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Rio de Janeiro (RJ), 28/03/2026 – Abertura da exposição Constelações – 40 anos do Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Na Praça XV, região do Centro do Rio de Janeiro banhada pela Baía de Guanabara, um palácio construído em estilo colonial português é uma joia da arquitetura do Rio Antigo. O Paço Imperial é testemunha da história do Brasil desde o tempo da colônia e, há 40 anos, abriga um centro cultural.

A construção, inaugurada em 1743, já foi Casa dos Vice-Reis do Brasil e sede do Império. Foi lá que em seguidas noites o anfitrião, Dom João VI, recebia súditos para a tradicional cerimônia do beija-mão, quando o palácio ainda se chamava Paço Real.

No Império, quando recebeu o atual nome, o Paço vivenciou o histórico Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, com a recusa de o príncipe regente Dom Pedro I em voltar para Portugal.

O primeiro andar do prédio tem a sala Treze de Maio, homenagem à assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão no país, em 1888. O texto da lei foi assinado pela princesa Isabel dentro do Paço Imperial.

Foi lá também que o imperador deposto Pedro II passou as últimas horas no Brasil antes de buscar exílio em Portugal, logo depois da Proclamação da República, em novembro de 1889.

Rio de Janeiro (RJ), 28/03/2026 – Abertura da exposição Constelações – 40 anos do Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Centro cultural

Mesmo com o fim do Império, o Paço continuou sendo chamado de Imperial. Chegou a ser endereço da Agência Central dos Correios e Telégrafos. Em 1938, foi tombado e, desde 1985, é um centro cultural vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia do Ministério da Cultura.

Com 40 anos, o Centro Cultural do Paço supera o vizinho Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), de 1989, como o mais longevo da região central do Rio.

Para celebrar as quatro décadas de funcionamento como Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial, o prédio histórico abriu, nesse sábado (28), uma exposição com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas que têm, cada um, uma ligação com o local de exposições.

São obras que, até 7 de junho, esperam atrair olhares de artistas, críticos, amantes da arte e as dezenas de milhares de pedestres – parte deles turistas – que passam diariamente pelo polo cultural em uma das regiões mais movimentadas do Centro carioca.

Memória e ineditismo

A exposição chama-se Constelações – 40 anos do Paço Imperial e reúne trabalhos icônicos ─ e alguns inéditos ─ de nomes como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Hélio Oiticica, Luiz Aquila, Lygia Clark, Marcela Cantuária, Roberto Burle Marx, entre outros.

A curadoria é de Claudia Saldanha, Ivair Reinaldim e da equipe do Paço Imperial. Eles selecionaram obras que ajudam a relembrar as quatro décadas dedicadas à cultura.

Nesse intervalo de tempo, o prédio recebeu diversas vertentes artísticas, nacionais e internacionais, que vão desde arte contemporânea à popular, passando por arquitetura, design, paisagismo, história e patrimônio.

As obras não são necessariamente releituras do que já foi exposto no espaço, mas, sim, revisita a artistas que já estiveram sob os holofotes do centro cultural.

Rio de Janeiro (RJ), 28/03/2026 – O curador Ivair Reinaldim na abertura da exposição Constelações – 40 anos do Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Constelações

O curador Ivair Reinaldim contou à Agência Brasil que o nome Constelações tem a ver com um conceito do filósofo alemão Walter Benjamin (1982-1940) de que constelações são como se fossem desenhos entre as estrelas.

“A ideia de constelação é de não ter hierarquia, não ter linearidade, não ter assimetrias de coisas que são mais importantes do que outras”, diz.

“O que a gente tentou fazer é trabalhar com obras de artistas de diferentes gerações, de diferentes contextos, contemporâneos, modernos, populares, jovens, velhos, consagrados e não consagrados, misturando todo mundo”, detalha o curador.

O visitante tem à disposição 12 salões e dois pátios internos, repleto de obras culturais. Em um dos pátios, há um jardim em homenagem ao artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), que ganhou uma grande mostra no Paço Imperial em 2008.

A curadora Claudia Saldanha, também diretora do Paço, explica que a ideia de constelação também está no fato de não haver ordem definida para o visitante conhecer a mostra.

“Sempre gostamos quando o visitante faz o seu próprio percurso. Pode começar pelo primeiro ou segundo andar, pode entrar por qualquer um dos portões”, diz.

“A mostra não tem uma cronologia, foi uma decisão da curadoria não classificar, não categorizar, não criar barreiras nem distinções entre as obras”, completa.

Rio de Janeiro (RJ), 28/03/2026 – Abertura da exposição Constelações – 40 anos do Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Relevância nacional e local

Uma das obras inéditas é Agrupamento, de José Damasceno, feita com placas de MDF e grampos de serralheiro “garimpados” na feira de antiguidades da Praça XV, que ocorre sempre aos sábados, em frente ao Paço. A obra foi criada especialmente para a Constelações.

Além dos trabalhos expostos, até junho o Paço Imperial organizará seminários, oficinas e atividades educativas, valorizando a trajetória da instituição.

O curador Ivair Reinaldim ressalta que o Paço imperial tem relevância não somente local, mas também nacional.

Ele cita o Salão Nacional de Artes Plásticas, em 1986, em que o Paço expôs retrospectivas dos pintores e escultores Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Clark (1920-1988).

“Foram duas exposições que antecederam exposições internacionais desses dois artistas, que estão, certamente, entre os cinco artistas brasileiros mais reconhecidos na arte internacional”, lembra.

“Aqui foi a primeira vez que uma instituição conseguiu apresentar um conjunto de trabalhos desses artistas”, orgulha-se.

Reinaldim considera que o fato de o Paço ficar aberto em uma área de ampla circulação de público bastante variado representou um desafio para a curadoria, mas também garantia de diversidade.

“Se um determinado público, de repente, não se atrai por todo tipo, por todas as obras, pelo menos vai ter algumas aqui que vão ter algum tipo de interesse, algum tipo de relação, de proximidade”, prevê.

O visitante conhecerá também uma linha do tempo que conta a história do Paço desde a construção, testemunhando acontecimentos da história do Brasil.

Parcerias

Algumas das dezenas de obras expostas são fruto de parcerias, o que reforça a ideia de constelação, com itens de acervo das instituições Museu Bispo do Rosário, Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Moderna do Rio, Museu do Folclore, Museu de Imagens do Inconsciente, Instituto Moreira Salles e Sítio Roberto Burle Marx.

Serviço

O Paço Imperial fica na Praça XV, 48, Centro do Rio de Janeiro. A exposição é gratuita, até 7 de junho, com funcionamento de terça-feira a domingo e aos feriados, das 12h às 18h.

(Fonte: Agência Brasil)

São Paulo (SP), 27/03/2026 - Performance de Ayô, em meio a obras na exposição “Padê – sentinela à porta da memória”, no Museu Afro. Foto: Letycia Bond/Agência Brasil

Um dos orixás mais incompreendidos fora dos terreiros, Exu é aquele que concede licença para se concretizar qualquer coisa e protege a encruzilhada, espaço destinado a transições do espiritual para o físico e de fases da vida, na perspectiva de umbandistas, candomblecistas, quimbandistas e outros seguidores de religiões de matriz africana.

Esse indispensável comunicador está representado na exposição Padê – sentinela à porta da memória, aberta até 26 de julho, no Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. 

