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Cerimônia de abertura do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília.

O tradicional Festival de Brasília do Cinema Brasileiro passa momentos de incerteza. Nessa segunda-feira, diretores do evento foram informados, por representantes do governo do Distrito Federal, de que a 59ª edição do evento não seria realizada entre os dias 11 e 19 de setembro.

No entanto, ainda na noite dessa segunda, a governadora do DF, Celina Leão, publicou, em suas redes sociais, a determinação para que a Secretaria de Economia providencie os recursos necessários para o festival. De acordo com ela, o evento está confirmado. 

A edição de 2026 recebeu número recorde de inscrições de filmes, com 1.928 obras pleiteando uma vaga. Mais de 80 filmes estão confirmados, com envolvimento de centenas de profissionais do audiovisual de todo o Brasil.

Em publicação nas redes sociais, o diretor artístico do festival, Eduardo Valente, chegou a lamentar o possível cancelamento. Ele pediu a união de todos os envolvidos com cinema para manter o evento.

“O que teremos para amanhã e depois? Difícil dizer, mas, seguramente, nem essa edição nem o futuro deste evento será determinado só por quem estava aqui lutando para organizá-lo. Teremos que ver o quanto as associações em geral, o setor do cinema, o público do DF e até, por que não, outros festivais de cinema do país estarão dispostos a se juntar nessa briga”, escreveu Valente.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, não se manifestou a respeito do assunto.

Tristeza e revolta

Tiago de Aragão, diretor no Centro-Oeste da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), associou o possível cancelamento do festival à crise instalada no GDF após o escândalo dos bilhões de reais em títulos podres do Banco Master comprados pelo Banco de Brasília (BRB). 

“São dezenas de profissionais empregados que já estavam trabalhando sem receber; são produtoras e cineastas de todo o país que reservaram o lançamento dos seus filmes para Brasília. A imagem que fica é de um GDF que pode não honrar seus compromissos para sanar um rombo causado em uma história espúria que envolveu o BRB com o Banco Master e Vorcaro”.

Para Tatiana Costa, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), o que acontece no DF pode reverberar por outros festivais do país.

“Só durante a ditadura que o Festival de Brasília não foi realizado. E o que isso significa simbolicamente? Para além das decisões financeiras, é uma decisão política do GDF. Isso nos preocupa imensamente, porque não ameaça apenas o festival de Brasília, e sim todos os festivais de cinema do Brasil”.

Carina Bini é cineasta de Brasília. Na edição do ano passado, subiu ao palco do Cine Brasília com todo o elenco de seu filme Mil Luas para apresentá-lo ao público da cidade. Hoje, ela lamenta a possibilidade de um auditório vazio e uma tela apagada em setembro.

“O Festival de Brasília movimenta todo um mercado de trabalho, uma cadeia produtiva do audiovisual, traz pessoas para a cidade, ele é um evento que gera emprego, gera recurso para o Distrito Federal e é importante historicamente para o cinema brasileiro”, destaca.

Festival histórico

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do país e chega, em 2026, à marca de 59 edições. A mostra competitiva está marcada para ocorrer de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília.

O Festival nasceu em 1965 e, ao longo das décadas, consolidou-se como um espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal. Ao longo das décadas, só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar. Durante a pandemia, foi realizado de forma virtual.

Um diferencial em relações a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.

(Fonte: Agência Brasil)

 Primeiro Manual de Jornalismo Indígena do Brasil. Foto: Dilvulgação

O manual de jornalismo indígena Poranga Marandúa foi lançado nesta segunda-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ferramenta é inédita e traz termos, orientações e princípios a partir da perspectiva dos povos indígenas.

Segundo a coordenadora-geral da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), Luciene Kaxinawá, o manual é o resultado de um trabalho desenvolvido pela articulação entre mais de 40 povos indígenas.

“Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias”, reforça.

A primeira edição do Poranga Marandúa foi editada e revisada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e está disponível on-line, de forma gratuita.

Para os integrantes da Abrinjor, a chegada do manual, após um ano e meio de trabalho, é uma “boa notícia" – que é o significado da expressão Poranga Marandúa, na língua Nheengatu, da família Tupi-Guarani.

A inovação trazida pelo manual deve servir como um instrumento de trabalho para jornalistas em todo o país, mas também como uma ferramenta de educação, afirma Sônia Kaingáng, jornalista indígena pioneira e comunicadora do Inka.

“A gente precisa destacar que chegamos aqui pela via da educação. Nós somos brasileiros e temos visto que muitos brasileiros querem uma via que não é a da educação”, destaca.

Para a pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré, são exatamente os jornalistas que saem das universidades e escolas de jornalismo que, muitas vezes, invisibilizam os povos indígenas.

“Essa é uma grande oportunidade que a gente oferece para os currículos, para as ementas dos cursos de jornalismo, que inclua esse manual como uma ferramenta pedagógica de redação antirracista para falar de povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais".

Samela Sateré Mawé é assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e acredita que a ferramenta também servirá para estimular a chegada de mais indígenas a ocuparem os espaços de comunicação das entidades representativas e dos canais de comunicação de todo o país.

