O ator Gerson Brenner, que fez sucesso em novelas da Globo nos anos 1990, morreu na noite dessa segunda-feira (23), aos 66 anos. Ele estava internado no Hospital São Luiz, na capital paulista. A causa da morte não foi revelada.
Gerson fez bastante sucesso na TV, principalmente em novelas. Começou sua carreira em 1989 em Kananga do Japão, folhetim exibido pela TV Manchetenaquele ano. Ele interpretava o Dr. Marcelo. Ainda em 89, estreou na Globo na novela Top Model, bem popular na época.
Em 1990, atuou em Rainha da Sucata, em horário nobre. Ao lado de atores como Aracy Balabanian, Regina Duarte e Tony Ramos, Brenner se tornou bem conhecido do público. Ele interpretava um personagem que também se chamava Gerson e era filho de Dona Armênia (Aracy Balabanian), uma das protagonistas da trama.
Sua carreira decolou de vez depois de Rainha da Sucata, e o ator passou a ser chamado para trabalhar em diversas outras produções da Globo. Fez Perigosas Peruas e Deus nos Acuda (ambas em 1992), Radical Chic e Olho no Olho (as duas de 1993), Vira Lata (1996), Corpo Dourado (1998), entre outras.
Além da Globo e Manchete, Brenner também fez novelas na Record e no SBT. Ainda participou de outros programas como Alô, Doçura (SBT), Os Trapalhões e Você Decide.
Em 1998, quando já era bastante conhecido, Gerson sofreu um assalto e levou um tiro na cabeça. O ator sobreviveu ao disparo, mas ficou com graves sequelas. Não conseguia mais andar e nem se comunicar. Desde então, ficou sob cuidados intensos por parte de seus familiares.
Gerson deixa a esposa Marta Mendonça e duas filhas.
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) convocou, nesta terça-feira (24), 1.860 candidatos para vagas remanescentes da primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). A convocação foi publicada no Diário Oficial da União.
As vagas ainda não preenchidas equivalem a 21% do total das 8.573 vagas ofertadas no certame de 2024, considerando tanto as vagas originalmente previstas em edital quanto aquelas autorizadas posteriormente.
Os cargos que exigem curso de formação na Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e os de agências reguladoras (que têm cronogramas próprios) ficaram de fora da nova chamada.
Abrangência
As vagas remanescentes do chamado Enem dos Concursos abrangem 131 cargos diferentes em diversos órgãos federais.
Entre as atividades, estão gestão pública, ao planejamento governamental, às políticas agrárias, à produção de dados e ao desenvolvimento científico e tecnológico.
Os cargos com os maiores volumes de vagas nesta rodada são:
analista técnico-administrativo, com 399 vagas (21% do total de convocações);
analista em reforma e desenvolvimento agrário, com 201 vagas (11% do total);
analista de planejamento, gestão e infraestrutura em informações geográficas e estatísticas, com 128 vagas;
tecnologista em informações geográficas e estatísticas, 112 vagas.
Na área de ciência, tecnologia e inovação, os cargos são:
analista em ciência e tecnologia, com 101 vagas;
tecnologista, com 64 vagas;
pesquisador-tecnologista em informações e avaliações educacionais, com 14 vagas.
Já no eixo de políticas voltadas ao campo e segurança sanitária, destacam-se:
engenheiro agrônomo, com 59 vagas;
agente de inspeção sanitária e industrial de produtos de origem animal, com 56 vagas;
agente de atividades agropecuárias, com 53 vagas;
auditor-fiscal federal agropecuário, com 53 vagas.
As políticas voltadas aos povos indígenas e à atuação na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) contam com:
especialista em indigenismo, com 141 vagas;
técnico em indigenismo, com 74 vagas.
Órgãos com mais vagas
Confira a divisão de vagas por órgão com mais vagas remanescentes:
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - 333 vagas;
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - 312 vagas;
Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) - 215 vagas;
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) - 211 vagas;
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) - 200 vagas;
Advocacia-Geral da União (AGU) - 184 vagas.
Diversidade e ações afirmativas
O governo diz ter mantido a política de ações afirmativas nesta chamada de ocupação das vagas remanescentes:
74% ampla concorrência (1.390 vagas);
18% pessoas negras (329 vagas);
7% pessoas com deficiência (122 vagas);
2% pessoas indígenas (29 vagas).
Em nota, o Ministério da Gestão informa que as políticas de inclusão e ações afirmativas adotadas nos concursos públicos federais promovem um serviço público mais inclusivo e diverso, “garantindo oportunidades de ingresso para diferentes grupos da população e fortalecendo a representatividade no quadro de seus servidores.”
CNU 1
A primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado ofereceu 8.573 vagas, considerando tanto as vagas originalmente previstas (6.640) em edital, quanto aquelas autorizadas posteriormente.
Para conferir os nomes dos candidatos aprovados que se encontram em lista de espera do CNU 1 para contratação temporária de pessoal acesse aqui.
O processo seletivo teve recorde histórico de mais de 2,1 milhões de inscritos confirmados. Porém, o índice de abstenção foi de 54,12%. Em 18 de agosto de 2024, exatamente 970.037 pessoas compareceram para realizar as provas objetivas e dissertativas do certame.
A estratégia do ministério para a realização do CNU 1 permitiu a aplicação de provas simultâneas em 228 cidades brasileiras de todas as 27 unidades da federação. Ao todo, foram usados 3.665 locais de prova, somando mais de 75 mil salas de aplicação simultânea em todo o Brasil.
Entre 2023 e 2025, 16,5 mil pessoas ingressaram no serviço público federal por meio do CNU 2024 e de outros concursos públicos, segundo o Ministério da Gestão.