Padê é como se denominam as oferendas dadas a Exu, Oxalá, Ogum, Oxum, Iemanjá, Oxóssi, Oxumaré, Xangô, Iansã, Nanã, Omulu, Ewá, Obá, Ossaim e outros orixás, para pedir ajuda diante de dificuldades ou celebrá-los.

Com curadoria de Rosa Couto, doutora em História pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), a mostra foi organizada em três seções. 

Em África, enfatizam-se os rituais e os diálogos relacionados à divindade. 

Na divisão batizada de Travessia, o público conhece mais suas manifestações enquanto figura ligada ao movimento, a estradas, oceanos e ruas. 

Na terceira subdivisão, Diáspora, as obras de arte retratam o modo como Exu aparece nas religiões afro-brasileiras. 

Na lista de artistas participantes da exposição, estão Emanoel Araújo, Sidney Amaral, Gustavo Nazareno, Carla Désirée, Felix Farfan, Ronaldo Rêgo, Mario Cravo Neto, Pierre Verger, Mestre Didi, Moisés Patrício, Georges Liautaud, Rafaela Kennedy, Rochelle Costi e Juliana Araujo. 

Como outros orixás cultuados no Brasil, cujos mitos revelam qualidades e também emoções e comportamentos que os aproximam dos humanos, como raiva, vingança e ciúmes, Exu é uma deidade complexa. 

Nele, não há uma dualidade tão engessada, com o bem de um lado e o mal de outro e o sagrado separado do profano. 

Por influência do cristianismo, Exu acabou sendo visto, erroneamente, como o diabo, imagem que alguns sustentam e disseminam até hoje. 

Artista que apresentou uma performance na última quinta-feira (26), no museu, Ayô Tupinambá explica que, além dos exus masculinos, como Tranca Rua, Sete Encruzilhadas, Exu Caveira, Sete Catacumbas e Capa Preta, há exus femininas, as pombagiras (pombogiras, bombogira ou outros termos de grafia e sonoridade similares, já que são religiões guiadas pela oralidade, que gera variações, pela forma como os saberes são repassados). 

São largamente conhecidos nos terreiros as gargalhadas e os leques e as saias agitadas de Maria Mulambo, Maria Padilha, Maria Quitéria e outras mulheres famosas por desafiar a moralidade e o patriarcado, não se submetendo a opressões.

O tema escolhido pela performer umbandista para a apresentação foi Exú-Mulher, nome de um de seus álbuns, por meio do qual narra suas experiências com as entidades. 

A performance ocorreu no âmbito do projeto Negras Palavras, que já recebeu Juçara Marçal, Tiganá Santana e Fabiana Cozza.

Exus e pombagiras assemelham-se a santos, no sentido de que também têm imagens colocadas em uma espécie de altar, em que se acendem velas, entre outros itens, conforme sua função. 

Elas são presenteadas, geralmente, com rosas, mel e vinho, ao passo que são do agrado também artigos como o marafo (bebida alcoólica), ovos e cigarros.

"As pombogiras são ancestrais, negras, indígenas do Brasil, que, por algum motivo, acabaram morrendo e voltam, dentro desses cultos, para nos orientar sobre nossas dificuldades, nossas lutas”, explica Ayô Tupinambá. 

São Paulo (SP), 27/03/2026 - Musicista Ayô Tupinambá (à dir.) fala sobre seu álbum Exú-Mulher na exposição “Padê – sentinela à porta da memória”, no Museu Afro. Foto: Letycia Bond/Agência Brasil

“Gosto muito do conceito de que elas passaram por algumas lutas e vêm até nós para que a gente não passe mais por esse lugar. Na maioria das vezes, foram cortadas, retaliadas, machucadas, feridas e vêm para nos proteger, nos fortalecer. É muito simbólico, dentro da programação do museu, trazer esse trabalho, principalmente com o aumento da violência contra mulheres", diz Ayô. 

O canto de Ayô chegou antes dela ao salão próximo à porta de entrada do museu. 

Vestida com indumentária usada por cavalos (médiuns que incorporam entidades nas giras) de pombagiras, vermelha e preta, cores também associadas aos exus masculinos, mostrou aos visitantes um padê, informando que ingredientes geralmente são misturados no alguidar, recipiente bastante utilizado para esse fim. 

Outro simbolismo da oferenda é referente à unidade do terreiro. 

A atividade contou com a presença de estudantes do ensino fundamental de um colégio particular que assistem a aulas de artes e de cultura popular. 

Frequentadora de uma casa comandada por uma mulher trans, Ayô, auto identificada como travesti afroindígena, ficou inserida em outra comunidade religiosa por quase toda sua vida. 

Com uma colocação de Maria Mulambo sobre ela se parecer com as pombagiras, iniciou-se no universo dos terreiros.

Dois anos depois, teve seu primeiro contato com a sua pombagira. Conforme foi se entregando aos trabalhos no terreiro, apagou a ideia de que tais entidades eram um mal a ser combatido, como lhe ensinaram no longo período em que viveu sob outro credo.

Censo

Segundo o último Censo Demográfico, de 2022, a proporção de brasileiros católicos diminuiu a partir de 2010, embora continue liderando em todo o país, com maior concentração no Nordeste e no Sul. 

Ao mesmo tempo, constatou-se um aumento na parcela umbandista/candomblecista, de 0,3% para 1% e mais presença nas regiões Sul e Sudeste. 

"Dentro das nossas religiões, a gente não acredita no diabo. A gente acredita em autorresponsabilidade, que aquilo que eu faço de bom, de ruim, tem a ver comigo. Não tem como eu culpar uma terceira pessoa, um terceiro ser, por aquilo que eu faço”, disse. 

“É muito curioso como as populações vulnerabilizadas se apropriam daquilo que as pessoas jogam contra elas. É muito comum ter nessas ferramentas esses tridentes, que as pessoas acabam relacionando ao diabo cristão, mas são um pedaço de ferro para simbolizar o poder e a força dessa entidade", pontua Ayô. 

Serviço

  • Exposição Padê – sentinela à porta da memória
  • De 21 de março a 26 de julho de 2026
  • Museu Afro Brasil Emanoel Araújo
  • Parque Ibirapuera – Portão 10 – São Paulo (SP)
  • Curadoria: Rosa Couto
  • Comitê Curatorial: Vera Nunes, Renata Dias e Maurício Pestana
  • Viabilização: Lei Rouanet
  • Patrocínio: Vivo

(Fonte: Agência Brasil)

Maior vencedor do futsal do Maranhão e um dos principais representantes do Estado no cenário nacional do esporte, o Balsas Futsal concluiu os preparativos para a partida de volta da primeira fase da Copa do Brasil de Futsal, diante do Atlético Piauiense, que será disputada na manhã deste domingo (29), a partir das 11h, no Ginásio Verdão, em Teresina. Depois de ser superado no jogo de ida por 2 a 0 no Ginásio do Complexo Esportivo Educar, em Balsas, a equipe maranhense quer se recuperar fora de casa e garantir presença nas oitavas de final da competição nacional.

O Balsas Futsal teve uma rotina intensa de treinamentos durante a semana, com vários ajustes para o segundo confronto diante do Atlético Piauiense, que é o atual campeão brasileiro de futsal. Empurrado pela torcida, a equipe balsense criou grandes chances de gol no jogo de ida, mas não conseguiu ser eficiente no ataque, enquanto os visitantes foram mais precisos em suas finalizações. Em Teresina, o objetivo do Balsas é equilibrar as ações contra o Atlético Piauiense, buscar a vitória e levar a disputa da vaga nas oitavas de final para a prorrogação.

