós, duas gerações que já apresentavam diferenças importantes entre elas e que marcaram sua vivência.

“Meus avós eram pessoas que nasceram e viveram numa plantação de cana-de-açúcar na era colonial. Eles falavam uma língua indiana, que é minha língua materna”.

“E, ao lado dos meus pais, que eram pessoas instruídas, que frequentavam a escola, que trabalhavam, eu tinha a impressão de viver como num fio que se estendia entre um passado que eu jamais havia conhecido, mas cujas histórias chegavam até mim porque minha avó contava muitas coisas, ela me falava em várias línguas. Por outro lado, havia meus pais que viviam numa modernidade voltada para o exterior, para fora”, acrescentou.

Na mesma mesa, estava também a brasileira Bethânia Pires Amaro, que em Ressalga (Record) traz o tema da violência de gênero, em uma narrativa sobre três gerações de mulheres na Bahia.

Para narrar a vida de personagens, a escritora relatou que uma das ferramentas é recorrer ao realismo mágico.

“O realismo mágico acaba trazendo um olhar muito rico e muito particular que permite uma aproximação um pouco mais indireta. E que vai brincar um pouco também com essa imaginação do leitor, vai mostrar, por exemplo, essas mulheres não reduzidas àquelas violências, mas como seres que realmente estão florescendo”, disse.

(Fonte: Agência Brasil)

Paraty (RJ), 24/07/2026 - A escritora Ana Rüshe fala sobre o livro Carga Viva durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Para as autoras mulheres, só escrever nunca é uma opção. Autora do livro Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras (Bazar do Tempo), a pesquisadora Ana Rüsche conclui que essa é uma marca identificada entre os nomes reunidos na obra, como Martha de Hollanda (1903-1950), Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962) e Beatriz Nascimento (1942-1995).

“São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Isso é muito comum na vida das poetas, elas sempre fazem várias coisas ao mesmo tempo: elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres. Só escrever nunca é uma opção”, declarou Ana, que é professora de teoria literária na Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à Agência Brasil.

Na obra, que tem coautoria de Lubi Prates, as escritoras traçam um panorama da poesia brasileira escrita por mulheres, do século XVIII às primeiras décadas do século XXI, que sofreram com o apagamento histórico. Além de reunir poemas das autoras, o livro apresenta os perfis e suas trajetórias pouco conhecidas, além de difundir pesquisas sobre essas poetas. Com isso, a obra propõe novas referências para o estudo da literatura brasileira.

As autoras viveram momentos-chave da história do Brasil, como o movimento pela independência, a luta pelo voto feminino e o fortalecimento da imprensa feminista, chegando à recente expansão da diversidade no mercado editorial, com representantes contemporâneas como Conceição Evaristo.

Ana Rüsche participou de roda de conversa na Casa Sete Selos + Gama, Megafauna e Supersônica, que levou o nome de seu livro, na noite da última quinta-feira (23), durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Participaram da mesa também Claudia Roquette Pinto, Esmeralda Ribeiro, Maria Manoella e Marília Kubota.

Neste ano, a autora homenageada da Flip é a poeta Orides Fontela (1940-1998), cuja obra também permaneceu invisibilizada diante do grande público durante boa parte da vida e mesmo depois de sua morte.

Confira os principais trechos da entrevista

Agência Brasil: 

Qual é o diferencial da obra Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras?

Ana Rüsche: 

O livro recupera obras que estavam esquecidas e separadas. Um dos méritos do livro é fazer a reunião, organizar esse corpus de poemas que estavam todos fragmentados, espalhados de alguma forma. Eu acho que só de mostrar o que existe é uma grande contribuição, porque a gente não só conta a história, mas comprova ali o que existe esteticamente, para que as pessoas possam procurar outras poetas ou mais obras dessas poetas que trouxemos para o livro.

Porque recuperar a obra é muito difícil e, por isso, que a gente se vale do trabalho prévio de historiadoras, jornalistas e estudiosas da literatura escrita por mulheres desde o século XIX, acho que isso é importante mencionar. Houve muitas obras anteriores de recuperação de obras [de cada poeta], que, inclusive, são citadas e usadas no livro.