O anúncio de que 66% das crianças brasileiras foram alfabetizadas na idade correta, no ano passado, representa uma conquista importante, segundo avaliam especialistas de organizações não governamentais (ONGs) ligadas ao setor da educação. Para os estudiosos, o resultado também deve ser encarado como desafio.
Para o diretor de Políticas Públicas da ONG Todos pela Educação, Gabriel Correa, o alcance e a superação da meta de alfabetização em 2025 são resultados importantes que precisam ser celebrados. Para ele, o resultado reflete uma trajetória consistente de avanço nos últimos três anos.
“Isso mostra que a priorização política da pauta e o fortalecimento da cooperação federativa, com União, Estados e municípios atuando de forma coordenada, tem produzido efeitos concretos na aprendizagem das crianças.”
O vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, Felipe Proto, acredita que o resultado representa um marco para o país e se deve a um compromisso coletivo de cooperação entre União, Estados e municípios.
Proto entende que o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada tem viabilizado resultados muito promissores para a educação brasileira.
“Iniciativas como o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização reforçam esse movimento ao reconhecer e incentivar redes que avançam com qualidade e equidade. Erradicar o analfabetismo no Brasil tem se tornado um sonho cada vez mais possível”, avalia.
Desigualdades
Gabriel Correa, do Todos pela Educação, ressalta que a alfabetização adequada é a base para uma trajetória escolar de sucesso e que políticas públicas no setor não devem deixar nenhuma criança para trás.
“As crianças que no 2º ano do ensino fundamental ainda não sabem ler e escrever [34% no país] não conseguirão desenvolver os conhecimentos esperados nas séries seguintes. Elas não podem ser esquecidas”.
O pesquisador entende que é necessário um esforço intencional para alfabetizá-las mesmo com atraso. Ao passo que reconhece o número relevante, Gabriel Correa avalia que o resultado pode esconder “desigualdades relevantes entre Estados e municípios, que só poderão ser compreendidas com a abertura detalhada dos dados nos próximos dias”.
Ele explica que 2025 foi o primeiro ano em que o grupo de crianças avaliado estava na pré-escola durante a pandemia. “Esse fator ajuda a explicar parte da melhora observada, ainda que não substitua o papel das políticas públicas que vêm sustentando esse avanço”.
Felipe Proto, da Fundação Lemann, acrescenta que o país deve manter o foco e acelerar o ritmo. “O Brasil pode alcançar uma das transformações mais estruturantes de sua história: garantir que todas as crianças estejam lendo e escrevendo até o final do 2º ano do Ensino Fundamental”.
O Brasil superou a meta de crianças alfabetizadas na idade certa ao alcançar, em 2025, 66% dos estudantes aptos a ler e escrever ao término do segundo ano do ensino fundamental. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23), em Brasília, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação, Camilo Santana.
O percentual significa que duas a cada três crianças brasileiras que concluíram essa etapa de ensino no ano passado estavam alfabetizadas. A meta estipulada inicialmente pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada era de alcançar 64% em 2025.
“Nós resolvemos fazer esse pacto pela alfabetização na idade certa para chegarmos a 2030 com 80% das crianças alfabetizadas no segundo ano. Parecia uma meta impossível. Veja que, com apenas dois anos, nós chegamos a 66%”, afirmou o presidente.
Lula disse que espera que a quantidade de crianças alfabetizadas chegue a 70% no ano que vem.
“Isso é maravilhoso, porque é o mais importante legado que um país pode dar ao seu povo: a boa formação educacional. Não existe exemplo de nenhum país do mundo que tenha se desenvolvido e que o povo tenha alcançado um padrão de vida digno e respeitoso sem que antes se pudesse investir na educação”.
Lula e Camilo Santana anunciaram o resultado em solenidade de premiação da 2ª edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização (Selo Alfabetização). O reconhecimento foi entregue a 4.710 municípios e a 18 Estados, que atingiram as categorias ouro, prata e bronze.
Foram condecorados 11 Estados e 2.274 municípios no selo ouro, enquanto seis Estados e 1.890 municípios ficaram no selo prata. O selo bronze foi para um Estado e 546 municípios.
O selo busca reconhecer os esforços e as iniciativas de gestão das secretarias de Educação dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios na formulação e implementação de políticas públicas.
Superação de desafios
O ministro da Educação, Camilo Santana, também celebrou o resultado e disse que o objetivo do país é que 100% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao término do segundo ano do ensino fundamental, conforme previsto na Meta 5 do Plano Nacional de Educação.
O compromisso, segundo o ministro, também busca garantir a recomposição das aprendizagens das crianças matriculadas no terceiro, no quarto e no quinto ano do ensino fundamental, tendo em vista o impacto da pandemia da Covid-19 para esse público.
“Esse compromisso da criança alfabetizada não propõe uma resposta única ou centralizada para todo o país. Cada Estado, em colaboração com seus municípios, faz a política de alfabetização do território de acordo com as suas especificidades”, explicou.
Além da melhora no índice de alfabetização, o ministro lembrou que, nos últimos três anos, a evasão escolar diminuiu pela metade, e as matrículas em educação integral passaram de 15% para 25,7%.
A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), acaba de criar a 13ª categoria do tradicional Prêmio Literário Biblioteca Nacional, concedido, anualmente, pela instituição desde 1994. Trata-se do Prêmio João do Rio, que será dedicado às crônicas, e já estará em vigor a partir deste ano. Na gestão do presidente da FBN, professor Marco Lucchesi, iniciada em 2023, a agenda dos prêmios literários da instituição foi ampliada com quatro novas categorias.
A primeira delas foi Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli).
“Foi justamente para contemplar a história oral, essa grande produção que vai atravessando o país nas terras quilombolas, nas aldeias indígenas e terras ribeirinhas. O Prêmio Akuli foi uma espécie de antena necessária para captar o que está acontecendo no nosso país”, informou, nesse domingo (22), à Agência Brasil o presidente da FBN, Marco Lucchesi.
