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Paraty (RJ), 02/08/2025 - Centro Histórico de Paraty durante a 23ª Festa Literária Internacional de Paraty - Flip. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Autores consagrados da literatura brasileira como Itamar Vieira Junior e Eliana Alves Cruz, e nomes relevantes do pensamento contemporâneo mundial como a autora e ativista Angela Davis são destaques da programação do Sesc, de 23 a 26 de julho, na 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Ícone do movimento negro e de mulheres, a filósofa norte-americana Angela Davis participará do debate América e África: uma conversa Atlântica, que será mediado pela jornalista Flávia Oliveira, no sábado, às 18h.

A mesa-redonda será realizada no Sesc Caborê, em uma tenda montada para receber 700 pessoas. Haverá transmissão em telões instalados na área externa da Casa Sesc.

Com o objetivo de valorizar a diversidade de vozes, expressões artísticas e regionalidades, a programação inclui, ainda, convidados como Socorro Acioli, Elisa Lucinda, Luiza Romão, Jamil Chade, Fabiana Cozza e Marcelino Freire em atividades abertas ao público. Especialmente para o público infantil, haverá narrações de histórias e mediação de leitura.

Serão realizados cafés literários, shows, exposição, performances poéticas, rodas de conversa e oficinas ao longo do festival. As atividades são gratuitas e ocorrem em três espaços no Centro Histórico de Paraty – Sesc Santa Rita, Casa Edições Sesc e Casa Sesc –, além do Sesc Caboré, recém-inaugurado na cidade.

A programação traz, ainda, várias atividades em homenagem aos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, obra-prima de João Guimarães Rosa, que segue conquistando gerações de leitores.

“Ao reunir autores, artistas e leitores, o Sesc contribui para o desenvolvimento dos territórios e demonstra que investir em cultura também é investir no desenvolvimento social e econômico do país”, afirmou Diana Abreu, diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc.

Além de fortalecer a cidadania, incentivar a leitura e a formação de novos públicos, Diana ressalta que a cultura também movimenta o turismo, impulsiona a economia local e produz trabalho e renda.

No Sesc Santa Rita, o público poderá participar de atividades com a presença de autores como Eliana Alves Cruz, Marcelino Freire, Milena Martins Moura e Daniel Munduruku, primeiro escritor indígena a compor o acervo da Casa de Rui Barbosa que participa do encontro Cosmologias da Palavra ao lado de Jama Wapichana.

No local, a escritora Tati Bernardi comandará um talk show literário ao longo da Flip com os convidados Bruna Lombardi, Itamar Vieira Junior e Elisa Lucinda. Haverá, também, apresentação do espetáculo Viola, Rosa e Sertão, com o violeiro, compositor e pesquisador Paulo Freire.

Já na Casa Sesc, as discussões abrangem a circulação literária e novos formatos, como podcasts e plataformas digitais, além de reflexões sobre acessibilidade, diversidade e inteligência artificial, com nomes como Nina da Hora, Sil Bahia e Lu Ain-Zaila.

Na Casa Edições Sesc, autores e convidados participam de debates que tratam de geopolítica, saúde mental, educação midiática e direitos humanos. Entre os destaques, estão Eustáquio Neves, artista em exposição na Bienal de Veneza; Jamil Chade, jornalista com atuação internacional; Bob Wolfenson, fotógrafo reconhecido no país; Natália Timerman, escritora e psiquiatra; e Mary del Priore, referência em história do Brasil.

Toda a programação do Sesc é gratuita e está disponível no site.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília - 27/06/2023 - O Programa Universidade Para Todos (Prouni) oferta bolsas de estudo, integrais e parciais (50% do valor da mensalidade do curso), em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições de educação superior privadas. As inscrições podem ser feitas pelo celular ou pelo computador. Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Os candidatos pré-selecionados na primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) para o segundo semestre de 2026 devem, até sexta-feira (24), entregar à instituição privada de ensino superior para a qual foram pré-selecionados a documentação que comprova as informações prestadas no ato de inscrição.

Os candidatos podem conferir se constam na lista da primeira chamada, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) na última semana, diretamente no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na parte do Prouni.

Documentação

A documentação comprobatória exigida está descrita no edital do processo seletivo.

