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QUINCAS VILANETO: POESIA E CAXIENSIDADE*

– Escritor lançou quatro livros nessa sexta-feira, às 19h, no Centro de Ciências da Saúde (Uema – Rua Rio Branco, Caxias)

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Ano que vem, 2027, ele completará um século. Marcará setenta anos de vida e contará 30 anos de nascimento (ou estreia) como autor, autor publicado em livro, livro individual, seu, autoral. Portanto, somados, brindaremos a um homem centenário. Cem anos de vida natural mais a vida autoral.

Sua (nossa) cidade natal, Caxias, deve(ria) ter orgulho de um “coroa” desses, que chega à plena maturidade com a mesma jovem viva/cidade – pois vive vívida e moçamente sua terra mátria, seu chão pátrio. Vive Caxias tanto em sua poesia quanto com os pés – já que Joaquim-Neto-sempre-acompanhado-de-Quincas-Vilaneto não deixa de, a pé, percorrer os pertos e longes caxienses.

Joaquim – é como o chamo, de Joaquim Vilanova Assunção Neto – ou Quincas Vilaneto estabeleceu natural e culturalmente esse compromisso com sua (nossa) terra, ela que tão intensa e desmesuradamente não deixamos de (en)cantar – é “o incontido orgulho de ser caxiense”...

Desde sua obra inaugural, “Balaio de Ilusões”, que ressaltam esse liame vilanetiano com a terra onde se apartou do umbigo e onde jogou fora dentes infantes clamando “mourão, mourão, toma este dente doente e me dê um são”. Já na primeira orelha do livro de estreia se destaca que “seus poemas”, “seus “textos possuem vigor e beleza estética admiráveis, [...] impregnados de Caxias”.

Nas muitas conversas que (man)tivemos, em mensagens curtas – comentando os poemas mais recentes que ele envia – ou em textos alongados (geralmente prefácios, que ele ousa me convidar a cometê-los), não deixei arreparar e anotar esse sentimento de caxiensidade, ora nostálgico, ora crítico, ora essa...

Não direi muito dos quatro livros; ao menos, transcreverei abaixo só uns trechos do prefácio que fiz para dois deles.

Nessa sexta-feira (16 de janeiro de 2026), o autor caxiense Quincas Vilaneto lançou, de uma lapada só, quatro livros, escritos e impressos e deixados “na moita”, que nem bom vinho – envelhecendo... Com perfume de letras, o autor envolve seus conterrâneos caxienses e o filho “devolve” parte de seus “feitos” para Caxias, sua “alma mater”, mãe nutridora terrena e espiritual.

Joaquim Vilanova Assunção Neto, o Quincas Vilaneto, volta a Caxias.

Pois bons filhos – e bons autores – à casa tornam... (EDMILSON SANCHES, caxiense)

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 “POEMAS PARA BOLINAR A ALMA”, de Quincas Vilaneto

(trecho do prefácio de Edmilson Sanches)

Como humilde revisor e modesto editor desta mais recente obra vilanetiana, tive, ex officio, o privilégio de ler, reler e treler os originais dos Poemas para Bolinar a Alma.

Diversas leituras, diversas gratificações. Ganha-se ante a densidade poética de Quincas Vilaneto, o domínio do ofício de colocar transcendências em versos. Ganha-se com os surpreendimentos (surpresas com encantamentos) ante o renovar semântico de palavras e frases, de substância e sentido, de signo e significado.

Mas, sobretudo, e para mim particularmente, ganha-se em “caxiensidade” (o amor ao chão natal, Caxias) e em revivências de cores, odores, primores e até amores da minoridade e sabores verbivocais, audíveis, sentíveis e sensíveis na memória da infância.

Sim, embora se coloquem à disposição para o desfrute estético do leitor poroso, os poemas trazem palavras e expressões e traduzem memórias e emoções próprias de quem criançou-se, meninou-se, rapazoteou-se no mesmo habitat espaço-temporal que Quincas Vilaneto habitou e vivenciou. São as palavras com cheiro de terra (a terra natal) e gosto de infância.

Foi assim que, recebendo um livro, ganhei de gode um portátil sistema de teletransporte, com certas palavras e expressões me levando para a mais distante das lonjuras, na mais rica das viagens: a viagem para dentro de si mesmo e a distância entre o agora e o passado para sempre, passado incapaz/impossível de ser outro tempo.

[...]