“Não conseguimos o resultado em casa, a vantagem que queríamos, por mais que a nossa equipe tenha feito um jogo muito bom. Fiquei muito satisfeito com a atuação, conseguimos jogar de igual para igual contra o atual campeão brasileiro. Trabalhamos muito bem durante a semana, fizemos correções importantes e agora vamos lutar para fazer um jogo melhor, com o objetivo de buscar a classificação fora de casa”, afirma Hallysson Dias, presidente e técnico do Balsas Futsal.

De acordo com o regulamento da Copa do Brasil de Futsal, o gol fora de casa não é critério de desempate, ou seja, o Balsas Futsal precisa de uma vitória por qualquer placar diante do Atlético Piauiense para forçar a disputa de uma prorrogação no Ginásio Verdão. Persistindo o empate no tempo extra, o classificado para as oitavas de final será definido nos pênaltis. O time piauiense, por sua vez, avança em caso de nova vitória ou empate.

Balsas Futsal na LNF Silver

Em meio à disputa da Copa do Brasil de Futsal, o Balsas Futsal vive a expectativa pela sua histórica participação na LNF Silver, nova competição promovida pela Liga Nacional de Futsal (LNF), que contará com a participação de 16 times na temporada de 2026 e servirá de acesso para a divisão principal da LNF, uma das maiores ligas de futsal do mundo e principal torneio da modalidade no Brasil. Única equipe do Maranhão na LNF Silver, o Balsas vai disputar as 15 partidas da fase classificatória da competição nacional entre abril e julho, de acordo com a tabela divulgada pela Liga Nacional de Futsal.

O Balsas Futsal inicia a sua caminhada na LNF Silver 2026 com duas partidas consecutivas como visitante. A equipe maranhense estreia no dia 5 de abril, às 18h, em duelo diante do Joaçaba, no Ginásio Unoesc, e depois encara o Blumenau no dia 16 de abril, a partir das 19h, no Ginásio do SESI Blumenau. Já no dia 23 de abril, o Balsas terá o seu primeiro desafio em casa contra o Juventude AG, de Mato Grosso do Sul, em duelo marcado para o Ginásio Castelinho, em São Luís, que será a casa da equipe balsense na competição nacional.

A LNF Silver 2026 terá uma fase classificatória com todas as equipes se enfrentando em turno único, totalizando 15 rodadas: o Balsas vai jogar sete partidas como mandante no Ginásio Castelinho, em São Luís, e terá oito compromissos longe de seus domínios. Os quatro times de melhor campanha na fase classificatória garantem vaga direta nas quartas de final, enquanto as equipes que ficarem entre a 5ª e a 12ª posição vão disputar os playoffs, valendo as últimas vagas nas quartas. Os dois finalistas da LNF Silver garantem o acesso para a LNF Gold na temporada de 2027, enquanto o terceiro colocado vai encarar o playoff de acesso/descenso contra o 14º colocado da LNF Gold 2026.

Balsas Futsal na Copa LNF

Além de jogar a Copa do Brasil de Futsal e a LNF Silver, o Balsas Futsal está confirmado na Copa LNF 2026, competição que será realizada pela primeira vez nesta temporada e reunirá os 32 clubes franqueados da entidade, sendo 16 da primeira divisão da LNF e outros 16 da LNF Silver, divisão de acesso que terá sua edição inaugural em 2026. O Balsas Futsal terá um confronto histórico na primeira fase da Copa LNF 2026, recebendo o atual bicampeão nacional Jaraguá, de Santa Catarina, em jogo único no Ginásio Castelinho, em São Luís. A partida está marcada para o dia 25 de abril.

Adversário do Balsas Futsal em sua primeira participação na Copa LNF, o Jaraguá é uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas da história do futsal. O clube catarinense é o atual bicampeão da Liga Nacional, faturou a Supercopa do Brasil de Futsal no início da temporada de 2026 e também foi eleito o melhor time de futsal do mundo pela Futsal Planet em 2025. Além disso, o Jaraguá é hexacampeão da LNF e da Copa Libertadores de Futsal, conquistas que reforçam a tradição do rival do time maranhense na primeira fase da competição nacional.

O Balsas Futsal será o mandante da partida contra o Jaraguá pela primeira fase da Copa LNF por força de regulamento: de acordo com a Liga Nacional de Futsal, as equipes participantes da LNF Silver terão o mando de quadra nos jogos únicos contra os clubes da primeira divisão da Liga Nacional nesta etapa da competição nacional. 

Copa do Brasil de Futsal 2026 (1ª fase)

20/3 (Jogo de Ida) - Ginásio do Complexo Educar (Balsas)

20h -  Balsas Futsal 0 x 2 Atlético Piauiense (PI) 

29/3 (Jogo de Volta) - Ginásio Verdão (Teresina)

11h - Atlético Piauiense (PI) x Balsas Futsal

(Fonte: Assessoria de imprensa)

São Paulo (SP), 02/07/2024 - A Feira do Livro na Praça Charles Miller, no Pacaembu. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O número de consumidores de livros cresceu em 2025, no Brasil, de acordo com pesquisa divulgada, nessa quinta-feira (26), pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. Os dados mostram que 18% da população acima de 18 anos comprou, ao menos, um livro, impresso ou digital, no ano passado. O número representa um aumento de 2 pontos percentuais – 3 milhões de novos consumidores – em relação a 2024.

“O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro”, afirmou a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos.

Ela explicou que esse aumento é resultado de uma estrutura que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.

O estudo Panorama do Consumo de Livros contou com 16 mil entrevistas realizadas em outubro de 2025, incluindo pessoas que compraram livros ou não no último ano. Entre aqueles que não compraram livros em 2025, cerca de 35 milhões de pessoas (28%) disseram que foram desmotivadas por falta de livraria ou loja por perto. Para 35% dos não compradores, os livros são caros.

Ainda na parcela de quem não comprou, um percentual de 16,3% informou que o motivo foi ter baixado livros digitais gratuitos e 16,1% disseram ter acesso a PDF gratuito. Coordenadora de Pesquisas Econômicas e Setoriais da Nielsen BookData, Mariana Bueno observou que grande parte desses casos está relacionada à pirataria.

“Para a gente [do setor livreiro], pirataria é demanda. Ou seja, são pessoas que estão, de alguma maneira, lendo mas não comprando. A gente diz que é uma demanda reprimida, que tem a possibilidade de o mercado alcançar, pensar ações para alcançar esse grupo de pessoas”, disse Mariana.

Perfil dos consumidores

Segundo o levantamento,as mulheres representam 61% do total de consumidores de livros. Considerando recorte de raça, classe e gênero, a pesquisa indicou que as mulheres negras da classe C são o maior grupo consumidor de livros do país, alcançando 15% do total.

A pesquisa apontou ainda que o maior crescimento ocorreu entre os jovens. Na faixa de 18 a 34 anos, houve aumento de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para Sevani, as redes sociais se tornaram uma porta de entrada importante para novos leitores.

“Criadores de conteúdo, recomendações on-line e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens”, analisou a presidente da CBL.