“Esse manual é uma porta que vai se abrir para dentro do movimento indígena que vai se abrir para os jornalistas indígenas ocupando esses espaços, porque ninguém melhor que a gente para falar sobre a gente”, conclui Samela. (Fonte: Agência Brasil)

A temporada de 2026 da nadadora maranhense Sofia Duailibe continua sendo bastante positiva. Desta vez, a jovem atleta teve desempenho de alto nível na 13ª edição da Copa Brasil de Águas Abertas, competição organizada pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Sofia, que compete pela Atlef/Nina e conta com os patrocínios do governo do Estado e do Centro Elétrico, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, além do apoio do Colégio Literato e da Expert Distribuidora, conquistou três medalhas na etapa realizada no último fim de semana (8 e 9), na Praia do Morro, em Guarapari (ES), mantendo a posição de destaque entre os principais talentos das águas abertas do Brasil.

Com uma atuação consistente, Sofia Duailibe garantiu dois pódios na prova dos 4km da etapa de Guarapari, faturando o ouro na categoria Juvenil e ficando com o bronze na disputa Geral Feminina. Além disso, a nadadora maranhense foi ouro na prova dos 2,5km na categoria Juvenil.

Sofia Duailibe vive um excelente momento no cenário nacional de águas abertas. Em julho, a nadadora maranhense havia conquistado um ouro, duas pratas e um bronze na etapa da Copa Brasil em Fortaleza. Já durante o mês de junho, Sofia foi para as piscinas, onde representou o Colégio Literato nas provas de natação dos Jogos Escolares Ludovicenses (JELs) e garantiu três medalhas de ouro: venceu as provas dos 100m borboleta, 100m peito e 200m medley.

Antes disso, em maio, a jovem nadadora teve um mês de muitos desafios e conquistas. Ela faturou nove medalhas em três etapas do Campeonato Brasileiro de Águas Abertas e da Copa Brasil de Águas Abertas, que foram realizadas em Brasília (DF), São Luís (MA) e Maragogi (AL). Mesmo lidando com uma sequência desgastante de eventos, Sofia terminou esses torneios com três ouros, quatro pratas e dois bronzes.

Outros resultados

Sofia Duailibe vem colecionando grandes resultados em 2026. Na 3ª etapa da Copa Brasil, disputada em março, em José de Freitas (PI), a maranhense faturou três medalhas de ouro nas provas de 1,5km, 2,5km e 4km, além de uma prata nos 4km da categoria Geral Feminina.

Antes de se destacar nas provas realizadas em José de Freitas, Sofia Duailibe subiu duas vezes no pódio na 2ª etapa da Copa Brasil de Águas Abertas, realizada em Itajaí (SC): prata nas provas de 1,5km e 2,5km da categoria Juvenil da competição nacional.

Pouco antes, em fevereiro, Sofia Duailibe venceu as provas de 1,5km e 4km da categoria Juvenil, e foi prata nas disputas de 1,5km e 4km da categoria Geral Feminino na etapa de abertura da Copa Brasil de Águas Abertas, em Porto Alegre (RS).

Sofia Duailibe foi eleita atleta do ano nas águas abertas 

A sequência de títulos e pódios no início da temporada de 2026 reforça o excelente momento de Sofia Duailibe no cenário estadual e nacional de águas abertas. Na temporada de 2025, a nadadora maranhense conquistou o título de melhor atleta do ano na categoria Juvenil e de atleta mais eficiente da categoria Geral Feminino na Copa Brasil.

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Vem aí a 6ª etapa do Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026, competição organizada pela Federação de Beach Tennis do Maranhão (FBTM), entidade que representa oficialmente a modalidade no Estado. A partir desta quinta-feira (13), começam as disputas do Lito Beach Open, evento que dará sequência ao Estadual da temporada 2026. Todas as partidas desta etapa vão ser realizadas na nova Arena Lito Beach, localizada na Avenida Litorânea, dentro do Círculo Militar de São Luís. 

As inscrições para o Lito Beach Open podem ser feitas pela plataforma LetzPlay, e os 100 primeiros participantes que efetuarem o pagamento vão ganhar o kit do atleta do evento. A competição vai valer 250 pontos no ranking da FBTM e 300 pontos no ranking da Confederação Brasileira de Beach Tennis (CBBT).

O ranking estadual foi zerado e, agora, vale para a convocação do Time Maranhão que irá participar do Campeonato Brasileiro de Beach Tennis, marcado para novembro, em Uberlândia (MG). O ranking nacional, por sua vez, definirá os representantes da Seleção Brasileira para o desafio internacional de beach tennis em Aruba, também em novembro.

Com expectativa de reunir mais de 350 atletas, o Lito Beach Open terá disputas por gênero nas categorias A, B, C, D, 30+, 40+ e 50+ (somente masculino), além das competições mistas nas categorias A, B, C e D.

“Estamos muito felizes e com uma grande expectativa para o Lito Beach Tennis, que será mais uma das etapas do Maranhense Oficial de Beach Tennis. A temporada vem sendo um enorme sucesso, com partidas de alto nível técnico e a participação de centenas de atletas, que reforçam o crescimento da modalidade em todo o Maranhão. Convidamos todos os apaixonados pelo esporte a prestigiarem o Lito Beach Tennis. Tenho certeza que será um evento maravilhoso”, afirma Menezes Júnior, presidente da FBTM. 

Próximas etapas

Após as disputas do Lito Beach Tennis, o Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 continua com a 7ª etapa, que será disputada entre 4 e 7 de setembro, na cidade de Santo Amaro, em um dos eventos mais aguardados pelos beachtenistas de todo o Estado.