Tome, leitor, este livro e abra-o. Conceda ao Autor o benefício da leitura e da certeza – pois, como está aqui, em um “Poema perdido”, “não se pode negar abrigo / a quem desafia as palavras”. (E. S.)

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“VILA POESIA”, de Quincas Vilaneto

(trecho do prefácio de Edmilson Sanches)

Vilaneto e eu escrevemos no O Pioneiro, o saudoso semanário da cidade, que não resistiu à morte de seu diretor, o igualmente saudoso Vítor Gonçalves Neto, meu amigo, nem aos esforços de um grupo de talentosos caxienses que, por um tempo, em tocante exemplo de união e ideal, deram alguma sobrevida àquele jornal, que ainda circulou por algumas edições mais.

[...]

Se Quincas Vilaneto antecipa que não é fácil escrever poesias, imagine só escrever metapoesia(s)... Mas Quincas escreve – e ainda quero achar que ele, um afilhado das Musas, o faz sem dificuldade, sem desespero, sem noites ou manhãs ou tardes de pestana, insone...

Um dia, não me contendo com o (e)terno retorno aos termos, aos versos, aos poemas autorreferenciados, disse ao Quincas Vilaneto que os temas mais presentes em sua obra (Caxias e a metapoesia) deveriam merecer um livro... e o baita Poeta aderiu de modo positivo e operante. Disse sim e já foi fazendo mais poemas...

Para reconhecer a cidade natal ou a metalinguagem na obra vilanetiana não precisa que da primeira à última linha seus poemas se estejam impregnados ou emprenhados de construções metapoéticas ou de (ex)citações, odes e elegias acerca das características, das acontecências ou da toponímia caxienses. Quincas faz versos gráficos, não cartas geográficas. O Poeta sabe quando dar nomes -- e, muitas das vezes, por um pedaço da casca se pode saber de que árvore se trata...

[...]

Duvidar da utilidade e, mais que isso, da necessidade da poesia é duvidar da humanidade – seja o coletivo das pessoas, seja o conjunto dos sentimentos humanos. Quincas Vilaneto soma sua voz e resposta a esse “nonsense” pragmatista. Relembre-se a estúpida pergunta de um juiz de Leningrado (hoje São Petersburgo, Rússia), em fevereiro de 1964, em processo contra o poeta Josef (ou Iossif) Brodski: “Qual é a utilidade de seus ‘assim chamados’ versos?”

[...]

Vila Poesia torna-se agora referência para os que quiserem andar pela Princesa do Sertão com sentimentos, da infância à maturidade. Bem-vindos à Praça Gonçalves Dias, ao rio Itapecuru, ao Alto dos Negros, ao pirão de parida e ao moque da Dica, ao Riacho do Ouro e à lama (medicinal) de Veneza, ao Morro do Alecrim e seu Mirante da Balaiada, às igrejas Catedral (Nossa Senhora dos Remédios) e São Benedito, à loja Matoense e ao bar do Cantarele, ao colégio Silvandira Guimarães, às ruas Aarão Reis e do Cisco, às almas poéticas de Déo Silva e Cid Teixeira de Abreu...

E se Vila Poesia não é – “et pour cause...” – um “guia” completo da cidade, seu Autor o é. Chame pra conversa o Quincas Vilaneto e ele se derramará todo e lhe mostrará o “caminho do rio”, onde “o sol passeia / com os que têm sede” (“Com o tempo”). O roteiro será longo e agradável, pois, para o Autor, Caxias é “Mãe querida”, e “[...] não há em ti / nada que eu não reconheça / e tudo o que sou e tenho / vivemos juntos para sempre” (“Ser caxiense”). Com elevada caxiensidade, o Poeta proclama, como canino citadino que mija em postes para demarcar território: “Foi aqui que nasci / herdeiro dos teus becos / [...]” (“Herança”).

Entre as inumeráveis utilidades da poesia, este livro revela uma: dar vida.

[...]

Guia local, repertório sentimental, poesia literal e literariamente poética, este livro reitera, amplia e eleva o lugar de Quincas Vilaneto na poesia caxiense e maranhense. O Autor não liga pra isso. O que lhe interessa é cantar sua cidade e encantar(-se) com a poesia.

Porque neste livro, a partir do título, “Vila” é a cidade-inspiração, e “Poesia” é a do filho inspirado  – Quincas Vilaneto.

* EDMILSON SANCHES

Ilustração: capa dos quatro livros.