São Paulo (SP), 17/06/2024 - Feira do Livro 2025 no Pacaembu em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Mariana Bueno relatou que os livros de colorir foram um fator relevante para o crescimento registrado. No ano passado, 7,1% da população adulta, cerca de 11 milhões de pessoas, comprou ao menos um exemplar. O número equivale a 40% do total de consumidores de livros.

“Mas os dados do varejo indicam que os títulos de ficção, especialmente os Young Adult, tiveram papel decisivo nessa alta. São obras voltadas a um público mais jovem e conectado, o que dialoga diretamente com os resultados observados na pesquisa”, acrescentou.

Segundo a pesquisa, 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas.

Em sua última compra, 80% dos consumidores adquiriram um livro impresso, enquanto 20% compraram a versão digital. Além disso, 70% dos consumidores de livros afirmam gostar de acompanhar lançamentos, principalmente por meio de sites de compras (34%), indicação de pessoas próximas (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%).

A livraria mantém papel estratégico na experiência de compra, considerando que, para 53% dos consumidores, é um espaço para relaxar e explorar sem pressa, enquanto 46% associam esses espaços à conexão com cultura e conhecimento. Na última compra de livro impresso, 53% adquiriram por meio de compra online e 47% presencialmente.

“O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento”, concluiu a presidente da CBL.

(Fonte: Agência Brasil)

Pernambuco, 25/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Festival Sonora Brasil faz turnê com artistas da música afro-indígena. Instrumento  que Gean Ramos Pankararu usa como músico indígena contemporâneo. Foto: Lucas Aldi/Divulgação

A 28ª edição do Sonora Brasil, festival de música brasileira realizado pelo Sesc, promoverá uma turnê nacional com artistas e grupos da música afro-indígena – histórica e contemporânea –, se apresentando por 15 Estados com shows inéditos.

O lançamento nacional da edição deste ano está previsto para junho, em Santarém (PA), com realização das apresentações até dezembro.

A ideia é proporcionar ao público uma imersão nas expressões musicais afro-indígenas como patrimônio vivo e em constante reinvenção.

A organização do festival ressalta que são tradições que atravessam gerações, resistem a apagamentos e, ao mesmo tempo, se conectam a novas linguagens, tecnologias e estéticas contemporâneas. 

Ancestralidade

O indígena pernambucano Gean Ramos Pankararu é músico contemporâneo, e seu trabalho conecta ancestralidades indígena e negra.

“Recebo esse convite com muita responsabilidade para levar nosso trabalho a lugares ainda mais distantes e ajudar na construção da consciência do que são os povos indígenas no contexto contemporâneo”, disse, em entrevista, à Agência Brasil.

A relação de Gean com a música começou ainda criança, no território Pankararu, localizado nos municípios de Petrolândia, Jatobá e Tacaratu, no sertão de Pernambuco.

“Minha mãe sempre gostou muito de cantar, meu pai tocava violão e cavaquinho, coisas assim muito intuitivas. Comecei a dar os primeiros acordes com oito anos de idade, e isso foi ficando cada vez mais forte”, contou.

Nascido em 1980, o artista tem em suas origens a base do trabalho na música: “Desde 2008, eu retorno ao território [Pankararu] e aqui começa outra história, que é escrever a partir da minha vivência, com a minha cultura e minha tradição, e isso me fortalece bastante”.

Antes disso, migrou para o interior de São Paulo para trabalhar em plantações, mas sem deixar de estudar violão, e chegou a tocar na noite em cidades como Brasília, Rio de Janeiro e João Pessoa.

Pernambuco, 25/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Festival Sonora Brasil faz turnê com artistas da música afro-indígena. Gean Ramos Pankararu, músico indígena contemporâneo. Foto: Lucas Aldi/Divulgação

Resistência

Gean destaca que tem levado a história de luta e de resistência dos povos indígenas do Brasil ao público por meio de suas obras.

“A música é um portal muito grande na minha vida e na história do meu povo. É uma relação espiritual que parte da conexão com a terra e com a natureza”.

Para o artista, a música tem a missão de construir consciência e bases para as futuras gerações, além de ser um instrumento de luta e resistência.

“Minha relação com a música profissional tem sido nesse lugar de consciência indígena, de escrever uma história a partir da cosmovisão e da cosmopercepção indígena, como eu tenho processado todas essas informações”, disse.

“Esse é um trabalho consolidado de consciência e de muito respeito às minhas origens, mas também criando uma ponte entre mundos”, contou.

“A música mais antiga que a gente tem nesse país é a música indígena”, ressaltou Gean sobre a necessidade de valorização dessa manifestação cultural.

Segundo ele, no início dos anos 2000, começa um movimento de visibilização de artistas indígenas: “Estamos em meio ao processo de consolidar nossos nomes, trazendo nossa história, que é de muita resistência. E a música é um instrumento de luta, tanto a música tradicional, quanto a música que a gente faz para adentrar os espaços [artístico-profissionais]”.

Gean lembra que nessa época não havia mercado para seu trabalho.

“Eu sempre compus aquilo que os meus olhos estavam vendo e o que eu estava vivenciando, eram contextos pessoais. Com estilo na linha da música popular brasileira, sempre tive essa relação muito forte com o território, mas não havia um mercado, vamos dizer assim, para artistas indígenas”.7

Sonora Brasil – 28 anos

Sonora Brasil é um dos projetos mais longevos do Sesc que, desde 1998, promove a difusão da música e das manifestações culturais brasileiras.

“É um projeto que tem como foco a formação de ouvintes musicais e levar ao [público] conhecimento da sua própria riqueza e diversidade cultural”, conta Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.

Cada artista ou grupo fará cerca de 30 a 40 apresentações em todas as regiões do país ao longo do ano.

“É um projeto muito dinâmico, muito vivo, que responde a demandas conforme os diferentes contextos da cultura brasileira”, explicou.

Segundo ele, a organização do festival trabalha para garantir essa diversidade cultural sempre representada e, a cada edição, trazer novidades da cena musical para o projeto.

Primeiro grupo de carimbó de mulheres indígenas do Brasil, Suraras do Tapajós (PA) também integra a turnê deste ano. Com repertório autoral e releituras da música paraense, o grupo traz letras que exaltam natureza, força feminina e ancestralidade.

O grupo baiano Cabokaji une referências indígenas e afro-brasileiras a ritmos eletrônicos e dançantes, com performance que envolve música, corpo e elementos rituais. No show, há referência a comunidades como Xukuru-Kariri (AL) e Fulni-ô (PE), além de trazer o debate sobre territorialidade e reparação histórica e ambiental.

Já o grupo Nderé Oblé reúne artistas do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Costa do Marfim. A proposta é criar pontes entre ancestralidade e futuro por meio de música, palavra e corpo, dentro do circuito de música afro e indígena contemporânea.

“Em relação à presença indígena na música brasileira, além dos instrumentos, há um atravessamento histórico que aborda temas como territórios, crenças, modos de vida, formas de fazer, de produzir e de se manifestar por meio da música, e que se entrelaçam com as matrizes africanas na formação do nosso país”, ressaltou Minervini sobre o tema desta edição.

Edição 2024-2025

No biênio 2024-2025, circularam pelo Brasil dez combinações de grupos e artistas, fruto da curadoria do Sesc. Em shows inéditos, eles apresentaram uma mistura de suas referências, estilos e instrumentos.