Outras informações sobre o Campeonato Maranhense Oficial de Beach Tennis 2026 estão disponíveis no Instagram oficial da Federação de Beach Tennis do Maranhão (@maranhaobeachtennis).

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Colaborar com o desenvolvimento e fortalecimento do futebol no Maranhão. Com esse objetivo, o projeto “Movimento pela Transformação do Futebol Maranhense” foi lançado oficialmente. Idealizado pelos gestores esportivos Eurico Pacífico e Filemon Guterres, a iniciativa visa contribuir para a valorização da modalidade no Estado, tanto no que diz respeito ao futebol profissional (masculino e feminino) quanto às categorias de base e às ligas amadoras por meio de uma gestão eficiente. O evento de lançamento ocorreu na última sexta-feira (7), no Benô Restaurante, em São Luís. 

“O grande objetivo deste projeto é a gente abrir discussões, grupos de trabalho para que a gente discuta os problemas do futebol maranhense e, mais do que isso, tente encontrar soluções. Esse projeto tem o objetivo de viajar todo o Maranhão. Acredito muito que esse projeto vai colaborar de forma bastante intensa com tudo o que queremos, que é ver estádios cheios com torcedores vibrando, vestindo as camisas dos times maranhenses. É preciso valorizar, cada vez mais, o nosso futebol como um todo”, explicou Eurico Pacífico. 

O “Movimento pela Transformação do Futebol Maranhense” foi construído sob uma base que pretende alcançar e impactar tanto o futebol profissional quanto o futebol amador e as ligas, as categorias de base, arbitragem, gestão esportiva e a sociedade de um modo geral. Para isso, é necessário “somar forças”. 

“Esse lançamento foi somente o primeiro momento. Agora, vamos somar forças. Estamos deixando o canal aberto para todos que queiram ver uma mudança, uma reestruturação, um novo momento do nosso futebol e venham fazer parte. Por isso, vamos seguir pelo Maranhão todo. Para o futebol maranhense evoluir cada vez mais, é preciso melhorarmos o nosso esporte. Fortalecer os clubes e as ligas é um caminho importante a seguir. Por isso, idealizamos esse projeto pensando no bem coletivo”, explicou Filemon Guterres. 

Iniciativa importante

Para os dirigentes de clubes das séries A e B e representantes de ligas de futebol convidados para o lançamento do “Movimento pela Transformação do Futebol Maranhense”, o projeto sinaliza mudanças necessárias para o futebol no Maranhão. Os detalhes dessa iniciativa foram considerados bastante positivos. 

“É um encontro de suma importância para que venha mudar o futebol maranhense, reorganizar o futebol do Maranhão. O futebol, os clubes e o Estado precisam disso. Estamos todos unidos em prol do futebol maranhense”, comentou Eduardo Viana, vice-presidente do Iape. 

Gestor esportivo em Lago Verde, o professor Sérgio Murilo também destacou o início do “Movimento pela Transformação do Futebol Maranhense”. “É um pontapé inicial de um novo sentimento, um sentimento de mudança. É preciso que todas as pessoas que fazem o futebol maranhense unam as forças para que realmente a gente volte aos tempos áureos do esporte”, analisou. 

(Fonte: Assessoria de imprensa)

Logo do Google e inteligência artificial
4/5/2023 REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Proibida Reprodução

O avanço da Inteligência Artificial (IA) por meio dos resumos que buscadores oferecem na internet vem derrubando o tráfego direto de internautas em sites jornalísticos, prejudicando o financiamento do jornalismo profissional no Brasil. Isso ocorre porque parte dos usuários tem deixado de clicar nos links diretos dos sites, restringindo a pesquisa aos resumos das IAs.

Essa mudança vem ganhando força, principalmente, a partir de maio de 2024, com o AI Overviews do Google (resumos criados por IA, em português). Segundo especialistas,a novidade tem ainda o potencial de prejudicar a integridade da informação que circula no país em meio à proliferação das fake news impulsionadas pelas mesmas plataformas por trás das IAs que dominam o mercado.

Um projeto de lei (PL 2338 de 2023) em tramitação na Câmara, o Marco Regulatório da IA, prevê que as plataformas digitais paguem pelos direitos autorais das obras e reportagens usadas pela tecnologia, o que poderia fortalecer o jornalismo profissional frente à crise no setor.

Porém, o tema não avançou no último semestre, apesar da prioridade anunciada ao projeto pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

Brasília - 07/08/2026 - Carla Egydio,diretora de Relações Institucionais da Ajor . Foto: Câmara dos Deputados
Carla Egydio

A Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que presta assessoria a 152 veículos on-line no Brasil, aponta que um de cada quatro desses portais de notícias perdeu, em 2025, mais de 20% da audiência.

“A queda de tráfego nos sites das associadas advindo de ferramentas de busca, uma preocupação generalizada na indústria jornalística, se mostra verdadeira no contexto das associadas”, concluiu a pesquisa da Ajor.

A diretora de Relações Institucionais da associação, Carla Egydio, explicou à Agência Brasil que a queda é “preocupante” por prejudicar a atração de publicidade e o financiamento calculado a partir das “métricas de audiência”.