A segunda nova categoria destaca o Prêmio de Ilustração (Prêmio Carybé), que beneficia toda uma parte essencial do projeto gráfico do livro que “nem sempre encontrava um lugar específico e nós fizemos a defesa desse lugar”, sublinhou Lucchesi. A terceira conquista refere-se ao Prêmio Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen). Marco Lucchesi explicou que essa categoria reflete a própria riqueza da FBN em termos de acervo, uma vez que a instituição possui a maior coleção de histórias em quadrinhos da América Latina e uma das mais importantes do mundo.
“São prêmios que contemplam a produção literária brasileira mas que também dão testemunho da riqueza do acervo da Biblioteca Nacional”.
A quarta categoria, criada este mês, é o Prêmio de Crônica (Prêmio João do Rio), que Lucchesi há algum tempo queria instituir porque ele benefici o que foi essencial no modernismo brasileiro, que foi a crônica.
“Ela dá um salto e se transforma quase em uma espécie de agenda permanente de tradução do cotidiano brasileiro, dos sentimentos que todos os grandes poetas e escritores passaram. Então, nós achamos que era um resgate importante e que conseguimos abrir esse sonho tão antigo que era ter a crônica como um dos elementos essenciais dos prêmios literários da BN”.
João do Rio
João do Rio era o pseudônimo do jornalista, escritor, cronista, contista e teatrólogo Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, nascido em 5 de agosto de 1881, no Rio de Janeiro, cidade na qual faleceu em 21 de junho de 1921, aos 39 anos de idade. Autor de obras como "A Alma Encantadora das Ruas", "Vida Vertiginosa" e "As Religiões no Rio", João do Rio é considerado o primeiro repórter a sair da redação para retratar o cotidiano das ruas da então capital federal, a boemia e a vida das classes populares. Foi pioneiro da crônica social moderna e ganhou notoriedade por seus textos que mesclavam jornalismo e literatura. Apesar de enfrentar preconceitos por ser negro e homossexual, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1910.
Com a criação do Prêmio João do Rio, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional passa a beneficiar 13 categorias que darão a cada vencedor R$ 30 mil.
As categorias são:
Conto (Prêmio Clarice Lispector);
Crônica (Prêmio João do Rio);
Ensaio Literário (Prêmio Mario de Andrade);
Ensaio Social (Prêmio Sérgio Buarque de Holanda);
Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli);
Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen);
Ilustração (Prêmio Carybé);
Literatura Infantil (Prêmio Sylvia Orthof);
Literatura Juvenil (Prêmio Glória Pondé);
Poesia (Prêmio Alphonsus de Guimaraens);
Projeto Gráfico (Prêmio Aloísio Magalhães);
Romance (Prêmio Machado de Assis);
Tradução (Prêmio Paulo Rónai).
Prêmio Literário Biblioteca Nacional
Concedido anualmente desde 1994, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional objetiva reconhecer a qualidade intelectual das obras publicadas no Brasil. A premiação é considerada uma das mais conceituadas do país e a mais democrática no cenário nacional, uma vez que não exige taxa de inscrição e oferece o mesmo valor de premiação para todas as categorias. Podem concorrer ao Prêmio pessoas físicas com nacionalidade brasileira, com obras inéditas, isto é, em primeira edição, redigidas em língua portuguesa e publicadas no Brasil. O concurso é aberto também a autores independentes, desde que a obra esteja em Depósito Legal e traga impresso o número do ISBN (International Standard Book Number).
A coordenadora do Centro de Cooperação e Difusão da FBN, Veronica Lessa, informou à Agência Brasil que as inscrições para o Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2026 deverão ser abertas ainda no primeiro semestre deste ano, com divulgação do resultado prevista entre outubro e novembro. Veronica considera a criação das novas categorias uma reparação histórica.
“Porque foram muitos anos sem uma nova categoria e na gestão do presidente Marco a gente conseguiu quatro novas categorias. Para a gente, é uma vitória muito grande”.
Alguns critérios avaliados pelas comissões julgadoras incluem qualidade literária, originalidade, contribuição à cultura nacional, criatividade no uso dos recursos gráficos e excelência da tradução. As obras são analisadas por 39 julgadores, sendo três em cada categoria, ligados ao meio cultural, com notório saber e reconhecimento em suas áreas. Os resultados são divulgados no Diário Oficial da União e no portal da Biblioteca Nacional.
Depósito Legal
Veronica Lessa ressaltou também que todos os interessados que se inscreverem precisam estar em dia com o Depósito Legal, que “é essa memória bibliográfica nacional que a BN guarda. A gente, ainda por cima, está atualizando o acervo e isso é bem importante”. O Depósito Legal é definido pelo envio à Biblioteca Nacional de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional, por qualquer meio ou processo, segundo as Leis 10.994, de 14 de dezembro de 2004 e 12.192, de 14 de janeiro de 2010. O objetivo é assegurar a coleta, a guarda e a difusão da produção intelectual brasileira, visando a preservação e formação da Coleção Memória Nacional, que inclui obras de natureza bibliográfica e musical.
“Tudo que é publicado no país precisa ser doado um exemplar para a BN”, disse Veronica Lessa. Essa doação pode ser feita diretamente pelo escritor, ou pelo editor, no caso de obras bibliográficas.
O substantivo “cidade” e o adjetivo “maravilhosa” parecem que nasceram um para outro. Em Língua Portuguesa, essas duas palavras “nasceram” no século XIII, segundo datação de acreditados dicionários, como o “Houaiss”.
Já o título “Cidade Maravilhosa”, com que se identifica a cidade do Rio de Janeiro, tem, em publicações brasileiras e até que se documente assento anterior, registro desde 1904, em um verso que era parte de uma matéria do “O País” (na grafia da época, “O Payz”), jornal matutino que se publicava na capital carioca, à época Distrito Federal, ou seja, capital do Brasil.