O tema da edição foi Encontros, Tempos e Territórios, que gerou uma série documental produzida pelo SescTV. Os episódios da série estão no site do Sesc Digital, com acesso gratuito.

(Fonte: Agência Brasil)

A partir desta sexta-feira (27) até domingo (29), a cidade de São Luís sediará a edição de 2026 do Campeonato Brasileiro Regional de Judô, evento nacional promovido pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) em parceria com a Federação Maranhense de Judô (FMJ). O Ginásio Castelinho foi o local escolhido para receber a competição, que reunirá mais de 430 atletas de cinco Estados: Maranhão, Amazonas, Amapá, Piauí e Roraima. A entrada no ginásio é gratuita.

Nos três dias de evento, a programação de combates terá início às 9h. Ao todo, haverá disputas em cinco classes de idade nos naipes masculino e feminino: Sub-13, Sub15, Cadete, Júnior e Sênior. 

“A expectativa é muito grande para a realização desta edição do Campeonato Brasileiro Regional aqui em São Luís. Esperamos uma competição de altíssimo nível, com uma disputa acirrada pelas medalhas. Será um grande evento e convidamos todos os apaixonados por judô e por esporte em geral a irem ao Castelinho e prestigiarem os atletas maranhenses e os judocas dos outros Estados", afirma Rodolfo Leite, presidente da FMJ. 

Anfitrião desta edição do Brasileiro Regional de Judô, o Maranhão terá uma delegação com 139 judocas. Os atletas garantiram suas vagas durante a Seletiva Regional, evento realizado pela FMJ no mês de fevereiro.   

Vale destacar que, nos últimos anos, o Time Maranhão tem tido grande destaque nesta competição. Nas últimas três edições do Brasileiro Regional, foram conquistadas 138 medalhas no total: 35 em 2023; 53 em 2024; e 50 em 2025. 

Promovido pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) em parceria com a Federação Maranhense de Judô (FMJ), o Campeonato Brasileiro Regional de Judô conta com o patrocínio do Cimento Itaqui e com os apoios do Governo do Maranhão e do Uaruá Tour.

Mais informações sobre o Campeonato Brasileiro Regional de Judô estão disponíveis no Instagram oficial da FMJ (@federacaomaranhensedejudo).

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira (27/3)

9h – Início dos combates (Cadete)

12h30 – Solenidade de abertura

13h – Início dos combates (Sênior) 

Sábado (28/3)

9h – Início dos combates (Sub-13)

11h – Início dos combates (Júnior) 

Domingo (29/3)

9h – Início dos combates (Sub-15) 

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Brasília (DF), 26/03/2025 - Alunos de escola no Itapuã, região administrativa do Distrito Federal. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apresentou, nessa quarta-feira (25), o Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) 2026 sobre a situação mundial da educação.

Após cair 33% entre 2000 e 2015, a população fora da escola aumentou pelo sétimo ano consecutivo, subindo 3% desde 2015 e atingindo 273 milhões em 2024. Isso significa que uma em cada seis crianças, adolescentes e jovens em todo o mundo está excluído da educação. Outra conclusão do documento é que apenas dois terços dos jovens concluem a educação secundária.

Os principais fatores apontados são o crescimento populacional, crises e a redução de orçamentos.

Contagem Regressiva

A Unesco afirma que essa população jovem é subestimada em, pelo menos, 13 milhões se informações suplementares de fontes humanitárias forem usadas para corrigir lacunas de dados nos dez países mais afetados por conflitos.

O relatório é o primeiro da série Contagem Regressiva para 2030, composta por três partes. A publicação seriada pretende avaliar o progresso da educação em termos de acesso e equidade (2026), qualidade e aprendizagem (2027) e relevância (2028-2029).

Matrículas

Com 1,4 bilhão de estudantes matriculados em 2024, as matrículas aumentaram em 327 milhões (30%) no ensino primário e secundário desde 2000. O Relatório de Monitoramento Global da Educação mostra que também houve aumento de 45% na pré-escola e de 161% no ensino pós-secundário (superior). Isso equivale a mais de 25 crianças que obtêm acesso à escola, a cada um minuto.

Por exemplo, a taxa de matrícula na educação primária da Etiópia aumentou de 18%, em 1974, para 84%, em 2024, e a expansão do acesso ao ensino superior na China cresceu em um ritmo sem precedentes, passando de 7%, em 1999, para mais de 60%, em 2024.

Educação pré-primária

O relatório avalia se uma criança de 5 anos está em sala de aula. Apesar do indicador global afirmar que 75% das crianças com essa idade tinha acesso à educação, os dados mostram que apenas 60% dos alunos do ensino fundamental tiveram, pelo menos, um ano de educação pré-primária.

Isso pode indicar um irreal sucesso da educação infantil ao incluir crianças que já "pularam" essa etapa de ensino (infantil) e foram direto para o ensino fundamental.

Permanência na escola

O documento mostra também que o progresso na permanência de crianças na escola desacelerou em quase todas as regiões desde 2015.

O destaque negativo é a desaceleração acentuada na África Subsaariana, sobretudo em razão do crescimento populacional. Diversas crises – incluindo conflitos – também comprometeram os avanços.

Outra região apontada pelo levantamento com milhões de crianças fora das salas de aula e sob maior risco de atraso educacional é o Oriente Médio, após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã que forçaram o fechamento de muitas escolas da região.

“Mais de uma em cada seis crianças vive em áreas afetadas por conflitos, representando milhões a mais fora da escola, além daqueles identificados pelas estatísticas”, disse a Unesco.

Mas o progresso foi observado em alguns países, que reduziram as taxas de evasão em, pelo menos, 80% desde 2000.

É o caso de Madagascar e do Togo entre crianças; de Marrocos e Vietnã entre adolescentes; e de Geórgia e Turquia entre os jovens. No mesmo período, a Costa do Marfim reduziu pela metade suas taxas de exclusão nas três faixas etárias.

Entre 2000 e 2024, o México reduziu as taxas de evasão em mais de 20 pontos percentuais a mais que El Salvador; Serra Leoa aumentou as taxas de conclusão do primário 22 pontos a mais que a Libéria; e o Iraqueaumentou sua taxa de conclusão do ensino médio 10 pontos a mais que a Argélia.

Conclusão do ensino

Mais crianças estão concluindo sua educação, e não apenas iniciando. Desde 2000, a taxa de conclusão escolar aumentou de 77% para 88% no ensino primário, de 60% para 78% nos finais do ensino fundamental (fundamental II) e de 37% para 61% no ensino médio. O ritmo de aumento tem sido, por exemplo, de um ponto percentual por ano no ensino médio desde 2000.

Nas taxas atuais de expansão, o mundo alcançaria 95% de conclusão do ensino médio apenas em 2105.

Repetência

As altas taxas de repetência caíram desde 2000 em 62% no primário e em 38% no ensino médio inferior.

A Unesco relata que muitas crianças ainda se matriculam tarde na escola e repetem anos em países de baixa e média-baixa renda, o que significa que muitos concluem cada ciclo com vários anos de atraso.

A lacuna entre a conclusão "no tempo certo" (entre três a cinco anos da idade oficial de formatura) e a conclusão "final" (mesmo que tardia) no ensino médio inferior é de quatro pontos percentuais globalmente, mas chega a nove pontos em países de baixa renda. “Uma diferença que vem crescendo desde 2005”, diz o relatório.