A entrega poderá ser feita presencialmente na respectiva faculdade privada ou encaminhada por meio virtual/eletrônico. A instituição deverá emitir documento de comprovação de entrega da documentação ao recebê-la do candidato.

A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário. 

Bolsas

O programa federal oferece bolsas de estudo integrais, que cobrem 100% do valor da mensalidade, ou parciais, de 50%, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior.

Neste segundo semestre, o programa oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.

Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais. 

Ações afirmativas

O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos. 

Para pessoas com deficiência, foram ofertadas 35.365 bolsas de estudos. Para pretos, pardos e indígenas, foram 188.880 e para a ampla concorrência, 247.059.

Novas chances

Os candidatos que não foram convocados na primeira chamada do Prouni deste segundo semestre ainda poderão participar da segunda chamada ou manifestar interesse na lista de espera.

Após as duas chamadas, aqueles que não forem pré-selecionados, ou que tiverem a inscrição indeferida por não formação de turma, poderão disputar as bolsas eventualmente não preenchidas, conforme os critérios estabelecidos no edital. 

Os estudantes beneficiados com bolsa parcial também podem usar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para complementar o pagamento da mensalidade, desde que o curso e a instituição de ensino ofereçam essa possibilidade.

Cronograma

O Ministério da Educação (MEC) estabeleceu o seguinte cronograma para as próximas etapas do Prouni 2/2026: 

  • comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na primeira chamada: de 15 a 24 de julho
  • resultado da segunda chamada: 5 de agosto 
  • comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na segunda chamada: 5 a 14 de agosto
  • lista de espera: 26 e 27 de agosto 
  • resultado da lista de espera: 1º de setembro
  • comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 17/07/2026 - Projeto mobiliza bibliotecas no combate a violência de gênero. Foto: Medeia.Info/Divulgação

[[Entender as bibliotecas como um espaço para além do acesso à informação, mas também como um lugar de conscientização e desenvolvimento do pensamento crítico, é o que levou a pesquisadora Luciane Cavalcante a criar o projeto Medeia.Info. Uma iniciativa de mediação cultural em bibliotecas, focada no enfrentamento à violência de gênero. 

“A gente precisa entender que o acesso à informação tem que também vir potencializado de ferramentas para estruturar essa informação para um uso. Então, por exemplo, eu posso colocar livros que falam sobre feminicídio, que falam sobre violência, mas o que eu posso fazer de atividade dentro das bibliotecas?”, explicou a pesquisadora.

Com formação em biblioteconomia, Luciane Cavalcante conta que atuou como docente nos programas de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Estadual de Londrina. Durante uma orientação, a pergunta de uma aluna sobre o papel das bibliotecas comunitárias no combate à violência de gênero a provocou. 

“Foi nessa parte que eu comecei a me envolver com os estudos de gênero e com os estudos feministas, com as perspectivas latino-americanas em relação a essa questão. E, aí, eu comecei a envolver pesquisas para entender melhor o que as bibliotecas fazem em relação a isso”. 

Bibliotecas escolares

As ações do projeto Medeia.Info incluem palestras, cursos e debates voltados a profissionais que atuam em bibliotecas e outros espaços culturais. A proposta é abordar como esses profissionais podem não apenas aprender a reconhecer as manifestações que compõem a violência de gênero como também a conduzir ações de combate e conscientização a partir da cultura. 

Entre os jovens em idade escolar do sexo masculino, a disseminação de termos misóginos, popularizados na internet por meio de conteúdos masculinistas, vem ascendendo um alerta nas escolas. Essa ideologia, que prega a superioridade do homem dentro de uma “hierarquia social”, ganhou força no meio digital pela capacidade de mobilização e alcance da internet. 

Segundo a pesquisa TIC Kids On-line Brasil 2024,83% das crianças e dos adolescentes de 9 a 17 anos que usam internet no país têm, ao menos, um perfil em redes sociais, e são alvos fáceis desse tipo de conteúdo, por ser um período importante para a formação da identidade e da consciência. 

Luciane Cavalcante conta que um dos trabalhos realizados nos projetos é voltado justamente a bibliotecas escolares, pensando em atividades e mediações para crianças e adolescentes que estimulem a participação e a conscientização social também por meios lúdicos. 