“O ecossistema jornalístico hoje vive um cenário de crise. Parte da publicidade já migrou, principalmente, para plataformas digitais. Os veículos que se financiavam, sobretudo por publicidade, têm uma dificuldade muito grande de manter seus negócios. Esse resumo da IA aprofunda um contexto de crise do jornalismo”, disse a diretora.

Integridade da informação

Carla destacou ainda que os resumos da IA fornecidos pelos buscadores não oferecem todo o conteúdo das reportagens, com impacto para a qualidade da informação.

“Isso pode gerar descontextualização, com prejuízos para o debate público. Você tem ainda os casos de cópia literal do conteúdo, que configura plágio”, completou a diretora da Ajor.

Um caso de repercussão internacional foi o do veículo Business Insider, que demitiu, em maio de 2025, 21% dos funcionários em meio a quedas no tráfego de usuários impulsionadas pelos resumos das IAs dos buscadores.

“Setenta por cento do nosso negócio apresenta algum grau de sensibilidade ao tráfego [de usuários no site]. Precisamos estar estruturados para suportar quedas extremas de tráfego fora do nosso controle. Por isso, estamos reduzindo o tamanho geral da nossa empresa”, explicou Barbara Peng, da Direção Executiva da companhia.

Marco Regulatório da IA

Brasília (DF) 26/10/2023   Comissão de Comunicação da Câmara realiza audiência pública sobre a importância da formação superior para o exercício do jornalismo. ( Samira de Castro Cunha, presidenta da FENAJ).  Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Samira de Castro

No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tem pressionado pela aprovação do PL 2338 na Câmara, onde projeto tramita desde março de 2025.

A matéria que chegou do Senado prevê que as empresas de IA remunerem pelo uso de conteúdos protegidos pela Lei dos Direitos Autorais, como é o caso do jornalismo.

“O lobby das big techs é muito forte. Elas querem, para ter uma ideia, tirar toda essa parte que fala de direito autoral. Esse é um dos pontos que têm emperrado esse projeto na Câmara”, revelou a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

Ela acrescentou à Agência Brasil que, apesar das fragilidades do projeto, o texto traz avanços para garantir a remuneração do produto do trabalho dos jornalistas.

“O PL também não cria mecanismos específicos de transparência sobre quais conteúdos jornalísticos foram utilizados para treinar modelos de IA, mas isso pode ser objeto de regulamentação posterior”, completou Samira.

Tema não avança na Câmara

Prédio Congresso Nacional

No início do ano, o presidente da Câmara, Hugo Motta, definiu que o Marco Regulatório da IA seria uma das prioridades do primeiro semestre. Procurada pela reportagem, a assessoria do parlamentar informou que aguarda a manifestação do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

“A definição de uma data depende de o relator apresentar o parecer. E, diante do atual período eleitoral, o projeto deverá ser votado após as eleições de outubro”, informou, em nota, a assessoria de Motta.

A comissão especial que analisa o tema não se reúne desde novembro de 2025. Procurada pela Agência Brasil, a presidente do colegiado, deputada Luiza Canziani (União-PR), não retornou o contato até o fechamento desta reportagem.

O relator Aguinaldo Ribeiro tem defendido que o tema precisa ser mais debatido, em especial, o capítulo que trata da remuneração pelo uso de conteúdos protegidos por direitos autorais.

“Como é que isso vai funcionar para um artista independente? Como é que funciona? A operacionalidade eu tenho dúvida de como isso vai funcionar”, comentou Aguinaldo a jornalistas antes do recesso parlamentar.

Empresas de tecnologia criticam projeto

O texto que chegou do Senado é criticado pelas empresas de tecnologia, que alegam que o dispositivo sobre direitos autorais “na prática, inviabiliza o treinamento de novos modelos locais de IA”.

“A proposta de legislação brasileira, dessa forma, poderá isolar o Brasil no desenvolvimento da IA, além de impactar investimentos em infraestrutura digital”, diz nota de diversas organizações empresariais, entre elas, a Associação das Empresas de Tecnologia (Brasscom).

Governo apoia PL

O governo federal tem defendido a aprovação do PL 2338. O secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves de Souza, argumentou que tem crescido a judicialização envolvendo direitos autorais.

“Enquanto esse PL não for aprovado, o uso não autorizado de conteúdo jornalístico, ou qualquer conteúdo protegido por direitos de autor, para o treinamento de sistemas de IA, constitui violação de, ao menos, sete dispositivos da lei de direito autoral”, comentou Souza, em audiência pública do Conselho de Comunicação Social do Congresso, na última semana.

 Ação no Cade e acordos de grandes veículos

Enquanto o Congresso não vota o marco regulatório da IA, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação, em abril deste ano, sobre a conduta do Google e os impactos do uso da IA no mercado de mídia.

O conselho avalia se a gigante da tecnologia abusou de sua posição dominante ao utilizar conteúdos jornalísticos em ferramentas de IA sem remunerar os veículos responsáveis.

Por outro lado, dois grandes jornais brasileiros, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, fecharam acordos privados com a OpenAI e o Google, respectivamente. O acordo da Folha ocorreu após o jornal processar a OpenAI pelo uso dos seus conteúdos jornalísticos.