Universalização da educação

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) tem a meta central de garantir, até 2030, que todas as meninas e meninos concluam o ensino primário e secundário gratuito, equitativo e de qualidade. 

Desde 2022, 80% dos países comunicaram metas nacionais para, pelo menos, alguns dos oito indicadores do ODS 4 a serem alcançados até 2030.

O progresso para alcançar as metas é monitorado anualmente pela Unesco.

O Relatório GEM 2026 da Unesco releva que muitos países têm registrado progressos significativos, o que evidencia a importância do contexto nacional na definição de metas e na formulação de políticas.

Equidade

Ao analisar a educação mundial nos últimos anos, em grande medida, as disparidades de gênero na educação primária e secundária foram reduzidas na média. No Nepal, por exemplo, as meninas alcançaram rapidamente os meninos, e, em algumas regiões, os superaram, graças a reformas sustentadas em favor da igualdade de gênero.

Educação inclusiva

Desde 2000, a proporção de países com leis de educação inclusiva aumentou de 1% para 24%, enquanto a daqueles que incluem em suas leis o ensino inclusivo para crianças com deficiência cresceu de 17% para 29%. A proporção de países que adotaram uma definição de educação inclusiva aumentou de 68% em 2020 para 84% em 2025; destes, a parcela cuja definição vai além da deficiência aumentou de 51% para 69%.

Entre 1998 e 2023, em 158 países, a proporção de pessoas com 12 anos de escolaridade obrigatória aumentou de 8% para 26%; em 130 países, a duração média da educação gratuita aumentou de 10 anos para 10,8 anos.

Financiamento da educação

A proporção de países que utilizam quatro mecanismos de financiamento e aproveitam seu potencial para beneficiar populações desfavorecidas no ensino fundamental e médio – transferências para governos subnacionais, para escolas e para alunos e famílias – aumentou de quatro a seis vezes nos últimos 25 anos. Os programas de merenda escolar, que partiram de uma base mais alta, dobraram de tamanho.

Na educação pré-primária, 54% dos países transferem recursos para instituições que atendem crianças desfavorecidas, 26% transferem recursos para as famílias por meio do Ministério da Educação e 55% transferem recursos para as famílias por meio de algum outro ministério.

No ensino superior, 1 em cada 3 países não cobra mensalidades em universidades públicas, quase 1 em cada 2 paísessubsidia o alojamento estudantil, 4 em cada 10 apoiam o transporte e pouco menos de 3 em cada 10 subsidiam livros didáticos.

Recomendações

Com a aproximação do prazo de 2030 e os países rumo a cumprimento do ODS 4, a Unesco entende que os processos de definição de metas dos países podem ser mais firmemente incorporados aos processos nacionais de planejamento e orçamento, com base nas taxas de progresso anteriores e nas experiências de outros países. O organismo recomenda que essas metas sejam melhor comunicadas internamente. 

A Unesco defende que é necessário um uso mais eficiente dos dados disponíveis em pesquisas e censos para monitorar a participação e a equidade na educação.

Para a formulação de políticas públicas, a Unesco enfatiza que é preciso aprimorar o monitoramento da educação por meio da produção de estatísticas com informações mais precisas sobre participação e aproveitamento escolar.

As políticas também precisam ser monitoradas, e não apenas os resultados e os impactos.

A Unesco valoriza os intercâmbios entre países para gerar ideias, mas alerta que experiências estrangeiras devem ser analisadas e filtradas para o que é aplicável à realidade local de cada país.

O organismo internacional observa também que o desenvolvimento de políticas educacionais deve ser pautado pela equidade e os resultados devem ser avaliados.

Para acessar o conteúdo completo do Relatório GEM 2026, clique aqui.

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2026 - Solenidade de abertura da exposição de arte e caligrafia, Horizontes em Diálogo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), abre o calendário de 2026 no contexto do Ano Cultural China-Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com 62 obras de artistas chineses e brasileiros, a exposição de caligrafia e pintura Horizontes em Diálogo foi inaugurada nesta quarta-feira (25), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no centro da capital. Inserida no contexto do Ano Cultural China-Brasil, a exposição é gratuita e vai até dia 12 de abril. 

Os apoiadores State Grid Brazil Holding (SGBH) e o Consulado Geral da China no Rio de Janeiro afirmam que Horizontes em Diálogo reafirma a arte como ponte entre culturas, capaz de aproximar territórios e expandir fronteiras.

Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2026 - Solenidade de abertura da exposição de arte e caligrafia, Horizontes em Diálogo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), abre o calendário de 2026 no contexto do Ano Cultural China-Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para a consulesa-geral da China no Rio de Janeiro, Tian Min, a arte da caligrafia e da pintura é parte importante da cultura tradicional chinesa que carrega a compreensão singular do povo chinês sobre a natureza, a vida, a nação e o mundo espiritual.

“Já a arte brasileira, com sua expressão vibrante, rica em cores e cheia de vitalidade, revela o caráter cultural, diverso, inclusivo, aberto e confiante do Brasil”, disse a consulesa durante a inauguração.

Ela destacou que a exposição representa um diálogo entre civilizações e é expressão da amizade sino-brasileira.

“A amizade entre China e Brasil tem se mantido sólida ao longo do tempo, não apenas pelos amplos interesses comuns, mas também pelo sentimento sincero de admiração, respeito e compreensão mútua entre seus povos”, acrescentou.

Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2026 - Tian Min, cônsul-geral da República Popular da China no Rio de Janeiro, participa de solenidade de abertura da exposição de arte e caligrafia, Horizontes em Diálogo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), abre o calendário de 2026 no contexto do Ano Cultural China-Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segundo o vice-presidente da State Grid Corporation of China, Shao Guoyong, a cultura torna-se mais vibrante por meio do intercâmbio, e as civilizações se enriquecem pela aprendizagem mútua.

“Em 2024, por ocasião do 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, os chefes de Estado alcançaram importantes consensos e decidiram designar o ano de 2026 como o Ano Cultural China-Brasil”, contou Shao.

Rio de Janeiro (RJ), 25/03/2026 - Clara Paulino, presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, participa da solenidade de abertura da exposição de arte e caligrafia, Horizontes em Diálogo, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), abre o calendário de 2026 no contexto do Ano Cultural China-Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para a diretora do Theatro Municipal, Clara Paulino, Horizontes em Diálogo é um encontro inspirador entre culturas.

“Esse evento é um testemunho da importância da parceria entre Brasil e China. Duas nações, que apesar da distância geográfica, compartilham uma profunda riqueza cultural e um olhar voltado para o futuro”, disse Clara.

(Fonte: Agência Brasil)

Recontar as histórias de pessoas pretas e indígenas registradas de forma violenta, desrespeitosa e brutal, do período referente à expedição fotográfica de cunho racista denominada “Thayer”, realizada na Amazônia, no século XIX. Este é o foco central da exposição “Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA”, integrante do projeto artístico “Direito à Memória”, diretamente de Manaus, que estreia nesta quarta-feira (25), no Chão SLZ, na capital maranhense.