O jornal, de muita influência, teve início em 1º de outubro de 1884 e fim de circulação em 18 de novembro de 1934. Mas, referindo-se ao Rio de Janeiro, a expressão “cidade maravilhosa”, segundo Alexei Bueno, escritor e editor carioca, diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro e membro do Conselho Estadual de Tombamento, o autor do primeiro registro (pelo menos até agora) é o militar e escritor italiano Edmundo De Amicis (1846-1908), que documentou a expressão em 1902, em artigo no suplemento “La Lettura”, do jornal “Corriere della Sera”, de Milão.
Em italiano, “cittá meravigliosa” é expressão comum, por óbvio, e integra títulos de livros como “Torino. Una città meravigliosa”, de P. Abrate, M. Centini e outros autores, obra publicada pela editora Ligurpress em dezembro de 2008. Mas antes, bem antes, em viagem que fez a Constantinopla (atual Istambul, Turquia), o escritor italiano Giovanni Battista Casti (1724-1803), também conhecido por Giambattista Casti, admirado com as belezas da cidade dos quatro impérios (romano, bizantino, latino, otomano), adjetivou a cidade de Constantino de “cittá meravigliosa” (“cidade maravilhosa”). Está em seu livro “Relazione di un viaggio a Costantinopoli”.
Edmondo de Amicis também esteve (muito depois de Casti) em Constantinopla, quando capital otomana, e em seu livro “Constantinopoli”, de 1877, igualmente a chamou de “la città meravigliosa e inaspettata” (“a cidade maravilhosa e inesperada”). Diga-se, sobre esse livro, que seu título original em italiano é “Costantinopoli, Milano, Treves”. Na tradução para o português (de Portugal), o título foi reduzido para "Constantinopla", obra publicada pela editora Tinta da China, de Lisboa, em 2017.
Em 1905, a escritora italiana Grazia Deledda, laureada com o Prêmio Nobel, escreveu sobre a capital de seu país: “[...] Roma, la capitale, la città meravigliosa, senza nebbie, piena di sole e di fiori” (“Roma, a capital, a cidade maravilhosa, sem neblina, cheia de sol e flores”. Está em “Nostalgie”, um dos romances que ela escreveu e publicou (editora Nuova Antologia, 1905).
Em 1950, foi a vez de outro italiano, B. Bernini, publicar sua obra “Una città meravigliosa”, pela editora Edizioni Gioventù Nuova, de Roma. Provavelmente o título se refira à cidade de Bolonha (Bologna), pelo que arrisco a presumir do título da obra em que Bernini foi referenciado: “Pionieri a Bologna” (Pioneiros em Bolonha), publicado, em 2015, pela editora Hit Studio.
A artista plástica contemporânea Emmanuelle Levesque pinta Paris e uma de suas obras se chama “Une ville merveilleuse” (“Uma cidade maravilhosa”).
Pois é... Como (en)cantou Gal Costa: “Tudo é divino, tudo é maravilhoso...”
Em 1913, a escritora francesa Jane Catulle Mendès publica “La Ville Merveilleuse”, com uma espécie de subtítulo: “Rio de Janeiro”. É a obra a quem se credita majoritariamente a autoria do epíteto “Cidade Maravilhosa” para a cidade, município e capital Rio de Janeiro. Mas, como o comprovam diversos registros, a francesa não criou o ajuntamento substantivo e adjetivo “ville merveilleuse” / “cidade maravilhosa”.
Em 1920, o escritor chileno Francisco Contreras Valenzuela (1877-1933) lança, em Paris, obra cujo título não tem a ver com Rio de Janeiro, publicado sete anos antes: “La Ville Merveilleuse”, com o subtítulo “Roman de la Vie Hispano-Américaine” (“romance da vida hispano-americana”). A editora francesa Hachette publicou, em 2018, a terceira edição dessa obra, em francês, como parte de uma “política de preservação do patrimônio literário francês implementada em parceria com a Biblioteca Nacional da França (BNF)”.
Mas foi a partir do escritor maranhense Henrique Maximiano Coelho Netto (1864-1934), nascido em Caxias, que se iniciou a popularização do epíteto "Cidade Maravilhosa" para o município do Rio de Janeiro, hoje capital do Estado de mesmo nome. Ele escreveu um livro com o título "A Cidade Maravilhosa". O poeta pernambucano Olegário Mariano anos antes do maranhense escrevera “Cidade Maravilhosa”, livro de poemas. (Tenho exemplar de ambos os livros).
Coelho Netto exercia, digamos assim, uma certa influência no Rio de Janeiro e até no Brasil todo, pela força de sua literatura. Por ser, à época, o mais lido escritor do país, superior mesmo a Machado de Assis. Por ser indicado ao Prêmio Nobel. Pelo fato de ser deputado federal de voz ouvida e respeitada. Por ser grande e apaixonado desportista e defendido o futebol brasileiro, chegando a entrar em brigas – literárias... – com escritores que eram contra o esporte. Por ser o introdutor do cinema seriado no Brasil, que deu origem às novelas e às séries de TV nacionais. Por ser defensor da capoeira e ser ele próprio um grande praticante de capoeira, o que foi decisivo para que a Polícia deixasse de desfazer rodas de capoeiras e deixasse de perseguir capoeiristas, passando a capoeira, por real influência de Coelho Netto, a ser admitida e praticada sem receio em todo o Brasil. Por não ter medo de se posicionar até mesmo em momentos polêmicos, às vezes sozinho, como no caso da revolta ou levante dos 18 do Forte (de Copacabana), como ficou conhecido o movimento de militares do Exército Brasileiro que se manifestaram contra Epitácio Pessoa, presidente do Brasil à época. Esse movimento deu-se na primeira semana de julho de 1922. Coelho Netto escreveu artigo para a edição do “Jornal do Brasil” do dia 9 de julho de 1922. Foi censurado. Mas nem por isso Coelho Netto deixou de se manifestar. No texto censurado (“Arrancada radiante”), exalta Coelho Netto: “Que povo não se orgulharia de possuir na raça tais leões?”