Agência Brasil: 

Como surgiu a ideia para esse livro?

Ana Rüsche: 

A ideia do livro surgiu a partir de um curso que Lubi Prates deu sobre as poetas mulheres esquecidas. Para isso, ela se valeu de um livro que é superimportante: o Dicionário de Escritoras Mulheres, da Nelly Novaes Coelho. A Lubi selecionou as poetas e foi atrás dos poemas. Só que têm poemas, por exemplo, que foram recuperados em tese [acadêmica]. No caso da [poeta] Beatriz Brandão [1779-1868], tem a tese que se chama Fruto Contestado, da historiadora Cláudia Pereira, que recupera essa obra, ela passou 13 anos em um arquivo.

Mas têm outras autoras cujos poemas estão completamente esparsos, espalhados, e a gente teve que consultar, por exemplo, a hemerotecas. No caso da Ângela Rangel, que é a nossa primeira poeta, nós conseguimos os fac-símiles. Então, a gente tem que consultar o livro digitalizado, que é superantigo lá do século XVIII e, a partir disso, refazer. Então, é bem manual o sistema mesmo. Em alguns casos, é bem difícil. Às vezes, surpreendentemente o que a gente achava que era um poema completo era um fragmento de um poema. 

Paraty (RJ), 24/07/2026 - A escritora Ana Rüshe fala sobre o livro Carga Viva durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Agência Brasil: 

Quais lutas atravessam a vida e a obra dessas poetas?

Ana Rüsche: 

Eu acho que publicar por si só é uma luta histórica, isso entre homens e mulheres, porque [havia dificuldade] no acesso à publicação no Brasil. E nós tivemos vários períodos de censura no Brasil ou então “regulamentação estatal da imprensa”, como acontecia no período colonial ou no império, que tinha uma regulamentação da imprensa. Então, demora para os livros de mulheres aparecerem com suas obras.

Além disso, uma luta que também é bem antiga, desde o Brasil colonial até os dias atuais, é pela educação de outras mulheres. Eu sempre gosto de falar que nem a Virgínia Woolf teve acesso à universidade. O acesso a uma instrução de qualidade e universal demora muito para acontecer e ainda não aconteceu no Brasil. A gente teve muitas mulheres que brigaram pela educação das mulheres.

Um caso emblemático é o da Maria Firmina dos Reis, que era uma mulher negra e estava muito preocupada com a educação de garotas negras e empobrecidas. Têm muitas poetas que foram professoras, como a Narcisa Amália. Tem as jornalistas, que expandiram a imprensa feminina, a imprensa escrita por mulheres, como a Patrícia Galvão.

Agência Brasil: 

Tem também a luta pelo voto feminino.

Ana Rüsche: 

No começo do século XX, a gente tem [uma questão] muito importante que é a luta pelo voto feminino. Têm várias mulheres que fizeram parte disso. Inclusive, eu brinco que a gente perde as poetas para a política, porque elas se engajaram tanto que elas pararam de escrever poesia. A Martha de Hollanda é uma das [autoras] que têm uma preponderância nessa questão.

Também no século XX, aparecem muito as mulheres que organizaram, por exemplo, o movimento negro: a Beatriz de Nascimento, a Miriam Alves, a Conceição Evaristo, que são nomes com força muito grande para discutir a questão racial.

São mulheres que não só têm que escrever, mas têm que organizar a luta política, têm que organizar a própria crítica. Isso é muito comum na vida das poetas, elas sempre fazem várias coisas ao mesmo tempo: elas traduzem, publicam, organizam outras mulheres. Só escrever nunca é uma opção. E, nos dias atuais, o nosso grande desafio é fazer com que essa produção consiga ser lida.

Agência Brasil: 

Tem um poema que é da Adélia Fonseca (1827-1920) e fala sobre o feminicídio de Julia Fetal, ainda que o termo não tenha sido usado na época, pelo ex-noivo dela. Você poderia contar a história em torno dele?