Fomento à Execução de Ações Culturais de Artes e realizada com o apoio do Governo do Estado do Amazonas/Conselho Estadual de Cultura/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o governo federal, a exposição, idealizada e com direção artística assinada pela artista manauara Keila-Sankofa, surge de um incômodo legítimo de modificação da imagem pública das pessoas pretas e indígenas, apresentando um passado remodelado.

Com a mostra, o objetivo central é criar possibilidades para uma edição da memória pública e imagética dessas pessoas fotografadas nesta expedição. Para Keila-Sankofa, as teorias racistas científicas criadas para justificar uma suposta superioridade racial nesse período, perpetuam-se no imaginário até os tempos de agora.

“Nosso trabalho é plantar e cultivar, recriar essas imagens e intervir na paisagem da cidade retratando esses indivíduos sociais por nome, cultura, origem, desejos e constituição familiar, tudo aquilo que o processo da história colonial propositalmente apagou”, destaca a artista.

Dentro da exposição “Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA”, a transmutação da imagem é utilizada para contar uma parte da história de pessoas pretas e indígenas, possibilitando, por meio da poética, uma identidade para essas pessoas, utilizando da revisitação histórica para construir imaginários como uma ferramenta para transversão da história oficial.

Assim, a mostra atua na resssignificação dos cativos presos nas fotografias em seres livres e com sua humanidade escrita, transformando-os em obras bandeiras que provam a existência desses indivíduos sociais e suas importâncias.

A iniciativa já foi realizada em outros três lugares – todos em Manaus, como: Largo de São Sebastião, Trilha do Musa no Angelim de 500 anos e no Salão do Museu da Amazônia – MUSA. Keila-Sankofa destaca que a estreia no Maranhão é o primeiro lugar fora do Estado do Amazonas em que a exposição circula.

“Essa é uma satisfação enorme poder estar em terras maranhenses. Queremos ocupar a Amazônia inteira com a voz dessas pessoas contando suas próprias histórias”, celebra a artista.

Programação

A abertura oficial da exposição “Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA” será realizada nesta quarta-feira (25), a partir das 19h, no Chão SLZ, localizado na Rua do Giz, nº 167, no Centro Histórico de São Luís.

Além da mostra, a programação terá, também, outras duas ações culturais previstas no mesmo local, como minicurso e mesa de debate – sendo esta intitulada “Chão e Direito à Memória”, que contará com os artistas Keila-Sankofa e Dinho Araújo, e será nesta quinta-feira (26), às 19h, totalmente gratuita e aberta a todos os públicos.

Já o minicurso, com o título “Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica”, ocorrerá nos dias 2 e 3 de abril, das 15h às 18h, ministrada por Patrícia Melo – responsável pela assessoria histórica da exposição. A ação, também gratuita, terá acesso livre nos dois dias de atividade.

Para mais informações sobre a mostra, acesse as redes sociais do Chão SLZ (https://www.instagram.com/chaoslz/), da artista Keila-Sankofa (https://www.instagram.com/keilasankofa/) e do Projeto “Direito à Memória” (https://www.instagram.com/direitoamemoria/).

Direito à Memória

Direito à Memória é um projeto artístico que, desde 2019, realiza um enfrentamento contra as combinações e projetos de apagamento que se perpetuam sistematicamente, além de propor, por meio da arte, em parceria com a história, um olhar ampliado que narra e retifica referências negativas impostas às populações negras e indígenas no território Amazônico.

O Direito à Memória é uma escrita poética de humanização da memória de vidas pretas e indígenas – um cavamento histórico, que além de uma pesquisa artística, é uma ação contracolonial.

Serviço

O quê: abertura da exposição “Costura de Cores Ancestrais – A RETOMADA”, integrante do projeto artístico “Direito à Memória”;

Onde: no Chão SLZ, na Rua do Giz, nº 167, no Centro Histórico de São Luís;

Quando: nesta quarta-feira (25), a partir das 19h;

Entrada: gratuita e aberta a todos os públicos.

Para mais informações, acesse os perfis oficiais no Instagram:

Keila-Sankofa - https://www.instagram.com/keilasankofa/

Projeto Direito à Memória - https://www.instagram.com/direitoamemoria/

Chão SLZ - https://www.instagram.com/chaoslz/

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Ele nasceu em  25 de março de 1951 – portanto, completaria 75 anos hoje, em 2026. Mas há seis meses e 28 dias, em 29 de agosto de 2025, quedou-se para o Alto.

Se há corais nos Céus, um deles teve a sorte de ganhar uma grande voz...

Na noite de 29 de agosto de 2025, na cidade de Caxias, no Leste Maranhense, espalhou-se uma nota (que não era musical, mas informativa), dizendo que um cantor se “encantara” – morrera. E, com sua morte, não só foi levada a elevada voz de quem morreu: também foi emudecida a nossa...

Mais uma vez, os da “nossa” geração – e, sobretudo, de nosso relacionamento de amizade e conterraneidade –, mais uma vez, paga-se o preço da permanência no tempo, que é o não escapar dele.

Nascido em 25 de março de 1951, Raimundo Nonato Ressurreição morreu aos74 anos, 5 meses e 4 dias de vida vivida e vívida.

Jeitão tranquilo, bonachão, alegre, tentava, nestes últimos dias, a recuperação de sua saúde em hospital caxiense. Amigos não tardaram a atender ao primeiro pedido do professor Nonato Ressurreição (entre outras disciplinas, deu aulas de Inglês em escola de Caxias). Ele precisava de doação de sangue, e, logo que isso caiu nos grupos e redes sociais, muita gente se manifestou, foi ao hemocentro e alguns até postaram fotos confirmando a saudável, humana e humanitária atitude. Nosso amigo comum Irmão Inaldo, responsável pelo conhecido “blog” que leva seu nome, reproduziu “in totum”, em 6/8/2025, o texto e ilustração que fiz, cerrando fileiras, trabalhando juntos, em prol do justo direito de o amigo Ressurreição restabelecer-se e dedicar ainda uma porção de anos em bonomia e afetuosidade para com aqueles que privaram de sua amizade.

Pesarosamente, desde 29 de agosto do ano passado, “Ressurreição” deixa de ser um sobrenome humano e torna-se graça divina, que, cremos, (e)levará o querido Conterrâneo a ressurgir nos Céus.

*

Raimundo Ressurreição e eu costumávamos conversar em ambientes tradicionais de Caxias. Entre eles, o bar do Excelsior Hotel. Foi em um destes encontros que ele, sabendo de meus esforços de divulgação da vida e obra do dramaturgo Ubirajara Fidalgo (Caxias, 1949-Rio de Janeiro, 1986), contou-me que fora amigo dele e relatou passagens de momentos comuns entre eles, dois talentosos caxienses. Quando eu morava fora de nossa terra natal, ele me alcançava via telefone e falávamos sobre a cidade, sua gente, história e cultura.

Em 2019, Ressurreição confiou-me os originais de duas obras suas que ele desejava publicar. Antes, pedia-me a leitura de ambas, a revisão linguística, a análise e, “se tiverem mérito” (expressão dele), pedia-me que escrevesse o prefácio ou apresentação de ambas e cuidasse da edição e acompanhamento dos trabalhos gráfico-editoriais até a impressão, acabamento e entrega dos exemplares. Ele próprio pediu um tempo, enquanto deslindaria algo a ver com algo relacionado a alguma coisa legada aos herdeiros por sua mãe, Dona Lurdes.