Cite-se, por oportuno, que, comprovadamente, é de Coelho Netto a expressão “Cidade Verde”, com que a capital do Piauí, Teresina, é conhecida e de cujo epíteto qual se regozija. Dessa expressão coelho-nettiana derivam o nome de vários empreendimentos públicos e privados no território teresinense.
Também se atribui a Coelho Netto (eu ainda não comprovei essa atribuição) o título de “Veneza Brasileira” à cidade de Recife, onde as ilhas, as pontes e o encontro dos rios Beberibe e Capibaribe trazem à capital pernambucana alguma semelhança com a fluvial Veneza italiana e suas ilhas, suas pontes e seus rios Piave e Po, este o maior rio da Itália.
Não há dúvida no fato de que, se não foi o autor do epíteto “Cidade Maravilhosa”, o caxiense nascido na antiga Rua da Palma (que depois recebeu seu nome) foi o responsável principal por sua divulgação. O livro ao qual se atribui, indevidamente, a origem do título, "La Ville Merveilleuse" (“A Cidade Maravilhosa”), de 1913, de autoria da francesa Jane Catulle Mendès, até este março de 2026 não foi traduzido para o português, embora a língua francesa fosse uma espécie de segundo idioma para os membros da elite carioca daquelas décadas iniciais do século XX.
Entretanto, se a escritora francesa não foi a primeira a usar a expressão "Cidade Maravilhosa" em relação ao Rio de Janeiro, ela foi a primeira a utilizar a expressão (em francês) como título de livro (veja-se cronologia mais abaixo).
Repetindo: as pesquisas mostram que, até provas em contrário, a expressão “Cidade Maravilhosa” foi criada ou primeiramente usada, por publicação brasileira, pelo jornal diário "O País", do Rio de Janeiro. Em uma edição no período de Carnaval de 1904 (dois anos após o texto do italiano De Amicis), uma reportagem trazia texto em versos septassilábicos onde, em um deles, lia-se:
"Terra sempre em polvorosa
Bem igual no mundo inteiro
Cidade maravilhosa
Salve o Rio de Janeiro”.
Esses versos eram parte de uma reportagem sobre os protestos contra as carrocinhas que pegavam os cachorros.
Numa rápida cronologia, é mais ou menos assim o percurso da expressão “Cidade Maravilhosa”, relacionada à antiga capital do Brasil:
– 1902 – Neste ano, o militar e escritor italiano Edmundo De Amicis (1846-1908) publica artigo no “La Lettura”, suplemento, do jornal “Corriere della Sera”, de Milão.
–1904, 16 de fevereiro, terça-feira de Carnaval – O jornal "O País" escreve: "Terra sempre em polvorosa / Bem igual no mundo inteiro / Cidade maravilhosa / Salve o Rio de Janeiro”.
– 1904, 4 de maio – O jornal “O País” escreve matéria, de título “No Palácio Monroe”: “Está ainda na lembrança de todos os habitantes desta cidade maravilhosa [...]”.
– 1907, 22 de maio – Nessa data, o jornal “A Notícia” (1894-1916), do Rio de Janeiro, traz reportagem onde consta a expressão “[...] os habitantes desta cidade maravilhosa [...]”.
– 1908, 29/30 de outubro – Jornal “A Notícia” publica a crônica “Os Sertanejos”, do escritor maranhense (residente no Rio) Coelho Netto. No contexto da Exposição Nacional, ele escreve a expressão "Cidade Maravilhosa". De um modo geral, a Imprensa daquela época utilizava os termos "cidade maravilhosa" ou "cidade maravilha". O nome oficial do evento era Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil. Ocorreu de 11 de agosto a 15 de novembro de 1908, no palácio da antiga Escola Militar da Praia Vermelha, bairro da Urca, Rio de Janeiro.
– 1909, 6/7 de julho – Nessa data, o jornal “A Notícia”, do Rio de Janeiro, em trecho da matéria “Dez Annos Atrás”, está: “[...] habitando uma nova cidade maravilhosa e salubre [...]”. A expressão “cidade maravilhosa” aparece também no mesmo jornal, em edições tanto de 1909 quanto de 1910.
– 1911, 20 de setembro a 6 de dezembro – Jane Catulle Mendès (1867-1955), escritora francesa, visita o Rio de Janeiro (capital).
– 1911, 21 de setembro – Edição dessa data do jornal “A Imprensa” traz entrevista com Jane Catulle Mendès, onde ela diz sobre o Rio de Janeiro, em francês: “est une ville merveilleuse” (“é uma cidade maravilhosa”). Jane estava no Brasil a convite, para fazer três palestras: “O heroísmo da mulher francesa”, “A parisiense” e “As mulheres de letras francesas”.
– 1913, 20 de março – Nessa data, o jornal “A Notícia”, do Rio de Janeiro, publica um artigo sobre as belezas da capital fluminense com o título inteiramente em maiúsculas: “A CIDADE MARAVILHOSA”. No texto, replica-se: “Cidade Maravilhosa! É a exclamação de todos que nos visitam.” E, no fim de parágrafo, com a ortografia de 1913: “[...] ilhas encantadoras de sua refulgente bahia e o mar se encher de elegantes yachts, como hoje as avenidas se enchem de automoveis, então ella poderá desafiar as que mais bellas o forem. Ella já é a cidade maravilhosa".