Ana Rüsche:

 Essa postura de denúncia do feminicídio é bem antiga. A gente vê quão antigo é isso, e a força da poesia em fazer essa denúncia, porque a gente, às vezes, acha que a literatura não é capaz de nada. Mas isso ajudou a opinião pública a entender o que estava acontecendo nesse caso. Não foi simplesmente uma morte, foi um assassinato muito específico cometido por uma força patriarcal.

A relevância desse tipo de produção é também poder observar como isso está entranhado na cultura brasileira, não é algo que aparece misteriosamente no século XXI, essa licença para matar é muito antiga. E é muito antigo também o sentimento de injustiça. [Neste poema,] tem esse senso de injustiça profunda, foi um poema muito famoso naquele momento histórico, ele repercutiu. Inclusive, um dos versos dele está na lápide da Julia Fetal.

Agência Brasil: 

Você escreveu um romance em que utilizou a experiência que teve na construção do Inesquecíveis. Você me conta um pouquinho como foi isso?

Ana Rüsche: 

Eu fiz uma [personagem] pesquisadora que recupera a obra de um poeta. No caso, o homem, mas justamente por causa desse livro. Embora seja uma obra fictícia, um poeta fictício dos anos 80 que tinha HIV e poemas fictícios, ela parte de uma experiência real. Porque agora que o livro está pronto, fica chique. Mas, no dia a dia, as pessoas acham pouco importante a pesquisa: ‘por que você está recuperando uma obra de uma pessoa que ninguém leu no século XIX?’

Eu tenho certeza que as pesquisadoras que fizeram essas teses [sobre poetas mulheres e suas obras] em que nós nos baseamos ouviram isso em algum momento. Então, esse senso de desproporção do quão importante é a memória eu tento retratar bem no Carga Viva.

Justamente a pesquisadora Cláudia Pereira, que eu citei antes, da tese Fruto Contestado, ela ficou 13 anos num arquivo. A gente tinha que colocar um pedestal para esse tipo de pesquisadora, porque ela está nos devolvendo a nossa memória histórica. É uma força muito específica de mergulhar numa pesquisa que todo mundo acha que não vale a pena. Então, eu tentei assim trazer um pouquinho desse drama também para a ficção.

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Apurar possíveis irregularidades no funcionamento dos estabelecimentos e na atuação dos profissionais de Educação Física é o objetivo principal do Inquérito Civil instaurado pelo Ministério Público do Maranhão (MP/MA) ao analisar o relatório encaminhado pelo Conselho Regional de Educação Física do Maranhão (Cref21/MA) a respeito das fiscalizações ocorridas em academias, centros de treinamento e estabelecimentos similares de São Luís. Com base no documento apresentado pelo Cref21/MA, o MP/MA convocou representantes legais de 231 academias da capital para audiências coletivas, entre os dias 3 e 7 de agosto, para regularizar a situação. Os encontros presenciais vão ocorrer no auditório das Promotorias de Justiça da Capital, localizado no Edifício Promotor Celso Magalhães, no Calhau, sempre às 13h. 

Vale destacar que as vistorias técnicas do Cref21/MA apontaram várias irregularidades. Entre elas, a inexistência de responsável técnico regularmente registrado, a falta de profissionais de Educação Física habilitados durante o horário de funcionamento e inconsistências na documentação dos estagiários. Em alguns casos, também foram identificados problemas operacionais e de segurança nas unidades da capital maranhense como ausência de alvará de funcionamento, licença sanitária e registro do estabelecimento. 

Ao instaurar o Inquérito Civil, a promotora de Justiça Alineide Martins Rabelo Costa justificou que tais pendências comprometem diretamente a saúde e a integridade física dos consumidores. 

“A prestação de serviços de atividades físicas está diretamente relacionada à proteção da saúde, da segurança e da integridade física dos consumidores, razão pela qual a observância das normas legais, regulamentares e técnicas aplicáveis, bem como a atuação de profissionais legalmente habilitados e regularmente inscritos perante o Conselho Profissional competente, constituem requisitos essenciais para a adequada prestação dos serviços colocados no mercado de consumo, incumbindo aos fornecedores o dever jurídico de assegurar ambiente seguro, adequado e permanentemente supervisionado por profissionais habilitados, de modo a prevenir riscos à saúde e à segurança dos consumidores e garantir a qualidade dos serviços oferecidos”, explicou na Portaria nº 31/2026. 