(Fonte: Agência Brasil)

Salvador (BA), 08/08/2026 - A escritora Carla Madeira participa do bate papo Elas por elas: Astrid Fontenelle entrevista Carla Madeira, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Centenas de pessoas se reuniram no histórico Largo do Pelourinho, em Salvador, em pleno sábado à noite, para ouvir uma das autoras mais lidas do país. Convidada da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), a escritora mineira Carla Madeira — voz por trás de obras como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera — defendeu que “livro é uma ocasião de conversar”.

Escritora de ficção mais lida do Brasil, com mais de 1 milhão de cópias vendidas, ela celebrou o fato de mais brasileiros estarem lendo e o crescente hábito de debater obras em clubes de leitura e nas redes sociais.

“As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir, está tudo valendo. E isso é maravilhoso porque é um exercício de troca e tem uma riqueza de ampliar a consciência”, reforçou.

Para ela, a ampliação dos clubes de livros e de festivais de literatura ajuda a aumentar o interesse pela leitura.

“Isso está sendo festejado, está sendo ampliado. E as redes sociais têm um papel superimportante nisso”, completou.

No entanto, apesar do maior interesse pelos livros, a escritora acredita que o brasileiro ainda lê pouco, no universo de um país com 220 milhões de pessoas: 

“Quando se confrontam os números do mercado editorial a esse dado demográfico, não há como negar que o brasileiro lê pouco. Mas tem muitas questões envolvidas nisso que vão desde a educação formal e o incentivo à leitura até o acesso ao livro e locais para se ler”, disse ela à reportagem.

Políticas públicas

Em entrevista à Agência Brasil, pouco antes de conversar com o público da Flipelô, a escritora ressaltou que é importante haver políticas públicas para incentivar e aumentar o acesso aos livros.

Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora no Brasil, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. Mas a maioria, 53%, não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores.

“A gente está falando de uma realidade que é muitas vezes diferente de uma certa bolha ali que tem condição de ter acesso a livro, que tem uma casa ou que tem um quarto, que tem uma luz à noite adequada. E aí vai um monte de questões sociais que eu acho que tem impacto sobre isso”, acrescentou.

Salvador (BA), 08/08/2026 - A escritora Carla Madeira participa do bate papo Elas por elas: Astrid Fontenelle entrevista Carla Madeira, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Novo livro

Durante a mesa na Flipelô, que atraiu um grande público para o Largo do Pelourinho, a escritora mineira contou que seu novo livro Quando será lançado ainda neste mês.

A obra aborda a história de uma mãe que denuncia seu próprio filho à polícia e foi escrita no momento em que Carla Madeira vivenciava três lutos em sequência: a morte de sua mãe, de seu psicanalista e de sua sócia.

"Quando começou muito caoticamente. Não tem nada a ver com essa história, com esse luto, eu não faço autoficção. Mas, nesse período, eu comecei a ler e comecei a querer uma linguagem para dar conta do real. Acho que toda emoção está no corpo. Todo corpo afetado, perturbado, ele quer buscar retornar um estado de equilíbrio, de regularidade. Então, qual é o recurso que ele tem? A linguagem. A gente vai lá na linguagem para reorganizar o corpo”.

O novo livro, contou ela, fala sobre uma mãe doente que espera pelo reencontro com seu filho.

“Ela está para morrer e espera rever esse filho que ela não vê há 20 anos. Nessa espera, a gente começa a conhecer o que aconteceu antes, em 1986, que é aquele período em que o Brasil volta a ter eleições diretas. O livro se passa nesse período, com as heranças da ditadura ainda ali presentes”.

Este é, segundo Carla Madeira, mais um livro sobre um tema que lhe é muito caro: a maternidade.

“A maternidade é uma coisa que está muito presente nos meus livros. Não só a maternidade, mas essa ideia da família como um lugar fundante, um primeiro lugar que nos recebe no mundo e que vai ser determinante – para o bem ou para o mal. É ali onde acontecem os primeiros pactos civilizatórios. É onde começamos a ter nossa primeira visão de mundo”.

A décima edição da Flipelô começou na última quarta-feira (5) e termina neste domingo. Clique aqui e saiba mais sobre a festa.

(Fonte: Agência Brasil)

Rio de Janeiro - Luneta telescópica exposta na mostra Observatório Nacional – 190 anos: uma viagem no tempo e no espaço, no Museu Histórico Nacional (Fernando Frazão/Agência Brasil)

O mês de agosto traz dois fenômenos astronômicos que podem ser vistos a olho nu de diversas partes do mundo. Um eclipse solar total no hemisfério norte, e um eclipse lunar quase completo para alguns países das Américas, Europa e África, entre eles, o Brasil. 

O eclipse lunar está previsto para a madrugada do dia 28 de agosto, com início às 23h30 (horário de Brasília) do dia 27 e com auge previsto para 1h do dia 28. Será possível avistar o fenômeno de todos os Estados do país, e a previsão é de que até 95% da Lua fique avermelhada. 

Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional, explica que o plano de órbita da Lua em volta da Terra é inclinado a 5 graus, e o eclipse ocorre quando esses dois corpos celestes se alinham diretamente com o Sol. 

“Na Lua cheia, você tem, nessa ordem, o Sol, a Terra e a Lua. E aí, o Sol batendo na Terra forma essa sombra no espaço e, quando a Lua entra nessa sombra, é que acontece o eclipse”, explicou. 