“Hoje, com a questão dos jogos digitais, os adolescentes são muito chamados a isso. Então, por exemplo, por que não colocar para os adolescentes para criarem um jogo de enfrentamento?”, diz ela, mas pontua que a falta de recursos de muitos espaços é um desafio para o projeto. 

“No contexto escolar, infelizmente, muitas bibliotecas ainda são relegadas. Então, é importante também essa construção conjunta disso. Trabalhar com as crianças é importantíssimo, mas o bibliotecário não vai conseguir fazer isso sozinho”. 

Iniciativa Medeia.Info

O projeto é vinculado ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (BICT), com apoio de outras instituições, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). 

Nas redes sociais, o principal trabalho é a democratização de pesquisas, traduzindo artigos acadêmicos complexos para uma linguagem clara e contemporânea, com o apoio de profissionais do serviço social, da psicologia e do direito. Já presencialmente, o projeto realiza cursos de extensão e outras ações na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio de Janeiro. 

“A ideia é expandir para outras bibliotecas, trabalhar em parcerias com bibliotecas escolares, com universitárias e comunitárias, porque é um elo diferente. Elas partem da própria necessidade daquela comunidade, é  uma construção social daquela comunidade”, finalizou Luciane Cavalcante. 

(Fonte: Agência Brasil)

Venda ilegal de documentos históricos preocupa Arquivo Nacional. Foto: Arquivo Duque de Caxias/ Divulgação

Nos últimos três anos, pelo menos dez casos de venda ilegal de documentos históricos brasileiros em leilões foram identificados pelo Arquivo Nacional. Segundo o órgão federal, responsável pela guarda dessa documentação, este tipo de comércio criminoso vem crescendo recentemente no país.

Por isso, o Arquivo Nacional está montando um setor específico para lidar com essas ocorrências e garantir a recuperação desses documentos.

“A gente está percebendo que há um comércio muito grande de documentação pública.  O que o Arquivo Nacional tem feito é, cada vez mais, analisar essas ofertas que estão em sites de leilões espalhados pelo Brasil inteiro e indo atrás dessa documentação”, explica o diretor de Processo Técnico, Preservação e Acesso Técnico ao Acervo do Arquivo Nacional, Thiago Vieira.

Segundo ele, o objetivo é restituir o patrimônio público para “o seu local, que é aqui no Arquivo Nacional”.

Há três anos, por exemplo, o Arquivo Nacional conseguiu recuperar cinco documentos que estavam sendo leiloados ilegalmente na internet, com a ajuda da Polícia Federal. Um deles, assinado por Duque de Caxias, registra a instalação de uma linha terrestre de telégrafo que conectaria dois Estados brasileiros.

“São documentos que são representativos de momentos emblemáticos da nossa história. Ajudam a contar nossa história, ajudam a preencher lacunas onde nossa historiografia ainda não chegou”, afirma a chefe do Serviço de Diplomática e Paleografia do Arquivo, Alícia Duhá Lose.

(Fonte: Agência Brasil)

Livro Grande Sertão Veredas. Foto: Companhia das Letras/Divulgação

Depois de 70 anos de seu lançamento, o livro Grande Sertão: Veredasde Guimarães Rosa continua encantando leitores e é comemorado por especialistas. Para o professor, economista e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Eduardo Giannetti, é um dos livros mais ousados e inovadores da literatura brasileira.

Na observação dele, Grande Sertão: Veredas tem “um cuidado e um apuro formal, inexcedível” e, ao mesmo tempo, é resultado de uma entrega criativa de Guimarães Rosa, a ponto de dizer que praticamente transcrevia alguma coisa que vinha de fora dele. “Ele chega a dizer que é um experimento quase mediúnico”, seguiu em entrevista à Agência Brasil.

“Grande Sertão combina dois elementos. Tem um lado de pesquisa de apuro formal, de um cuidado lapidar com a linguagem hiperconsciente, mas, ao mesmo tempo, é resultado de uma possessão. Ele diz que se sentia tomado por alguma coisa que ele não sabe de onde”, completou.

Sobre esse assunto, Giannetti lembrou-se de uma expressão que acha muito boa, usada por Rosa em uma entrevista. “‘De repente, o diabo me cavalga’. O milagre do processo criativo de Guimarães Rosa é justamente essa combinação”.

