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Escritor cearense lança dois livros dia 12 de maio, no Ideal Clube, em Fortaleza*

LUCIANO MAIA EM DUPLA CONJUNÇÃO COM A POESIA

– Autor é considerado um dos maiores nomes da poética cearense.

– Convidado, o maranhense Edmilson Sanches escreveu o texto das orelhas de uma das obras (reproduzida abaixo).

*

Há o Dia da Poesia e há a Noite da Poesia. O Dia tem, pelo menos, três datas. A Noite, ah! a noite é única – como o são todas as noites em seu mister e mistério de tornar diferentes dias tão iguais...

Em Fortaleza, capital do Ceará, a Noite da Poesia tem seu dia, um dia particular, especial: 12 de maio, terça-feira, quando, no Ideal Clube, a partir das 19h, serão lançadas as mais recentes obras poéticas de um senhor poeta.

As obras são “Todavia” e “Contudo”. O autor é Luciano Maia. (As simples e belas capas das obras têm a assinatura da esposa, a arquiteta Ana Maria Jereissati Maia).

Professor universitário (aposentado), Luciano Maia formou-se em Direito e tornou-se mestre em Literatura. Os que sabem de sua obra, os que sabem de seu saber confirmam: Luciano é mestre em Literatura não porque um título acadêmico documenta, mas porque sua obra literária atesta.

Entre tantas coisas que faz e é na Literatura, Luciano Maia é o autor que, agora e prafrentemente, ratifica-se como referência literária no Ceará, Estado que, antes, pratrasmente, já enriquecera as Letras brasílicas, todas elas, de “A” a “Z”,  de Adolfo Caminha a Zé de Alencar (que ele não se revire no túmulo com esta minha liberdade antroponímica...). E aí pelo meio, interliteralmente, desfila um rico, riquíssimo, abecedário de talentos de antanho: Capistrano de Abreu... Domingos Olímpio... Emília Freitas... Francisco Carvalho... Gustavo Barroso... Henriqueta Galeno... Imelda Pontes... Juvenal Galeno... Leonardo Mota... Moacir C. Lopes... Nertan Macedo... Otacílio de Azevedo... Patativa do Assaré... Quintino Cunha... Rachel de Queiroz... Soares Bulcão... Tristão de Alencar Araripe... Vinícius Antonius Holanda de Barros Leal...

Luciano Nunes Maia e seus irmãos, Napoleão Filho (foi meu professor no curso de Direito, na Universidade Federal do Ceará) e Virgílio, são filhos de Limoeiro do Norte, cidade-referência do Vale do Jaguaribe, terra inesquecível e inesquecida na poesia lucianiana.

Luciano é o segundo entre os três manos limoeirenses, todos de excepcional formação e inteligência no Direito e na Literatura – são homens, portanto, que, em igual tempo, sabem a letra das Leis e, sábios, sabem a lei das Letras. A inteligência “trimaiana” levou-os todos à Academia Cearense de Letras, ou “Academaia” – como gente bem-humorada trocadilhava com o nome da vetusta e mais antiga Instituição cultural do gênero no Brasil, fundada em 1894, três anos antes da fundação da Academia Brasileira de Letras. Luciano, que estava há 25 anos na Academia Cearense, renunciou à sua Cadeira há dois anos – coincidentemente, renúncia e lançamento têm como marco temporal a mesma segunda semana de maio...

Advogado, escritor, tradutor, Luciano Maia – vê-se – é homem de palavra. Prova disso são as dezenas de livros que em celulose e tinta, seja na Poesia, seja na Prosa, materializaram seus sentimentos e sensações, percepção e imaginação, técnica e inventividade.

A poesia feita com sensibilidade e esmero está presente nos livros “Todavia” e “Contudo”.

Luciano Maia e sua poesia estão aí.

Em conjunção.

* EDMILSON SANCHES

***

UM LIVRO CON/TUDO

(Texto das orelhas do livro “Contudo”, de Luciano Maia, a ser lançado em 12/5/2026, em Fortaleza)

*

Tu, Poeta, de vinho embriagado, pediste aos deuses “bênção” e ”perdão”

para teus versos aqui (per)feitos – e essa graça ainda estás a esperar.

Se as divindades, clementes, te darão indulto, remissão, sabemos não.

Mas nós, teus leitores, ante versos tão belos, nunca iremos te perdoar...

*

Deste poeta de quem tão bem se fala já lhe conhecia a terra em que nasceu e as águas em que foi batizado.