Clique aqui e confira a lista de todos os representantes legais das 231 academias convocadas para as audiências coletivas do MP/MA. 

Envio de documentos 

Antes do comparecimento presencial, os responsáveis devem encaminhar toda a documentação até o dia 2 de agosto de 2026. No dia da audiência, os convocados devem portar os documentos originais ou cópias autenticadas, acompanhados de cópias simples para conferência. 

A lista de documentos obrigatórios compreende os dados cadastrais atualizados da empresa, o alvará municipal, a identificação do responsável técnico e seu comprovante de regularidade profissional. Os proprietários também devem apresentar a relação atualizada dos profissionais de Educação Física em atividade e a documentação comprobatória dos estagiários contratados. 

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Brasília - 27/06/2023 - O Programa Universidade Para Todos (Prouni) oferta bolsas de estudo, integrais e parciais (50% do valor da mensalidade do curso), em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições de educação superior privadas. As inscrições podem ser feitas pelo celular ou pelo computador. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os candidatos da primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) para o segundo semestre de 2026 devem ficar atentos ao prazo final, nesta sexta-feira (24), para a entrega da documentação que comprove as informações prestadas na inscrição à instituição privada de ensino superior para a qual foram pré-selecionados.

Os inscritos no processo de seleção para bolsas de estudo podem conferir diretamente no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior na parte do Prouni, se estão na lista da primeira chamada, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC)  no último dia 15.

Documentação

A documentação comprobatória exigida está descrita no edital do processo seletivo.

A faculdade privada onde o candidato foi pré-selecionado poderá escolher se a documentação poderá ser entregue presencialmente ou ser deverá ser encaminhada por meio virtual/eletrônico.

No momento do recebimento dos documentos dos candidatos à bolsa, a instituição deverá emitir um documento que confirme a entrega.

A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário.

Bolsas de estudo

O Prouni oferece bolsas de estudo integrais (que custeiam 100% do valor da mensalidade) e bolsas parciais (50% do valor da mensalidade) em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior.

Neste segundo semestre, o programa federal oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.

Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais. 

Ações afirmativas

O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos. 

Para pessoas com deficiência, foram ofertadas 35.365 bolsas; para pretos, pardos e indígenas 188.880; e, para a ampla concorrência, as demais 247.059 bolsas de estudo.   

Novas possibilidades de conquistar uma vaga

Os candidatos que não foram convocados nesta primeira chamada do Prouni deste segundo semestre ainda poderão participar da segunda chamada ou manifestar interesse na lista de espera.

Após as duas chamadas, aqueles que não forem pré-selecionados ou que tiverem a inscrição indeferida por não formação de turma poderão disputar as bolsas eventualmente não preenchidas, conforme os critérios estabelecidos no edital.

Os estudantes contemplados com bolsa parcial também podem usar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para complementar o pagamento da mensalidade da instituição privada, desde que o curso e a instituição de ensino ofereçam essa possibilidade.

Cronograma do Prouni 2036

O Ministério da Educação (MEC) estabeleceu o seguinte cronograma para as próximas etapas do Prouni 2/2026:

· comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na primeira chamada: de 15 a 24 de julho;

· resultado da segunda chamada: 5 de agosto;

· comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na segunda chamada: 5 a 14 de agosto;

· lista de espera: 26 e 27 de agosto;

· resultado da lista de espera: 1º de setembro;

· comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro.

Prouni

O Programa Universidade para Todos tem como público-alvo o estudante brasileiro sem diploma de curso superior.

Os processos seletivos ocorrem duas vezes ao ano, com oportunidades para ingresso no primeiro e no segundo semestre letivos.  

A classificação para a seleção do Prouni considera as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para a classificação dos candidatos.

Mais informações sobre as regras do processo seletivo Prouni do segundo semestre deste ano estão no edital público do MEC nº 51/2026.