O escritor João Guimarães Rosa

Produção dupla

A criatividade do autor mineiro era tanta que, entre 1946 e 1956, produziu, paralelamente, Grande Sertão: Veredase Corpo de Baile, uma coletânea de novelas. Os dois foram concluídos e lançados em 1956, depois de começarem a ser escritos em Paris, na França; continuarem em Bogotá, na Colômbia; e em 1951, na volta de Rosa para o Rio de Janeiro.

“O Grande Sertão era uma história do Corpo de Baile, que ele desmembrou e tornou um romance independente”, disse, em entrevista à Agência Brasil, o jornalista Leonêncio Nossa, autor da primeira biografia sobre o escritor mineiro.

A viagem com um amigo ao interior mineiro foi a inspiração para escrever Grande Sertão: Veredas, obra marcante da literatura brasileira. 

“Esse livro começou quando ele fez uma viagem pelo interior de Minas com o amigo Pedro Barbosa Moreira e percorreu toda a região de Veredas. Ele passou a usar esse ambiente das veredas e buritizais na obra dele Grande Sertão, porque o primeiro [Sagarana] nem tinha”, informou o biógrafo.

Assim como Guimarães Rosa, que levou dez anos para concluir Grande Sertão, o jornalista passou esse mesmo tempo estudando e pesquisando a vida do mineiro, que contou em João Guimarães Rosa, biografia, a primeira publicação deste tipo dedicada a ele. 

“Ele é considerado o mais inventivo dos nossos escritores, e ninguém nunca escreveu uma biografia dele. Havia uma demanda de biografar o maior escritor brasileiro de todos os tempos”, pontuou.

Leonêncio Nossa começou a levantar dados e a colher informações para trabalhar na biografia em 2006 e gostou do que conheceu. “A vida dele é muito agitada, apesar de ter sido escritor. Viveu tempos de guerra com riscos de morte e [essa história] não estava descrita. Foi uma surpresa a cada dia”, contou.

“O que me chamou muita atenção é que, desde criança, ele tinha um projeto de literatura e a vida toda se dedicou a esse projeto. Era um homem que vivia para contar histórias”, disse, acrescentando, que Rosa nasceu em Cordisburgo e, depoi,s foi levado pelo avô para estudar em Belo Horizonte.

Características

O biógrafo revelou que Rosa deu a personagens de Grande Sertão: Veredas, nomes de pessoas do seu conhecimento, tanto da família e da cultura quanto da política. Entre os jagunços do romance, está, por exemplo, o Dos Anjos, que é referência a Augusto dos Anjos e, também, parentes: o avô dele, o major Luiz Guimarães. 

“Ele trouxe pessoas com quem convivia, de certa forma, para dentro do romance, que tem um caráter muito autobiográfico, algo que não estava colocado antes da biografia”, comentou.

Rosa tinha, ainda, outro comportamento interessante: enquanto escrevia o livro, ele ouvia programas da Rádio Nacional com artistas como as cantoras Marlene, Emilinha Borba, Ademilde Fonseca e Virgínia Lane. O cinema também o inspirava e um dos filmes que assistiu durante a produção de Grande Sertão foi Os Sete Samurais, do diretor Akira Kurosawa.

Além disso, trabalhava muito na divulgação dos seus livros. No lançamento de Sagarana, foram publicados mil exemplares. O autor ficou com 500 cópias e fez uma lista das pessoas mais importantes que escreviam em jornais do país e mandou o livro para elas. 

“Mandou para Getúlio Vargas, para Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade. O Rosa trabalhava muito na divulgação”, relatou Nossa, informando ainda que o lançamento de Grande Sertão: Veredas foi na Livraria José Olímpio, na Rua do Ouvidor, centro do Rio, no dia 16 de julho de 1956.

Linguagem

Quando o livro foi lançado, recebeu muitas críticas, especialmente pela linguagem popular dos personagens usada por Rosa e identificada como "de outro planeta".

“Os personagens que os críticos diziam que falavam como em Marte na verdade falavam como o povo do interior do Brasil. Mostrou que parte da intelectualidade desconhecia este ‘outro planeta’, que é o Brasil”, contou Nossa.