Já o eclipse solar, previsto para o dia 12, poderá ser observado na sua totalidade por países como Espanha, Portugal, Rússia, Islândia e Groenlândia. E parcialmente em outras áreas do hemisfério norte e, também, no norte do continente africano. 

“Já aqui, você tem Sol, Lua e Terra, e a sombra da Lua vai fazer um caminho pela Terra. Só quem está neste caminho é que vê o eclipse do Sol. Esse caminho é um caminho de 300 quilômetros de largura”, disse. 

Para assistir ao eclipse lunar que vai passar pelo Brasil, não é preciso nenhum tipo de óculos ou técnica especial. Basta escolher um lugar aberto, com uma visão limpa para a Lua e de preferência com pouca interferência de luz artificial. 

Já para o eclipse solar, só é possível fazer a observação com óculos especiais certificados com a norma ISO 12312-2, ou máscaras com vidro de soldador número 14. Olhar diretamente sem proteção traz riscos sérios à visão e pode causar cegueira. 

Eclipse solar

O eclipse solar total é resultado de uma coincidência cósmica, já que, embora o Sol seja cerca de 400 vezes maior que a Lua, também está 400 vezes mais distante, o que faz com que o Sol e a Lua pareçam ter praticamente o mesmo tamanho.

Um eclipse solar ocorre sempre na Lua Nova, bloqueando, pelo menos, parte da luz e criando a projeção de uma sombra. A pesquisadora do Observatório Nacional conta que, diferentemente do eclipse lunar, que fica visível para todos na metade da Terra onde é noite, o solar tem uma distância mais reduzida.

Fora do ponto que ele abrange, mesmo sendo total, ele se torna um eclipse anular, o que significa que a Lua não cobre o Sol por completo criando um anel de luz em volta. 

Eclipse lunar

O eclipse lunar só ocorre durante a Lua Cheia, e pode vir de três formas diferentes: total, parcial e penumbral. Quando a luz do Sol bate na Terra, cria dois tipos de sombras, a umbra (sombra mais escura) e a penumbra (uma sombra mais branda). 

“Quando vai acontecer o eclipse da Lua, às vezes pode ser que ela entre só nessa penumbra. A gente não vê diferença alguma”, conta.

No eclipse total, a Lua passa pela penumbra, segue até passar completamente pela umbra e, então, retorna para a penumbra. 

“Esse eclipse agora do dia 27, ele é um eclipse parcial. A Lua não vai entrar totalmente na umbra, ela quase vai entrar. Vai funcionar como se fosse um eclipse total porque ela vai começar a ficar vermelha, e essa vermelhidão é o reflexo da luz do Sol batendo na atmosfera da Terra”, finalizou. 

O Observatório Nacional vai transmitir ambos os eclipses de maneira gratuita por meio do seu canal no YouTube. 

(Fonte: Agência Brasil)

Salvador (BA), 07/08/2026 - O escritor Itamar Vieira Junior lança o livro Coração sem medo durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Com o livro Coração sem Medo, o escritor Itamar Vieira Junior encerra sua trilogia sobre a terra, que teve início com o grande sucesso Torto Arado, e passou por Salvar o Fogo. Neste seu novo livro, o escritor fala sobre os desterrados e também sobre um tema bastante universal na literatura, mas que, no Brasil, atravessa principalmente as populações mais periféricas: o desaparecimento de um filho, possivelmente vítima de violência.

Coração Sem Medo compõe essa Trilogia da Terra – histórias que se comunicam e que falam desse direito elementar fundamental e que atravessa a vida de todos, mas que ainda é negado para muitos. Conta a história de Rita Preta, uma personagem que vive em Salvador..

"É a história daqueles que foram desterrados, que não puderam lutar pela terra. Rita é uma mulher feliz, é caixa de supermercado, ela, enfim, toca a vida como pode, tem três filhos e, de repente um dos filhos desaparece. E aí começa a jornada dela para saber o que aconteceu”, contou.

Embora seja ficcional, o drama vivido por Rita Preta reflete um número cruel da realidade brasileira. Só no primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou 43.828 pessoas desaparecidas, uma média de 242 sumiços por dia. Em todo o ano passado, foram 85.232 casos de desaparecimentos, uma média de 234 sumiços a cada dia.

Os dados fazem parte do Painel Estatístico do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, e podem não refletir totalmente a realidade, já que muitos casos sequer são notificados. 

Em entrevista à Agência Brasil, antes de falar do seu novo livro na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em um palco ao ar livre, lotado, Itamar Vieira Junior revelou que o drama vivido por Rita atinge todas as classes sociais, embora suas maiores vítimas sejam as mães que vivem nas periferias brasileiras.

Salvador (BA), 07/08/2026 - O escritor Itamar Vieira Junior lança o livro Coração sem medo durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Eu sei que o desaparecimento atinge todas as classes, pessoas de todas as origens, mas ele é cruel porque se concentra muitas vezes naqueles que mais precisam e daqueles que mais carecem de políticas públicas do Estado. Esse é um tema que não envelhece e que ainda está à nossa volta”, afirmou.

No livro, o desaparecimento ocorre após um desentendimento entre mãe e filho. Com o passar dos dias, no entanto, a operadora de caixa vai percebendo que o desaparecimento pode não ter acontecido por causa disso, e ela passa, então, a dedicar-se à busca pelo paradeiro de filho.