– 1913 – Jane Catulle Mendès (nome de solteira: Jeane Mette) publica na França, pela editora E. Sansot & Cie., seu livro "La Ville Merveilleuse – Rio de Janeiro" (214 páginas), uma coletânea com 33 poemas sobre a capital fluminense.
– 1922 – É publicada, pela editora carioca Pimenta de Mello, a primeira edição da obra “Cidade Maravilhosa”, livro de poemas de Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958), escritor e diplomata nascido em Recife (PE), primo do poeta Manuel Bandeira. A segunda edição sai em 1930, aumentada, pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo.
– 1928 – O escritor caxiense Coelho Netto publica o livro de contos "A Cidade Maravilhosa", pela Companhia Melhoramentos de São Paulo.
– 1930 – Realizada a exposição “Cidade Maravilhosa”, com pinturas de paisagens do Rio de Janeiro, de Manuel Faria Guimarães (1895-1980), pintor e desenhista nascido na capital carioca.
– 1933, 1º de setembro – Série de textos intitulada “Crônicas da Cidade Ma-ra-vi-lho-sa” passa a ser lida em programa do locutor César Rocha Brito Ladeira (1910-1969), na Rádio Mayrink Veiga. César Ladeira nasceu em Campinas (SP) mas atuava no Rio de Janeiro. Os textos das “Crônicas da Cidade Maravilhosa” (nome anterior: “Crônicas da Cidade Gozada”, que foi mudado), “ eram escritos por seu amigo Genolino Amado (1902-1989), escritor, jornalista e professor sergipano, que em 1973 foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Os textos foram publicados em coluna da revista “O Malho” (1902-1954), do Rio de Janeiro.
– 1934 – Antônio André de Sá Filho compõe a marchinha "Cidade Maravilhosa". A música, a partir da década de 1960, foi oficializada como hino do Estado da Guanabara e tornada hino oficial do município do Rio de Janeiro em agosto de 2003, por lei da Câmara Municipal. André Filho era ator e músico (violinista, bandolinista, banjoísta, violonista, pianista, compositor e cantor). O arranjo da música de André Filho foi feito por Silva Sobreira para o carnaval de 1935. Ainda em 1934 a cantora e atriz Aurora Miranda (1915-2005), irmã de Carmen Miranda, grava pela Odeon a música “Cidade Maravilhosa”, com participação do autor da música, André Filho. A marchinha tornou-se grande sucesso até os dias atuais, com um estribilho que quase todo brasileiro conhece:
“Cidade Maravilhosa
Cheia de encantos mil...
Cidade maravilhosa,
Coração do meu Brasil!”
Da década de 1950 até 2008, a música “Cidade Maravilhosa” foi cantada, interpretada e gravada pelo menos 50 vezes por cantores e cantoras, maestros e orquestras, conjuntos e bandas, coros e corais, solistas (pianistas, saxofonistas...), brasileiros e internacionais, entre os quais Guerra Peixe, Radamés Ganattali, Maria Bethânia, As Melindrosas, Ray Coniff, Bily Eckstine, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Tião Macalé, Leo Gandelman, Daniela Mercury, Caetano Veloso, Detonautas...
– 1935, 6 de janeiro – Estreia no Teatro Recreio, com Aracy Côrtes, o espetáculo teatral musical “Cidade Maravilhosa”, inspirado nas “Crônicas da Cidade Maravilhosa”, escrito por César Ladeira e o compositor, caricaturista e desenhista carioca Antônio Gabriel Nássara (1910-1996). Aracy Côrtes era o nome artístico da cantora carioca Zilda de Carvalho Espínola (1904-1985).
– 1935 – Lançado o filme “Alô, Alô, Brasil”, com participação de Aurora Miranda, cantando “Cidade Maravilhosa”.
– 1954 – Lançado o “Rio - Cidade Maravilhosa”, álbum musical de estúdio, da gravadora Continental, com participação de cantores e cantoras como Maysa, Luely Figueiró, Nelly Martins, Jamelão, Os Cariocas, Ted Moreno, Albertinho Fortuna, Risadinha, Coral de Severino Filho. Foi relançado em 1960.
– 1960 – A marchinha “Cidade Maravilhosa”, de André Filho, é adotada como hino oficial do antigo Estado da Guanabara (veja no ano 1934, acima). O Estado da Guanabara existiu de 1960 a 1975 e seu território era o mesmo do atual município do Rio de Janeiro, que era a capital do Estado guanabarino.
– 1966 – Decreto do governo do Estado do Rio de Janeiro dá o nome “Catulle Mendès” a uma praça no Bairro de Campo Grande, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.
– 1987 – Realizado o filme “Alice na Cidade Maravilhosa”, de Alvarina de Souza Silva, nascida em Ceres (GO), em 18 de outubro de 1955.
– 1996, 27 de janeiro a 8 de março – Realizada a Taça Cidade Maravilhosa, competição de futebol entre times do município do Rio de Janeiro.
– 1998 – Realizado o I Open Cidade Maravilhosa, torneio de tênis no Rio de Janeiro.
– 1999, 22 de outubro – Data da Lei 2.904, da Prefeitura do Rio de Janeiro, denominando como Rua André Filho, compositor da música “Cidade Maravilhosa”, a antiga Rua Rachel Carson, e, ainda, denominando “Largo da Cidade Maravilhosa” ao “logradouro situado na confluência da Avenida Brás de Pina, Estrada da Água Grande e Rua Itapera”, no atual bairro Vista Alegre, Zona Leopoldina, norte do Rio.
– 2003, 12 de agosto – A Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pela Lei nº 3611, oficializa a música “Cidade Maravilhosa” como hino oficial do município do Rio de Janeiro.
– 2012 – Realizado torneio de tênis Taça Cidade Maravilhosa Internacional.