“Rosa disse uma vez que as pessoas achavam que ele tinha inventado uma língua. ‘Eu não inventei uma língua. Os vaqueiros de Minas Gerais, da Bahia, de Goiás falam assim’. Parte da intelectualidade não entendeu o Grande Sertão”, observou o biógrafo.

Leonêncio reforçou a avaliação lembrando que o começo do livro é com a palavra “nonada”, que muita gente pensa ser um neologismo. 

“Na verdade, era muito recorrente nos jornais brasileiros que escreviam, por exemplo, ‘o governo acha que “nonada” o que ocorre com a população’. O Rosa usa palavras que não são mais usadas no seu livro e aí acham que é um neologismo”, afirmou, completando que há neologismos na obra do escritor, mas não é só isso.

Ao mesmo tempo em que era considerado um livro difícil, destacou o jornalista, estava sempre entre os mais vendidos. “Isso já em 56. O que ocorre é que a musicalidade no linguajar dos personagens causa muita empatia, tanto que é um livro que deve ser lido em voz alta porque com a musicalidade é fácil de entender”, apontou.

Registros

A cantora e compositora Adriana Calcanhoto que tem nas obras de Guimarães Rosa uma fonte de inspiração, destacou que, se o escritor não tivesse usado a linguagem no livro, correria o risco de não ter mais registros daquela forma de falar popular. 

“É um trabalho extraordinário que ele faz. Antes da escrita dele do Grande Sertão, é da compilação que ele faz daquela fala e aí, claro tem o gênio dele na escrita e na história”, disse em entrevista à Agência Brasil.

“É uma leitura obrigatória. Grande Sertão é um livro que todo mundo tem que ler, pelo menos, uma vez. Quando você lê ele mais de uma vez, e é um clássico, por isso, é outro livro, e a gente é outra pessoa depois disso”, apontou, destacando ainda a aceitação mundial da obra.

“É uma coisa louca que seja mundialmente, porque é difícil tradução. É um livro que interessa ao mundo todo, exatamente por ser tão regional e universal. Cada ano que passa, ele só cresce”, observou.

Cadeira 2

Ocupar a cadeira 2 que já foi de Guimarães Rosa na ABL não é a única proximidade que Eduardo Giannetti tem com o escritor que aprendeu a admirar ainda na infância. Lendo a biografia de Leonêncio Nossa, descobriu que tem um parentesco com o escritor.

“Uma coisa que me deixou bastante surpreso e até emocionado lendo a biografia do Leonêncio é que o Guimarães Rosa é meu parente. O pai do Guimarães Rosa se chamava Florduardo e o apelido era Fulô, que era primo do meu bisavô João Pinheiro. Ele chegou a morar na casa do pai do Guimarães Rosa”.

Esse fato não era de conhecimento da família do acadêmico, e isso ele ainda não chegou a conversar com o biógrafo que esclareceu essa linhagem. “O Guimarães Rosa a certa altura, jovem ainda, esboçou o desejo em cartas ao pai, de escrever uma biografia do João Pinheiro que é meu bisavô lá de Caeté. Ele admirava muito João Pinheiro ouvindo as histórias que o pai contava do primo”, apontou Giannetti.

“Ainda por cima teve isso”, disse satisfeito, confirmando que fechando o círculo, a cadeira 2 tinha que ser ocupada por ele. “Como diria o Guimarães ‘nada nesse mundo é por acaso’. A grande pena é que os meus pais não sobreviveram para saber que o Guimarães vem de uma família mineira muito próxima que é a de João Pinheiro, avô do meu pai”, comentou o acadêmico.

Ao saber que ocuparia a cadeira 2 se sentiu “um pouco oprimido, um pouco opressivo”, mas reconheceu que foi bom porque suscitou um emprenho renovado de aprofundamento na obra de Rosa, resultando em um ensaio que escreveu para a Revista Piauí, publicado na edição de junho. Fez, ainda, uma versão compacta do ensaio destinada à publicação da edição comemorativa dos 70 anos de Grande Sertão: Veredas que foi lançada pela Editora Companhia das Letras.

“Fico feliz sempre que me chamam para falar de Guimarães Rosa”, revelou Giannetti.