“A nossa cidade, Salvador, infelizmente está cheia dessas mulheres que precisam enfrentar essa história, essa dor. Vivemos em um Estado que tem uma das polícias mais letais do país. Essa é uma realidade. Vivemos em um espaço também onde o crime está conflagrado. E isso atinge as pessoas inocentes, pessoas que, enfim, querem apenas viver. E é importante lembrar tudo isso. E o que é que resta depois? O que é que sobra para essa mulher, para essa personagem? Ela vai desistir da vida ou vai buscar por justiça?”

Durante essa busca pelo filho, Rita Preta vai perceber que “a história não começou exatamente agora, mas é algo que vem de muito tempo antes” e que ela vai precisar se conectar com seus antepassados e suas origens.

“Essas perdas atravessam a história da humanidade. Nós convivemos hoje com mulheres que estão passando por isso, e a gente nem se dá conta de que parece que a história humana tem essa capacidade de se repetir em muitos tempos”.

Para o escritor, a literatura também tem uma capacidade grande de humanizar. Essas histórias aparecem muitas vezes na imprensa, mas aparecem de forma superficial.

“Quem trata dos sentimentos e das subjetividades humanas é a arte, e a arte tem o poder de devolver a vida, de humanizar aquilo que parece desumanizado”, disse ele.

“Embora seja capaz de humanizar, essa mesma arte ainda não é capaz de fornecer respostas”, afirma Itamar. A tarefa da literatura, no entanto, acrescenta, continua sendo a de provocar incômodos ou reflexões sobre o fato. “Acho que sempre há caminhos. Tudo que a arte não faz é dar respostas. Eu acho que ela nos ajuda a refletir sobre o que está acontecendo. Ela nos incomoda, a arte tem essa capacidade de incomodar. E acho que é a partir do incômodo que as mudanças vêm”.

Do campo para a cidade

Salvador (BA), 07/08/2026 - O escritor Itamar Vieira Junior lança o livro Coração sem medo durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em seu novo romance, Itamar Vieira Junior transporta a ação do campo, como ocorreu em Torto Arado, para a cidade.

“A gente pensa em Salvador, nessa riqueza cultural, nessas contradições históricas e parece que tudo já nasceu e já aconteceu aqui. Mas essa cidade cresce e acontece a partir de muitas chegadas”, disse ele ao público presente no Largo do Pelourinho, durante a Flipelô.

“Desde os povos originários que aqui estavam, passando pela invasão dos europeus e pela diáspora para Salvador, afluíram tantos povos, tantas etnias. E no século XX, em particular, chega muita gente do interior da Bahia por meio do êxodo rural. Muitos vieram viver na cidade pelo acirramento dos conflitos – seja pelo acirramento dos conflitos fundiários, seja pela esperança que depositaram na vida na cidade”, afirmou.

No caso da personagem principal de seu novo livro, Rita Preta é uma pessoa que sai do campo para viver na capital baiana e, em Salvador, percebe que há muitos outros conflitos na vida urbana. “Eu sei que muitos chegaram aqui e a história da Rita é semelhante à história de muitos que aportaram em Salvador para viver – e que, às vezes, fugiram de um conflito fundiário, como ela escapa, mas aqui vai descobrir que a cidade é um território desigual, que também vive em disputas. A cidade não pode ser habitada por todos da mesma maneira. Pelo contrário”.

Ainda há muita desigualdade, ainda há muita diferença e é isso que o romance de alguma maneira vai apresentar para o leitor, destacou Itamar.

Seja no campo ou na cidade, esse drama sobre o direito à terra, ressaltou o escritor, perpassa toda sua trilogia.

“Eu digo o seguinte: em Torto Arado, a terra é território e pertencimento. Em Salvar o Fogo, ela se confronta com a violência, a fé e a disputa pelo sagrado. E em Coração sem Medo, essa história chega a uma Salvador urbana, atravessada pelo deslocamento e pela violência contemporânea”, disse ele.

Essa terra que une os três livros, afirma o escritor, poderia ser entendida como um lugar físico, uma memória ancestral ou até mesmo como aquilo “que um povo carrega consigo mesmo quando já lhe arrancaram a própria terra”.

“Quando um personagem, que é o filho da Rita, desaparece nesse último romance, esse corpo, que é um território, não é muito diferente da terra que está em disputa em Torto Arado, nem é muito diferente da terra que é tida ali como patrimônio de uma igreja em Salvar o Fogo. Esse corpo é um território também. E se tiraram ele de Rita é porque ainda existem corpos e ainda existem territórios que não são cuidados, que não são integrados e que não estão vivos porque essa violência histórica nos atravessa”.

(Fonte: Agência Brasil)

Salvador (BA), 07/08/2026 - Paloma Jorge Amado participa do bate papo Um gesto de amizade - as cartas de Erico e Jorge, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, na Casa Motiva - Vale do Dendê. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As correspondências que foram trocadas por mais de quatro décadas entre os escritores brasileiros Jorge Amado e Erico Verissimo estão agora reunidas no livro Cartas: Jorge Amado – Erico Verissimo, que foi lançado na tarde dessa sexta-feira (7), na Casa Motiva, em Salvador, como parte da programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

O livro integra a coleção Um gesto de amizade, da Fundação Casa de Jorge Amado, que já publicou títulos como Com o mar por meio: Uma amizade em cartas, que reúne a correspondência trocada entre Jorge Amado e o escritor português José Saramago, e também Cartas: Dias Gomes – Jorge Amado, que apresenta o diálogo travado entre Amado e o dramaturgo brasileiro.