(Fonte: Agência Brasil) 

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O cinema brasileiro perdeu, nesta quarta-feira (22), um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, responsável por uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual nacional.

Ao longo de mais de seis décadas, participou diretamente do surgimento do Cinema Novo e da consolidação da indústria cinematográfica brasileira, assinando mais de uma centena de produções que marcaram gerações.

Barreto estava internado desde segunda-feira (20), no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para tratar uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. O velório será nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cremação ocorrerá no Memorial do Caju.

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem estava casado desde 1954, formou o casal mais longevo e influente da produção cinematográfica brasileira. Juntos, fundaram a LC Barreto, produtora que completa 63 anos de existência e que se tornou referência na realização de filmes responsáveis por projetar o cinema nacional dentro e fora do país.

A empresa produziu clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, os dois últimos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

A história da família Barreto se confunde com a própria história do cinema brasileiro. Os três filhos do casal, Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto, seguiram carreira no audiovisual e assumiram papéis importantes na produtora. A paixão pelo cinema nasceu ainda dentro da casa da família, onde foi instalada uma das primeiras moviolas do país.

Ali, foram montados filmes fundamentais do Cinema Novo. Entre eles, Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Os Fuzis, de Ruy Guerra. A trajetória familiar também foi marcada pela tragédia: em 2009, o diretor Fábio Barreto sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma por dez anos, até sua morte, em 2019.

Muito antes de se tornar um dos maiores produtores do Brasil, Luiz Carlos Barreto construiu carreira como fotojornalista da Revista O Cruzeiro, onde trabalhou como repórter fotográfico e correspondente na Europa. Cobriu acontecimentos históricos e fotografou personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

O primeiro contato com uma produção cinematográfica ocorreu ainda na infância, quando acompanhou a passagem de Orson Welles pelo Ceará, durante as filmagens de um documentário sobre os jangadeiros. Mais tarde, um encontro com Glauber Rocha, durante as filmagens de Barravento, mudaria definitivamente seu destino, aproximando-o do Cinema Novo.

Como diretor de fotografia, Barretão ajudou a construir a identidade visual de duas obras-primas do cinema brasileiro: Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967). Depois, como produtor, tornou-se um dos principais articuladores do audiovisual brasileiro, ampliando a capacidade de produção nacional e levando filmes brasileiros aos maiores festivais do mundo.

Em outubro de 2023, aos 95 anos, Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto participaram do programa Cine Resenha, da TV Brasil, em uma edição especial dedicada à trajetória da LC Barreto. Durante a entrevista, o casal relembrou o início da carreira, o período em que o jornalismo antecedeu o cinema, as histórias da família e a construção da produtora que se transformou em uma das mais importantes da América Latina. O especial também homenageou a filmografia da empresa e destacou a contribuição do casal para o desenvolvimento do cinema nacional.

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A morte de Barretão provocou manifestações de pesar entre produtores, diretores e representantes do setor audiovisual. Em entrevista à Agência Brasil , amigos do cinema se pronunciaram: como o diretor Cavi Borges, fundador da Cavideo, que destacou a importância do cineasta para diferentes gerações.

"O Barretão era uma grande inspiração. Não era apenas o produtor que conseguia viabilizar financeiramente os filmes; ele também pensava o cinema. Como fotógrafo, participou de obras-primas como Vidas Secas e Terra em Transe. Depois, como produtor da LC Barreto, ajudou a construir o Cinema Novo. Era um homem humilde, divertido, com uma memória impressionante.  Sempre contava histórias do cinema brasileiro. Se não tivesse existido o Barretão, talvez não existissem a Cavídeo, o Estação e tantos projetos ligados ao cinema brasileiro. É uma perda enorme para o Brasil".

A produtora de cinema, amiga e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do Rio de Janeiro, Glaucia Camargos, afirmou que Barreto foi um dos maiores defensores da cultura nacional: "Luiz Carlos faz parte daquele grupo de brasileiros que pensava o país acima de tudo. Nacionalista convicto, foi um homem único. O cinema perde seu Apóstolo-Mor. Fotógrafo de Vidas Secas, produtor de mais de cem filmes, amigo querido de toda uma vida de luta pelo cinema brasileiro".