“Rosa foi um homem muito obstinado em desenvolver uma grande literatura. Chama atenção que ele transformou o jeito simples do povo brasileiro, especialmente, dos sertanejos em uma linguagem de riqueza universal”, indicou Leonêncio Nossa.

(Fonte: Agência Brasil)

Estudantes chegam à faculdade Unieuro, em Brasília, para a realização da prova do Enade.

Termina, nesta sexta-feira (17), o prazo para inscrição no processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do segundo semestre de 2026. Os estudantes interessados em participar devem acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

O Fies financia a graduação de estudantes matriculados em cursos presenciais não gratuitos em faculdades privadas avaliadas positivamente no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) do Ministério da Educação.

O programa beneficia prioritariamente estudantes que não tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil.

Vagas

Ao todo, o MEC oferece mais de 112 mil vagas para o Fies em 2026, considerando as oportunidades do primeiro e do segundo semestre, sendo 67.301 vagas no primeiro, e 44.867 no segundo.

Além das vagas do segundo semestre, o MEC ainda ofertará todas as vagas eventualmente não ocupadas até o limite do total definido para este ano.

Quem pode fazer a inscrição

Os candidatos devem atender aos requisitos estabelecidos no novo edital:

  • ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir da edição de 2010
  • ter obtido média igual ou maior que 450 pontos considerando as cinco provas
  • não ter tirado nota zero na prova de redação
  • ter renda bruta familiar mensal per capita de até três salários mínimos (R$ 4.863, em 2026)

Os candidatos que participaram do Enem na condição de "treineiro" não podem inscrever-se no Fies.

Fies Social

O processo seletivo do Fies inclui a reserva de 50% das vagas para estudantes com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 810,50, em 2026) e com inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico).

Os pré-selecionados para as vagas do Fies Social poderão solicitar a contratação do financiamento integral, cobrindo todos os encargos educacionais.

Os estudantes pré-selecionados, com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa, inscritos nas vagas do Fies Social, estão dispensados de comprovar a renda familiar diretamente na instituição privada de ensino superior.

Mesmo assim, deverão comparecer à Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da respectiva faculdade privada para validar as demais informações prestadas no momento da inscrição.

Cronograma

  • es: de 14 a 17 de julho
  • resultado: 30 de julho
  • complementação das inscrições: de 31 de julho a 4 de agosto
  • lista de espera: de 7 a 24 de setembro

(Fonte: Agência Brasil)

Renato Machado, referência do telejornalismo brasileiro, morre aos 83 anos no Rio. Foto: Renato_Machadooficial/ Instagram

Morreu, nesta quinta-feira (16), o jornalista Renato Machado aos 83 anos de idade, na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi informada. 

“A Clínica São Vicente lamenta o falecimento do jornalista Renato Machado na manhã desta quinta-feira e expressa suas condolências à família”, informou o hospital em comunicado.

O ex-apresentador do telejornal Bom Dia Brasil, na TV Globo, nasceu em 21 de março de 1943, no Rio de Janeiro, filho do médico e oficial do Exército Álvaro Dodsworth Machado e da secretária bilíngue português e francês, Fernanda Mattos Machado. Ele se formou em Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Segundo a emissora, foi ator, dublador de cinema e atuou no Teatro Oficina, em São Paulo. Em 1967, aprovado em um concurso da BBC, foi para Londres trabalhar com rádio. Voltou ao Rio de Janeiro dois anos depois e foi contratado como tradutor pelo Jornal do Brasil. Tornou-se repórter do periódico, onde permaneceu durante 14 anos, tendo assumido as funções de editor de Internacional.

Entrou como repórter no jornalismo da TV Globo em 1982. Experiente em assuntos internacionais, fluente em inglês e francês, o jornalista participou da cobertura da Guerra das Malvinas, em 1982, trabalhando do Rio de Janeiro e da Argentina.

Em 1983, Machado foi convidado para assumir uma vaga de correspondente no escritório de Londres, onde permaneceu por seis anos. Retornou ao Brasil como repórter especial em 1988.

Em 1990, Renato Machado deixou a TV Globo para ser o editor-chefe e apresentador do telejornal Noite e Dia, na TV Manchete.