Organizada por Paloma Jorge Amado, escritora e filha de Jorge Amado, e por Bete Capinan, a coletânea reúne documentos históricos, memórias afetivas e testemunhos literários. A edição conta ainda com texto recuperado de Luís Fernando Verissimo e orelha assinada por Fernanda Verissimo, neta de Erico Verissimo e filha de Luis Fernando Verissimo.

Em entrevista à Agência Brasil durante o lançamento do livro, Fernanda Verissimo revelou que as cartas mostram uma relação muito afetuosa entre os dois escritores.

“O que me surpreendeu [nestas cartas] é o quanto eles eram leitores um do outro. E como eles falavam de literatura com muito conhecimento – e não só da literatura um do outro, mas da literatura do Brasil”.

Para Paloma Jorge Amado, este livro é fundamental principalmente para as pessoas que gostam de literatura brasileira. “As cartas começam nos anos 30 e vão até a morte do Erico (1975). Então, você tem, por exemplo, o papai contando pro Erico que está escrevendo Jubiabá e ele mostra cada parte do livro, qual o esquema, uma coisa prévia de Jubiabá, que foi um livro fundamental na literatura de papai. O mesmo acontece com Erico contando os livros que ele está fazendo. É lindo”, disse ela à reportagem.

Uma das curiosidades dessa troca de cartas, revelou Paloma, é o fato de Jorge Amado sempre chamar o filho de Erico Verissimo – o também escritor Luis Fernando Verissimo (1936-2025) – pelo nome de João. “Eu estava agora mesmo abrindo o livro e há um trecho em que ele escreve Joãozinho, entre aspas, que é o Luís Fernando. O papai chamava o Luís Fernando de João, dizendo: ‘Mas ele tem cara de João, não pode ter o nome de Luís Fernando’. E o Erico respondia: ‘O Joãozinho, você nem acredita, está escrevendo o fino. É cada crônica maravilhosa para o Zero Hora!’”.

Outro momento interessante, acrescentou Paloma, trata sobre uma viagem que Jorge Amado fez à Itália. Nesse trecho da carta, Jorge Amado conta ao amigo Erico que estava passeando pela Itália quando passou em frente a uma livraria e viu uma plaquinha dizendo que Jorge era o mais importante escritor brasileiro. Mas isso não durou muito. Logo em seguida, ele passou em frente a outra livraria onde havia outra plaquinha em que se lia que Erico Verissimo era o mais importante escritor brasileiro.

“Aí mamãe [a também escritora Zélia Gattai] fotografou, e o papai disse: ‘Erico, por cinco minutos, eu fui mais importante. Depois, é você – e não tem para mais ninguém’. Era uma amizade assim divertida, estavam pensando um no outro o tempo todo”, disse.

Nessas cartas trocadas com Erico Verissimo – autor de obras como Olhai os Lírios do Campo e O Tempo e o Vento – havia, também, uma troca de conselhos e reflexões sobre política, cultura e sociedade. Além disso, eles tratavam sobre os impactos do autoritarismo e da necessidade permanente de defesa da liberdade de expressão e do pensamento crítico. “Desde o início, nas primeiras cartas que eles trocam, havia comentários sobre o Estado Novo. E isso fica ainda mais interessante e mais forte ao final, nos anos 70, durante a ditadura, quando eles se unem para combater a censura e fazer frente à censura prévia. É bom lembrar, também, da importância dos dois como intelectuais públicos”, destacou Fernanda.

Acervo

Todo o acervo de cartas que compõem essa coleção está sob a guarda da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. É um material vastíssimo, de quantidade total ainda desconhecida. São caixas e caixas de correspondências que o famoso escritor baiano trocou com escritores, políticos, artistas e com Zélia Gattai, com quem foi casado.

“O nosso acervo de cartas é imenso, mas é algo que tem que ser trabalhado com muita cautela, logicamente, por tudo o que envolve os conteúdos e pela própria declaração de Jorge Amado, que não gostaria que isso fosse aberto indiscriminadamente. A Paloma Jorge Amado [escritora e filha de Jorge Amado] tem trabalhado com a gente na pesquisa sobre os conteúdos das cartas, fazendo essa junção entre Jorge Amado receptor e o Jorge Amado escrevente”, explicou Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, instituição responsável pela realização da Flipelô.

Esse acervo é composto, inclusive, por bilhetes que eram guardados por ele, que sabia do valor que o material carregava. “Ele dizia que aprendeu três coisas importantes na vida. Uma é: nunca chegue atrasado – e ele era muito pontual. A segunda é: nunca deixe de responder  a uma correspondência. Então, você pode imaginar a quantidade de cartas que o Jorge Amado guardou e que ele escreveu. Terceiro: quando você quer alguma coisa, insista, insista e insista. A gente tem trabalhado nesse sentido de buscar também essas cartas que estão fora de nosso acervo, já que a gente tem as cartas que ele recebeu, mas precisamos buscar as cartas que ele mandou”, acrescentou Angela.

Mais informações sobre a programação da Flipelô podem ser acessadas por meio do site oficial. 

(Fonte: Agência Brasil)