O produtor Nilson Rodrigues, amigo de longa data do cineasta, também lamentou a perda.

"O Brasil e o cinema brasileiro devem muito ao Luiz Carlos Barreto. Eu perdi um amigo, um mestre. Ele dizia que um país sem cinema é como uma casa sem espelho. Nunca me esqueci disso. Aprendi muito com ele. Sem Luiz Carlos Barreto, o cinema brasileiro seria apenas metade do que é hoje. Já estou com saudades. Foi-se um gigante".

Para a cineasta Carla Camurati, Barreto foi o "grande guerreiro, o melhor, o grande soldade do cinema brasileiro".

"Perdemos um grande produtor, que nos deixou aos 98 anos e nos deixa um legado de 80 anos dedicados ao cinema brasileiro, em muitas frentes. Defendeu o cinema politicamente, brigou quando fez Deus e o Diabo na Terra do Sol com Glauber. É uma figura muito importante para o cinema brasileiro. Essa é a verdade".

Em nota oficial, o Ministério da Cultura destacou que Luiz Carlos Barreto foi "um dos mais importantes nomes da história do cinema brasileiro", ressaltando sua atuação como fotógrafo, jornalista, produtor e um dos protagonistas do Cinema Novo. A pasta também lembrou que, ao lado de Lucy Barreto, ajudou a projetar, internacionalmente, o cinema brasileiro e consolidou uma indústria cultural reconhecida mundialmente.

A morte de Luiz Carlos Barreto encerra uma das mais importantes trajetórias da cultura brasileira, mas deixa um legado permanente. Ao lado de Lucy, transformou a produção cinematográfica nacional, revelou talentos, fortaleceu a indústria audiovisual e ajudou a contar, por meio do cinema, a história do Brasil para o mundo.

Rio de Janeiro (RJ), 26/09/2023 - Gravação do programa Cine Resenha, da TV Brasil, com o cineasta Luiz Carlos Barreto e a produtora Lucy Barreto, sua esposa, apresentado por Priscila Rangel. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 21/07/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Foto: Associação de Moradores da Trindade (AMOT)/Divulgação

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em sua 24ª edição, terá um novo espaço dedicado integralmente à cultura caiçara com a estreia da Casa Paraty. O espaço receberá mestres populares, coletivos de jovens, artistas quilombolas, grupos infantis e tradições orais locais, durante o festival literário que ocorre de 22 a 26 de julho.

A partir das vivências do território e dos saberes tradicionais, o espaço pretende articular a memória e a produção criativa das novas gerações. A proposta abrange, ainda, a valorização da produção cultural da população de Paraty, por meio da música popular, da ciranda caiçara, do hip hop, do audiovisual, entre outras manifestações.

Coordenadora e uma das idealizadoras do espaço, Gabriela Marsico ressalta a importância do elo entre as gerações de um território.

“Acredito que memória, identidade e pertencimento são inseparáveis. Uma cultura viva não se sustenta apenas preservando o passado, mas criando condições para que novas gerações possam se reconhecer nessas histórias e, ao mesmo tempo, produzir novas narrativas”.

Um dos destaques da programação será a participação, no sábado (25), às 22h, dos Cirandeiros de Paraty, fundamentais na construção da proposta artística da Casa. Eles reafirmam a força da ciranda como manifestação coletiva, ligada à memória oral, ao convívio comunitário e aos modos de vida tradicionais da Costa Verde.

Segundo a curadora do espaço, Vanda Mota, o princípio que orientou a construção da programação foi harmonizar a produção cultural local em seus ritmos com o calendário de eventos de Paraty.

“Sendo a Flip o maior dos eventos culturais da cidade, é fundamental que a cultura local possa se apresentar com sua maturidade e seus processos para esse público”.

Além de uma programação com debates, apresentações e oficinas, a Casa Paraty terá, durante todo o período da Flip, a exposição Trindade: Quando o Território Virou Luta, com imagens do acervo fotográfico da Associação de Moradores da Trindade (AMOT). A mostra reúne registros produzidos entre o fim da década de 1970 e o início dos anos 1980, documentando a mobilização da comunidade caiçara em defesa de seu território.

