
Do clássico disco "The Dark Side of the Moon", da banda inglesa Pink Floyd, aprendi a gostar muito das músicas mais "introspectivas", como "Us and Them", "Brain Damage" e a fantástica "The Great Gig in the Sky", que, como revela o título, é um "grande espetáculo no céu".
"The Great Gig in the Sky" traz a participação e praticamente uma cocomposição da Clare Torry, uma cantora britânica, à época com 21 anos, a quem os membros do grupo deram a missão de, por conta dela, improvisar um canto sem palavras, a partir da melodia que ela ouvia. A ideia central era "morte" – tanto que é sobre o fim da existência de um ser humano o de que tratam as palavras quase murmuradas no início da música, ditas por Gerry O'Driscoll, zelador do Abbey Road, o famoso estúdio londrino onde "The Dark Side of the Moon" foi gravado (1973).
Clare Torry então se soltou. E numa mesma tarde, em três participações, ela liberou voz, sentimentos e sensações – que alguns chegaram/chegam a associar a orgasmo (que, aliás, não deixa de ser uma pequena, doce, rápida e ressurrecta morte... – “la petite mort”, é como os franceses definem o orgasmo e sensações pós-orgásticas).
Após a edição da música, os lamentos, ganidos, gritos da competente Clare fizeram tanto sucesso que em 2004 – 45 anos depois da gravação – ela processou a gravadora EMI e o próprio conjunto Pink Floyd, que simplesmente não creditaram, não puseram o nome da moça entre os colaboradores na criação de "The Great Gig in the Sky". Resultado: Clare Torry ganhou a causa e a partir daquele ano (2004), todo e qualquer material que traga a faixa "The Great Gig in the Sky" deve ter o nome dela. É besta!...
Sem trocadilho, muitas das vezes é muito justo, é justíssimo, ganhar no grito...
Conheço várias interpretações de cantoras quando assumem o desafio de reproduzir vocalmente "The Great Gig in the Sky". Tem gente boa, mulheres, cantando essa música no mundo todo. Mas gostaria de destacar a competência de duas brasileiras, uma de São Paulo (SP) e, a outra, de Montes Claros (MG) – duas cidades onde já deixei minha "ecological footprint".
Deixo com os apreciadores do Pink Floyd três "links": um com a Clare Torry, na gravação original (último "link"); e os demais, com a interpretação da paulista LILIAN XIMENES (banda: Pink Floyd Cover) e da mineira VIVIANE DONNER (banda: Atom - Pink Floyd Tribute).
A qualidade vocal e de interpretação dessas brasileiras asseguram-nos que, sim, ainda há CANTORAS QUE (EN)CANTAM em nosso país. E como qualidade não é o forte do consumo musical, só os "iniciados" sabem desses talentos.
À maneira do provérbio castelhano, há os que não acreditam em qualidade, mas que ela existe, existe.
Boa audição.
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(*) Tradução/adaptação livre para o título da música "The Great Gig in the Sky".
*EDMILSON SANCHES
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LILIAN XIMENES, paulista:
VIVIANE DONNER, mineira
CLARE TORRY, inglesa