Em 1991, o jornalista retornou à TV Globo como repórter especial. Nos cinco anos seguintes, cobriu a América Latina como enviado do Globo Repórter e do Jornal Nacional e participou, também, das coberturas do impeachment do presidente Fernando Collor (1992) e da morte do piloto Ayrton Senna (1994).

Em 1996, assumiu o posto de âncora e editor-chefe do Bom Dia Brasil. Foi um dos responsáveis pela reformulação do formato e da apresentação visual do telejornal. 

Inicialmente, Renato dividiu a bancada com Leilane Neurbath e, em seguida, com Renata Vasconcellos. Foram 15 anos à frente do Bom Dia Brasil.

Em setembro de 2011, afastou-se da bancada e retomou seu posto de correspondente da Globo em Londres. Nesse período, manteve uma coluna semanal no Jornal da Globo, intitulada Crônicas de Renato Machado, na qual abordava questões políticas.

Em janeiro de 2016, o jornalista retornou ao Rio de Janeiro como repórter especial do Globo Repórter. Também escreveu para jornais e revistas sobre vinhos, um de suas paixões, e colaborou com a rádio CBN. Em novembro de 2021, deixou a TV Globo.

(Fonte: Agência Brasil)

Brasília (DF), 15/07/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Manifestação hip hop. José Cruz/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira (15), o Projeto de Lei (PL) 3.839/24, que reconhece o hip hop como manifestação da cultura nacional. O texto segue para análise do Senado.

De autoria do deputado Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ), o projeto argumenta que o reconhecimento do hip hop como manifestação da cultura nacional se alinha ao direito de acesso às fontes da cultura nacional; à valorização da diversidade cultural e à proteção das expressões culturais de grupos historicamente relevantes para a formação social brasileira.

Os deputados aprovaram o parecer do relator, deputado Inácio Arruda (PCdoB-CE). Em seu relatório, Arruda destacou que a dimensão do movimento nos aspectos musical, de linguagem, identidade, memória, resistência, participação juvenil, produção estética e afirmação de comunidades historicamente marginalizadas, especialmente nas periferias urbanas brasileiras.

"Ao reconhecer o hip hop como manifestação da cultura nacional, o projeto valoriza a diversidade cultural do país, prestigia formas populares de criação artística e contribui para a visibilidade institucional de um movimento que há décadas influencia a música, a dança, as artes visuais, a moda, a educação, a comunicação e o debate público no Brasil", afirmou Arruda.

Das periferias dos EUS para as do Brasil

Surgido na década de 1970, nas periferias afro-americanas e latinas de Nova Iorque, o movimento hip hop consolidou-se como expressão cultural própria, composta por elementos como o DJ, o breaking, o MC, o grafite e o conhecimento.

No contexto brasileiro, o hip hop se desenvolveu a partir da década de 1980, especialmente em São Paulo, em espaços de encontro de jovens negros, pobres e moradores de periferias.

O movimento também se expandiu para outras regiões do país, adquirindo características locais, inclusive no Nordeste, onde dialogou com tradições como o repente e com ritmos caribenhos e jamaicanos.

(Fonte: Agência Brasil)

O cantor e compositor maranhense Aslan lançou, em todas as plataformas de streaming, o seu aguardado EP “Meu Canto”, um manifesto pop do artista, que conta com quatro faixas inéditas. Ouça no link: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0DnheJQ2BShdaZEUXQsNOf?si=X4_eDF6OQCq1WVQ2DWj4nQ

A sonoridade de “Meu Canto” é um verdadeiro encontro entre o Norte e o Nordeste. Ao longo das faixas, Aslan valoriza ritmos que fazem parte da identidade cultural brasileira, como o cacuriá, o reggae maranhense, o brega, o carimbó e o piseiro, transformando essas referências em uma obra contemporânea que celebra o Maranhão, seu litoral e a riqueza da cultura popular da região.

Com faixas inéditas e uma intro emocionante, que apresenta a voz da mãe do artista, celebrando a brasilidade pura, com um ritmo único para cada canção, a nova fase musical de Aslan prepara os fãs e os amantes da música para uma viagem sinestésica que conecta a rica regionalidade do Maranhão com diversas referências brasileiras.