A Galeria de Arte Popular mostra que, também, integra as atividades do espaço, reúne artistas de diferentes gerações que apresentam um panorama da história e da cultura de Paraty, por meio de diferentes linguagens das artes visuais, como fotografia, pintura, escultura e cerâmica. Segundo a curadoria, a mostra reafirma a arte como instrumento de preservação da memória, valorização das tradições e construção de narrativas culturais.

A programação completa está no link.

(Fonte: Agência Brasil)

O Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026, competição organizada pela Federação de Beach Tennis do Maranhão (FBTM), entidade que representa oficialmente a modalidade no Estado, teve sequência com a disputa do Arena Maranet Koa de Beach Tennis, evento válido como 5ª etapa do Estadual e realizado entre quinta-feira (16) e sábado (18), na Arena Koa, em Santa Inês. A competição reuniu mais de 230 atletas, que protagonizaram partidas emocionantes e de alto nível técnico, e premiou duplas de 12 categorias.

As duplas campeãs no Arena Maranet Koa de Beach Tennis 2026 foram as seguintes: Marcio Paulo e Vinicius Mendes (Masculina Open), Antonio Paizão e Vinicius Mendes (Masculina B), Allan Bryan e Eike Melo (Masculina C), Fontinele Neto e Heleno Segundo (Masculina D), André Barreto e Artur Lobão (Masculina 30+), Igor Quartin e Joaquim Filho (Masculina 40+), Lillian Nicolletti e Victoria Santana (Feminina C), Gabyzinha e Taciana Fernandes (Feminina D), Flávia Santos e Juliana Sara (Feminina 30+), Alina Cruz e Lucas Andrade (Mista Open), Fernando e Lillian Nicolletti (Mista C) e Isabela Feitosa e Misael Sousa (Mista D).

Além de valer 250 pontos no ranking da FBTM e 300 pontos no ranking da Confederação Brasileira de Beach Tennis (CBBT), o Arena Maranet Koa de Beach Tennis distribuiu mais de R$ 35 mil em premiação, com destaque para a disputa da categoria Open Masculino, que teve um prêmio em dinheiro no valor de R$ 1.500.

Vale destacar que o ranking estadual serve para a convocação do Time Maranhão que irá participar do Campeonato Brasileiro de Beach Tennis, marcado para novembro, em Uberlândia (MG). O ranking nacional, por sua vez, definirá os representantes da Seleção Brasileira para o desafio internacional de beach tennis em Aruba, também no mês de novembro. 

“Estamos muito contentes com a realização da quinta etapa do Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 em Santa Inês. O Arena Maranet Koa de Beach Tennis teve uma excelente estrutura, partidas espetaculares e uma participação intensa de toda a comunidade do beach tennis no Maranhão, mostrando mais uma vez o quanto a modalidade está crescendo em todo o Estado. Agradecemos mais uma vez aos patrocinadores, apoiadores e atletas por todo o empenho para que o Maranhense Oficial continue sendo esse grande sucesso”, afirma Menezes Júnior, presidente da FBTM.

Próximas etapas

Após as disputas do Arena Maranet Koa de Beach Tennis, o Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 continua com a 6ª etapa, que será disputada entre os dias 13 e 16 de agosto, na Arena Lito Beach, em São Luís. A cidade de Santo Amaro, por sua vez, sediará a 7ª etapa nos dias 4, 5, 6 e 7 de setembro.

Outras informações sobre o Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 estão disponíveis no Instagram oficial da Federação de Beach Tennis do Maranhão (@maranhaobeachtennis).