– 2012, 13 a 18 de novembro – Realizado o torneio de futebol de praia Taça Internacional Cidade Maravilhosa de Beach Soccer, competição também conhecida como Taça Intercontinental Cidade Maravilhosa de Beach Soccer, Torneio Internacional Cidade Maravilhosa de Beach Soccer ou ainda Torneio Intercontinental Cidade Maravilhosa de Beach Soccer.
– 2016, 30 de julho – Lançado, na França, o filme "Rio de Janeiro, Ville Merveilleuse", de Pascal Cuissot.
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* EDMILSON SANCHES
Imagens:
Autores e os livros com o epíteto "Cidade Maravilhosa": a escritora francesa Jane Catulle Mendès e o caxiense Coelho Netto.
Morreu na madrugada deste sábado (21), em São Paulo, o ator, autor e diretor Juca de Oliveira, de 91 anos. Reconhecido como um dos grandes nomes das artes cênicas do país, Juca construiu uma trajetória sólida e admirada no teatro, na televisão e no cinema.
O ator estava internado desde o dia 13 deste mês, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardíaca do Hospital Sírio-Libanês, em decorrência de um quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica.
Carreira
Ao longo de sua carreira, participou de importantes produções teatrais, muitas delas de sua própria autoria, além de integrar elencos de novelas e programas televisivos de grande alcance nacional. Sua atuação sempre foi pautada pelo rigor artístico e pelo compromisso com a cultura brasileira. Ele também era membro da Academia Paulista de Letras.
Juca de Oliveira atuou no teatro em mais de 60 peças como ator. Fez, na maioria das vezes, o papel principal, que dá à linha mestra a história encenada e, por isso, os personagens mais pesados.
Televisão
Na televisão, deu vida a personagens célebres, como o misterioso João Gibão em Saramambaia, novela da TV Globo, eternizado pela cena emblemática de seu voo sobre a cidade de Bole Bole.
Em 2001, trabalhou em O Clone, também na TV Globo. Novela abordou o tema da clonagem. Ele interpretou o médico Doutor Augusto Albieri, considerado o personagem mais importante de sua carreira na televisão.
Em 2012, Juca ganhou destaque como o cruel vilão Santiago Moreira, na Avenida Brasil, novela de João Emanuel Carneiro. O personagem era o pai e mentor da vilã Carminha, interpretada pela atriz Adriana Esteves.
O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, recebeu oito indicações na 13ª edição dos Prêmios Platino Xcaret. Os finalistas da premiação foram divulgados nessa sexta-feira (20).
Além do filme que já acumula dezenas de prêmios internacionais e que foi indicado a quatro categorias do Oscar, outros quatro filmes e duas séries brasileiras estão entre os finalistas da premiação.
O Agente Secreto concorre nas categorias de Melhor Filme, Direção, Interpretação Masculina (Wagner Moura), Música Original, Roteiro, Montagem, Direção de Arte e Vestuário.
Manas, de Marianna Brennand, concorre em três categorias: Melhor Filme de Estreia, Atriz Coadjuvante (Dira Paes) e Educação e Valores.
O Último Azul, de Gabriel Mascaro, é finalista na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Rodrigo Santoro).
O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende, concorre na categoria Maquiagem e Cabeleireiro.
Na disputa dos documentários, o representante brasileiro é Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa.
Já entre as séries e minisséries, Angela Diniz: Assassinada e Condenada é finalista para Melhor Música Original, e Beleza Fatal concorre entre as Séries de Longa Duração.
Cerimônia
Ao todo, 30 filmes e 19 séries compõem a lista de finalistas da 13ª edição dos Prêmios Platino Xcaret. São produções de 14 países ibero-americanos, em língua espanhola e portuguesa.
Com 11 indicações cada um, Belén, de Dolores Fonzi, da Argentina, e Los Domingos, de Alauda Ruiz de Azúa, da Espanha, lideram a lista de longas-metragens finalistas, seguidos por O Agente Secreto, com oito indicações, e Sirât, de Oliver Laxe, da Espanha, com sete indicações.
A lista completa dos finalistas está disponível no site da premiação.
A Grande Gala será no dia 9 de maio, no Grand Teatro do Xcaret, em Cancún, México, com transmissão ao vivo pelo Canal Brasil.
Os Premios Platino del Cine y el Audiovisual Iberoamericano foram criados pela Entidade de Gestão de Direitos dos Produtores Audiovisuais (EGEDA) e a Federação Ibero-Americana de Produtores de Cinema e Audiovisual (FIPCA), com o apoio de academias e institutos de cinema ibero-americanos para promover, divulgar e aproximar a cultura e o cinema ibero-americanos. A premiação envolve mais de 180 países todos os anos.
Chuck Norris, uma lenda dos filmes de ação de Hollywood, morreu nessa quinta-feira (19), no Havaí, segundo informou sua família num comunicado.
“É com grande tristeza que nossa família comunica a morte repentina do nosso amado Chuck Norris na manhã de ontem. Gostaríamos de manter as circunstâncias em sigilo. Por favor, saibam que ele estava ao lado de sua família e estava em paz”.
A família não quis revelar as causas da morte, mas o ator norte-americano foi internado ontem pela manhã após uma emergência médica. Não foi revelado ao público o que teria causado a internação.
Artista marcial e faixa preta em diversas modalidades, Norris teve uma longa e vitoriosa carreira que começou em 1968 com uma participação não creditada no filme Arma Secreta contra Matt Helm. Em 1972, ele atuou em O Voo do Dragão, longa-metragem estrelado pelo também lendário Bruce Lee. Os dois têm uma das lutas corporais mais memoráveis do cinema de ação norte-americano, momento que é celebrado até hoje até mesmo no formato de memes nas redes sociais.
O ator ficou muito conhecido após este trabalho ao lado de Lee e passou a atuar em vários longas de ação nos anos 1970. Nessa lista, estão produções como Massacre em São Francisco (1974) O Comboio da Carga Pesada (1977), Força Destruidora (1979), entre outros.