O EP abre com “Coco-babaçu”, um pop tropical e convite festivo ao Maranhão, embalado pelo balanço do cacuriá e do carimbó. Em seguida, a faixa “Azulejos” – atual single de trabalho do artista – traz um reggae romântico que une a paixão amorosa à poesia arquitetônica do Centro Histórico de São Luís.

Na envolvente “Sabor de Fim de Tarde”, primeiro single desta nova fase, o brega paraense ganha vida, marcando uma homenagem à forte conexão de São Luís com a cultura do Pará. O projeto encerra com “Nossa Última Noite no Paraíso”, um piseiro romântico e crescente que narra uma despedida poética intensa, finalizando com um poema falado de “quero mais”.

Para mais informações sobre o lançamento e a nova fase musical de Aslan, acesse o perfil oficial do artista no Instagram: https://www.instagram.com/Aslanreaw/ e/ou em @Aslanreaw.

Mais sobre Aslan

Artista nordestino, Aslan foi inserido na música desde a infância, cantando em igrejas e participando de diversos concursos de canto. Na periferia de São Luís (MA), filho de pais humildes e irmão de cinco, sempre teve que batalhar pra conquistar seu espaço.

Em 2018, lançou seu primeiro single, intitulado “Tão Sexy” e despertou interesse do público maranhense – e nacional – após entrar na playlist “Viral São Luís”. Desde então, tem feito apresentações nos principais bailes de trap e funk da cidade.

Já em 2021, lançou o EP “Filho da Noite”, trabalho que apresentou ao público sua estética musical e narrativa autoral. Já em 2023, lançou o single “Ludmilla”, faixa que ajudou a consolidar seu nome na cena local ao alcançar o 7º lugar no ranking do Spotify em São Luís.

Além disso, o multitalento de Aslan se mostrou de mais uma forma: como um compositor de mão cheia, com canções feitas para artistas como Enme, Only Fuego e Beny Falconi.

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Tudo pronto para o início do Arena Maranet Koa de Beach Tennis, evento que corresponde à quinta etapa do Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026, competição organizada pela Federação de Beach Tennis do Maranhão (FBTM), entidade que representa oficialmente a modalidade no Estado. A partir desta quinta-feira (16) até sábado (18), a cidade de Santa Inês será palco do tonteio que reunirá alguns dos melhores atletas do Maranhão. As disputas vão ocorrer na Arena Koa, valendo pontos para os rankings estadual e nacional da modalidade. 

De acordo com a FBTM, esta etapa do Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 contará com a participação de mais de 230 atletas. Além de distribuir 250 pontos no ranking da FBTM e 300 pontos no ranking da Confederação Brasileira de Beach Tennis (CBBT), o Arena Maranet Koa vai distribuir mais de R$ 35 mil em premiação. 

Das categorias que estarão em ação em Santa Inês, destaque para o Open Masculino que terá premiação em dinheiro no valor de R$ 1.500. “Chegamos à quinta etapa do Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 em grande estilo. A competição tem crescido a cada etapa e, aqui em Santa Inês, vai ser mais um grande evento de alto nível técnico, com estrutura de qualidade e boa premiação, além de valer pontos para os ranking estadual e nacional. Só temos a agradecer aos patrocinadores, apoiadores e atletas por tornarem este torneio em mais um lindo evento do nosso calendário”, destaca Menezes Júnior, presidente da FBTM. 

Vale destacar que o ranking estadual serve para a convocação do Time Maranhão que irá participar do Campeonato Brasileiro de Beach Tennis, marcado para novembro, em Uberlândia (MG). Já o ranking nacional, por sua vez, definirá os representantes da Seleção Brasileira para o desafio internacional de beach tennis em Aruba, também no mês de novembro. 

Outras informações sobre o Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 estão disponíveis no Instagram oficial da Federação de Beach Tennis do Maranhão (@maranhaobeachtennis).

Programação oficial

Quinta-feira (16/7) // Arena Koa

19h – Disputas das categorias de Idade 

Sexta-feira (17/7) // Arena Koa

18h – Disputas das categorias Mistas e Open Masculino 

Sábado (16/7) // Arena Koa

9h – Disputas das categorias de Gênero e Open Masculino 

(Fonte: Agência Brasil)