Os livros são ótimos. Ótimos e necessários. Um deles é “A Música na Cidade de Caxias”. Trata-se da ampliação de um também rico trabalho que Ressurreição assinou no enciclopédico livro “Cartografias Invisíveis – Saberes e Sentires de Caxias”, obra de referência pluriautoral e igualmente indispensável na historiografia da “Princesa do Sertão Maranhense”, lançada há onze anos, em 2015. Em “Nota do Autor” – que Raimundo Ressurreição cuidou logo de enfeixar antes das primeiras páginas do texto principal –, ele escreveu: “A obra que agora iniciamos já foi lançada, em parte, no livro ‘Cartografias Invisíveis – Saberes e Sentires de Caxias’, mas aqui estamos disponibilizando uma obra completa, não que o já editado seja incompleta, não, mas faltaram os pormenores como as viagens ou o que rolava nelas, as pegadinhas praticadas por um músico contra o outro, as brigas, as revanches, a rivalidade de uma banda contra outra, as estratégias dos empresários para catapultar a sua banda e diminuir a concorrente... Como se vê, são muitas as informações que completarão o seu conhecimento sobre o que foi e o que é a ‘A MÚSICA NA CIDADE DE CAXIAS’”.

Das referências (pré-)históricas de 40 mil anos atrás, quando se acredita que é a idade do primeiro instrumento musical – uma espécie de flauta, descoberta na França –, a até a exclusiva e enigmática “aDiretoria” [sic], um ajuntamento de nove (um em Brasília e oito – agora, sete – em Caxias) “experts” e adoradores da Música, a obra musical de Raimundo Ressurreição é um detalhado portfólio de bandas, grupos, conjuntos, seresteiros, “regionais” e outros modos de pessoas, isoladas e/ou coletivamente, fazerem e trazerem até nós sons em harmonia, sejam vozes, sejam instrumentos.

O outro livro é um romance. Muito bom. Chama-se “Redenção”, e o Autor vai logo alertando: “Todos os personagens deste livro são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos da vida real é mera coincidência”. Mas não há como não lembrar que os personagens “Lurdes”, “Ricardo” e “Nonato”, entre outros, têm o mesmo nome da mãe, de um irmão e da mãe do Autor, ante o que, como se poderá verificar, outros antropônimos e situações se reconhecerão como nomes e ocorrências e ambientes do “locus” familiar, de amigos e conhecidos, de gentes da cidade e região etc. etc. Tomei a liberdade de sugerir outra “pegada”, um “reforço” na redação do parágrafo final do romance, para não esmaecer a sensação literariamente agradável do leitor que se atentará à grande construção prosaica, ficcional, do ainda não conhecido Autor de obras “a solo”, isto é, concebidas e escritas por somente ele, Raimundo Nonato Ressurreição.

Ano retrasado, 2024, Ressurreição e eu conversamos em sua residência, em Caxias, e, entre as alegrias do reencontro e proximidade de ideias e ideais, ele me disse não demorar a decisão de publicar seus livros. Exatamente em um mês de agosto, há sete anos, enviei para o talentoso caxiense o arquivo e cópia de seus trabalhos. Ele iria definir o “momentum”. Um pai sabe a hora de apresentar à sociedade seus filhos de celulose, tinta e talento...

*

Às 21h09 da sexta-feira, 29/8/2025, a filha Erika agradeceu por mensagem: “Aqui é Erika, filha do Ressurreição. Quero agradecer a todos que oraram pela recuperação dele. Infelizmente, nosso guerreiro não resistiu. Peço orações para que ele descanse em paz junto a nosso Senhor”.

Ex-alunos lamentaram. Eles se lembraram do Ressurreição professor. Outros se lembraram do Ressurreição vocalista, como na banda “Os Temíveis”, criada em 1968 e a partir de 1973, com a fusão com o conjunto “Os Naturais”, redenominada “Grupo Som HR”, que tocou músicas e corações até 1989.

Nas redes sociais, outros amigos postaram “links” de músicas que eram do gosto do pesquisar e colecionador musical Nonato Ressurreição. Uma dessas canções é “Have You Ever Seen the Rain?”, trecho inglês da frase que continua com “comin' down on a sunny day?” – algo como “Você já viu a chuva cair em um dia ensolarado?”. (Bom, eu já, e na minha infância diziam: “sol e chuva, casamento da raposa”). Criancices à parte, o que o californiano oitentão John Cameron Fogerty, cantor, guitarrista e compositor, fundador e ex-líder da banda de “country rock” Creedence Clearwater Revival, queria deixar entrever, de modo (en)cantador, era a contradição existente no grupo musical: a banda fazia sucesso em todo o mundo, enquanto os músicos sofriam conflitos interiores... Ou seja, a típica afirmação/constatação de que “sucesso não é sinônimo de felicidade”, ou que “as aparências enganam”. Nada tão humano, tão mundano...

Ressurreição viu chegar à maioridade (18 anos) o Canta Folia, evento criado por uma turma de amigos, entre os quais o próprio Ressurreição e Edivá Moura de Araújo, o Cantarele, dono do bar de mesmo nome, que está há mais 40 anos –  desde 1º de junho de 1984 – no mesmo lugar, ao lado da Igreja de São Benedito e Praça Vespasiano Ramos, no Centro de Caxias. 

Raimundo Nonato Ressurreição também foi dedicado servidor público. No início dos anos 2000, era assegurador de disseminação de tecnologia: foi coordenador do Núcleo Tecnológico de Caxias do Programa de Informática do Maranhão (Proinfo), de capacitação de professores e preparação de alunos no variado e inovador mundo da Computação / Informática. Na década de 1980, era um dos diretores regionais da Associação dos Professores do Estado do Maranhão (Apema), entidade que, em 25 de janeiro de 1989, mudou de “status”, transformada no Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão (Simproesemma). Com Nonato Ressurreição na diretoria, seus colegas professores Dalva Almeida, Joaquim Ribeiro, Mirian Sousa e Izaura Silva, esta que se transferiu para Imperatriz (MA), onde se aposentou como professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA).

Do amigo Raimundo Ressurreição guardo o registro de sua última mensagem privada, antes de públicos agradecimentos que ele deixou em grupos de WhatsApp pelo nosso envolvimento em favor da campanha de doação de sangue. Ao saber que em Imperatriz a Academia Imperatrizense de Letras decidira dar meu nome à Biblioteca da Entidade, Ressurreição escreveu: “Mais do que merecido; não poderiam escolher e homenagear ninguém mais merecedor, por toda a sua trajetória cultural. Parabéns, meu amigo, Deus continue lhe dando os Louros em vida!”

Professor, pesquisador, colecionador, historiador musical, cantor, romancista, servidor e gestor público, ativista sindical... De Raimundo Ressurreição esses misteres da vida agora são só lembranças e legado ante os mistérios da morte.

Ressurreição deixou de ser sobrenome e torna-se realidade supra-humana para aqueles que, como Raimundo Nonato, mudaram de Vida, mas continuam, na Eternidade, torcendo, zelando, orando pelos Familiares e Amigos que ainda resistem neste lado de cá da Existência.

Raimundo Nonato: Paz, Luz... e Ressurreição.

* EDMILSON SANCHES

Imagens:

O professor, escritor, historiador musical e cantor Raimundo Ressurreição e suas obras, em pré-diagramação de Edmilson Sanches, a pedido do autor.