Nos anos 1980, com a explosão dos filmes de ação, Norris se tornou um dos maiores representantes desse tipo de produção ao lado de atores como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Os filmes protagonizados por Chuck, geralmente, eram de menor orçamento que os dos dois colegas, mas também se tornaram clássicos para os fãs, principalmente nas antigas videolocadoras.
É desta safra longas como McQuade, o Lobo Solitário (1983), Braddock 1, 2 e 3 (1984, 1985 e 1988, respectivamente) e Invasão U.S.A. (1985).
Com sua fama consolidada, Norris seguiu fazendo filmes e séries de TV em que mostrava suas habilidades em lutas e no manejo de armas de fogo.
Rei dos memes
No começo dos anos 2000, o ator virou alvo de brincadeiras na internet por causa de sua fama de durão. Em formato de memes, as pessoas criavam frases para exaltar a força de Chuck.
“Chuck Norris contou até o infinito. Duas vezes”.
“Chuck Norris tem duas velocidades: andar e matar”.
“Quando Deus disse ‘que se faça a luz’, Chuck Norris falou ‘diga por favor’.
Comprovando seu status de “lenda”, o ator entrou para o elenco de Os Mercenários 2 (2012), produção em que Stallone reuniu outros profissionais do gênero pancadaria como Jason Statham, Dolph Lundgren, Jet Li. Liam Hemsworth, Schwarzenegger, Bruce Willis, entre outros.
Nos últimos anos, por causa da idade, Norris já não atuava mais com frequência. Em 2020, participou de um episódio do seriado Havaí Cinco-0, onde fez o papel do Sargento Major Phillips. Seu último trabalho foi no filme Agent Recon, de 2024, onde interpreta o capitão Alastair, que lidera uma força de segurança secreta da Terra.
Norris deixa sua esposa Gena O’Kelley e cinco filhos.
O Ministério da Educação (MEC) aplicou sanções a mais de 50 cursos de medicina que apresentaram desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025. Publicadas nesta semana, no Diário Oficial da União (DOU), as medidas determinam desde a suspensão do ingresso de novos alunos até restrições ao Programa Universidade para Todos (Prouni) e ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
A decisão foi baseada na avaliação de 351 cursos. As instituições punidas obtiveram notas 1 e 2, em uma escala que vai até 5, e o rigor das sanções variou conforme o percentual de alunos proficientes em cada unidade.
Divisão das sanções
O MEC separou as instituições em grupos, aplicando punições proporcionais à gravidade dos resultados:
Grupo 1 - instituições com nota 1 e menos de 30% de estudantes com proficiência: punição mais severa, com suspensão imediata de novos alunos, proibição de novas vagas e abertura de processo de supervisão.. Além disso, fica suspensa da possibilidade de celebrar contratos de Fies e com outros programas federais de acesso ao ensino.
A medida foi aplicada contra a Universidade Estácio de Sá, União das Faculdades dos Grandes Lagos, Centro Universitário de Adamantina, Faculdade de Dracena, Centro Universitário Alfredo Nasser, Faculdade Metropolitana e Centro Universitário Uninorte.
Grupo 2 - instituições com nota 1 e proficiência entre 30% e 40%:dos estudantes: redução de 50% das vagas autorizadas e impedimento de expansão, além de proibição de contrato do Fies e e restrição à participação em programas federais.
Centro Universitário Presidente Antônio Carlos; Universidade Brasil; Universidade do Contestado; Universidade de Mogi das Cruzes; Universidade Nilton Lins; Centro Universitário de Goiatuba; Centro Universitário das Américas; Faculdade da Saúde e Ecologia Humana; Centro Universitário CEUNI (Fametro); Faculdade São Leopoldo Mandic de Araras; Faculdade Estácio de Jaraguá do Sul e Faculdade Zarns (Itumbiara).
Grupo 3 - instituições com nota 2 e proficiência entre 40% e 50%: redução de 25% das vagas e restrições a programas federais de financiamento.
As instituições penalizadas foram: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis; Universidade de Ribeirão Preto; Universidade Iguaçu; Universidade Santo Amaro; Universidade de Marília; Universidade Paranaense; Afya Universidade Unigranrio; Centro Universitário Serra dos Órgãos; Universidade de Cuiabá; Centro Universitário Maurício de Nassau de Barreiras; Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto; Afya Centro Universitário de Porto Velho. Centro Universitário Ingá; Faculdade de Medicina Nova Esperança; Afya Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba; Faculdade Atitus Educação Passo Fundo; Afya Centro Universitário de Itaperuna; Centro Universitário Maurício de Nassau; Faculdade Morgana Potrich; Afya Faculdade de Porto Nacional; Faculdade Uninassau Vilhena; Centro Universitário Famesc. Faculdade de Medicina de Olinda; Faculdade Estácio de Alagoinhas; Faculdade Atenas Passos; Faculdade Estácio de Juazeiro; Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes; Faculdade Unicesumar de Corumbá; Faculdade Estácio de Canindé e Afya Faculdade de Ciências Médicas de Santa Inês.
Além dessas, outras 40 graduações de medicina com nota 2, mas proficiência acima de 50%, entraram em processo de supervisão e monitoramento, sem punições imediatas, garantindo o direito de defesa.
Universidades Federais
O ministério também incluiu instituições públicas na lista. As universidades federais do Pará (UFPA), do Maranhão (UFMA), da Integração Latino-Americana (Unila) e do Sul da Bahia (UFSB) responderão a processos de supervisão. A UFPA foi a única pública a sofrer sanção imediata, com corte de 50% das vagas.
Segundo o MEC, as cautelares podem ser revistas, prorrogadas ou agravadas com base nos resultados do Enamed 2026.