A terra, Limoeiro do Norte, eu a conheci em visita ao Distrito Irrigado Jaguaribe-Apodi, o DIJA, onde vi os grandes e mais vermelhos tomates e as enormes e mais verdes alfaces – produto do entranhamento semimiraculoso das águas (sempre elas) no solo árido, crestado, rachado, depois irrigado, daquela região limoeirense.

As águas, são as do Jaguaribe, o rio de cuja foz eu partia para bem longe e pro/fundo no Oceano Atlântico, na prática do mergulho submarino (mergulho autônomo). Nas veias do poeta e no veio de sua poesia corre – líquido e certo – o Jaguaribe, “rio-antigo”, já “distante” do “mundo infante” do autor. Basta ler Jaguaribe – Memória das Águas, obra quarentã, de 1982, em décima-primeira edição em 2019.

Este poeta – já o disse – é feito dessa água e daquela terra. Umidade e pó. LAMA, criadora, e ALMA, criativa.

A um ou outro leitor, pode parecer que o poeta Luciano Maia – pois é dele e de sua poesia o de que poucamente cuidamos aqui – maneja fácil a forma e o conteúdo dos ricos, modelares poemas que, em sua physis, têm suas fôrmas e fórmulas de fazer (como as quadras e os sonetos).

É claro, não perguntei ao poeta, nem o perscrutei, acerca de seu modus faciendi, o “jeito” como ele (e)labora suas crias nascidas da cópula de palavras. Palavras prenhes de textos. Textos que o poeta sente e (se) consente. Textos con/sentidos. Sua obra, quer prosa (ensaística), quer verso (poética), é conhecida na Academia e em outras Nações. Da universidade à universalidade – o autor é poliglota e sua obra também fala para diversos povos, pois que traduzida para diversas línguas.

Sei, e sabem-no seus leitores e doutos críticos, que Luciano Maia respira poesia... mas ele não faz poesia como quem respira – assim automaticamente, por ato reflexo, como se nem soubesse que inspira e expira. Não. Luciano, se é discípulo das Musas, é mestre em Literatura, professor de gerações. Sabe, nas “confissões” mineiras de Drummond (neste livro homenageado – “o poeta de Itabira”), que não se verseja "por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo", e que o poeta tem de dedicar-se "aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação", pois "até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê de inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos"...

Esta nova obra de Luciano Maia amplia sua já rica bibliografia, de cerca de cinquenta livros. Pintando com palavras e escrevendo com imagens, Luciano Maia é artista – multissensorial – do texto – polissemântico.

Com Luciano Maia, o Verbo faz-se verso e este, metalinguística e metapoeticamente, faz-se a si, fala de si e da linguagem que o faz. Entretanto, embora seja a poesia o leitmotiv que mais frequentemente se apresenta nestes poemas lucianianos, também chegam juntos a mulher e o amor (ah!, o amor e a mulher...) e, em menor número mas sempre a superior qualidade, vêm a morte e a vida, a crítica sociopolítica, o eu, o tempo e uma dezena de temas mais (a coragem e a dor, o Cosmos e a Natureza, o espírito e a bebida, o segredo e o silêncio, a verdade e a Humanidade...). Todos os poemas são magistralmente e (mili)metricamente dosados, contidos, enfeixados em quase mil linhas formalmente (bem) distribuídas em dois versos diversos, livres, e cerca de sessenta sonetos e setenta quartetos e trovas e outras quadras, monóstrofas, inclusive os dezesseis versos – é claro, também quadrilineares – do “Elogio do vinho”.

Com snorkel faço este rápido e epipelágico mergulho nos versos de Luciano Maia, Poseidon no vasto oceano da Poiésis, de que são líquidas e certas as palavráguas – poéticas – deste Contudo.

Nos versos (ou em muitos deles, ou na maioria deles), a maneira do autor, sempre terna com as coisas sempiternas, o jeito lucianovo de tratar dos temantigos, o cavar de modo covo e, mesmo na contenção linear, dar profundidade e trazer densidade às sensações, aos sentimentos e aos sentidos que, nos “poetas desarmados”, poderiam ser só superfície e tenuidade.

“Ecce homo!” “Ecce liber!” Têm

ar profundo, grave  ---  não

sisudo.

Poeticamente vem

o livro, quase lição,

     Con/tudo...

* EDMILSON SANCHES

Imagens:

Convite de lançamento dos livros “Todavia” e “Contudo”, de Luciano Maia

QUANDO: 12 de maio de 2026, 19h.

ONDE: Ideal Clube – Avenida Rui Barbosa – Meireles – Fortaleza (CE)