Confira as duplas vencedoras do Arena Maranet Koa de Beach Tennis 2026:

Masculina Open

1º - Marcio Paulo e Vinicius Mendes

2º - Diniz e Olegário Neto

Masculina B

1º - Antonio Paizão e Vinicius Mendes

2º - André Allevato e Marcus

Masculina C

1º - Allan Bryan e Eike Melo

2º - Bruno Aquino e Olegário Neto

Masculina D

1º - Fontinele Neto e Heleno Segundo

2º - Lucas Aquino e Thiago TK

Masculina 30+

1º - André Barreto e Artur Lobão

2º - Andre Santana e Bruno Aquino

Masculina 40+

1º - Igor Quartin e Joaquim Filho

2º - Keyvison Silva e Rodrigo Carvalho

Feminina C

1º - Lillian Nicolletti e Victoria Santana

2º - Emmylee e Rosalia

Feminina D

1º - Gabyzinha e Taciana Fernandes

2º - Jasminy Moreira e Luísa Vitoria

Feminina 30+

1º - Flávia Santos e Juliana Sara

2º - Jessica Lima e Luciana Machado

Mista Open

1º - Alina Cruz e Lucas Andrade

2º - André Barreto e Gabyzinha

Mista C

1º - Fernando e Lillian Nicolletti

2º - Ricardo Costa e Victoria Santana

Mista D

1º - Isabela Feitosa e Misael Sousa 

2º - Ana Costa e Emerson Lima (Fonte: Assessoria de imprensa)

Rio de Janeiro (RJ), 26/10/2025 - Professores chegam ao Colégio Estadual Julia Kubitschek para a realização Prova Nacional do Docente (PND). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Os participantes da Prova Nacional Docente (PND) de 2026 que entraram com recurso contra o resultado da solicitação de atendimento especializado já podem consultar o resultado final da análise no Sistema PND, no portal eletrônico do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova. É preciso fazer o login único do portal Gov.br.

O atendimento especializado é destinado aos participantes da prova que necessitam de recursos específicos para realizá-la em condições de igualdade. Entre as situações previstas, estão as de pessoas com deficiência (PCD); com transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA); gestantes, lactantes, diabéticos, idosos e com outras condições específicas.

Cronograma

Conforme previsto no edital da PND 2026,a aplicação das provas do chamado Enem dos Concursos está marcada para 20 de setembro, em todos os Estados, no Distrito Federal e nos municípios listados no Portal do Inep.

Confira as demais datas do cronograma da PND 2026:

· aplicação da prova: 20 de setembro;

· divulgação dos cadernos de prova, da grade de correção da questão discursiva e das versões preliminares dos gabaritos das questões objetivas: 24 de setembro;

·  recurso da versão preliminar dos gabaritos das questões objetivas: 24 e 25 de setembro;

·  divulgação da correção preliminar da resposta da questão discursiva: 10 de novembro;

·  recurso da correção da resposta da questão discursiva: 10 a 12 de novembro;

·  divulgação do resultado final: 15 de dezembro.

Prova

A avaliação teórica terá como base o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) das Licenciaturas, que, desde a edição de 2024, foca nos cursos de formação docente.

A prova, com duração total de cinco horas e 30 minutos, será composta por uma parte de formação geral docente, comum aos cursos de todas as áreas, e outra de componente específico, próprio de cada área de avaliação das licenciaturas.

Áreas da licenciatura

Nesta edição, 21 áreas da licenciatura serão avaliadas. Em relação a 2025, a ampliação de áreas da PND em 2026 incluiu as licenciaturas em: teatro, dança, ciências naturais e letras e espanhol.

· artes visuais

· ciências biológicas (biologia)

· ciências naturais (ciências da natureza)

·  ciências sociais

· computação

· dança

· educação física

· filosofia

· física

· geografia

· história

· letras espanhol

· letras inglês

· letras português

· letras português e espanhol

· letras português e inglês

· matemática

· música

· pedagogia

· química

· teatro

PND

A Prova Nacional Docente é aplicada anualmente e tem, entre os objetivos, melhorar a qualidade dos processos seletivos para professores, estimular a realização de concursos públicos e, também, induzir o aumento de professores qualificados nas redes públicas de ensino.

A iniciativa federal voltada aos licenciados integra o programa Mais Professores para o Brasil que reúne ações integradas para promover a valorização e a qualificação do magistério da educação básica e o incentivo à docência no Brasil.

(Fonte: Agência Brasil)